AE 584

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. [Vers. 20] “E os homens restantes, que não foram mortos nessas pragas.” Que isto signifique que não pereceram pelas cobiças acima citadas vê-se pela significação de ‘restantes dos homens, que não foram mortos’, que são todos aqueles que não pereceram; que ‘ser morto’ na Palavra signifique ser morto espiritualmente, que é perecer de morte eterna, vide acima (n. 547 e 572); e pela significação de ‘dessas pragas’, que são as cobiças citadas acima, a saber, as que são significadas pelo ‘fogo’, pela ‘fumaça’ e pelo ‘enxofre’ saindo das bocas dos cavalos, pelos são significadas as cobiças oriundas do amor do mal e do amor do falso, e também as concupiscências de destruir os veros e bens da igreja por meio de falsos do mal (vide acima, n. 578). Essas coisas são chamadas ‘pragas’ porque pelas ‘pragas’ na Palavra são significadas coisas tais que destroem a vida espiritual nos homens e, consequentemente, a igreja, induzindo, por conseguinte, a morte entendida no sentido espiritual. Elas se referem, em suma, às cobiças que brotam dos amores de si e do mundo, pois esses amores são as raízes das quais se propagam e nascem todo gênero e toda espécie de males e falsos.
[2] Tais coisas são também significadas pelas ‘pragas’ nas seguintes passagens, no Apocalipse:
As duas testemunhas “têm poder sobre as águas, para as converterem em sangue, e ferirem a terra com toda praga, quantas vezes quiserem” (Ap. 11:6);
em outra passagem:
“Os homens blasfemaram a Deus por causa da praga de saraiva, porque sua praga era muito grande” (Ap. 16:21);
em outra passagem:
“Num só dia virão as pragas” da Babilônia, “a morte, e o pranto, e a fome” (Ap. 18:8);
e em outra passagem:
“Vi... sete anjos tendo as sete últimas pragas, pelas quais era consumada a ira de Deus” (Ap. 15:1, 6, 8).
Que pelas ‘pragas’ se entendam coisas tais que induzem a morte espiritual do homem, consequentemente, que destroem inteiramente e devastam a igreja nos homens em particular e, assim, no geral, ver-se-á na explicação das passagens que se seguem, onde as ‘pragas’ são nomeadas e, principalmente, onde se trata das ‘sete últimas pragas’.
[3] Coisas semelhantes se entendem pelas ‘pragas’ nas seguintes passagens nos Profetas. Em Isaías:
“Será a luz da lua como a luz do sol, e a luz do sol será sétupla... no dia em Jehovah atar a fratura de Seu povo, e sarar a ferida de sua praga” (Is. 30:26);
em Jeremias:
“Sem esperança é a tua fratura, dolorosa a tua praga... com praga do adversário te feri;... farei subir a cura sobre ti, de tuas pragas te curarei” (Jr. 30:12, 14, 17);
no mesmo:
“Todo aquele que passa além” de Edom... “assobiará por causa de todas as suas pragas” (Jr. 49:17);
no mesmo:
“Todo aquele que passa além de Babel... assobiará por causa de todas as suas pragas” (Jr. 50:13)
em Moisés:
“Se não cuidares fazer todas as palavras da Lei... Jehovah tornará tuas pragas admiráveis... pragas grandes e constantes, e doenças más e constantes;... toda doença e toda praga, que não estão escritas no livro desta Lei, Jehovah enviará ocultamente sobre ti, até que sejas destruído” (Dt. 28:58, 59, 61);
pelas ‘pragas’ aí são significadas pragas espirituais, que destroem não o corpo, mas a alma (elas são também enumeradas nesse capítulo do Deuteronômio, do vers. 20 ao 68).
[4] O que as ‘pragas’ significam, no sentido espiritual, é descrito por meio de correspondências em Zacarias:
“Esta será a praga com a qual Jehovah ferirá todos os povos que lutarem contra Jerusalém: definhará a carne de cada um estando ele sobre seus pés, e os seus olhos definharão em seus buracos, e sua língua definhará em sua boca... Assim se dará com a praga do cavalo, da mula, do camelo, do asno e de toda besta que estiver nos seus acampamentos, tal como esta praga” (Zc. 14:12).
Essas palavras foram ditas a respeito daqueles que por meio de falsos se esforçam para destruir os veros da igreja. ‘Jerusalém’ significa a igreja quanto aos veros da doutrina, e ‘lutar contra ela’ é esforçar-se para destruí-la por meio de falsos. Que ‘definhará a carne de cada um estando ele sobre seus pés’ significa que naqueles que se esforçam para isso perecerá toda vontade do bem, e que assim eles se tornarão meramente naturais corpóreos, pois a ‘carne’ significa a vontade e seu bem ou mal, os ‘pés’ significam as coisas que são do homem natural, daí, ‘estar sobre eles’ significa viver somente por eles. Que ‘os olhos definhará em seus buracos” significa que perecerá todo entendimento do vero (o ‘olho’ significa o vero). Que ‘definhará a língua em sua boca’ significa que perecerá toda percepção do vero e afeição do bem. (A respeito disso, vê-se acima, n. 455, onde essa profecia é também explicada). Coisas quase similares são significadas pelas ‘pragas do cavalo, da mula, do camelo, do asno e de toda besta’, pois pela ‘praga’ destes é significada a perda de todo entendimento do vero, tanto o espiritual quanto o natural, e pela ‘praga da besta’ é significada a perda de toda afeição do bem.
[5] Em Lucas:
Na mesma hora em que João enviou [os discípulos], Jesus “curou a muitos de doenças e de pragas dos maus espíritos, e deu vista a muitos cegos” (Lc. 7:21);
pelas ‘pragas dos espíritos maus’ se entendem as obsessões e os estados calamitosos então infligidos aos homens pelos maus espíritos, coisas que, todavia, significam estados espirituais correspondentes, pois todas as curas de doenças feitas pelo Senhor significavam curas espirituais. Daí os milagres do Senhor eram Divinos, como aqui, que ‘deu vista a muitos cegos’, pelo que é significado que àqueles que tinham estado na ignorância do vero Ele concedeu entender os veros da doutrina. Pelas
Pragas que os ladrões infligiram ao homem que descia de Jerusalém para Jericó (Lc. 10:30),
também são significadas pragas espirituais, que eram os falsos e males infundidos aos peregrinos e gentios pelos escribas e fariseus. (Vide acima, n. 444, onde essa parábola foi explicada quanto ao sentido espiritual).

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