. Vers. 7. “E quando cumprirem o seu testemunho”. Que isto signifique no fim da igreja, quando não for mais reconhecido o Divino do Senhor e, daí, quando não houver mais o bem do amor e o vero da doutrina, vê-se pela significação de ‘testemunho’, que é o reconhecimento do Divino no Senhor e, daí, o bem do amor e o vero da doutrina (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘cumpri-lo’, que é finalizar; e visto que isto é finalizado no fim da igreja, por isso, ‘cumprir’ significa aqui o fim da igreja, porque então não há mais reconhecimento algum do Divino no Senhor e, por conseguinte, tampouco há algum bem do amor e vero da doutrina.
[2] Que isto seja significado pelo ‘testemunho’ pode-se ver pelo que até agora foi dito a respeito das ‘duas testemunhas’, ou seja, que por elas entende-se o bem do amor e da caridade e o vero da doutrina e da fé, porque estes principalmente testificam do Senhor, pois vêm d’Ele e são ele no homem. Assim, por ‘seu testemunho’ é significada a predição a respeito disto. Que seja o reconhecimento do Divino no Senhor que aqui significado pelo ‘testemunho’ vê-se pelo que se segue no Apocalipse, onde se diz
Que o testemunho de Jesus é o espírito de profecia (Ap. 19:10),
pois a menos que o homem reconheça isso de coração e creia pela fé espiritual, não pode estar em faculdade algum da de receber o bem do amor e o vero da doutrina.
[3] No fim da igreja prega-se, de fato, o Senhor, e também se Lhe atribui pela doutrina um Divino semelhante ao Divino do Pai, no entanto dificilmente alguém pensa em Seu Divino, pelo fato de O colocarem acima ou fora do Seu Humano. Por isso, quando olham para o Seu Divino, não olham para o Senhor, mas para o Pai como se olhassem para outro, quando, todavia, o Divino que é chamado ‘Pai’ está no Senhor, como Ele mesmo ensina em João (10:30, 38; 14:7). Daí é que o homem não pensa no Senhor de modo diferente do que pensa num homem comum, e desse pensamento flui a sua fé, por mais que diga de boca que crê em Seu Divino. Cada um examine, se puder, se não é assim a ideia de seu pensamento sobre o Senhor; e quando é assim, não pode ser conjunto a Ele pela fé e pelo amor, e receber pela conjunção algum bem do amor e algum vero da fé. Assim é, pois, que no fim da igreja não há reconhecimento algum do Senhor, isto é, do Divino no Senhor e do Divino proveniente do Senhor. Acredita-se que o Divino do Senhor é reconhecido porque isto vem da doutrina da igreja, mas enquanto o Divino é separado de Seu Humano, Seu Divino não é jamais reconhecido interiormente, mas apenas exteriormente. e reconhecer exteriormente é fazê-lo somente de boca e não de coração, ou, é somente pela linguagem e não pela fé.
[4] Que isto seja assim pode-se ver pelos cristãos na outra vida, onde os pensamentos do coração são manifestos. Quando lhes é concedido falar pela doutrina e pelo que foi ouvido da pregação, então atribuem o Divino ao Senhor, e a isto chamam sua fé. Quando, porém, se examina o pensamento interior deles e a fé, então não têm do Senhor outra ideia senão a de um homem comum, no qual não está o Divino. O pensamento interior do homem é onde reside a sua fé, e como ela é o pensamento e, daí, a fé de seu espírito, é evidente que no mundo cristão, no fim da igreja, não há reconhecimento algum do Divino no Senhor e proveniente do Senhor. Em suma, há o reconhecimento externo do Divino do Senhor, mas nenhum reconhecimento interno. E o reconhecimento externo é somente do homem natural, enquanto o interno é de seu espírito. E, depois da morte, o externo adormece, e o interno é de seu espírito. Por aí se pode de algum modo ver como as coisas seguintes devem ser entendidas, a saber, que ‘uma besta que sobre do abismo vencerá e matará as duas testemunhas’, e que ‘seus corpos serão vistos na rua da cidade que se chama Sodoma e Egito’, mas que ‘depois um espírito de vida entrou neles’.
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