AE 563

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “O nome dele em hebraico é Abaddon, e em grego tem o nome de Apollyon.” Que isto signifique a sua qualidade, que é o que destrói todo vero e bem, vê-se pela significação de ‘nome’, que é o estado e a qualidade de uma coisa (de que se tratou acima, n. 148); e pela significação de ‘Abaddon’ na língua hebraica, que é a destruição, semelhantemente a ‘Apollyon’ na língua grega, por conseguinte, a destruição do vero e do bem, porque se trata destes. Que seja o homem sensual, que é o último de sua vida intelectual, que destrói todo vero e bem espiritual, que é o vero e bem da igreja, é porque esse sensual fica mais perto do mundo e é apegado mais de perto ao corpo; de um e de outro ele tem afeições e, daí, pensamentos que, considerados em si mesmos, são diametralmente opostos às afeições e, daí, aos pensamentos espirituais, que vêm do céu. Porque o homem, por esse sensual, ama a si e ao mundo sobre todas as coisas, e quanto mais esses amores dominam, mais dominam os males e falsos daí, que deles brotam e fluem como de suas origens. Nesses amores estão todos os que se tornaram meramente sensuais pelos males da vida e os falsos daí. Isto qualquer um pode ver pela faculdade do entendimento que cada um tem, pois se o que domina é o que fica mais perto do mundo e se apega mais de perto ao corpo, segue-se que o mundo mesmo e o corpo mesmo dominam, com todas as suas volúpias e concupiscências, que se chamam ‘do olho e da carne’, e o homem deve ser completamente tirado e elevado desses sensuais, para que possa vir às afeições espirituais e aos pensamentos daí. Essa retirada e essa elevação são feitas pelo Senhor, somente, quando o homem se deixa conduzir pelo Senhor pelas leis da ordem, que são os veros e bens da igreja, ao Senhor e, assim, ao céu. E quando isto acontece, o homem deixa para trás esse último sensual sempre que estiver no estado espiritual, e se mantém elevado acima dele, e isto também pelo fato de que esse sensual é inteiramente destruído nos homens, pois neles está o proprium de cada um, no qual nasce e que não é senão o mal. Por aí se pode ver de onde vem que esse sensual é chamado ‘destruição’ ou ‘Abaddon’ e ‘Apollyon’.
[2] Cumpre saber que há três graus de vida em cada homem: o íntimo, o médio e o último. Quanto mais o homem se torna interior, mais perfeito, isto é, mais sábio se torna, pelo fato de vir interiormente à luz do céu, e quando mais exterior se torna, mais imperfeito, isto é, menos sábio se torna, pelo fato de que se distancia da luz do céu e vem mais perto da luz do mundo. Daí se pode ver a qualidade do homem meramente sensual, que nada vê pela luz do céu, mas somente pela luz do mundo, ou seja, para ele todas as coisas que são do mundo estão na luz e no esplendor, e todas as coisas que são do céu estão nas trevas e na escuridão. E quando estas estão na trevas e na escuridão, e aquelas na luz e no esplendor, segue-se que nenhum outro fogo da vida e do amor o inflama e conduz senão o amor de si e, daí, o amor de todos os males, e nenhuma outra luz da vida há que toque e instrua a vista de seu pensamento senão aquela que favorece os males que ele ama, e esta são os falsos do mal. Por aí se pode ver qual é o homem meramente sensual, de que se tratou até aqui neste capítulo.

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