AE 537

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 2) “E abriu o poço do abismo”. Que isto signifique a comunicação e a conjunção com os infernos onde há e de onde vêm tais falsos vê-se pela significação de ‘abrir’, que aqui é comunicar e conjungir (de que se tratará a seguir), e pela significação de ‘poço do abismo’, que é o inferno onde há e de onde vêm tais males. Que eles sejam chamados ‘poço do abismo’ é porque o ‘poço’ significa a Palavra no sentido da letra e o vero da doutrina daí, mas, no sentido oposto, significa a Palavra falsificada e o falso da doutrina daí, e o ‘abismo’ ou ‘profundeza do mar’ significa o inferno. Que signifique o inferno onde estão os que falsificaram os veros da Palavra aplicando-os aos males da vida é porque àqueles que estão acima esses infernos aparecem como mares, e os que neles estão aparecem ali nas suas profundezas. Eu até vi esses mares ou infernos, e também vi os que estão nas profundezas, e dali eles falaram comigo, dizendo que não estão em águas, mas no seco. Daí tornou-se-me evidente que as águas dos seus mares são aparências correspondentes aos falsos em que estão. As águas desses mares são mais espessas e mais densas segundo as falsificações, e também de várias profundidades, segundo os males que eles falsificaram.
[2] Da significação, porém, de ‘abismo’ na Palavra dir-se-á abaixo. Que ‘abrir o poço do abismo’ signifique a comunicação e a conjunção com tais infernos é porque os infernos não ase abrem senão entram os espíritos do mal, o que acontece quando cumpriram o tempo no mundo dos espíritos, pois a nenhum mau espírito do inferno é permitido sair, uma vez ali lançado. Se sai, é todavia imediatamente ali reposto. Mas todo homem foi conjunto a espíritos que estão no mundo dos espíritos, que são tais como ele mesmo é; por isso, o homem que falsifica a Palavra, aplicando-a para confirmar os males da vida e os falsos, é conjunto a espíritos semelhantes e, por eles, conjunto aos infernos que estão em semelhantes falsos. Todo homem se torna espírito após a morte, e então é logo ligado ou a sociedades infernais ou a sociedades celestes, segundo a sua vida no mundo. E todos os espíritos, antes de serem lançados no inferno ou elevados ao céu, ficam primeiro no mundo dos espíritos, e, então, em homens que vivem no mundo, os espíritos maus anos maus, e os bons nos bons. Por eles o homem tem comunicação e conjunção ou com os infernos ou com os céus. Daí é evidente que por ‘abrir o poço’ não é significado abrir o inferno, mas a comunicação e, pela comunicação, ter conjunção com o inferno. Também, de cada um dos infernos exalam falsos do mal em grande abundância, nos quais se acham os espíritos que estão no mundo dos espíritos e, ao mesmo tempo, homens que estão em falsos semelhantes em nosso mundo. O espírito e o homem não podem estar em outro lugar senão onde está o amor de sua vida, pois aquilo que o homem ama isso ele quer, nisso pensa e isso aspira. (O que é o mundo dos espíritos vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 421-431 e seq.).
[3] Que o ‘poço’ signifique a Palavra e o vero da doutrina, e, no sentido oposto, a Palavra falsificada e daí o falso da doutrina é porque os poços contêm águas, e as ‘águas’ significam os veros e, no sentido oposto, os falsos, como foi mostrado acima (n. 71, 483 e 518). Que o ‘poço’ signifique tais coisas pode-se ver pelas passagens que se seguem, na Palavra. Em Moisés:
“Prosseguiram até Beer; este é o poço de que Jehovah disse a Moisés: Reúne o povo e lhe darei águas. Então Israel cantou este cântico: Sobe, ó poço! Respondei dele: Um poço os princípios cavaram, os voluntários do povo escavaram com seus cajados, pelo Legislador” (Nm. 21:16-18);
que esse ‘poço’ signifique o vero da doutrina proveniente da Palavra pode-se ver pelo cântico que Israel cantou a respeito dele; que ‘o poço subisse’ e ‘respondessem dele’ significa que a doutrina da Palavra ensinaria o vero e eles o receberiam. A evocação do vero é significada por ‘sobe, ó poço’, e a recepção e a instrução por ‘respondei dele’; ‘os princípios cavaram um poço, os voluntários do povo escavaram com seus cajados, pelo Legislador’ significa que aqueles que estão nos veros e nos bens do vero são iluminados pelo Senhor, e por Ele, por meio da Palavra, investigam e coligem doutrina; ‘princípios’ significam os que estão nos veros, ‘voluntários do povo’ os que estão nos bens do vero; ‘cavar’ significa investigar e coligir; o ‘Legislador’ significa o Senhor quanto à Palavra e quanto à doutrina da Palavra, e ‘cajados’ significa o poder e as forças da mente, aqui, proveniente do Senhor pela Palavra, porque se diz: ‘pelo Legislador’. Daí é evidente o que o ‘poço’ aí significa. Que Israel tenha cantado esse cântico a respeito dele era porque ‘beer’ na língua original significa ‘poço’, e ‘poço’, no sentido espiritual, significa a Palavra e a doutrina da Palavra, semelhantemente a ‘Beersheba’, que é nomeada muitas vezes nas partes históricas da Palavra.
[4] O mesmo significa
O poço de Jacob onde o Senhor assentou-Se e falou com a mulher samaritana, e disse: “Se conhecesses o dom de Deus, e quem é o que te diz... tu Lhe pedirias” água “e te daria a água viva que se tornará... uma fonte de águas que jorram na vida eterna” (Jo. 4:6-15);
que o Senhor tenha falado com a mulher samaritana daquele poço era porque pela ‘mulher samaritana’ se entendia a igreja a ser instaurada com as nações, e pelos ‘samaritanos’, que também são ali citados, entendem-se as nações que haveriam de receber a doutrina vinda d’Ele e a respeito d’Ele. Por aquele ‘poço’ é significada a doutrina da Palavra, pela ‘água’ o vero da doutrina e por o “Senhor sentar-Se junto àquele poço’, a Palavra ou o Divino Vero. Que pelo Divino Vero da Palavra proveniente do Senhor haja a salvação é significado por ‘a água que Ele der se tornará uma fonte de águas que jorram na vida eterna’.
[5] O mesmo que é significado pelo ‘poço de Jacob’ é significado também pelos
Poços que os servos de Abrahão e de Isaque cavaram, sobre os quais contenderam com os servos de Abimelech (Gn. 21:25; 26:15, 18-22, 25, 32);
pelo ‘poços’ que os servos de Abrahão e de Isaque cavaram são significados os veros da doutrina, pois por ‘Abrahão’, ‘Isaque’ e ‘Jacob’, na Palavra, entende-se o Senhor; mas por ‘Abimelech’, o rei de Gerar ou dos filisteus, entendem-se os que põem a salvação nos veros somente, sem o bem da vida, semelhantemente ao fazem hoje os que estão na fé só. E como todo vero é proveniente do bem, ou tudo da fé vem da caridade, e aqueles que separam e excluem o bem do vero, ou a caridade da fé, não possuem vero algum da doutrina. Mas todo vero da Palavra neles é como o sentido das palavras sem a percepção do assunto, assim, como uma casca sem o núcleo, por isso contendem a respeito dos veros da fé. Isto foi representado e significado pelas contendas dos servos de Abimelech com os servos de Abrahão e de Isaque a respeito dos poços. O sentido interno espiritual está nas partes históricas da Palavra assim como nas suas partes proféticas, como se pode ver pelos Arcanos Celestes, onde os relatos históricos que estão contidos no Gênesis e no Êxodo, explicados quanto ao sentido interno espiritual, também tratam dos poços de Abrahão e de Isaque, como se vê. De outro modo, para que haveria na Palavra relatos históricos a respeito de poços?
[6] Em Lucas:
“Qual de vós, cujo jumento ou boi cai num poço, que logo não o tira no dia do Sabbath?” (Lc. 14:5).
Que tenha existido esse estatuto na nação israelita e judaica era por causa do sentido espiritual que há ali, pois todos os estatutos, juízos e preceitos dados aos filhos de Israel significavam coisas espirituais que são do céu e da igreja. Este estatuto, pois, significava que se alguém cair no falso e no mal, deve ser tirado pelo vero que é ensinado no dia do Sabbath pelo Senhor; pelo ‘poço’ é significado aí o falso e o mal do falso; pelo ‘jumento’ e pelo ‘boi’ é significado o vero e o bem do homem natural; por ‘cair no poço’ é significado no falso e no mal do falso; por ‘tirar no dia do Sabbath’ é significado ser instruído e tirado deles, pois o ‘dia do Sabbath’ significa aí o Senhor quanto à instrução e à doutrina, pelo que Ele se chama ‘Senhor do Sabbath’. (Que o ‘jumento’ signifique o vero do homem natural vê-se nos Arcanos Celestes, n. 2781 e 5741; e que o ‘boi’ signifique o bem do homem natural, n. 2180, 2566, 9134 ali).
[7] Quase o mesmo sentido espiritual está contido nestas palavras em Mateus:
“Quando um varão tiver aberto um fosso, ou quando um varão tiver cavado um fosso e não o tiver fechado, e cair nele um boi ou jumento, o dono do fosso retribuirá, prata pagará ao seu dono, e o morto será para si” (Êx. 21:33, 34);
‘quando um varão tiver aberto um fosso’ significa que se alguém tiver divulgado algum falso que tem; ‘ou quando um varão tiver cavado um fosso’ significa ou se tiver forjado ou tiver criado; ‘e nele cair um boi ou um jumento’ significa perverter o bem e o vero no natural que há em outrem; ‘o dono do fosso retribuirá’ significa que aquele de quem veio o falso deve emendar; ‘prata pagará ao seu dono’ significa pelo vero naquele cujo vero e bem no natural foi pervertido; ‘e o morto será para si’ significa que o mal ou falso permanecerá nele. (Mas estas coisas se veem mais plenamente explicadas nos Arcanos Celestes, n. 9084-9089). Aqui, ‘fosso’ significa o mesmo que ‘poço’.
[8] Semelhantemente, em Mateus:
“Cegos condutores de cegos; quando um cego conduz outro cego, ambos came no fosso” (Mt. 15:14; Lc. 6:39).
Estas palavras o Senhor disse aos escribas e fariseus, que, embora tivessem a Palavra, onde todas as coisas são Divinos veros, nada entendiam, porém, do vero. E como ensinavam falsos, e os falsos também acreditados pelo povo, foram chamados ‘cegos condutores de cegos’. São chamados ‘cegos’, na Palavra, os que não entendem o vero; e como o ‘fosso’ significa o falso, diz-se que ambos nele caem.
[9] Em David:
“Arrebata-me do luto, para que eu não afunde; que eu seja arrebatado dos que me odeiam, e das profundezas das águas, para que as ondas das águas não de cubram, nem as profundezas me traguem, nem o poço feche sobre mim a sua boca” (Sl. 69:14-15).
Que o ‘poço’ signifique o inferno onde há e de onde vêm tais falsos é claramente evidente aqui, pois se diz ‘não feche o poço sobre mim a sua boca”, isto é, que o inferno, de onde vêm os falsos, ou que os falsos do inferno não me invadam totalmente, para que eu não escape; por ‘arrebatar-me do lodo, para que não afunde’ é significado para que eu não pereça pelo mal do falso; ‘que eu seja arrebatado dos inimigos e das profundezas das águas’ significa ser liberto dos males e falsos que vêm dos infernos; ‘inimigos’ são os males daí, e ‘profundezas das águas’ são os falsos daí; ‘não me traguem as profundezas’ significa que não o façam os infernos, de onde vêm os falsos do mal, ou os falsos do mal que vêm do inferno.
[10] No mesmo:
“Fazem macia como manteiga a sua boca, e quando se aproxima o coração de alguém, suas palavras são mais moles do que o azeite, quando elas são espadas desembainhadas; ??? e Tu, ó Deus, os lançarás no poço do fosso” (Sl. 55:21, 23).
Essas palavras foram ditas a respeito dos que simulam boas afeições enquanto falam falsos, pelos quais seduzem. “Fazer macia como manteiga a sua boca’ significa o bem simulado pelas afeições; ‘manteiga’ significa o bem da afeição externa; ‘suas palavras são mais moles do que o azeite’ significa o mesmo; ‘azeite’ é o bem da afeição interna; ‘quando elas são espadas desembainhadas’ significa que, todavia, são falsos que destroem o bem e o vero; ‘espadas desembainhadas’ são os falsos que destroem; ‘Tu, ó Deus, os lançarás no poço do fosso’ significa no inferno onde há desse gênero de falsos destrutivos.
[11]] Visto que os ‘fossos’ na Palavra significam quase o mesmo que os ‘poços’, porque são como se fossem poços, vou citar algumas passagens a respeito disso. Em Jeremias:
“Os seus grandes enviaram os seus menores às águas; vieram aos fossos, não encontraram águas, voltaram com seus vasos vazios” (Jr. 14:3);
por ‘grandes’ se entendem os conduzem e ensinam os outros, por ‘menores’ se entendem os que são conduzidos e ensinados, e por ‘águas’, os veros; daí se vê o que é significado por ‘seus grandes enviaram os menores às águas’. Pelos ‘fossos em que não havia águas’ são significados os doutrinais em que não há veros; daí se vê o que é significado por ‘vieram aos fossos, não encontraram águas’. Que eles não têm conhecimento nem entendimento algum do vero é significado por ‘voltaram com seus vasos vazios’; os ‘vasos’ significam na Palavra os recipientes do vero e, daí, conhecimentos e as coisas do entendimento.
[12] Em Zacarias:
“Pelo sangue de tua aliança enviarei os presos para fora do fosso em que não há água” (Zc. 9:11).
Essas palavras foram ditas a respeito da libertação dos féis pelo Senhor, os quais tinham estado detidos na terra inferior até o Seu advento, e também a respeito da iluminação das nações que tinham estado nos falsos da ignorância. Pelo ‘sangue da aliança’ é significado o Divino Vero procedente do Senhor, assim, a Palavra. Ela se chama ‘aliança’ porque por ela há conjunção. ‘Aliança’ significa conjunção. Pelos ‘presos no fosso em que não há água’ entendem-se os que estão nos falsos da ignorância; ‘fosso’ é a doutrina não do vero e, também, é a terra inferior onde estiveram detidos os que tinham estado nos falsos da ignorância até o advento do Senhor; ‘onde não água’ é onde não há vero; eles são chamados ‘presos’ porque não puderam ser libertos dos falsos senão pelo Senhor.
[13] Em Jeremias:
“Dois males o Meu povo fez: deixaram a Mim, a fonte das águas vivas, para cavarem para si fossos, fossos quebrados que não podem conter águas” (Jr. 2:13);
por ‘cavar fossos, fossos quebrados que não podem conter águas’ é significado criar doutrinais pela própria inteligência, que, por serem do proprium, são falsos, porque o proprium do homem não e outra coisa senão o mal; e como é o mal, por isso também produz falso, pois o mal não pode produzir senão o falso. Mas estas palavras se veem explicadas acima (n. 483).
[14] No mesmo:
“Jehovah… que nos fez subir da terra do Egito, que nos conduziu no deserto, na terra de desolação e de fossos, na terra de sequidão e de densa sombra, pela qual não passou o varão nem na qual habitou o homem” (Jr. 2:6);
pelo ‘deserto’, no qual os filhos de Israel foram conduzidos, foi representado e significado o primeiro estado da igreja a ser instaurada com aqueles que estão na mera ignorância do bem e do vero, conforme foi mostrado nos Arcanos Celestes, em que o Êxodo é explicado. E como esse estado foi representado e significado pelas perambulações deles no deserto, por isso se diz que ‘Jehovah os conduziu na terra da desolação e de fossos, na terra de sequidão e de densa sombra’. Por ‘terra de desolação e de sequidão’ entende-se aqui, como em outras passagens na Palavra, o estado em que não há percepção do bem, e por ‘terra de fossos e de densa sombra’ entende-se o estado de ignorância do vero e, assim, de falsidade; ‘pela qual não passou o varão nem na qual habitou o homem’ significa onde não há entendimento algum do vero nem percepção alguma do bem; por ‘varão’, na Palavra, é significado o entendimento do vero, e por ‘homem’ a percepção do bem, e por [não haver] um e outro, a [falta da] igreja quanto ao vero e quanto ao bem.
[15] Em Isaías:
“O que conduz apressará para seja aberto, mas não morra no fosso, nem falte o seu pão” (Is. 51:14).
Aqui se trata do Senhor. Seu advento se entende por ‘apressará o que conduz’; a libertação dos falsos da ignorância é significada por ‘para que não morra no fosso’; por isso, coisas semelhantes se entendem aqui pelo ‘fosso’ que acima pelo ‘fosso em que estavam os presos’. Que não faltará a instrução e a nutrição espirituais é significado por ‘nem falte o seu pão’, pois pelo ‘pão’ se entende toda comida espiritual, e pela comida espiritual se entende a instrução nos veros e nos bens, de onde vêm inteligência e sabedoria.
[16] Em Ezequiel:
“Eis que Eu trago sobre ti estrangeiros, os violentos das nações, que desembainharão suas espadas sobre a beleza de tua sabedoria e profanarão o teu esplendor; no fosso te lançarão, e morrereis das mortes dos traspassados no coração dos mares” (Ez. 28:7, 8).
Essas palavras são a respeito do princípio de Tiro, pelo que se entendem os derivam falsos da própria inteligência, pelos quais destroem as cognições do vero e do bem. A destruição deles é significada por ‘eis que Eu trago sobre ti estrangeiros, os violentos das nações’; ‘estrangeiros’ significam os falsos que destroem os veros, e ‘violentos das nações’ os males que destroem os bens. Que seriam destruídos por seus falsos, que vêm da própria inteligência, é significado por ‘eles desembainharão suas espadas sobre a beleza de tua sabedoria, e profanarão o teu esplendor’; ‘espadas’ são os falsos que destroem os veros ; ‘lançar-te-ão no fosso, e morrereis das mortes dos traspassados, no coração dos mares’; ‘fossos’ significam o falso infernal, do mesmo modo que ‘poços’; ‘traspassados’ significam os que perecem pelos falsos, e ‘coração dos males’ significa o inferno onde há e de onde vêm tais falsos, do mesmo modo que o ‘abismo’.
[17] Pelo ‘fosso’
Em que lançaram o profeta Jeremias e do qual Ebed-meleque e os homens com que ele estavam, o tiraram com os trapos dos extratores e trapos de [roupas] gastas (Jr. 38:6-13)
é significado o vero da doutrina falsificado; pelo ‘profeta’, o vero da doutrina, e por ‘ser lançado no fosso’, ser falsificado. Pelos ‘trapos dos extratores e trapos de [roupas] gastos’, com os quais o tiraram, é significada a defesa [vindicatio] do vero da doutrina e a restituição por certos bens e veros do sentido da letra da Palavra que não foram percebidos e entendidos e, por isso, negligenciados e rejeitados; estes são significados por aqueles ‘trapos’. De outro modo, o que seria isso, de a Palavra Divina relatar que ele foi tirado por tais trapos? Por estes poucos exemplos pode-se ver o que é significado pelo ‘poço’ e pelo ‘fosso’ na Palavra, a saber, a Palavra e o vero da doutrina, e, no sentido oposto, a Palavra falsificada e, daí, o falso da doutrina. Em algumas outras passagens pelo ‘poço’ e pelo ‘fosso’ também é significado o mesmo que pela ‘fonte’, de cuja significação em ambos os sentidos se vê acima (n. 483).

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