AE 619

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Mas na tua boca será doce como mel.” Que isto signifique que haveria prazer exteriormente vê-se pela significação de ‘boca’, que é o exterior, porque se trata de o livrinho ser devorado, e pelo ‘livrinho’ é significada a Palavra, e por ‘ser devorado’, a percepção e o exame; assim, pela ‘boca’, que é o que primeiro recebe, entende-se o externo da Palavra; e pela significação de ‘doce como mel’, que é o prazer do bem natural. Que o externo da Palavra tenha sido ‘doce como mel’, isto é, prazeroso, era porque é tal que pode ser aplicado a qualquer amor e a qualquer princípio daí concebido, e estes podem ser por aí confirmados. Que o externo da Palavra, que é o sentido de sua letra, seja tal é porque muitas coisas aí foram escritas segundo as aparências diante do homem natural, e muitas aparências, se não forem interiormente compreendidas, são falácias, tais como são as falácias dos sentidos. Por isso, por aqueles que amam viver pelo corpo e o mundo, esse sentido é levado por essas aparências a confirmar os males da vida e os falsos da fé.
[2] Isto é o que foi feito principalmente pelos filhos de Jacob, que aplicaram a si mesmos todas as coisas da Palavra, e pelo sentido da letra conceberam a fé que retêm ainda hoje de que foram eleitos de preferência aos outros e, daí, eram uma nação santa. Acreditavam que as suas coisas, como Jerusalém e, nela, o templo, a arca, o altar, os sacrifícios, além de inúmeras outras, eram santas por si; não sabiam nem queriam saber que a santidade dessas coisas procedia unicamente do fato de que representavam os Divinos procedentes do Senhor, os quais se chamam celestes e espirituais, que pertencem ao céu e à igreja, e que pensar nessas coisas como santas por si mesmas e não pelos Divinos que elas representavam seria falsificar e adulterar a Palavra por aplicações a si mesmos e aos seus amores. Semelhantemente aconteceu com eles em relação à fé do Messias, que Ele se tornaria Rei do mundo e os elevaria acima de todas as nações e povos de todas as terras do mundo. Isto sem falar nas demais coisas que coligem do mero sentido da letra da Palavra, as quais lhes são doces como mel na boca. Assim é que as coisas que são do sentido espiritual da Palavra lhes são um desprazer, pois nesse sentido há os veros mesmos, que não são segundo as aparências, tais como: que essa nação não era santa, mas pior do que as outras nações, por conseguinte, não era eleita; que a cidade de Jerusalém somente significa a igreja do Senhor e a doutrina a respeito d’Ele e das coisas santas do céu e da igreja; e que o templo, a arca, o altar e os sacrifícios tinham representado o Senhor e as coisas santas procedentes d’Ele, e que daí, e não de outra parte, é que foram santas. Estes são os veros que estão encerrados interiormente no sentido da letra da Palavra, isto é, em seu sentido interno espiritual. Isto eles negam, porque falsificaram e adulteraram a Palavra no sentido da letra, como foi dito. Por isso tais veros lhes são um desprazer, como o de uma comida amarga no ventre.
[3] Diz-se que o livrinho na boca era ‘doce como mel’ porque o ‘mel’ significa o prazer do bem natural. Que o ‘mel’ signifique esse prazer pode-se ver pelas passagens que se seguem. Em Ezequiel:
Foi dito ao profeta: “Abre a tua boca, e como o que Eu te dou; e eis que vi uma mão estendida a mim, e eis que nela havia um rolo de livro que, quando abriu diante de mim, estava escrito na frente e atrás; e o que estava escrito nele eram lamentações, gemidos e prantos. ... Então me disse: Filho do homem... come este rolo, e vai falar à casa de Israel... Depois me disse: Dá de comer ao teu ventre, e enche as tuas vísceras com este rolo que Eu te dou; e, quando o comi, na minha boca foi como o mel quanto à doçura; e então disse: ... Vai à casa de Israel, e fala com eles as Minhas palavras.” (Ez. 2:8-10; 3:1-4).
Estas coisas são inteiramente semelhantes às que estão envolvidas no Apocalipse. Que ao profeta Ezequiel tenha sido ordenado que ‘comesse o rolo do livro’ envolve algo semelhante ao que ordenado a João, que ‘comesse o livrinho’, a saber, que examinasse de que maneira o Divino Vero, que é a Palavra, ainda seria recebida, percebida e apropriada àqueles que são da igreja, pois pelo profeta Ezequiel e por João era representada a doutrina do vero e a Palavra. Assim se fez o exame neles. Que isto tenha sido feito por ‘comer o livro’ é porque ‘comer’ significa perceber e, assim, apropriar a si, como acima se mostrou. E quando isto foi examinado, a saber, a qualidade da Palavra ainda percebida, então foi dito ao profeta Ezequiel que ‘fosse às casa de Israel e falasse as palavras de Deus a eles’. Também ao profeta João foi dito que ‘importava-lhe profetizar’, isto é, ainda ensinar a Palavra na igreja, e isto porque o livro na boca deles é percebido ‘doce como mel’, isto é, porque a Palavra quanto ao sentido da letra ainda lhes é um prazer, mas pelo fato de que esse sentido pode ser aplicado a quaisquer princípios do falso e a quaisquer amores do mal e, assim, lhes servir para confirmar os prazeres da vida natural separados dos prazeres da vida espirituais, os quais, quando são separados, são prazeres meramente dos amores do corpo e do mundo, donde decorrem princípios do falso oriundos das falácias.
[4] Em Isaías:
“Uma virgem conceberá e parirá um Filho, e chamará o Seu nome Deus conosco; manteiga e mel comerá, para que saiba rejeitar o mal e escolher o bem” (Is. 7:14, 15).
Que essas palavras tenham sido ditas a respeito do Senhor vê-se confirmado em Mateus (1:23). Qualquer um pode ver que por ‘manteiga e mel’ aí não se entendem manteiga e mel, mal algo que correspondem ao Divino, pois se segue: ‘para que saiba rejeitar o mal e escolher o bem’, o que não se sabe pelo fato de se comer manteiga e mel, mas por ‘manteiga’ é significado o prazer do bem espiritual, e por ‘mel’ o prazer do bem natural, sendo, por conseguinte, por estes significados o Divino espiritual e o Divino natural, assim, o Seu Humano interior e exterior. Que seja o Humano do Senhor que se entende aqui vê-se pelo que é dito, que ‘uma virgem parirá um Filho’; e que seja Divino, pelo que é dito: ‘e chamará o Seu nome Deus conosco’; ‘chamar o nome’ significa a qualidade, aqui, a qualidade Divina, pois será chamado ‘Deus conosco”.
[5] Por ‘manteiga e mel’ é também significado o prazer do bem espiritual e natural no mesmo capítulo, por estas palavras:
“Manteiga e mel comerá todo o que estar na terra” (Is. 7: 22);
pelo ‘que restar’ se entendem os que estão interior e também exteriormente no bem do Senhor, portanto, os que recebem nos veros o bem procedente do Senhor. Daí, a bem-aventurança do homem interno ou espiritual, como tanto do externo ou natural, é significada por ‘manteiga e mel’.
[6] Em Jó:
“Veneno de áspides sugará, língua de víbora o matará, para que não veja os rios, os ribeiros de torrentes de mel e de manteiga” (Jó 20:16, 17).
Essas palavras foram ditas a respeito dos hipócritas, os que falam bem e lisonjeiramente a respeito de Deus, do próximo, do céu e da igreja, quando, todavia, pensam diferentemente. E visto que a isto ajuntam o dolo para cativar as mentes, embora conservem no coração o que é infernal, se diz: ‘veneno de áspides sugará, língua de víbora o matará’. Que esses não tenham prazer algum do bem natural e espiritual entende-se por ‘para que não veja os rios, os ribeiros de torrentes de mel e de manteiga’; pelos ‘rios’ se entendem as coisas que são da inteligência; pelos ‘ribeiros de torrentes de mel e de manteiga’, as que são da afeição e do amor daí, que são os prazeres mesmos da vida celeste. Todo prazer da vida que permanece na eternidade é o prazer do bem e do vero espiritual, e, daí, o prazer do bem e do vero natural. O prazer hipócrita, porém, é o prazer natural separado do prazer espiritual; mas esse prazer se transforma, na outra vida, em algo medonho e infernal. Que por ‘mel e manteiga’ não se entendam aqui manteiga e mel é o que se vê, pois onde no mundo existem ribeiros de torrentes de mel e de manteiga?
[7] Também por ‘leite e mel’ é significado o mesmo que por ‘manteiga e mel’, e visto que pelo ‘leite’ é significado o prazer do bem espiritual e pelo ‘mel’ o prazer do bem natural, e estes são prazeres para que são da igreja do Senhor, por isso a terra de Canaan, pela qual é significada a igreja, foi chamada
“Terra que mana leite e mel” (Êx.. 3:8, 17; Lv. 20:24; Nm. 13:27; 14:8; Dt. 6:3; 11:9; 26:9, 15; 27:3; 31:20; Js. 5:6; Jr. 11:5; 32:22; Ez. 20:6).
Que pela ‘terra de Canaan’ na Palavra se entenda a igreja mostrou-se acima (n. 29, 304, 431); e a igreja está somente naqueles que estão no bem espiritual e, ao mesmo tempo, no bem natural. Nesses é formada a igreja do Senhor, pois a igreja no homem não está fora dele, por conseguinte, não está naqueles em quem não há esses bens. Esses bens, com os seus prazeres, são significados por ‘leite e mel’.
[8] Que na terra de Canaan também tenha havido muito mel naquele tempo, pelo fato de que então a igreja do Senhor estava ali, vê-se pelo Primeiro Livro de Samuel, onde se diz
Que chegaram à floresta, onde havia mel sobre as faces da terra, e havia ali um rio de mel, e os olhos de Jonathan foram abertos ao provar do mel (I Sm. 14:25-27, 29).
Que ‘os olhos de Jonathan tenham si abertos pelo provar do mel’ era porque o ‘mel’ corresponde bem natural e seu prazer, e esse bem dá inteligência e ilumina, donde ele teve a cognição de que fizera mal, conforme se lê em Isaías, que ‘comerá manteiga e mel, para que saiba rejeitar o mal e escolher o bem’. De fato, naquele tempo as correspondências se apresentam em seu efeito, visto que todas as coisas da igreja Israelita consistiam de correspondências, pelas quais eram representadas e significadas as coisas celestes e espirituais.
[9] Por ‘azeite e mel’ é também significado o mesmo que por ‘manteiga e mel’ nas passagens que se seguem. Em Moisés:
“Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra e deu-lhe do comer do fruto dos campos; fez sugar o mel da penha e o azeite da pederneira da rocha” (Dt. 32:13).
Essas palavras estão no cântico de Moisés, no qual se trata da igreja em seu princípio e, em seguida, dela na progressão e finalmente em seu fim. Os que constituíram a Igreja Antiga são descritos por essas palavras, mas não os que constituíram a Igreja Israelita, pois esses foram maus do princípio ao fim, como se pode ver por seus pais no Egito e, depois, no deserto. Mas a Igreja Antiga, cujos homens se entendem por ‘seus pais’, era aquela que o Senhor fez ‘cavalgar sobre as alturas da terra e deu-lhe de comer do fruto dos campos’. Que lhes tenham sido dados o bem do amor natural e o bem do amor espiritual com os seus prazeres, pelo quais eles tiveram inteligência e segundo os quais era a sua vida é significado por ‘fez sugar o mel da penha e o azeite da pederneira da rocha’; pelo ‘mel’ é significado o prazer do amor natural, pelo ‘azeite’ o prazer do amor espiritual, e pela ‘penha’ e pela ‘pederneira da rocha’, o vero procedente do Senhor. (Que o ‘azeite’ signifique o bem do amor e da caridade vê-se acima,
[10] Em David:
“Deu-lhes de comer da gordura do trigo, e com o mel da rocha os saciou” (Sl. 81:16);
Pela ‘gordura do trigo’ é também significado o prazer do bem espiritual, e pelo ‘mel da rocha’ o prazer do bem natural pelos veros procedentes do Senhor (como acima). Cumpre saber que o bem natural não é bem a menos que também seja bem espiritual, pois todo bem influi pelo homem ou a mente espiritual no homem ou a mente natural, e quanto mais o homem ou a mente natural recebe o bem do homem ou da mente espiritual, mais recebe o bem. Deve haver um e outro, ou ambos, para que haja o bem. Por esse motivo, o bem natural separado do bem do bem espiritual é mau em si, ainda que seja percebido pelo homem como bem. Como deve haver um e outro, por isso nas passagens citadas e nas que ainda serão referidas mencionam-se ‘mel e manteiga’, ‘leite e mel’, ‘gordura e mel’ e também ‘azeite e mel’, e por ‘manteiga’, ‘leite’, ‘gordura’ e ‘azeite’ é significado o bem do amor espiritual, e pelo ‘mel’ o bem do amor natural juntamente com os seus prazeres.
[11] Em Ezequiel:
“Assim foste adornada de ouro e prata, e tuas vestes eram linho fino, e seda, e bordados; comeste flor de farinha, mel e azeite, pelo que te fizeste muito e extremamente formosa, e prosperaste até o reino... mas o Meu pão, que dei a ti, e a flor de farinha, o azeite, o mel com que te alimentei, puseste diante dos ídolos por odor de repouso” (Ez. 16:13, 19).
Essas palavras são a respeito de Jerusalém, pela é significada a igreja, primeiro a Igreja Antiga e depois a Igreja Israelita. Da Igreja Antiga se diz que ‘fora adornada de ouro e de prata’, pelos quais é significado o bem do amor e do vero em que os homens daquela igreja estiveram. Que ‘as suas vestes eram de linho fino, de seda e de bordado’ significa as cognições do vero celeste, espiritual e natural; o ‘linho fino’ significa o vero de origem celeste, a ‘seda’ o vero de origem espiritual, e o ‘bordado’ o vero de origem natural, que se chama conhecimento. Que ‘tenha comido flor de farinha, mel e azeite’ significa a percepção do vero e do bem natural e espiritual, e a sua apropriação; ‘comer’ significa apropriar a si, ‘flor de farinha’ significa o vero, ‘mel’ significa o bem natural e ‘azeite’ o bem espiritual, os quais lhes foram apropriados por uma vida segundo os veros acima mencionados. Que ‘tenha se tornado muito e extremamente formosa, e próspera até o reino’ significa que se tornou inteligente e sábia, de modo que por eles houvesse a igreja; ??? a ‘formosura’ significa a inteligência e a sabedoria, e o ‘reino’ significa a igreja. Sobre a Igreja Israelita, porém, que esteve somente nos externos sem os internos, e seus homens por isso se tornaram idólatras, se diz que ‘a flor de farinha, o mel e o azeite puseram diante das imagens de macho, ou ídolos, por odor de repouso’, isto é, que eles perverteram os veros e bens da igreja em falsos e males, e assim os profanaram.
[12] No mesmo:
“Judah e a terra de Israel foram teus negociantes; por trigo minnith e pannag , e mel, e azeite e bálsamo deram a tua negociação” (Ez. 27:17).
Essas palavras são a respeito de Tiro, pela qual é significada a igreja quanto às cognições do vero e do bem; daí, também, por ‘Tiro’ são significadas as cognições do vero e do bem pertencem à igreja; e por ‘mel’ e ‘azeite’ sãos significadas coisas semelhantes às que estão acima. O que aí se entende no sentido espiritual por ‘Judah’ e pela ‘terra de Israel’, como também pelo ‘trigo minnith e pannag’, pelo ‘bálsamo’ e pelo ‘negociação de Tiro’, foi explicado acima (n. 433).
[13] Em Moisés:
“Uma terra de rios de águas, de fontes e de abismos que saem do vale e do monte; terra de trigo e de cevada, e de videira, e de figueira, e de romãzeiras; terra de azeite de oliva e de mel” (Dt. 8:7, 8).
Essas palavras são a respeito da terra de Canaan, pela qual se entende a igreja que está no bem celeste, espiritual e natural e, daí, nos veros. O que, porém, está contido nesse versículo, explicou-se acima (n. 374 e 403), e também que pelo ‘azeite’ e pelo ‘mel’ aí é significado o bem do amor no homem interno ou espiritual e no externo ou natural.
[14] Em David:
“Os juízos de Jehovah são a verdade; são juntamente justos, mais desejáveis do que o ouro e mais do que o ouro muito puro, e mais doces do que o mel e o destilar dos favos” (Sl. 19:9, 10);
e, no mesmo:
“Dos Teus juízos não me desviei, os quais Tu me ensinaste. Quão doces são ao meu paladar as Tuas palavras, mais do que o mel à minha boca” (Sl. 119:102, 103);
Pelos ‘juízos’ são significados o veros e bens do culto, pelo que se diz que ‘os juízos de Jehovah são a verdade, e juntamente justos’; ‘justo’ significa o bem da vida e o culto daí; e como o bem é também significado pelo ‘ouro’ e pelo ‘ouro muito puro’, por isso se diz que ‘são mais desejáveis que o ouro e mais do que o ouro muito puro’; ‘ouro’ é o bem celeste, e ‘ouro puro’ é o bem espiritual; ‘desejáveis’ é o que pertence à afeição e ao amor. Visto que os bens pelos o homem é afetado são também prazeres, por isso se diz que ‘são mais doces do que o mel e mais do que o destilar dos favos’, e que ‘as palavras de Jehovah são doces ao paladar e mais do que o mel à boca’; ‘doce’ significa o prazer, ‘mel’ o bem natural, ‘destilar dos favos’ o vero natural; e como o ‘mel’ é o bem natural e ‘boca’ significa o externo, por isso se diz ‘mais do que o mel à minha boca’, tal como no Apocalipse, que o ‘livrinho era na boca doce como mel’.
[15] Em Lucas:
Jesus disse aos discípulos que pensavam estar vendo um espírito: “Vede a Minhas mãos e os Meus pés, que sou Eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne e ossos, como Me vedes ter.” Em seguida lhes disse: “Tendes alguma coisa que comer? Então eles Lhe deram parte de um peixe assado e do favo de abelhas, os quais Ele comeu, comendo diante deles” (Lc. 24:39, 41-43).
Peça série dessas palavras consideradas no sentido interno espiritual vê-se claramente que pelo ‘favo de abelhas’ e pelo ‘mel’ é significado o bem natural, pois o Senhor revelou aos discípulos que Ele tinha glorificado ou tinha feito Divino todo o Seu Humano, até ao seu natural e sensual. Isto é significado por ‘mãos e pés’ e por ‘carne e ossos’; que eles vissem e apalpassem; por ‘mãos e pés’ o último do homem, que se chama natural, por ‘carne’ o seu bem e por ‘ossos’ os seus veros, pois todas as coisas que existem no corpo humano correspondem a coisas espirituais, a carne ao bem do homem natural, e os ossos aos seus veros (sobre essa correspondência vide o opúsculo O Céu e o Inferno, n. 87-102). Isto o Senhor também confirmou pelo fato de ter comido do peixe assado e também do favo de abelhas diante dos discípulos; o ‘peixe assado’ significa o vero do bem do homem natural e sensual, e o ‘favo de abelhas’ o bem desse mesmo vero. Por isso o Senhor, pelo toque, mostrou e confirmou que todo o Seu Humano, até os seus últimos, fora glorificado, isto é, feito Divino; e isto Ele mostrou também pelo ato de comer, pelo fato de ‘comer diante deles parte do peixe assado e do favo de abelhas.
[16] Como o ‘mel’ significa o bem do homem natural, por isso também
“João” Batista “tinha vestes... de pelo de camelo, e um cinto de couro ao redor dos lombos..., e seu alimento foi gafanhotos e mel silvestre” (Mt. 3:4; Mc. 1:6),
pois João Batista representou o mesmo que Elias, pelo que também se diz que ‘Elias veio’, por quem se entende João. Elias representou o Senhor quanto à Palavra, ou a Palavra que vem do Senhor, do mesmo modo que João. /e visto que João representou a Palavra, por isso também os últimos da Palavra, que são as coisas naturais, foram representados por João por meio de suas vestes bem como pelo alimento, ou seja, pelas vestes de pelos de camelo e pelo cinto de couro ao redor dos lombos. Os ‘pelos de camelo’ significam os últimos do homem natural, tais como são os exteriores da Palavra, e o ‘cinto de couro ao redor dos lombos’ significa o vínculo externo e a conexão deles com os interiores da Palavra, que são as coisas espirituais. Coisas semelhantes são significadas pelo ‘gafanhoto’ e pelo ‘mel silvestre’; pelo ‘gafanhoto’, o vero do homem natural, e pelo ‘mel silvestre’ o seu bem. Dá no mesmo dizer ‘vero e bem do homem natural’ ou ‘vero e bem natural’, como é a Palavra em seu sentido último, que se chama sentido da letra ou sentido natural, pois João representava isto, por suas vestes e seu alimento.
[17] Que
Nenhum fermento nem mel algum fossem empregados no que oferecessem como oferta queimada a Jehovah (Lv. 2:11)
era porque o ‘fermento’ significa o falso do homem natural e ‘mel’ o prazer de seu bem, e, no sentido oposto, o prazer de seu mal. Isto é também é como o fermento quando misturado às coisas tais que significam as coisa santas interiores, pois o prazer natural deriva sua natureza dos prazeres dos amores de si e do mundo; e como a nações israelita este nesses prazeres mais do que as outras nações, por isso lhes foi proibido o uso do mel nos sacrifícios. (a respeito da significação do ‘mel’, que é o prazer do bem do homem natural, vide os Arcanos Celestes, n. 5650, 6857, 8056, 10137 e 10530).
[18] Que
Sansão, depois de despedaçar o leão ovem, em seu cadáver encontrou um exame de abelhas e mel, quando recebeu a esposa da nação filisteia (Jz. 14:8),
significava a dissipação da fé separada da caridade, representada pela nação filisteia, pelo que os filisteus também foram chamados ‘incircuncisos’, nome pelo qual é significado que eram desprovidos de amor e de caridade espiritual e estavam somente no amor natural, que é o amor de si e do mundo. Essa fé, por destruir o bem da caridade, foi representada pelo leão jovem que foi atacado por Sansão com a intenção de despedaçá-lo. Mas Sansão, como era nazireu, e pelo nazireado representava o Senhor quanto ao Seu último natural, ‘despedaçou o leão’ e, depois, em seu cadáver achou um ‘enxame de abelhas e mel’. Isto significava que, após essa fé ter sido dissipada, em seu lugar sucedeu o bem da caridade. Coisas semelhantes foram representadas e significadas pelas demais coisas que são relatadas no Livro dos Juízes a respeito de Sansão, pois na Palavra não se acha escrita coisa alguma que não represente e signifique coisas tais que são do céu e da igreja, as quais só podem ser conhecidas pela ciência das correspondências e, daí, pelo sentido espiritual da Palavra.

[VERSAO IMPRESSA]

Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.