AE 587

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira”. Que isto signifique os falsos doutrinais, que vêm da própria inteligência e que favorecem os amores do corpo e do mundo e os princípios daí concebidos vê-se pela significação de ‘ídolos’, que são os falsos da doutrina, da religião e do culto, que vêm da própria inteligência. O que, todavia, significam em particular os ‘ídolos de ouro’, ‘de prata’, ‘de bronze’, ‘de pedra’ e ‘de madeira’, pode-se ver pela significação de ‘ouro’, ‘prata’, ‘bronze’, ‘pedra’ e ‘madeira’. Pelo ‘ouro’ é significado o bem espiritual; pela ‘prata, o vero espiritual; pelo ‘bronze’, o bem natural; pela ‘pedra’, o vero natural; e pela ‘madeira’, o bem sensual. Todos esses bens e veros entram na doutrina genuína, porque ela vem tanto do sentido espiritual da Palavra quando do sentido natural da Palavra. Quando um doutrinal falso é confirmado pelas coisas espirituais da Palavra, este então se torna um ídolo de ouro e um ídolo de prata, mas quando este é confirmado pelas coisas naturais da Palavra, quais estão no sentido de sua letra, então se torna um ídolo de bronze e de pedra; e quando pelo mero sentido da letra, torna-se um ídolo de madeira. Porque o sentido da Palavra, tanto o interior ou espiritual quanto o exterior ou natural pode ser aplicado para confirmar os falsos, como se pode ver pela inúmeras heresias que são todas por aí confirmadas.
[2] As confirmações das falsidades ocorrem por não se entender o sentido genuíno da Palavra, em razão de reinarem amores do proprium e, assim, princípios daí concebidos; quando esses reinam, o homem nada vê pela luz do céu, mas tudo o que vê é pela luz do mundo separada da luz do céu; e quando a luz do mundo é separada da luz do céu, faz-se então escuridão nas coisas espirituais. Cumpre saber que os filhos de Israel derivaram do Egito e também das nações ao redor o costume horrendo de adorarem ídolos; e como ele foram homens meramente externos, também tiveram esse culto implantado em si por uma inclinação natural, como se pode ver pelas idolatrias de todos os reis de Judah e de Israel relatadas na Palavra, e até pelo próprio Salomão, que foi o mais sábio deles. Contido, os ídolos que fizeram para si e aos quais prestaram culto, onde são mencionados na Palavra, significam no sentido espiritual os falsos que vêm da própria inteligência, dos quais e segundo os quais há o culto.
[3] Esta significação de ‘ídolos’ também tira sua causa do mundo espiritual. Ali, os maus espíritos, que moldaram para si falsos da doutrina, aparecem como que formando ídolos e dotando-os de várias coisas para que aparecem em forma como se fosse humana, e também escolhem alguns dentre vários representativos e os conformam para que sejam coerentes, para que simulem essa forma nos externos. Também me foi dado ver tais formações de ídolos por presbíteros que se persuadiram de que os falsos eram veros; e como tinham seduzido engenhosamente, sabiam ligar e compor cada coisa habilmente e em seguida. Vi um ídolo assim feito por ingleses, pelo qual ele representaram a fé só como sendo essencial para a salvação, que produz os bens da caridade sem cooperação alguma do homem. Que os ídolos no mundo espiritual sejam formados por aqueles que estão nos falsos da doutrina pela própria inteligência é porque os divinos veros, dos quais vem a doutrina genuína da igreja, induzem a forma humana nos anjos, pelo que, também, os ‘anjos’, na Palavra, significam os Divinos veros. Daí é que os falsos da doutrina que são confirmados pela Palavra se apresentam como ídolos numa forma humana; os veros da Palavra que são falsificados e pelos quais há as confirmações induzem essa forma. Como, porém, são veros falsificados, apresenta-se um ídolo, que não tem vida alguma.
[4] Que os ‘ídolos’, as ‘imagens de escultura’ e as ‘imagens de fundição’ signifiquem os falsos da doutrina, da religião e do culto pode-se pelas seguintes passagens na Palavra. Em Isaías:
“Uma escultura o artífice funde, e o fundidor a cobre de outo, e funde cadeias de prata; o destituído escolhe uma oferta de madeira que não apodrece; busca para si um artífice sábio para preparar uma escultura que não seja movida” (Is. 40:19, 20).
Por essas palavras se descreve de que maneira é forjada e moldada a doutrina por meio de falsos, assim, por coisas tais que vêm da própria inteligência, pois todas elas são falsos. Pelo ‘artífice’ e pelo ‘fundidor’, como também pelo ‘artífice sábio’ que busca para si, entende-se aquele que forja e forma tal doutrina; para que ela apareça como o bem na forma externa é significado pelo fato de ‘cobri-la de ouro’; para que os falsos sejam coerentes e apareçam como veros é significado por ‘fundir cadeias de prata’; para que seja assim reconhecida e o falso não seja visto é significado por ‘escolher madeira que não apodrece’ e por ‘preparar uma escultura que não seja movida’.
[5] Em Jeremias:
“Todo homem se tornou estulto pelo conhecimento [scientiae]; todo fundidor ficou envergonhado pela escultura, porque sua imagem de fundição é mentira, não há espírito nelas; elas são vaidade, obra de erros; no tempo da visitação deles elas perecerão” (Jr. 10:14, 15; 51:17, 18).
Visto que pela ‘escultura’ é significado o falso da doutrina, da religião e do culto, por isso se diz: ‘todo homem se tornou estulto pelo conhecimento, e todo fundidor ficou envergonhado pela escultura; pelo ‘conhecimento’ do qual ‘todo homem se fez estulto’ é significada a própria inteligência, pelo que o falso daí é significado pela ‘escultura’. Esse falso é também entendido por ‘sua imagem de fundição ser mentira, vaidade e obra de erros’. Que não haja vida espiritual alguma nos falsos, ou nas coisas que vêm da própria inteligência, entende-se por ‘não há espírito nelas’, pois a vida está somente nos Divinos veros, ou nos veros que vêm do Senhor, como o Senhor ensina:
“As palavras que Eu vos falo são espírito e são vida” (Jo. 6:63).
[6] Em Jeremias:
“Cortou da floresta um madeiro, e obra das mãos do operário pelo machado; de prata e de ouro o enfeita; com pregos e martelos o fixa, para que não vacile; ele é sólido como a palmeira; não falam; são carregados , porque não andam;... tornam-se ao mesmo tempo estúpidos e estultos; disciplina de vaidades é a madeira. Prata batida é trazida de Tharschisch, e ouro de Ufaz, obra das mãos do fundidor; jacintino e púrpura são as suas vestes, toda obra de sábios, contra Jehovah, o Deus da verdade, Ele, o Deus vivo e o Rei do século” (Jr. 10:3-5, 8-10).
Que pela ‘escultura’ aqui se entenda o falso da doutrina, da religião e do culto, moldado e formado por habilidosos pela própria inteligência, vê-se por cada uma das coisas de sua descrição, consideradas no sentido espiritual. A própria inteligência, da qual isto é extraído e formado, entende-se por ‘obra das mãos, pelo machado’, pela ‘obra do operário e das mãos do fundidor’ e pela ‘obra dos sábios’; que a ‘obra das mãos’ do operário e do artífice signifique o que vem da própria inteligência mostrou-se no antigo precedente; os falsos que vêm daí são significados por ‘tornam-se ao mesmo tempo estúpidos e estultos; disciplina de vaidades é a madeira’; que não haja neles vida alguma é significado por ser ‘sólido como a palmeira’ e por ‘não falam nem andam’; ‘falar’ e ‘andar’ significa viver, e viver é viver espiritualmente. As confirmações provenientes da Palavra são significadas pela ‘prata batida de Tharschisch’ que é trazida, pelo ‘ouro de Ufaz’ e depois por ‘jacintino e púrpura’, de que se vestem; pela ‘prata de Tharschisch’ é significado o vero da Palavra, e pelo ‘ouro de Ufaz’ o bem da Palavra, ambos falsificados, semelhantemente ao que é significado por ‘jacintino e púrpura’. Que todo vero da doutrina, da religião e do culto seja proveniente de Jehovah, isto é, do Senhor, entende-se por ‘Jehovah, Deus da verdade, Deus vivo, Rei do século’, pois o Senhor é chamado ‘Deus’ por causa do Divino Vero, como também ‘vivo’ e ‘Rei’.
[7] Em Isaías:
“Os formadores de imagens de escultura são todos vaidade, e as coisas mais desejáveis deles nada prestam; e eles, testemunhas para si mesmos, não veem nem conhecem;... porque todos os seus companheiros se envergonham, e os próprios operários. ... Fabrica o ferro com a tenaz, trabalha com o carvão, e com martelos afiados o forma; assim o opera pelo braço de sua força; também se cansa até não haver forma, nem bebe águas até ficar fatigado. Trabalha a madeira, estende o fio, e o descreve com a régua; confecciona-o em seus ângulos, e com um círculo o define, para fazê-lo na forma de um varão, conforme a beleza de homem, para habitar na casa; ... para cortar para si cedros, ou toma do buxo ou do carvalho... e ainda que seja para ser queimado pelo homem, e também para acender a fim de assar pão, todavia faz um deus, e se curva, faz da imagem de escultura, e o adora... não conhecem nem entendem, porque se esqueceram, para que não vejam com seus olhos, para que não entendam com os seus corações; nem ele põe em seu coração, nem conhecimento e inteligência, nem diz: ... Acaso não é mentira a minha direita?” (Is. 44:9-20).
Por toda essa descrição da escultura entende-se a formação da doutrina oriunda da própria inteligência; cada coisa da descrição significa os singulares da formação, caso contrário, por que haveria na Palavra Divina uma descrição tão prolixa somente a respeito da formação de esculturas? Que nada exista senão o falso, por ser da própria inteligência, entende-se por ‘formadores de escultura são todos vaidade, e as coisas mais desejáveis deles nada prestam’, por ‘não têm conhecimento nem inteligência’ e por não se dizer ‘acaso não é mentira a minha direita?’ a própria inteligência, da qual forma o falso da doutrina, é descrita, é descrita por ‘fabrica o ferro com a tenaz, e trabalha o carvão pelo braço de sua força’; ‘fabricar o ferro com tenaz e trabalhar o carvão’ significa fazer sair falsos que favorecem os amores do proprium. Que ajunte falsos aos falsos pelas falácias, pelos quais apareçam como veros, descreve-se por ‘estende o fio, descreve com a régua, confecciona-o em seus ângulos, define com um círculo, para fazê-lo na forma de um varão, conforme a beleza de homem, para habitar na casa’; pela ‘forma de um varão’ é significada a aparência do vero, e pela ‘beleza de homem’ é significada a aparência de inteligência daí. Que não haja vida da inteligência e da percepção do vero daí é significado por ‘não conhecem nem entendem’ e por ‘não veem com os seus olhos, nem entendem com seus corações’. Não há como expor o que cada coisa significa em particular nessa descrição, por causa da prolixidade. É suficiente que cada um possa ver que é significado algo mais interior e mais sábio do a formação da escultura. Que se saiba que nessa descrição se encerra a sabedoria celeste, que é inefável, na qual os anjos se acham quando essas coisas são lidas pelo homem, ainda que o homem não pense em coisa alguma senão na escultura e sua formação, pois há tantos vocábulos quanto são as correspondências e, daí, quantos são os arcanos da sabedoria.
[8] Em Habacuque:
“Que aproveita a imagem de escultura? porque o seu fabricador a esculpiu. Imagem de fundição, que ensina mentira? porque o fabricador de sua mentira confia nela, porquanto faz deuses mudos. Ai daquele que diz à madeira: Acorda! à pedra silente: Desperta! ela ensinará. Eis que está fixo com ouro e prata, não há espírito no seu meio. Mas Jehovah está no templo de Sua santidade” (Hb. 2:18-20).
Como pela ‘imagem de escultura’ se entende o falso da doutrina, da religião e do culto em que nada há de vida espiritual, porque vem da própria inteligência, por isso se diz: ‘que aproveita a imagem de escultura? porque o seu fabricador a esculpiu’ e ‘que ensina mentira, na qual confia o fabricador de mentira’; ‘mentira’ significa o falso, e o ‘que ensina’ e o ‘fabricador de mentira’ significam o que a faz sair. Que aí e daí não haja inteligência e vida é significado por ‘fazer deuses mudos’ e ‘não há espírito no seu meio’. Que todo vero da doutrina, da igreja e do culto seja proveniente somente do Senhor é significado por ‘Jehovah está no templo de Sua santidade’; o ‘templo de santidade’ é o céu onde está e de onde vem o Divino Vero.
[9] Em David:
“Os ídolos deles são a prata e o ouro, obra das mãos do homem; têm boca, não falam; têm olhos, mas não veem” (Sl. 115:4, 5; 135:15, 16);
‘ídolos deles são a prata e o ouro’ significa o culto externo sem o interno, confirmado pelo sentido da letra da Palavra não compreendido e também pelas falácias dos sentidos; ‘obra das mãos do homem’ significa da própria inteligência (que ‘obra das mãos’ seja o que vem da própria inteligência vê-se no artigo precedente); ‘têm boca, não falam; têm olhos, mas não veem’ significa que deles não há pensamento algum nem entendimento algum do vero.
[10] Que não venha senão o falso é porque o proprium do homem não é outra coisa senão o mal, pois favorece o seu amor e a sua inteligência. Por isso, eles não procuram os veros por causa dos veros, mas somente por causa da reputação, do nome, da glória e do ganho. Quando essas coisas dominam, o céu não pode influir com sua luz, abrir a visão e iluminar, pelo que veem nas trevas como as corujas, as toupeiras e os morcegos, segundo estas palavras em Isaías:
“Naquele dia o homem lançará fora os ídolos de sua prata e os ídolos de seu ouro, que eles fizeram para si, para se curvarem às toupeiras e aos morcegos” (Is. 2:18, 20);
em Jeremias:
“Sequidão sobre as águas, e secar-se-ão, porque essa é uma terra de imagens de escultura, e eles se gloriarão de suas coisas horrendas; por isso habitarão ali os tziim e os ijim, e habitarão nela as filhas da coruja” (Jr. 50:38, 39);
a ‘sequidão sobre as águas’ significa não haver o vero; ‘tziim e ijim’ significam os falsos e males infernais, e as ‘filhas da coruja’ as afeições do falso. Estas coisas foram ditas a respeito da terra da Caldéia e de Babel, pelos quais são significadas as profanações do vero e do bem por meio de falsos que favorecem os males, falsos esses que eles moldam para si por causa do domínio.
[11] Em Oséias:
“Fizeram para si imagem de fundição de sua prata, seus ídolos na inteligência, tudo obra de artífices;... os que sacrificam o homem, beijam bezerros” (Os. 13:2).
Como pela ‘imagem de fundição’ é significado o doutrinal oriundo da própria inteligência, por isso se diz: ‘fizeram imagem de fundição de sua prata, seus ídolos na inteligência, tudo obra de artífices’; e como por esse meio eles destroem a vida espiritual e induzem o que é meramente natural, se diz: ‘os que sacrificam o homem, beijam bezerros’; ‘sacrificar o homem’ significa destruir a vida espiritual, ‘beijar os bezerros’ significa tornarem meramente naturais.
[12] Em Isaías:
“Eis, todos são iniquidade; suas obras nada são, vento e vacuidade as suas imagens de fundição” (Is. 41:29);
os males da doutrina, da religião e do culto são significados por ‘todos são iniquidade, suas obras nada são’, e os falsos por ‘vento e vacuidade as suas imagens de fundição’; ‘vento’ e ‘vacuidade’ são atribuídos na Palavra aos falsos oriundos do proprium. Em Jeremias:
“Por que Me provocaram à ira por suas imagens de escultura, por vaidades de estrangeiras?” (Jr. 8:19);
‘vaidades de estrangeiras’ também significam os falsos da religião, semelhantemente às ‘imagens de escultura’, pelo que se diz ‘por suas imagens de escultura, por vaidades de estrangeiras’.
[13] Em Ezequiel:
“Qualquer um da casa de Israel que fizer subir ídolos sobre o seu coração, e puser escândalo de iniquidade diante de suas faces, vier, todavia, ao profeta, acaso Eu, Jehovah, respondê-lo-ei, ao que veio a multidão de seus ídolos?” (Ez. 14:3-6);
também aqui, os ‘ídolos’ estão em lugar dos falsos da doutrina que vem da própria inteligência; receber e reconhecer esses falsos é significado por ‘fazer subir os ídolos sobre o seu coração’; e ser afetados por eles e viver segundo eles é significado por ‘pôr escândalos de iniquidade diante de suas faces . Que os o Senhor não possa revelar aos tais os veros genuínos da doutrina enquanto estiverem nesses falsos é significado por ‘se vier ao profeta, acaso Eu, Jehovah, respondê-lo-ei, ao que veio com a multidão de seus ídolos?’ Pelo profeta se entende o que ensina os veros, e, no sentido abstrato, a doutrina do vero genuíno, que vem do Senhor; e pela ‘multidão de ídolos’ são significados os falsos em abundância, além de falsos em série e em conexão; daí os ‘ídolos’ são mencionados no plural, e a ‘multidão’ deles.
[14] No mesmo:
“Espargirei sobre vós águas puras, e ficareis puros de todas as vossas imundícies, e de todos os vossos ídolos vos purificarei” (Ez. 36:25);
como pelos ‘ídolos’ são significados os falsos da doutrina, por isso se diz: ‘espargirei sobre vós águas puras’ são significados os veros genuínos, e por ‘espargi-las sobre eles’ é significado purificar dos falsos; esses falsos são também chamados ‘imundícies’, porque são falsos do mal e falsos que produzem o mal.
[15] Em Miquéias:
“Farei de Samaria um montão do campo; farei fluir no vale as suas pedras, e seus fundamentos abrirei. Então todas as suas imagens de escultura serão despedaçadas, e todos os salários de seu meretrício serão queimadas no fogo, e porei em assolação todos os seus ídolos, porque da paga do meretrício ajuntou, pelo que até ao salário do meretrício voltarão” (Mq. 1:6, 7).
Por Samaria, depois que se tornou idólatra, era representada a igreja devastada quanto aos veros da doutrina e quanto aos bens da vida, ou destruída pelos falsos da doutrina e pelos males da vida. Que seria devastada quanto a todos os veros da igreja é significado por ‘ser feita um montão do campo, e as suas pedras fluírem no vale, e seus fundamentos serem abertos’; o ‘campo’ é a igreja, o ‘montão do campo’ é a sua devastação, as ‘pedras’ são os veros da igreja e os ‘fundamentos’ são os veros naturais sobre os quais está fundada; a devastação total deles é significada por ‘as pedras fluirão no vale, e os fundamentos serão abertos’; a destruição da igreja pelos falsos da doutrina é significada por ‘suas imagens de escultura serão despedaçadas’ e ‘os ídolos serão postos em assolação’; pelo ‘salário do meretrício’, que seria queimado no fogo, é significada a falsificação do vero por aplicações para favorecer os amores de si e do mundo.
[16] Coisas semelhantes são significadas por ‘imagens de escultura’, ‘imagens fundidas’ e ‘ídolos’ nas seguintes passagens. Em Isaías:
“Assim como Minha mão achou os reinos do ídolo, e as suas imagens de escultura de Jerusalém e de Samaria, assim como fiz a Samaria e aos seus ídolos, acaso não farei também a Jerusalém e aos seus ídolos?” (Is. 10, 10, 11);
no mesmo:
“Julgareis imunda a cobertura das imagens de escultura de tua prata, e o revestimento das imagens de fundição de teu ouro; dispersá-la-ás como algo menstruado, chamá-lo-ás esterco” (Is. 30:22);
“Naquele dia o varão rejeitará os ídolos de sua prata e os ídolos de seu ouro, que vossas mãos fizeram para vós, um pecado” (Is. 31:7);
no mesmo:
“Para que não dissesses: Meu ídolo fez estas coisas, e minha imagem de escultura, e minha imagem de fundição as ordenou” (Is. 48:5);
no mesmo:
“Voltarão atrás, envergonhar-se-ão com vergonha os que confiam em imagens de escultura, os que dizem às imagens de fundição: Nossos deuses” (Is. 42:17);
no mesmo:
“Um leão sobre a sentinela... disse: “Caiu, caiu Babel, e todas as imagens de escultura de seus deuses ele quebrou na terra” (Is. 21:8, 9);
em Ezequiel:
“Serão destruídos os vossos altares, e despedaçados os solares de vossas estátuas; e farei cair os vossos traspassados diante de vossos ídolos, e porei os cadáveres dos filhos de Israel diante de seus ídolos” (Ez. 6:4, 5);
em Miquéias:
“Naquele dia... cortarei as tuas imagens de escultura e as tuas estátuas do meio de ti, para que não adores mais a obra de tuas mãos” (Mq. 5:10, 13);
em Moisés:
“Porei vossos corpos sobre os corpos de vossos ídolos, e Minha alma se enfastiará de vós” (Lv. 26:30);
no mesmo:
“As imagens de escultura de seus deuses queimareis no fogo, para tu não cobiçares o ouro e a prata sobre eles, para tomares para ti... pois isto é abominação... ao teu Deus” (Dt. 7:25);
no mesmo:
“Maldito aquele que fizer imagem de escultura e imagem de fundição, abominação a Jehovah, obra das mãos do artífice, e a puser no oculto” (Dt. 27:15).
[17] O que é significado pelos ‘ídolos de ouro’, de ‘prata’, de ‘bronze’, de ‘pedra’ e ‘madeira’ é semelhante ao que é significado também pelo
“Deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra” que o rei Belshazar louvou quando bebeu vinho com os grandes e as esposas, nos vasos de ouro e de prata que vieram do templo de Jerusalém. Por isso houve a escritura na parede, e o rei [Nebuchadnezzar] foi expulso dentre os homens e se tornou como uma besta (Dn. 5:1 e seq.);
pelos ‘vasos de ouro e de prata do templo de Jerusalém’ eram significados os santos bens e veros da igreja; pelos ‘deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra’ que o rei de Babel então louvou entende-se o mesmo que é significado pelos ídolos deles, e são significados os males e falsos da doutrina e do culto; ‘louvar’ significa prestar culto; por ‘beber dos vasos do templo de Jerusalém’ e ao mesmo tempo louvar ou prestar culto àqueles deuses é significada a profanação do bem e do vero pelos males e falsos no culto. E como todo espiritual do homem perece pela profanação, e sem o espiritual o homem não é homem, por isso [Nebuchadnezzar] foi expulso dentre os homens e se tornou como uma besta.
[18] Porquanto não se deve venerar [colere] o externo sem o interno, mas o externo a partir do interno, assim, o interno no externo, por isso foi proibido fazer imagem de escultura à similitude de qualquer Senhor vivo na terra, em Moisés:
“Para que não façais para vós imagem de escultura, tipo de qualquer similitude, figura de macho e de fêmea, figura de qualquer besta que há na terra, figura de qualquer ave alada que voa sob o céu, figura de qualquer réptil na terra, figura de qualquer peixe que há nas águas sob a terra” (Dt. 4:16-18; 5:8).
Que isto tenha sido proibido foi porque a nação judaica, mais do que todas as outras nações, estava nos externos sem os internos, e, daí, no culto de todos os externos que as nações chamavam santas, e era idolatria venerar os externos além daqueles que representavam coisas celestes, como eram o altar, o sacrifício sobre ele, a tenda da assembleia e o templo. Estas coisas eram mesmo veneradas idolatricamente pelo judeus, mas como a igreja era representativa com eles, o seu culto era aceito por causa da representação, embora não os afetasse quanto às suas almas, como se pode ver pelas várias coisas que foram mostradas a respeito daquela nação nos Arcanos Celestes (dos quais se veem Extratos na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 248). E como venerar o externo em outro lugar além do que foi mandado, que era junto à tenda no deserto e junto ao templo e no templo em Jerusalém, era venerar o representativo mesmo sem intuição alguma da coisa representada, assim, somente o que é terreno sem o que é celeste, por isso lhes foi proibido, e de tal modo que nem mesmo fizessem para si tais imagens de escultura, porque assim que as viam feitas, eles as adoravam, pois assim era a natureza daquela nação.
[19] Que as nações idólatras tenham adorado simulacros não somente de homens, mas também de várias bestas, de aves e de répteis, foi porque elas tiveram dos antigos a noção de que eles significavam coisas celestes e espirituais, ou seja, que as ‘bestam’ significavam afeições, as ‘aves’ os pensamentos daí, os ‘répteis’ e os ‘peixes’ essas mesmas coisas no homem sensual natural. Daí era que, quando ouviam as coisas santas do céu e da igreja serem por elas significadas, os que estavam no culto externo sem interno algum começavam a venerá-las, assim como os egípcios e, daí, os filhos de Israel no deserto e, depois, em Samaria, veneravam bezerros pelo fato de que os ‘bezerros’ com os antigos significavam as boas afeições do homem natural.

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