. “E como que um grande monte ardente de fogo”.- Que isto signifique o amor de si e, daí, da própria inteligência vê-se pela significação de ‘monte ardente de fogo’, que é o amor de si e, assim, o amor da própria inteligência. Que aqui o amor é significado por esse monte é porque o ‘monte’ na Palavra significa o amor em ambos os sentidos, ou seja, o amor celeste e o amor infernal (vide acima, n. 405). É semelhante em relação ao ‘fogo’ (de que também se tratou acima, n. 504). Aqui se trata dos maus que deviam ser separados dos bons e precipitados no inferno. Por esse amor neles todo vero foi convertido em falso. O efeito decorrente de ‘esse monte ser lançado no mar’ é descrito na sequência, pois ‘o monte lançado no mar, pelo que a terça parte do mar tornou-se sangue’, significa que no homem natural tudo se tornou falso do mal. Disso se pode ver que aqui, pelo ‘grande monte ardente de fogo’ é significado o amor de si e, assim, o amor da própria inteligência. De fato, toda inteligência própria procede do amor de si.
[2] Que pelo ‘monte’ se entenda o amor em ambos os sentidos é porque os anjos do terceiro céu, que estão no amor celeste, habitam sobre os montes habitam no mundo espiritual; portanto, quando se diz ‘monte’ entende-se esse céu, e, segundo as ideias do pensamento angélico, que são abstraídas de pessoas e lugares, entende-se aquilo que faz o céu, assim, o amor celeste. Que, porém, o ‘monte’, no sentido oposto, signifique o amor de si é porque aqueles que estão no amor de si desejam continuamente subir em montes, fazendo-se iguais aos que estão no terceiro céu. Isto eles também mantêm em sua fantasia, para isso também se esforçam, quando estão fora dos infernos. Assim é que pelo ‘monte’, no sentido oposto, é significado o amor de si. Em suma, os que estão no amor de si aspiram sempre coisas altas; por isso, também, após a morte, quando todos os estados do amor se convertem em correspondência, em sua fantasia eles se projetam no alto, acreditando, quando estão na fantasia, que estão sobre altos montes, quando, todavia, corporalmente estão nos infernos. Assim é que aqueles que são da Babilônia, que estão num amor de si tal que não somente querem imperar sobre toda a terra, mas também sobre os céus, são chamados na Palavra ‘montes’ e ‘sentar sobre o monte’ e ‘subir sobre excelsas nuvens’, como em Jeremias:
“Eis que eu sou contra ti, ó monte que destróis, que destróis toda a terra; e estenderei Minha mão contra ti, para te derrubar das rochas, e para te dar por monte de combustão” (Jr. 51:25);
e em Isaías:
“Disseste em teu coração: Subirei aos céus, sobre as estrelas de Deus exaltarei meu trono, e sentar-me-ei no monte da aliança;... subirei sobre excelsas nuvens, tornar-me-ei semelhante ao altíssimo. Entretanto, no inferno serás lançado” (Is. 14:13-15).
Isto é dito a respeito Babel.
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