. “E toda grama verde foi queimada”. – Que isto signifique que pelas cobiças dos mesmos amores também pereceu todo conhecimento do vero vê-se pela significação de ‘grama’, que é o conhecimento (de que se tratará a seguir), e pela significação de ‘verde’ que é o vero e o que vive do vero, pois assim como a grama verde serve de pastos aos animais, também o conhecimento verdadeiro serve de nutrição espiritual para os homens. Com efeito, tudo o que nasce nos campos, nos jardins e nas campinas e serve de nutrição ao homem ou à besta tem correspondência com as coisas tais que servem de nutrição ao espírito [animi] e à mente, as nutrição essa que se chama nutrição espiritual. As mesmas coisas também aparecem no mundo espiritual pela correspondência das coisas espirituais com as naturais. E como a Palavra na letra é natural e escrita por meio de correspondências, por isso se diz que ‘a terça parte das árvores e toda grama verde foram queimadas’, pelo que se entende, no sentido espiritual, que toda percepção e cognição do vero e do bem, bem como todo conhecimento verdadeiro, pereceram pelos dois amores corpóreos, terrestres e meramente naturais.
[2] Por conhecimento verdadeiro se entende todo conhecimento pelo qual é confirmado o vero espiritual e que tem vida pelo bem espiritual. Porque o homem, pelos conhecimentos, pode ser sábio e ser insano; é sábio pelos conhecimentos quando por eles confirma os veros e bens da igreja, que são os veros e bens espirituais, mas é insano pelos conhecimentos quando enfraquece e refuta os veros e bens da igreja. Quando por eles confirma os veros e bens da igreja, então eles se chamam conhecimentos verdadeiros e são vivos, mas quando por eles enfraquece e refuta os veros e bens da igreja, então se chamam conhecimentos falsos e são mortos. As ciências são somente meios para os usos, e são tais quais são os usos que existem por eles. São vivas quando o homem por elas adquire para si inteligência e sabedoria. Toda inteligência e sabedoria procede34 dos veros que vêm do céu; essa inteligência e sabedoria, porque vem do céu, isto é, do Senhor através do céu, é viva, porque é a vida mesma para o homem espiritual. Mas não existe inteligência e sabedoria procedente dos falsos, e, se se crer existir em alguém, é, contudo, morta, porque é proveniente do inferno.
[3] Estas coisas foram ditas para que se saiba que pela ‘grama verde’ é significado o conhecimento verdadeiro, que é vivo, e pela ‘grama queimada’ o conhecimento falso, que é morto. Quando o vero e o bem, que vêm do céu, não têm receptáculo nas cognições e nos conhecimentos com o homem, mas quando o têm os falsos e males, que vêm do inferno, então os conhecimentos não são vivos, mas mortos, e correspondem à grama seca e queimada. É semelhante em relação ao homem mesmo, pois o homem é tal homem consoante vivem as cognições e ciências nele, pois pelas ciências que vivem ele tem inteligência, mas pelas ciências que não vivem ele não tem inteligência. E se foram mortas pela confirmação dos falsos por meio deles, há insanidade e estultícia.
[4] Tal homem é comparado na Palavra à ‘grama’, pela correspondência, e também é chamado ‘grama’ nas seguintes passagens. Em Isaías:
“Os habitantes... se tornaram erva do campo, verdura de grama, grama dos tetos, e campo queimado antes de amadurecer” (Is. 37:27; 2 Re. 19:26);
em David:
Os maus “como a grama de súbito são cortados, e como a verdura da erva definham” (Sl. 37:2);
no mesmo:
“O homem, os seus dias são como a grama; como a flor do campo assim floresce” (Sl. 103:15);
no mesmo:
Os que têm ódio de Sião “serão como a grama dos tetos, que antes se seca antes de crescer ???” (Sl. 129:6);
em Isaías:
“Será revelada a glória de Jehovah, e verão... Uma voz disse: Clama; e diz: Que clamarei? Toda carne é como a grama, e toda sua santidade é como a flor do campo; secou-se a grama e caiu a flor, porque o vento de Jehovah sopra nela. Verdadeiramente, grama é o povo; secou-se a grama, caiu a flor, e a Palavra de Deus permanece na eternidade” (Is. 40:5-8).
Estas palavras são a respeito do advento do Senhor e, então, da revelação do Divino Vero por ele, que se entende por ‘será revelada a glória de Jehovah, e verão’. Que então nos homens não haveria conhecimento verdadeiro algum nem espiritual verdadeiro é significado por ‘toda carne é grama, toda santidade como a flor do campo; secou-se a grama, caiu a flor’; ‘grama’ é o conhecimento verdadeiro e ‘flor do campo’ é o espiritual verdadeiro. Que o homem seja assim entende-se por ‘toda carne é grama’ e por ‘verdadeiramente, grama é o povo; secou-se a grama’; ‘toda carne’ é todo homem, ‘povo’ é quem está nos veros, mas aqui nos falsos.
[5] No mesmo:
“Eu sou aquele que vos consola; que coisas tu receias da parte do homem, que é morto, e da do filho do homem, que é dado à grama?” (Is. 51:12);
por essas palavras é significado que todas as coisas vêm do Senhor, e nada da própria sabedoria e inteligência; ‘homem’ significa o homem quanto à sabedoria, e ‘filho do homem’ quanto à inteligência; que elas sejam somente ciência entende-se por ‘dado à grama’.
[6] No mesmo:
“Derramarei Meu espírito sobre a tua semente, e Minha bênção sobre os seus filhos [natos], e germinarão no meio da grama” (Is. 44:3, 4);
pelo ‘espírito de Jehovah’ é significado o Divino Vero, e pela ‘bênção’ a sua multiplicação e frutificação. Daí a inteligência pelos verdadeiros conhecimentos é significada por ‘germinar no meio da grama’.
[7] Em David:
Jehovah, que “faz germinar a grama para a besta, e a erva para o serviço do homem” (Sl. 104:14);
em Moisés:
“Fluirá como chuva a minha doutrina; destilará como orvalho a minha palavra, como chuvisco sobre a grama e como gotas sobre a erva” (Dt. 32:2);
pela ‘grama’ nessas passagens é significado o conhecimento verdadeiro, e pela ‘erva do campo’ o espiritual verdadeiro, pois por ‘erva do campo’ entende-se o grão recém brotado no campo, ou a novidade, pelo que é chamado ‘erva para o serviço do homem’. Se se diz que a ‘grama é para a besta’ e ‘para comida da besta’ é porque a ‘besta’ na Palavra significa a afeição do homem natural e para ele o conhecimento verdadeiro é por comida e nutrição.
[8] Em Jó:
“Eis o behemoth, que fiz contigo: come grama como o boi” (Jó 40:15);
por ‘behemoth’ se entende algo semelhante que pela ‘besta’ na Palavra, a saber, as afeições naturais que pertencem ao homem, pelo que se diz: ‘eis o behemoth, que fiz contigo’. Seu pasto espiritual é o conhecimento verdadeiro; este se entende por ‘come grama como o boi’.
[9] Que por ‘verde’ seja significado o que é vivo pode-se ver sem explicação adicional, pois o sujeito vegetal, quando vegeta, isto é, quando vive, por assim dizer, é verde. Quando, porém, não mais vegeta ou quando morre, por assim dizer, então o verdor perece. Por isso, pelo que ‘verdeja’ ou o que é ‘verde’ é significado o que vive ou é vivo, como também nas seguintes passagens: Jr. 11:16; 17:8; Ez. 17:24; 20:47; Os. 14:8; em David, Sl. 37:35; 52:8; 92:10 e outras passagens.
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