AE 638

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. [Vers. 4] “Estes são as duas oliveiras, e os dois castiçais”. Que isto signifique o bem do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo, e vero da doutrina e da fé, dos quais vêm o céu e a igreja, vê-se pela significação de ‘olivais’, ‘oliveira’ e ‘oliva’, que são, num sentido amplo, o reino celeste do Senhor e, daí, a igreja celeste; essa igreja se distingue das outras pelo fato de que as pessoas de que essa igreja consiste estão no amor ao Senhor e no amor para com o próximo. Daí é que pela ‘oliveira’ e pela ‘oliva’ é significado o bem de ambos os amores; (que a ‘oliveira’ e a ‘oliva’ signifiquem essa igreja, ou bem dessa igreja, ver-se-á na sequência); e pela significação de ‘castiçal’ que, num sentido amplo, é reino espiritual do Senhor e, daí, a igreja espiritual; e como o principal dessa igreja é o vero da doutrina e o vero da fé, por isso esses veros são também significados pelo ‘castiçal’. (Que estes se entendam no sentido espiritual pelo ‘castiçal’ vê-se acima, n. 62).
[2] Diz-se que ‘as duas testemunhas são as duas oliveiras e os dois castiçais’, os quais, todavia, são quatro; isto é porque ‘dois’ significa a conjunção e, assim, a unidade, pois há duas coisas que fazem uma só, a saber, o bem e o vero. O bem não é bem senão pelo vero, e o vero não é vero senão pelo bem; por isso, quando esses dois fazem um, então pela primeira vez são e existem. Essa conjunção em um só chama-se casamento celeste, e desse casamento vem o céu e a igreja. Dá-se de modo semelhante com o bem celeste que é significado pelas ‘duas oliveiras’ e com o bem espiritual que é significado pelos ‘dois castiçais’, pois o bem no reino celeste do Senhor é o bem do amor ao Senhor, e o vero desse bem se chama bem do amor para com o irmão e o companheiro; e o bem no reino espiritual do Senhor é o bem da caridade para com o próximo, e o vero desse bem se chama bem da fé. Todavia, dificilmente se pode ter uma ideia justa a respeito disso a menos que se saiba qual é o bem celeste e qual é o bem espiritual, e que diferença há entre eles. Por aí se pode ver de onde procede o fato de ‘as duas testemunhas’ serem chamadas ‘duas oliveiras e dois castiçais’. (Que ‘dois’ signifique a conjunção em um só, ou o casamento celeste, vide acima, n. 532, ao fim).
[3] Que a ‘oliveira’ signifique a igreja celeste é porque as árvores em geral significam as percepções e as cognições, e toda igreja é igreja pelas cognições do vero e do bem e segundo a percepção delas; e como o ‘óleo’ significa o bem do amor (vide acima, n. 375), por isso o ‘olival’ e a ‘oliveira’ significam a igreja em que esse bem reina. Há principalmente três árvores que significam a igreja, a saber, a ‘oliveira’, a ‘videira’ e a ‘figueira’; a ‘oliveira’ significa a igreja celeste, a ‘videira’ a igreja espiritual, e a ‘figueira’ a igreja celeste e espiritual externa.
[4] Que essas coisas que foram descritas sejam significadas pelas ‘duas oliveiras’ e pelos ‘dois castiçais’ qualquer um pode ver e concluir pelo fato de elas serem chamadas ‘testemunhas’, por conseguinte, que testificam a respeito do Senhor, isto é, reconhecem-No e O confessam. Isto se vê também pelo fato de na sequência se diz delas que ‘a besta as matou’ e, depois, que ‘o espírito de vidas vindo de Deus entrou no nelas’. Isto não se pode dizer a respeito de oliveiras e castiçais a menos que as ‘oliveiras’ e os ‘castiçais’ signifiquem coisas tais que estão pelo Senhor nos anjos do céu e nos homens da igreja, coisas essas que testificam a respeito do Senhor, ou fazem com que anjos e homens testifiquem a respeito d’Ele. Com efeito, os anjos e os homens não podem por si mesmos testificar a respeito do Senhor, mas o bem e o vero que há neles provenientes do Senhor, isto é, o Senhor mesmo por Seu bem e vero neles.
[5] Na Palavra são mencionados muitas vezes jardins e florestas, bem como olivais e vinhas, e também árvores de muitos gêneros, principalmente a oliveira, a videira, o cedro, o choupo e o carvalho. Até hoje ninguém soube que cada uma delas significa algo espiritual que pertencem ao céu e à igreja, além do fato de a ‘vinha’ significa a igreja. Mas não somente a ‘vinha’ significa a igreja, mas também o ‘olival’, a ‘floresta de cedro’ ou ‘Líbano’, e mesmo as árvores, como a ‘oliveira’, a ‘videira’, a ‘figueira’ e o ‘cedro’. E como significam a igreja e as coisas espirituais que pertencem à igreja, por isso são mencionadas tantas vezes na Palavra.
[6] No que concerne aos jardins e as florestas, os ‘jardins’ ou ‘paraísos’ significam em particular a inteligência e a sabedoria que pertencem aos homens da igreja, e as ‘florestas’ ou ‘bosques’ significam a inteligência do homem natural, que, considerada em si mesma, é o conhecimento que serve à inteligência do homem espiritual. Mas o ‘olival’ e a ‘vinha’ significam a igreja, o ‘olival’ a igreja celeste, ou a igreja que está no bem do amor ao Senhor, e a ‘vinha’ a igreja espiritual, ou a igreja que está no bem da caridade para com os próximos e, daí, nos veros da fé. A ‘oliveira’ e a ‘videira’ também significa o mesmo, e isto porque o ‘óleo’ significa o bem do amor ao Senhor, e o ‘vinho’ o bem da caridade para com o próximo e o bem da fé. A ‘figueira’, porém, significa uma e outra igreja, tanto a celeste quanto a espiritual, mas externa. Que tais coisas sejam significadas por essas igrejas é por causa dos representativos no mundo espiritual, por conseguinte, pela correspondência, pois no céu íntimo, onde está o reino celeste do Senhor e onde reina o amor a Ele, os oliveiras e figueirais formam seus paraísos e florestas, enquanto no segundo céu os formam as vinhas e muitos gêneros de árvores frutíferas, do mesmo modo que no céu mais externo, mas com a diferença de que nesse céu as árvores não são tão nobres. Que tais coisas existam nos céus é porque elas correspondem à sabedoria, à inteligência, ao amor, à caridade e à fé dos anjos que estão naqueles céus. Por aí se pode ver de onde vem que as ‘testemunhas’ sejam chamadas ‘oliveiras’, a saber, porque pelas ‘oliveiras’ se entendem todos os que constituem a igreja celeste do Senhor, isto é, os que estão no bem do amor ao Senhor e no bem do amor para com o irmão e o companheiro.
[7] Que tais coisas sejam significadas por ‘olivais’, ‘oliveiras’ e ‘olivas’ na Palavra pode-se ver pelas passagens que se seguem. Em Zacarias:
“Duas oliveiras junto” ao castiçal, “uma à direita do vaso e a outra junto à sua esquerda;... e duas bagas de olivas... estes são dois filhos de oliveira que estão junto ao Senhor de toda a terra” (Zc. 4:3, 11, 12, 14).
Aí se trata da fundação da casa ou do templo, por Zorobabel, e pela ‘casa’ ou ‘templo’ é significada a igreja; por isso o profeta viu um castiçal e, junto dele, duas oliveiras, quase do mesmo que João viu aqui, no Apocalipse. Pelas ‘duas oliveiras’ e pelas ‘bagas de olivas’ são significados os bens da igreja, que são o bem do amor ao Senhor e o bem do amor para com o irmão e o companheiro. Este bem é significado pela ‘oliveira’ vista ‘junto à esquerda do vaso’, e aquele pela ‘oliveira à sua direita’. Os veros desse bem se entendem pelos ‘filhos da oliveira que estão junto ao Senhor de toda a terra’; ‘estar junto a Ele’ significa ser e existir por Ele.
[8] Como as ‘oliveiras’ significam esses bens, por isso
Os querubins no meio da casa ou do templo foram feitos de madeira de oliveira, do mesmo modo que as portas do ádito e os postes (1 Re. 6:23-33),
Pois os ‘querubins’, assim como as ‘portas’ e os ‘postes’ do ádito do templo, significavam a guarda, para que não houvesse acesso ao Senhor senão pelo bem do amor; o ‘ádito’ significava onde o Senhor está, e a ‘madeira de oliveira’ o bem do amor, porque o ‘olival’, a ‘oliveira’ e a ‘oliva’ significavam as coisas celestes que pertencem ao amor.
[9] Visto que o ‘olival’ e a ‘oliveira’ significavam a igreja, que está no amor ao Senhor, daí
O óleo de santidade, com que eram ungidas todas as coisas santas da igreja, foi feito de óleo de oliva e de coisas aromáticas misturadas com o mesmo (Êx. 30:23, 24),
pois todas as coisas da igreja, quanto mais derivam do amor ao Senhor, mais são santas e Divinas. Assim, por isso óleo era estabelecido o representativo do Senhor, do céu e da igreja. (Vide a explicação disso nos Arcanos Celestes).
[10] Igualmente,
Óleo puro de oliva era batido para cada um dos luminares na tenda da assembleia, que eram acessos à tarde (Êx. 27:20; Lv. 24:2);
por esse ‘luminar’ ou pelo ‘castiçal’ aí era significada a igreja espiritual do Senhor, e pelo ‘fogo acesso nas lâmpadas’ era significado o amor espiritual, que é o amor para com o próximo, semelhantemente ao que é significado pelo ‘óleo puro de oliva, batido’, de que vinha o fogo (sobre isso também se vê nos Arcanos Celestes, em seu lugar).
[11] Que a ‘oliveira’ e a ‘oliva’ signifiquem o bem do amor vê-se também pelas seguintes passagens. Em Oséias:
“Serei como orvalho para Israel; florescerá como o lírio, e lançará suas raízes como o Líbano; seus ramos sairão, e sua honra será como a da oliva, e seu odor como o do Líbano” (Os. 14:5, 6).
Essas palavras são a respeito da igreja espiritual, que é significada por ‘Israel’; ‘ser como orvalho para ele’ significa sua existência e seu renascimento espiritual; o primeiro estado de seu renascimento ou sua regeneração é significado por ‘florescerá como lírio’; o ‘lírio’ significa a florescência que precede o fruto; o segundo estado da regeneração é significado por ‘lançará suas raízes’, estado esse que é de sua existência no natural, pois aí são lançadas as raízes; o terceiro estado é significado por ‘sairão seus ramos’, pelo quais é significada a multiplicação dos conhecimentos e das cognições do vero; o quarto5 estado, que é o estado de frutificação, é significado por ‘sua honra será como a da oliva’; a ‘oliva’ significa o bem do amor, e a ‘honra’ se atribui ao bem (que a ‘honra’ seja atribuída ao bem do amor vê-se acima, n. 288 e 345); e o quinto6 estado, que é o estado de inteligência e de sabedoria, é significado por ‘seu odor será como o do Líbano’; ‘odor’ significa a percepção e ‘Líbano’ a racionalidade, das quais vêm a inteligência e a sabedoria.
[12] Em David:
“Eu sou como a oliveira verde na casa de Deus; confio na misericórdia de Deus no século e eternamente” (Sl. 52:8);
diz-se ‘como oliveira verde na casa de Deus’ porque pela ‘oliveira verde’ é significado o bem do amor que nasce pelo vero da Palavra, e pela ‘casa de Deus’ é significada a igreja.
[13] “Tua esposa como a videira frutífera nos lados de tua casa, teus filhos como plantas de oliveiras ao redor de tuas mesas;... assim será bendito o varão que teme a Jehovah” (Sl. 128:3, 4),
palavras pelas quais, no sentido natural, que é o sentido da letra, entendem-se a esposa e os filhos, e os prazeres do casamento e da proliferação. No sentido espiritual, porém, que é o sentido interno da Palavra, pela ‘esposa’ é significada a afeição do vero, e pelos ‘filhos’ os veros mesmos daí nascidos, pois todo vero que tem em si a vida nasce da afeição do vero, e como a ‘esposa’ significa essa afeição, ela é comparada à videira frutífera, pois pela ‘videira’ é significada a igreja, e pela ‘videira frutífera’ a igreja quanto à afeição do vero. Pela ‘casa’ é significada a mente espiritual, e pelos seus ‘lados’ são significadas todas as coisas que há no homem natural; pelos ‘filhos’ são significados os veros que nascem dessa afeição espiritual; eles são comparados às ‘plantas de oliveiras’ porque pelos veros são produzidos os bens do amor e da caridade, que são as ‘oliveiras’; por ‘ao redor das mesas’ são significados os prazeres oriundos da apropriação e da nutrição espiritual.
[14] Em Moisés:
“Acontecerá, quando Jehovah teu Deus te introduzir na terra... te dará cidades grandes e boas que não edificaste, e casas cheias de todo bem as quais não encheste, e cisternas cavadas que não cavaste, vinhas e olivais que não plantaste” (Dt. 6:10, 11).
Por essas palavras entende-se no sentido espiritual coisa completamente diferente do que se entende no sentido histórico, pois, no sentido espiritual, a ‘terra de Canaan’ em que eles eram introduzidos significa a igreja; por isso, por ‘cidades’, ‘casas’, ‘cisternas’, ‘vinhas’ e ‘olivais’ são significadas coisas tais que pertencem à igreja; pelas ‘cidades grandes e boas’ são significadas as coisas doutrinais que ensinam os bens do amor e da caridade; pelas ‘cisternas cavadas’ são significadas todas as coisas da inteligência no homem natural, que são as cognições e os conhecimentos; e por ‘vinhas e olivais’ são significadas todas as coisas da igreja quanto aos veros e bens.
[15] É narrado a respeito de Noé
Que ele enviou da arca uma pomba, que voltou para ele por volta do tempo da tarde, trazendo na boca uma folha tirada de uma oliveira, e que daí ele soube que as águas tinham diminuído (Gn. 8:10, 11).
Por essas palavras, no sentido espiritual, descreve-se a regeneração do homem da igreja, a qual é significada por ‘Noé e seus filhos’. Aqui, pela ‘pomba’ enviada pela segunda vez descreve o segundo estado sucessivo, que é quando o bem espiritual começa a existir, após serem removidos os falsos, pois pela ‘folha’ é significado o vero, pela ‘oliveira’ o bem que nasce daí, e pelas ‘águas’ são significados os falsos. (Essas coisas, porém, veem-se plenamente explicadas nos Arcanos Celestes, n. 870-892).
[16] Em Zacarias:
“Estarão os Seus pés naquele dia sobre o Monte das Oliveiras, que está diante das faces de Jerusalém, para o oriente; e o Monte das Oliveira será fendido [pelo meio], e uma parte sua para o nascente e para o mar, com um vale muito grande; e parte do monte se afastará para o setentrião, e [outra] parte sua para o meio-dia” (Zc. 14:4).
Foi explicado acima (n. 405) o que essas palavras significam, e mostrou-se que pela ‘Monte das Oliveiras’ é significado o Divino Amor, pois o Monte das Oliveiras estava ao oriente de Jerusalém, e ‘Jerusalém’ significava a igreja quanto à doutrina, e tudo da igreja, assim como todo vero da doutrina, é iluminado e recebe luz do Senhor, no oriente, e o oriente no céu é onde o Senhor aparece como Sol; e visto que o ‘sol’ significa o Divino Amor, por isso o ‘oriente’ e o ‘Monte das Oliveiras’, que ficava ao oriente de Jerusalém, significam o mesmo. Como esse monte significava o Divino Amor do Senhor, como se disse, por isso o Senhor costumava ficar sobre aquele monte, de acordo com os Evangelhos:
Jesus ficava ‘”de dia ensinando no templo, mas, à noite, saindo, pernoitava no Monte, que é chamado das Oliveiras” (Lc. 21:37; 22:39; Jo. 8:1);
Sobre aquele monte Ele falou com os discípulos a respeito do juízo final (Mt. 24:3, e seq.; Mc. 13:3, e seq.);
E dali veio a Jerusalém e sofreu a paixão; além de várias outras coisas (Mt. 21:1; 26:30; Mc. 11:1; 14:26; Lc. 19:29, 37; 21:37; 22:39; Jo. 8:1).
Todas essas coisas eram porque o ‘Monte das Oliveiras’ significava o Divino Amor, e as coisas significativas, por serem representativas do céu e da igreja, naquele tempo conjuntavam o Senhor ao céu e ao mundo. Também, os anjos do céu íntimo ou terceiro habitam no oriente sobre montes, onde os olivais florescem mais do que as outras árvores.
[17] Em Jeremias:
“Oliveira verde, bela com fruto de formosura,*** Jehovah chamou o teu nome; à voz de grande tumulto acendeu o fogo sobre ela, e se quebraram os seus ramos; pois Jehovah Zebaoth, que te plantou, falou um mal contra ti, por causa da malícia da casa de Israel e da casa de Judah” (Jr. 11:16, 17);
Aqui, a ‘casa de Judah e de Israel’ é chamada ‘oliveira verdade, bela com fruto de forma’, porque a ‘oliveira’ e o seu ‘fruto’ significam o bem do amor, e ‘verde’ e ‘bela, de formosura’ significa o vero desse bem, do qual vem a inteligência. Com efeito, pela ‘casa de Judah’ é significada a igreja quanto ao bem do amor, e pela ‘casa de Israel’ a igreja quanto ao vero desse bem; ‘chamar o nome’ significa a sua qualidade. A destruição e a devastação dessa igreja pelo amor do amor são descritas por ‘Jehovah acendeu fogo sobre ela, e seu ramos se quebraram’; pelo ‘fogo’ é significado o amor do mal, e pelos ‘ramos’ são significados os veros, que se dizem ‘quebrados’ quando perecem por esse amor. Isto se atribui a Jehovah por causa da aparência de que todo mal da pena é como se viesse de Deus, por ser onipotente e não o impediu, ignorando-se que impedir o mal da pena é contra a ordem, pois se fosse impedida, o mal cresceria a ponto de não restar mais bem algum.
[18] Em Isaías:
“Assim será no meio da terra, no meio dos povos, como a sacudidura da oliveira, como as respigaduras, quando foi consumada a vindima” (Israel. 24:13).
Também estas palavras são a respeito da devastação da igreja quanto ao bem celeste e quanto ao bem espiritual; o bem celeste é o bem do amor ao Senhor, e o bem espiritual é em sua essência o vero desse bem. O bem celeste é significado pela ‘oliveira’, e o bem espiritual, que é o vero oriundo bem celeste, é significado pela ‘vindima’; a devastação é significada pela ‘sacudidura’ e pelas ‘respigaduras’ após a consumação.
[19] Em Moisés:
“Vinhas plantarás e cultivarás, mas não beberás o vinho, porque o verme o comerá; terás oliveiras em todo o teu termo, mas não te ungirás com o óleo, porque a oliva será arrancada ” (Dt. 28:39, 40);
Pela ‘vinha’ é significada a igreja espiritual, e pela ‘oliveira’ a igreja celeste; assim, pela ‘vinha’ é significado também o vero da igreja, e pela ‘oliveira’ o seu bem; por isso, ‘plantar e cultivar a vinha e não beber o vinho’ significa que embora a igreja seja instaurada e os veros sejam ensinados, todavia os veros não afetarão nem aperfeiçoarão; o ‘vinho’ significa o vero da doutrina; ‘porque o verme o comerá’ significa que os falsos o destruirão; ‘terás oliveiras em todo o teu termo’ significa que haverá em toda a igreja os bens do amor vindo do Senhor pela palavras e pelas pregações da Palavra; ‘não ser ungido com o óleo’ significa que, todavia, nada fruirá do bem e da alegria daí; ‘tua oliva será arrancada’ significa que esse bem perecerá. Essas palavras são a respeito da maldição, se eles adorassem outros deuses e se não guardassem os estatutos e juízos.
[20] Em Miquéias:
“Tu pisarás a oliva, mas não te ungirás com o óleo; e o mosto, mas não beberás o vinho” (Mq. 6:15);
em Amós:
“Feri... com ferrugem e com crestamento vossos muitos jardins, e vossas vinhas e vossas figueiras; e a lagarta comerá vossas oliveiras, contudo não retornastes a Mim” (Am. 4:9);
pelos ‘jardins’ são significadas as coisas que pertencem à inteligência espiritual; pela ‘ferrugem’ e pelo ‘crestamento’ são significados o mal e o falso nos extremos, ou oriundos do sensual corpóreo; pelas ‘vinhas’ são significados os veros espiritual ou interiores da igreja; pelas ‘figueiras’ os bens e veros exteriores, que também são chamados morais, mas pelas ‘oliveiras’ os bens da igreja, e pela ‘lagarta’ é significado o falso que destrói o bem.
[21] Em Habacuque:
“A figueira não florescerá, nem haverá provento nas videiras; a obra do olival mentirá, e o campo não produzirá comida” (Hb. 3:17);
aqui também, pela ‘figueira’ são significadas as coisas externas da igreja, pelas ‘videiras’ as suas coisas internas, pelo ‘olival’ os seus bens, e pelo ‘campo’ a igreja mesma no homem.
[22] No livro primeiro de Samuel:
O rei “tomará vossos campos, e vossas vinhas, e vossos olivais, e os dará aos seus servos” (1 Sm. 8:14);
também aqui, por ‘campos’, ‘vinhas’ e ‘olivais’ são significadas coisas semelhantes. Trata-se aí do direito do rei, pelo qual se entende e se descreve aí o domínio do homem natural sobre o espiritual, a saber, que destruirá todos os veros e bens da igreja e os fará servir ao homem natural, por conseguinte, aos males e falsos.
[23] No livro dos Juízes:
Jotão disse aos cidadãos de Shechem que tinham constituído rei a Abimeleque: “As árvores foram ungir sobre si um rei, e disseram à oliveira: Reina sobre nós. Mas a oliveira lhes disse: Acaso farei cessar a minha gordura, que em mim Deus e os homens honram, e irei para me mover sobre as árvores? E disseram as árvores à figueira: Vai tu, reina sobre nós. Mas a figueira disse a elas: Acaso farei cessar a minha doçura, e o meu bom provento, e irei para me mover sobre as árvores? Então disseram as árvores à videira: Vai tu, reina sobre nós. Mas disse-lhes a videira: Acaso farei cessar o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, e irei para me mover sobre as árvores? E disseram todas as árvores ao espinheiro: Vai tu, reina sobre nós. E o espinheiro disse às árvores: Se em verdade me ungis rei sobre vós, vinde e confiai em minha sobre; mas, se não, sai ira do espinheiro e coma os cedros do Líbano” (Jz. 9:7-15).
Por essas palavras de Jotão é significado que os cidadãos de Shechem não queriam que reinasse sobre eles o bem celeste, que é a ‘oliveira’, nem o vero desse bem, que é a ‘videira’, nem o bem moral, que é o bem celeste e espiritual externo, que é a ‘figueira’, mas o mal do falso que lhes parece ser o bem, que é o ‘espinheiro’; o fogo deste é o mal da concupiscência; os ‘cedros do Líbano’ são as coisas racionais de que vêm os veros. Pelas passagens acima citadas pode-se ver que na maioria das vezes a ‘oliveira’ e a ‘vinha’ são mencionadas juntamente, o que ocorre por causa do casamento do bem e do vero em cada coisa da Palavra, pois pela ‘oliveira’ e pelo ‘óleo’ é significado o bem da igreja, e pela ‘vinha’ e pelo ‘vinho’ o vero desse bem. (Que o ‘óleo’ signifique o bem do amor e o prazer do céu daí vê-se acima, n. 375; e que o ‘vinho’ signifique o bem da caridade e o vero da fé, n. 376).

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