AE 538

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. Que, porém, o ‘abismo’ signifique os infernos onde há e de onde vêm os falsos é porque esses infernos, onde reinam os falsos do mal, aparecem como mares, em cujas profundezas se acha a turba infernal que está nos falsos do mal. Que apareçam como mares é porque dali os falsos efluem continuamente, e os falsos aparecem como águas, porque as ‘águas’ na Palavra também significam os falsos. Por essas águas também se conhece a qualidade do falso, porque há falsos de muitos gêneros, ou seja, tantos quantos são os males. Os falsos provenientes de males mais graves aparecem sobre aqueles infernos como águas densas e negras, e os falsos dos males do amor de si como águas rubras; pela densidade e pela cor se manifesta o gênero do falso. Deve-se lembrar de que no mundo espiritual os veros também aparecem como águas, mas como águas tênues e puras. A razão disso é porque há três graus de vida do homem, assim como há três céus. Aqueles em quem foi aberto o terceiro grau estão numa atmosfera pura, como etérea; nesta estão os que se acham no terceiro céu ou íntimo. Aqueles, porém, em quem foi aberto somente o segundo grau estão numa atmosfera como aérea; nesta estão os que se acham no segundo céu ou médio. Mas aqueles em que foi aberto somente o primeiro grau estão numa atmosfera como aquosa, tênue e pura; nesta estão os que se acham no primeiro céu ou mais externo. A razão é porque as percepções e os pensamentos interiores, por serem mais perfeitos, correspondem à semelhante pureza da atmosfera em que estão, pois de cada anjo, e ainda mais de cada sociedade angélica, espalha-se e apresenta-se à vista uma esfera correspondente, esfera essa que aparece em pureza semelhante àquele em que estão as percepções e os pensamentos dos anjos, ou em que estão sua inteligência e sabedoria. Essa esfera aparece como atmosfera; como atmosfera etérea no céu íntimo, como aérea no céu médio e como tenuamente aquosa no céu mais externo, como foi dito. Daí é evidente que, a atmosfera como que aquosa corresponde ao pensamento e à percepção natural, mas a atmosfera como que tenuamente aquosa corresponde ao pensamento e à percepção espiritual natural em que estão os anjos do céu mais externo. Já a que é densamente aquosa, tendendo ou para o negro ou para o rubro, corresponde ao pensamento natural em que nada há de espiritual, e o pensamento natural em que nada há de espiritual existe naqueles que estão nos infernos onde os falsos reinam, porque todos os que ali estão são meramente naturais e sensuais. (Que haja três graus de vida no homem, assim como há três céus, e que eles difiram em pureza, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 33, 34, 208, 209 e 211). Por aí se pode ver de onde vem que esses infernos sejam chamados ‘mares’ e ‘abismos’, na Palavra; ‘mares’ porque aparecem como mares, e ‘abismos’ por causa da profundidade deles.
[2] Que os ‘mares’, as ‘profundidades’ e os ‘abismos’ signifiquem os infernos onde há e de onde vêm tais falsos pode-se ver pelas seguintes passagens na Palavra. Em Moisés:
“Os carros do faraó e o seu exército [Ele] lançou no mar... os abismos os cobriram; desceram como pedra nas profundezas. ... Do vento de Tuas narinas as águas foram amontoadas; as correntes pararam como um montão; os abismos foram congelados no coração do mar” (Êx. 15:4, 5, 8).
Essas palavras estão no cântico de Moisés sobre o faraó e seu exército, após terem sido submersos no mar Suph. Por ‘faraó e seu exército’ são significados os que estão nos falsos do mal, e pelo ‘mar Suph’ é significado o inferno onde há tais falsos. Daí é evidente que por ‘cobriram-nos os infernos’ é significado que os infernos o fizeram. (O que as demais coisas significam no sentido espiritual vê-se nos Arcanos Celestes, n. 8272-8279 e 8286-8289, onde são explicadas).
[3] Coisas semelhantes são significadas por estas palavras em David:
“Repreendeu o mar Suph para que se secasse, e os conduziu pelos abismos, como num deserto... as águas cobriram os seus adversários” (Sl. 106:9, 11);
em Isaías:
“Acaso não és Tu Aquele que secou o mar, as águas do grande abismo? que pôs nas profundezas do mar um caminho, para que passassem os redimidos? (Is. 51:10, 15)
no mesmo:
“Que fendeu as águas diante deles... que os conduziu pelos abismos, como a um cavalo no deserto; não tropeçaram” (Is. 63:12, 13);
pelos ‘filhos de Israel’ diante dos quais foi seco o Mar Suph, pelo qual passaram protegidos, entendem-se todos os que estão nos veros do bem , que são guardados pelo Senhor para que os falsos do mal, que sobem continuamente dos infernos, não lhes causem dano. Isto se entende por Ele ‘ter secado o mar, as águas do grande abismo’ e por ‘ter posto nas suas profundezas um caminho para que os redimidos passassem’, e também ‘conduziu-os pelos abismos’. Com efeito, os falsos exalados dos infernos, portanto, os infernos, continuamente paralisam [obstipant] ??? o homem (pois dá no mesmo dizer os falsos vindos dos infernos ou os infernos), enquanto o Senhor continuamente os dissipa naqueles que estão nos veros do bem provenientes d’Ele. É isto, pois, que é significado por ‘secar o mar’ e ‘conduzi-los por abismos’. Os que estão nos veros do bem proveniente do Senhor entendem-se por ‘redimidos’.
[4] O mesmo é significado por ‘secar o abismos e esgotar os rios’, em Isaías:
Jehovah “diz a Jerusalém: Serás habitada; e às cidades de Judah: Sereis edificadas, e vossas desolações erguerei, dizendo ao abismo: Secar, e teus rios esgotarei” (Is. 44:26, 27);
Por ‘Jerusalém’ é significada a igreja do Senhor, e pelas ‘cidades de Judah’ são significados os bens e veros da doutrina. A restauração da igreja e da doutrina é significada por ‘ser habitada’ e ‘ser edificada’; a dissipação dos males e falsos que vêm dos infernos e a proteção contra eles são significadas por ‘secar o abismo e esgotar os rios’ (como acima).
[5] O mesmo é significado em Zacarias:
Israel “passará pelo mar de angústia, mas ferirá as ondas no mar, e secar-se-ão todas as profundezas do rio, e será abatida a soberba da Assíria, e o cajado do Egito se retirará” (Zc. 10:11).
Que aqueles que estão nos veros do bem são guardados pelo vivam guardados pelo Senhor ???, ainda que os circundem os falsos vindos dos infernos, é significado por ‘Israel passará pelo mar, e ferirá no mar as ondas, e secar-se-ão todas as profundezas do rio; por ‘Israel’ entendem-se os que estão nos veros do bem; pelo ‘mar’ é significado o inferno e todo falso dali; pelas ‘ondas do mar’ são significados os raciocínios pelos falsos contra os veros; por ‘secar todas as profundezas do ribeiro’ é significado dissipar todos os falsos do mal, mesmo os mais profundos; o ‘rio’ Nilo significa o conhecimento falso. Por isso, segue-se que ‘será abatida a soberba da Assíria, e o cajado do Egito se retirará; por “Assíria’ é significado o raciocínio pelos falsos contra os veros, e por ‘Egito’ o conhecimento aplicado para confirmar os falsos; a ‘soberba da Assíria’, que será abatida, significa a própria inteligência, da qual vem tal raciocínio, e o ‘cajado do Egito’, que se retirará, significa o poder que se adere ao raciocínio pelos conhecimentos que são aplicados para confirmar.
[6] Em Ezequiel:
“No dia em que desceres ao inferno, farei prantear, cobrirei sobre ti o abismo” (Ez. 31:5),
palavras que são a respeito do faraó e da Assíria, e por ‘faraó’ é significado o mesmo que pelo “Egito’, ou seja, o conhecimento que destrói o vero da igreja por aplicação aos falsos, e pela ‘Assíria’ é significado o raciocínio por eles. Que os que são tais sejam lançados no inferno onde há tais falsos e raciocínios pelos falsos é significado por ‘descer ao inferno e ser coberto com o abismo’. Daí é evidente também que ‘abismo’ é o inferno onde há e de onde vêm os falsos do mal.
[7] Em Miquéias:
Deus “voltará, terá misericórdia de nos, apagará nossas iniquidades, e lançará nas profundezas do mar todos os pecados” nossos (Mq. 7:19).
Visto que ‘as profundezas do mar’, igualmente ao ‘abismo’, são os infernos onde há e de onde vêm os males e falsos, por isso se diz que Ele ‘lançará nas profundezas do mar todos os pecados’ nossos.
[8] Em Ezequiel:
“Quando [Eu] te fizer uma cidade desolada, como cidades que não são habitadas; quando fizer subir contra ti o abismo, e as muitas águas te cobrirem; e te fizer descer com os que descem à cova, ao povo do século, e te fizer habitar na terra dos inferiores, nas desolações desde o século, com os que descem à cova, para que não habites” (Ez. 26:19, 20).
Essas palavras são a respeito de Tiro, por quem é significada a igreja quanto às cognições do vero e do bem, ou quanto aos veros do homem natural, pois os veros do homem natural são as cognições do vero e do bem. Aqui se trata da vastação da igreja quanto a essas coisas. ‘Fazer de Tiro uma cidade desolada, como cidades que não são habitadas’ significa a doutrina sem os veros, e doutrinas que são desprovidas de bem, pois os veros da doutrina sem o bem não são veros, visto que todos os veros pertencem ao bem; ‘fazer subir contra Tiro o abismo, para que a cobra as muitas águas’ significa a imersão nos falsos vindos do inferno em grande abundância (‘abismo’ é o inferno, ‘muitas águas’ são os falsos em grande abundância); ‘com os que descem à cova, ao povo do século’ significa [descer] àqueles no inferno que foram da Igreja Antiquíssima pouco antes do dilúvio. Eles são chamados ‘povo do século’ porque são desde a antiguidade e estiveram mais do que os outros em medonhas fantasias. Por aí é evidente o que é significado por ‘fazer habitar na terra dos inferiores, nas desolações desde o século, com os que descem à cova, para que não habites’; ‘não habitar’, aqui, significa não estar em quaisquer veros, por não estarem no bem. Também, eles não habitam em casas, mas em covas.
[9] Coisas semelhantes são significadas em Zacarias:
“Eis que Jehovah empobrecerá Tiro, e sacudirá no mar as suas riquezas, e ela mesma será comida pelo fogo” (Zc. 9:4);
‘sacudir no mar a sua riqueza’ significa lançar no inferno os falsos; ‘mar’ é o inferno onde há os falsos do mal, e ‘riquezas’ são os falsos mesmos.
[10] Em Ezequiel:
“Em muitas águas te trouxeram os que te desprezam; o vento oriental te quebrou no coração dos mares. Tuas riquezas, tuas negociações, tuas mercadorias, teus marinheiros e teus pilotos, os que reparam a tua fissura, e os negociam a tua negociação, e todos os varões de guerra que há em ti, e em toda congregação tua, que há no meio de ti, cairão no coração dos mares, no dia de tua queda” (Ez. 27:26, 27).
Também essas palavras são a respeito de Tiro, e foram ditas a respeito de seus ‘barcos’, pelos quais são significadas as cognições do bem e do vero, ou os veros do homem natural que eles adquirem e negociam [venditant], aqui, porém, sendo falsidades. Pelo ‘coração dos mares’ em que o vento oriental o quebrou e no qual cairão no dia de sua queda é significado o mesmo que o abismo, a saber, o inferno de onde vêm os falsos da doutrina; ‘vento oriental’ é o influxo do céu, e ‘o dia de sua queda’ é o juízo final; pelas ‘riquezas’ são significadas as falsidades; pelas ‘negociações’ e ‘mercadorias’ são significadas as aquisições e comunicações delas; pelos ‘marinheiros’, os ministros; pelos ‘pilotos’, os líderes da religião [antitistes], que conduzem e ensinam; pelos ‘varões de guerra’, os que defendem, e pela ‘congregação’ os falsos doutrinais.
[11] Em Jonas:
“Do ventre do inferno gritei, ouviste a minha voz. Lançaste-me na profundeza, até o coração dos mares, e a corrente me cercou; todas as Tuas ondas e vagas passaram sobre mim... as águas me cercaram até a alma, o abismo me rodeou, as algas se apegaram à minha cabeça. Até aos cortes dos montes desci, os ferrolhos da terra estiveram sobre mim eternamente. Não obstante, fizeste subir da cova a minha vida” (Jn. 2:2, 3, 5, 6).
Que por Jonas, que esteve no cetáceo três dias e três noites, tenha sido que o Senhor estaria no coração da terra, o Senhor mesmo o ensina em Mateus (12:39, 40; 16:4; Lucas 11:29, 30), e por essas palavras de Jonas são descritas as medonhas tentações do Senhor. E como as tentações existem pelas inundações dos males e falsos, que sobem do inferno e, por assim dizer, submergem, por isso é dito que ‘do ventre do inferno gritou’ e que ‘foi lançado na profundeza, até o coração dos mares’, pelos quais é significado o inferno; pelo ‘rio’ e pelas ‘águas’ que o cercaram, e pelas ‘ondas e vagas’ que passaram sobre ele são significados os males e falsos daí; pelo ‘abismo’ que o rodeou são significados os infernos onde há e de onde vêm os falsos; pelos ‘cortes dos montes’ aos quais desceu são significados os infernos onde há e de onde vêm os males. Que tenha sido como se fosse vencido por eles é significado pela ‘alga apegada à cabeça’ e pelos ‘ferrolhos da terra que estiveram sobre ele; que esteve como que vencido pelos falsos é significado pela ‘alga’, e como que vencido pelos males, pelos ‘ferrolhos da terra’. A vitória sobre eles, pelo próprio poder, é significada por ‘não obstante fizeste sair da cova a minha alma’. É dito ‘fizeste subir’, mas, quando se trata do Senhor, entende-se que Ele mesmo Se fez subir por Seu Divino, assim pelo próprio poder.
[12] Coisas semelhantes são significadas pelo que se segue, em David:
“Um abismo chama um abismo, à voz de Teus canais; todas as Tuas rupturas e Tuas ondas passaram sobre mim” (Sl. 42:7);
no mesmo:
“As águas vieram até a alma; estou submerso no lodo da profundeza, não há em que apoiar; ??? cheguei às profundezas das águas, e a onda me cobriu. ... Arrebata-me do luto, para que eu não afunde; seu eu arrebatado dos meus adversários, e das profundezas das águas, para que não me cubra a onda das águas, nem a cova feche sobre mim a sua boca” (Sl. 69:1, 2, 14, 15);
no mesmo:
“Volta, vivifica-me; e do abismo da terra, volta, faze-me subir” (Sl. 71:20);
no mesmo:
“Sou contado com os descem à cova... esquecido entre os mortos, como os traspassados deitados no sepulcro, dos quais recordaste mais e que foram cortados de Tua mãe. Puseste-me na cova dos inferiores, nas trevas, nas profundezas” (Sl. 88:4-6).
As tentações do Senhor, quando esteve no mundo, pelas quais subjugou os infernos e glorificou o Seu Humano, são descritas também por essas palavras em David. Pelas ‘ondas’ e ‘vagas’ são significados os males e falsos, e por ‘abismos’ e ‘profundezas do mar’, como também por ‘cova’, são significados os inferno onde os há e de onde vêm, pois, como foi dito acima, as tentações são como que imersões nos infernos e obsessões pelos males e falsos. Estas coisas são significadas pelas lamentações em David, em muitas passagens, e também nos Profetas, pois no sentido espiritual da Palavra se trata muitas vezes das tentações do Senhor, pelas quais subjugou os infernos e dispôs em ordem todas as coisas nos céus e nos infernos, e pelas quais glorificou o Seu Humano. Elas se entendem principalmente pelas coisas que foram preditas nos Profetas e nos Salmos de David a respeito do Senhor e que foram cumpridas por Ele, conforme Lucas 24:44.
[13] Pelo ‘abismo’ e pelo ‘mar’, e suas ‘profundezas’ também são significados os infernos nas passagens que se seguem. Em Jeremias:
“Fugi [vós]; voltaram-se, lançaram-se na profundeza os habitantes de Dedan e de Hazor” (Jr. 49:8);
no mesmo:
“Subiu o mar sobre Babel, com multidão de suas ondas foi coberta” (Jr. 51:42);
em Amós:
“O Senhor Jehovih me fez ver, e eis que chama para contender ??? pelo fogo... comeu o grande abismo” (Am. 7:4)
em David:
“As águas Te viram, ó Deus, as águas Te viram, assustaram-se; também foram abalados os abismos” (Sl. 77:16);
no mesmo:
“Não temeremos quando a terra for mudada, e quando os montes forem movidos para o coração dos mares; serão tumultuadas, turbadas as suas águas” (Sl. 46:2, 3);
em Moisés:
“Nesse mesmo dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as cataratas do céu se abriram” (Gn. 7:11);
e em seguida:
“E foram tapadas as fontes do abismo e as cataratas do céu” (Gn. 8:2);
em Jó:
“A sabedoria, onde é encontrada? e qual é o lugar da inteligência? O homem não conhece o seu preço. … O abismo diz: Elas não estão em mim. E o mar diz: Não estão comigo” (Jó 28:12-14);
no mesmo:
“Acaso entraste no choro do mar, e na andaste na investigação do abismo? Acaso te foram reveladas as portas da morte, e vistes as portas da sobra da morte?” (Jó 38:16, 17);
nos Evangelhos:
“Quem tiver feito tropeçar um destes pequeninos que creem em Mim, melhor seria que lhe fosse pendurada uma mó de jumento ao seu pescoço, e se submergisse na profundeza do mar” (Mt. 18:6; Mc. 9:42; Lc. 17:2);
e em outra passagem, nos mesmos:
Os demônios que obsedavam o varão rogaram a Jesus que não os mandasse ir para o abismo, por isso lhes permitiu entrar nos porcos (Lc. 8:31, 33; Mt. 8:31, 32);
e na sequência, no Apocalipse:
“A besta que subiu do abismo e fez guerra” (Ap. 11:7);
“A besta que viste era e não é, e há de subir do abismo” (Ap. 17:8);
“Vi um anjo descendo do céu, e tinha a chave do abismo, e uma grande cadeira sobre a sua mão;... e venceu o dragão por mil anos, e o lançou no abismo” (Ap. 20:1-3).
Nessas passagens, pelo ‘abismo’ e pela ‘profundeza do mar’ é significado o inferno onde há e de onde vêm os falsos do mal, pelo fato de que os espíritos que estão ali, quando viveram no mundo como homens, estiveram nos falsos do mal e parecem habitar na profundeza como do mar, e quanto mais grave foi o mal de que vem o falso, mais profundamente se acham ali.
[14] Assim como pelos ‘abismos’ são significados os infernos onde há e de onde vêm os falsos, assim também pelos ‘abismos’ são significados os últimos do céu, onde há e de onde vêm as cognições do vero, que são os veros do homem natural. A razão disso é que os últimos do céu também aparecem como em águas, porém mais tênues claras, porque, como foi dito acima, a atmosfera do céu supremo é como que etérea, a atmosfera do céu médio é como que área, e a atmosfera do último céu é como que aquosa. Que esta seja aquosa é porque os veros neles são veros do homem natural, e a atmosfera do homem natural é como que aquosa. Daí também vêm as aparências de rios, de lagos e de mares no mundo espiritual. Por isso, pelos ‘mares’ são também significadas as cognições e conhecimentos no geral ou em todo o conjunto.
[15] Coisas semelhantes são também significadas pelos ‘abismos’ nas seguintes passagens. Em Moisés:
“Jehovah teu Deus te conduz a uma boa terra, terra de rios de águas, de fontes e de abismos que brotam do vale e do monte” (Dt. 8:7);
(que se veem explicadas acima, n. 518); no mesmo:
Deus abençoou a José “com as bênçãos do céu de cima, com as bênçãos do abismo que jaz abaixo” (Gn. 49:25; Dt. 33:13);
(que também foram explicadas acima, n. 448); em David:
“Pela Palavra de Jehovah foram feitos os céus, e pelo espírito de Sua boca todos os seus exércitos; que ajunta as do mar como um montão, que põe abismos nos tesouros” (Sl. 88:6, 7);
(vide acima, n. 275, onde foram explicadas); no mesmo:
“De abismo, como uma veste, cobriste a terra” (Sl. 104:6);
(a respeito dessas palavras, vide também acima, n. 275); no mesmo:
“Louvai a Jehovah desde a terra, as baleias e todos os abismos” (Sl. 148:7);
pelos ‘abismos’ nessas passagens são significados os últimos do céu, nos quais estão os anjos espirituais naturais. Semelhantemente, em Ezequiel:
“As águas a fizeram crescer, o abismo a fez alta” (Ez. 31:4);
( a respeito disso, vide acima, n. 518).
[16] Além disso, pelos ‘abismos’ são também significados os Divinos veros em abundância e os arcanos da sabedoria Divina, como em David:
“Fendeu a rocha no deserto, e fez beber dos grandes abismos” (Sl. 78:15);
e no mesmo:
Jehovah, “Tua justiça é um grande abismo” (Sl. 36:6);
e em outras passagens.

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