. “E enviarão presentes uns aos outros”. Que isto signifique a consociação deles vê-se pela significação de ‘enviar presentes’, que é consociar-se pelo amor e pela amizade por meio da benevolência, pois os presentes por essa afeição e por esse ânimo consociam tanto os probos quanto os ímprobos. Aqui, trata-se dos que são contra os bens do amor e os veros da doutrina, que são sados pelas ‘duas testemunhas mortas e lançadas na rua da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito’. Cumpre saber que nada há de maior prazer para os ímprobos e os ímpios do que destruir os bens do amor e veros da doutrina onde quer que estejam, e em fazer mal àqueles nos quais estes estão, pois ardem de ordem contra estes. Daí é que do inferno, onde os tais estão, exala continuamente um ódio mortal contra o amor celeste e a fé espiritual, por conseguinte, contra o céu e, principalmente contra, o Senhor mesmo; e todas as vezes em que se lhes permite fazer mal, estão no prazer de seu coração. Tal ferina natureza têm os que estão no inferno. É isto, pois, que se entende por ‘regozijarem e alegrarem-se sobre eles’. Os ímprobos também fazem amizades e se consociam para causar dano aos probos. O prazer do ódio, que é o amor deles, os consocia, e então parecem como se fossem amigos de coração, quando, todavia, são adversários. Isto é, pois, o que significa ‘enviarem presentes uns aos outros’.
[2] Visto que os presentes cativam as mentes e consociam, por isso nos tempos antigos era costume dar presentes ao sacerdote e ao profeta, como também ao príncipe e ao rei, quando iam a eles (1 Sm. 9:7, 8), e também foi determinado que
Não comparecessem vazios (isto é, sem presentes) diante de Jehovah, mas cada um trouxesse presentes segundo a bênção de suas mãos Êx. 23:15; 34:20; Dt. 16:16, 17),
e, por isso,
Os sábios do oriente trouxeram presentes ao Senhor recém nascido, ouro, incenso e mirra (Mt. 2:11),
segundo a predição em David (Sl. 72:10). E, também por isso,
As ofertas sobre o altar, que eram os sacrifícios e também os minchah e as libações, eram chamados presentes (Is. 18:7; 57:6; 66:20; Sf. 3:10; Mt. 5:23, 24 e outras passagens),
e isto porque os presentes externos significavam os presentes internos ou espirituais, ou seja, os que procedem do coração e, daí, pertencem à afeição e à fé. E visto que por essa afeição se faz a conjunção, por isso, no sentido espiritual, pelos ‘presentes’ é significada a conjunção quando se trata de Deus, e a consociação quando se trata dos homens.
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