. “Que não podem ver, nem ouvir, nem andar”. Que isto signifique que nos quais e dos quais nada há de entendimento do vero e de percepção do bem, assim, nada de vida espiritual vê-se pela significação de ‘ver’, que é entender o vero (de que se tratou acima, n. 11, 260 e 529); pela significação de ‘ouvir’, que é perceber e obedecer (de que também se tratou acima, n. 14 e 249) e ter entendimento para perceber (n. 529); e pela significação de ‘andar’, que é viver espiritualmente, e, quando se refere ao Senhor, é a vida mesma (de que também se tratou acima, n. 97), pelo que se pode ver que ‘não ver, ouvir e andar’ significa que não há entendimento do vero, percepção do vero e, daí, vida espiritual alguma. Que não haja essas coisas neles nem venham deles, isto é, dos ídolos, é porque pelos ‘ídolos’ são significados os falsos da doutrina, da religião e do culto, e nos falsos não há tais atributos, mas nos veros que procedem do bem. Nestes e por estes há todo entendimento, toda percepção oriunda da vontade do bem e, consequentemente, a vida espiritual. Diz-se ‘consequentemente’ porque a vida espiritual consiste no entendimento do vero e na percepção que vem da vontade do bem, pois os veros estão na luz do céu, a tal ponto que os veros mesmos luzem no céu, e isto pelo fato de que o Divino Vero procedente do Senhor faz toda luz no mundo espiritual, e essa luz dá toda inteligência e sabedoria aos anjos. Ora, como os veros mesmos são da luz, segue-se que os falsos não são de luz alguma, pois eles a extinguem; por causa disso os falsos são chamados na Palavra ‘trevas’ (vide acima, n. 526); e como são trevas, são as sombras da morte espiritual. Cumpre saber, porém, que os falsos do mal estão em tais trevas, mas não os falsos que não procedem do mal. Que ‘ouvir’ signifique a percepção que vem da vontade do bem e, daí, a obediência, é porque a fala entra no ouvido juntamente com o som, e os veros da fala entram no entendimento e, daí, no pensamento, e os sons na vontade e, daí, na afeição. Que no mundo espiritual os sons apresentem e produzam a afeição que é da vontade, e as vozes do som o pensamento que é do entendimento, vê-se na obra O Céu e o Inferno (n. 236 e 241), e acima (n. 323). Daí se pode ver de onde procede que ‘ouvir’ e ‘escutar’ também signifiquem obedecer, e ‘ouvido’ e ‘audição’ a obediência.
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