. “Houve um grande terremoto.” Que isto signifique a notável mudança de estado nos que são da igreja vê-se pela significação de ‘grande terremoto’, que é a mudança notável de estado da igreja, pois pela ‘terra’ é significada a igreja, pelo ‘movimento’ [moto] a mudança de estado, e por ‘grande’, o que é notável. (Que o ‘terremoto’ na Palavra signifique a mudança de estado na igreja vê-se acima, n. 400 e 499).
[2] É evidente que a mudança de estado da igreja quanto aos veros e bens ocorreu por causa das coisas contidas no versículo precedente, ou seja, porque ‘as duas testemunhas subiram ao céu numa nuvem, por mandado, e os seus inimigos as viram’. Daí se pode ver que a causa foi a separação dos bons de entre os maus, como se mostrou nos artigos acima, onde foi explicada ‘a subida das duas testemunhas’. Mas estas coisas não podem ser apresentadas ao entendimento a menos que se diga como a coisa se passa no mundo espiritual, porque as coisas que são ditas neste versículo, a saber, que ‘houve um grande terremoto’, que ‘a décima parte da cidade caiu’, que ‘foram mortos os nomes de sete mil homens’ e que ‘os restantes ficaram atemorizados e deram glória a Deus’ aconteceram e também foram feitas quando o juízo final se aproximava, mas no mundo espiritual e não no mundo natural, pois quando os bons ali estão para serem separados dos maus, para que os bons sejam protegidos e não prejudicados pelos maus, então os bons são tirados das sociedades ali, e os maus são deixados, segundo as palavras do Senhor em Mateus:
“Dois estarão no campo; um será tomado, o outro deixado; duas estarão moendo... uma será tomada, a outra deixada” (Mt. 24:40, 41),
(coisas que se veem explicadas nos Arcanos Celestes, n. 4334 e 4335); e quando os bens são arrebatados, então nas sociedades em que os bons e os maus estiveram dá-se uma mudança notável quanto às coisas que pertencem à igreja.
[3] Mas a causa dessa mudança será ainda mais desvendada. No mundo espiritual há uma comunicação de todas as afeições e, às vezes, de pensamentos, e dentro de cada sociedade há uma comunicação geral, que se estende de seu meio a todas as direções, até os limites, quase como a luz do sol vai do meio para as periferias. As variações e as mudanças de afeições oriundas da comunicação e sua extensão existem pelo influxo das afeições de outras sociedades, que estão ou acima ou aos lados, bem como pelos recém-chegados que entram na sociedade e também pelo fato de que poucos ou muitos são removidos da sociedade.
[4] As sociedades sobre as quais aconteceu o juízo final consistiam tanto de bons quanto de maus, mas de maus tais que eram interiormente contra os bens do amor e os veros da doutrina, mas não exteriormente, pois exteriormente puderam agir reta e justamente, e falar pia e verazmente, mas não pelo que é reto, justo, pio e veraz mesmo, mas pelo hábito no mundo, por causa da reputação, da glória, da honra, do ganho, dos vários prazeres dos amores naturais, e também por causa das leias e de suas penas. Daí, embora fossem interiormente maus, eles podiam, não obstante, estar junto àqueles que eram bons não só exteriormente, mas também interiormente. Quando, pois, os bons iriam ser separados daqueles que pareciam bons na forma externa somente, então o bem externo desvaneceu, e o mal interno apareceu, pois mantinham esse bem no externo pela comunicação com os que estavam na mesma sociedade, os que bons não só exteriormente, mas também interiormente, como acima se disse. Por isso, quando bem externo foi tirado dos maus, e os seus interiores foram abertos, e as coisas que eram meramente más e horrendas brotaram. Daí se viu como eles eram em si. Estas são, portanto, as coisas que em particular se entendem por ‘as duas testemunhas subirem ao céu numa nuvem, por mandado, e os seus inimigos as virem’ e, agora, que ‘naquela hora houve um grande terremoto’, isto é, quando se chegou naquele estado, houve uma mudança notável quanto às coisas que pertencem à igreja.
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