. “Foi lançado no mar”. – Que isto signifique no homem natural pode-se ver pela significação de ‘mar’, que é o conhecimento em geral que está no homem natural, por conseguinte, o homem natural quanto ao conhecimento ali (de que se tratou acima, n. 270 e 342). Que o ‘mar’ aí signifique isso é porque o vero no homem natural se chama conhecimento, mas o vero mesmo é em si espiritual, e o homem espiritual faz um com a afeição do vero, pois é a forma da afeição aí. Quanto mais, pois, que essa afeição com sua forma estiver nos conhecimentos que estão no homem natural, mais os conhecimentos em si contêm os veros e são conhecimentos verdadeiros, porque os conhecimentos que estão no homem natural não são veros, considerados em si mesmos, mas somente vasos continentes do vero, pelo que os conhecimentos são também significados pelos ‘vasos’ na Palavra.
[2] Que o homem natural seja significado pelo ‘mar’ pode-se ver pelas passagens acima, citadas da Palavra (n. 275 e 342), pelas quais é evidente que pelo ‘mar’ relativamente à água é significado o conhecimento no geral, e pelo ‘mar’ relativamente às ondas são significados a disputa e o raciocínio que se faz pelos conhecimentos; e como ambos estão no homem natural, por isso pelo ‘mar’ mesmo é significado o homem natural. Mas o estado do homem natural é inteiramente segundo a afeição que é do amor do homem. Quando no homem domina a afeição espiritual ou a afeição do bem e do vero por causa do bem e do vero, e esta influi no homem natural por meio do espiritual e então o homem natural é um homem espiritual, pois então está subordinado e sujeito ao espiritual e, como assim agem como um, ambos estão no céu. Quando, porém, a afeição meramente natural domina no homem, então no homem natural não há vero algum, mas tudo o que há aí é o conhecimento não verdadeiro, conhecimento morto e conhecimento falso. A causa disto é que então os conhecimentos ali se conjuntam às afeições meramente naturais que brotam, todas, dos amores de si e do mundo, e, todavia, os veros mesmos, por serem em si mesmos espirituais, não se conjuntam senão com afeições espiritual, como foi dito acima. Quando os veros se conjuntam às afeições meramente naturais, então não são mais veros, mas falsos, pois a afeição meramente natural os falsifica. As conjunções do vero com as afeições meramente naturais correspondem às escortações e aos adultérios de vários gêneros, e, também, no sentido espiritual, se entendem na Palavra pelos vários gêneros de escortações e de adultérios. Há conjunções de verdades da Palavra com o amor de si e do mundo que a eles correspondem.
[3] Que o ‘mar’ signifique o homem natural com as coisas que aí estão é o que também vem da correspondência, pois no mundo espiritual aparecem mares em vários lugares, principalmente ao redor dos últimos termos, onde terminam as sociedades espirituais ou o céu mesmo. A causa por que existem mares ali é porque nos termos do céu e fora deles estão os que foram homens meramente naturais, os que também aparecem ali nos lugares fundos, onde estão suas moradias. Mas esses são ali naturais não maus, pois os naturais maus estão nos infernos. Pelos mares vistos aqui também se vê a qualidades dos que ali se acham, mas isto principalmente pela cor das águas, tendendo para o escuro ou para o claro. Se para o escuro, acham-se ali os espíritos sensuais, que são os naturais ínfimos; se para o claro, acham-se ali os naturais interiores. Mas as águas dos mares que estão sobre os infernos são densas, negras e, às vezes, rubras. E a turba infernal ali aparece como víboras e serpentes, e como monstros tais que há nos mares.
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