AE 675

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E a décima parte da cidade caiu”. Que isto signifique que não existiam mais quaisquer veros da doutrina naqueles que restaram pode-se ver pela significação de ‘dez’, que são todos e todas as coisas, como também muitos e muitas coisas, e a ‘décima parte’ é tudo e muito (de que se tratará na sequência); pela significação de ‘cidade’, que é a doutrina e também o vero da doutrina, porque a doutrina, para que seja doutrina da igreja, consiste de veros da Palavra; (que a ‘cidade’ signifique a doutrina vê-se acima, n. 223); e pela significação de ‘cair’, que é ser separado, por conseguinte, não existir, pois ser separado e não existir se atribuem aos veros da doutrina quando ‘cair’ se diz da ‘cidade’.
[2] Com efeito, a cada coisa se atribui um vocábulo análogo e seu, segundo a correspondência do assunto no sentido espiritual e do assunto no sentido espiritual; o assunto no sentido espiritual é a cidade, e o assunto no sentido espiritual é o vero da doutrina. Que não houvesse quaisquer veros naqueles que restaram segue-se das coisas que foram ditas no artigo precedente, a saber, quando os bons foram tirados da sociedade em que estiveram juntamente com os maus e arrebatados ao céu, então nos maus não restaram mais quiser veros da doutrina, pelo fato de lhes ser arrebatada a comunicação com os bons, pela qual puderam estar, quanto ao externo, como que nos veros, e daí falar pelos veros da doutrina.
[3] Porque no mundo espiritual há comunicação das afeições e, daí, dos pensamentos, e por essa comunicação um é mantido pelo outro; assim, todos numa mesma sociedade mutuamente, em semelhante afeição e, por conseguinte, em semelhante bem, assim como os maus são também mantidos pelos bons. Mas esses maus foram os que puderam na forma externa apresentar a aparência de santidade, piedade, inteligência, zelo pela igreja e por sua doutrina, como também a aparência na vida de que eram justos e sinceros de corações, embora interiormente nada disso possuíssem em si mesmos. Esses são os maus em que não havia mais veros da doutrina depois que os bons foram arrebatados, bons esses que se entendem pelas ‘duas testemunhas’ que por mandado subiram ao céu.
[4] Cumpre saber que muitas sociedades desses tinham sido formadas no mundo espiritual, e elas, tomadas juntamente, se entendem pelo ‘primeiro céu’ que passou (Ap. 21:1). (A respeito dessas sociedades ou desse céu, muitas coisas foram relatadas no opúsculo Do Juízo Final). Nessas sociedades estavam esses males que foram descritas, e os bons juntamente com eles. E enquanto estiveram conjuntos numa só sociedade, então os maus pareceram bons quanto aos externos; quando, porém, foram separados, então o bem externo, que era somente um bem fingido e hipócrita, foi separado deles e tornaram-se evidentes os seus interiores, que eram infernais, cheios de meros males e, daí, de falsos. Essa separação e, daí, esse estado, existiu no mundo espiritual pouco antes do juízo final. É este estado, pois, que aqui se descreve, pois aqui se trata do último tempo da igreja, quando o juízo universal se aproxima.
[5] Que ‘dez’ signifique todos e todas coisas, como também muitos e muitas coisas, pode-se ver pelas passagens na Palavra onde esse número ocorre, como em Moisés:
Jehovah “vos prescreveu a Sua aliança, que firmou com vós para ser feita, as dez palavras, que escreveu em duas tábuas de pedras” (Dt. 4:13);
e, em outra passagem:
“Jehovah escreveu nas suas tábuas de pedras conforme a escritura anterior, as dez palavras... que vos falava no monte, no meio do fogo” (Dt. 10:4).
Que tenham havido ‘dez palavras’ ou ‘dez preceitos’, de que veio o decálogo, era porque ‘dez’ significa todas as coisas, e, assim, por ‘dez palavras’ entende-se a Lei em todo o conjunto.
[6] Como ‘dez’ significa tudo, por isso
O Senhor comparou o reino dos céus a dez virgens portando lâmpadas para saírem ao encontro do noivo, cinco das quais eram prudentes e cinco insensatas (Mt. 15:1, 2 e seq.);
as ‘dez virgens’ a que o reino dos céus foi assemelhado significam todos os que são da igreja, pois ‘dez’ significa todos, e ‘virgens’ significam a igreja; ‘cinco’, porém, significa alguns ou alguma parte, pelo que algumas eram prudentes e algumas insensatas; o mesmo é significado pelo número ‘cinco’ na Palavra; as ‘lâmpadas’ significam as cognições do vero e do bem, aqui, oriundas da Palavra, e também os veros da doutrina e da fé; o ‘óleo’ significa o bem do amor e da caridade; pelo ‘noivo’ entende-se o Senhor, e pelas ‘núpcias’ se entendem o céu e a igreja, que se chamam ‘núpcias’ por causa do casamento do bem e do vero. E visto que onde não há esse casamento tampouco existem aí o céu e a igreja, por isso são chamados ‘insensatos’ os que conhecem os veros da fé e não têm o bem do amor, e ‘prudentes’ os que o têm, porque, como foi dito, as ‘lâmpadas’ aí são os veros da fé, e o ‘óleo’ é o bem do amor. Que as ‘virgens’ signifiquem a igreja é porque ‘virgem’ e ‘filha’, na Palavra, significa a afeição do bem e do vero, e a igreja é igreja por essa afeição. Daí é que em muitas passagens se dizem ‘virgem’ e ‘filha de Sião’, ‘virgem’ ou ‘filha de Jerusalém, ‘virgem’ ou ‘filha de Israel’ e ‘de Judah’, e por elas se entende, em toda parte, a igreja.
[7] Visto que ‘dez’ significa todos e também muitos, por isso
O Senhor disse a respeito do homem nobre que, de partida para uma região longínqua, chamou os seus dez servos e lhes deu dez minas, para que negociassem. E após negociarem, um disse que sua mina tinha lucrado dez minas, ao qual disse: Terás autoridade sobre dez cidades; e o segundo diz: Tua mina deu cinco minas, ao qual disse: Sê tu sobre cinco cidades; e ao terceiro, que pôs a mina num lenço e não negociou com ela, disse: Tirai dele a mina, e dai ao que tem dez minas (Lc. 19:12-14, 16-20, 24).
Os números ‘dez’ e ‘cinco’ são empregados também aqui porque ‘dez’ significa todos e todas as coisas, e ‘cinco’ alguns e algo. Pelos ‘dez servos’ que o homem nobre de partida para uma região longínqua chamou a si entendem-se todos os que estão no mundo, em particular os que são da igreja, pois pelo ‘homem nobre’ se entende o Senhor, e pela ‘partida para uma região longínqua’ se entende Sua saída do mundo e, então, a ausência, por assim dizer; pelas ‘dez minas’ que deu aos dez servos para serem negociadas são significadas todas as cognições do vero e do bem da Palavra, com a faculdade de percebê-las, pois a ‘mina’, que era a prata e o dinheiro, significa as cognições do vero e faculdade de perceber, e ‘negociar’ significa adquirir para si, por elas, a inteligência e a sabedoria. Aqueles que para si adquirem muito se entendem pelo ‘servo que com a mina lucrou dez minas’, e aqueles que para si adquirem alguma coisa se entendem por aquele que ‘com a mina lucrou cinco minas’. Pelas ‘cidades’, que lhes foram dadas, são significados os veros da doutrina, e ‘possuí-las’ significa a inteligência e a sabedoria, e, daí, a vida e a felicidade. Daí é evidente o que é significado pelas ‘dez cidades’ e pelas ‘cinco cidades’. Os que não adquirem para si a inteligência são como as ‘virgens insensatas’ (de que se tratou logo acima), sendo aqueles que possuem os veros somente na memória e não na vida. Esses são privados deles após a saída deste mundo. Os que, porém, os possuem tanto na memória quanto na vida, esses se enriquecem de inteligência na eternidade. Por isso se diz que ‘tirassem a mina daquele que nada lucrou com a mina, e que fosse dada ao que tinha dez minas’.
[8] Dá-se de modo semelhante com aqueles
A quem foram dados talentos, a um cinco, a outro dois e ao terceiro, um; o primeiro desses, dos cinco talentos lucrou outros cinco, e outro, dos cinco lucrou outros dois; e o terceiro o pôs na terra. Desse o Senhor disse: Tirai daquele que não lucrou nem negociou, e dai ao que tem dez talentos, porque ao que tem será dado, para que tenha em abundância, e do que não tem, até o que tem será tirado (Mt. 25:14-30).
Aqui, também, ‘cinco’ e ‘dez’ significam algo e muito. Assim, o primeiro, por algumas cognições do vero e do bem adquiriu para si muita sabedoria. Que seja tirado daquele que nada de inteligência adquiriu para si e fosse dado ao que adquiriu muito é porque o homem, quando se torna espírito, leva consigo todas e cada uma das coisas que hauriu da Palavra e da doutrina da igreja, mas aqueles que nada de inteligência adquiriu para si por meio delas são interiormente mais, e por isso os veros e bens do céu e da igreja, que eles possuíram somente na memória, são usados com abuso, para dominar e para fazer mal aos bons simples que estão no céu mais externo. Esta é a causa pela qual esses veros e bens lhes são tirados e dados aos que têm muitos, visto que esses não abusam eles, mas fazem uso deles.
[9] Os que não adquirem no mundo a inteligência espiritual por meios das cognições do vero e do bem da Palavra são maus, como se pode ver pelo fato de que todos nascem em males de todo gênero, e esses não são removidos senão pelos Divinos veros da Palavra, ou seja, pela aplicação desses aos usos e, assim, pela recepção na vida; por isso se diz dos que obtiveram lucro:
Servos bons e fiéis, como éreis fiéis sobre poucas coisas, sobre muitas vos colocarei; entrai no regozijo de vosso *22 Senhor (Mt. 25:21, 23);
e, a respeito daquele que nada lucrou,
“Lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mt. 25:30).
[10] Visto que ‘dez’ significa tudo e muito, por isso esse número é também citado pelo Senhor em outra passagem, onde se deve entender tudo e muito, como:
A respeito da mulher que tinha dez dracmas: “Se perdesse uma, não acenderia a candeia, e varreria a casa, e buscaria diligentemente até que achasse?” (Lc. 15:8);
por ‘dez’, aqui, é significado muito. Diz-se ‘mulher’ e que ‘acenderia a candeia e varreria a casa’ por causa do sentido espiritual em cada coisa da Palavra; neste sentido, a ‘mulher’ significa a igreja quanto à afeição do vero, assim também a afeição do vero que pertence à igreja; a ‘drama’ significa o vero; ‘perder a dracma’ significa perder um dos veros ou uma das cognições do vero; ‘acender a candeia’ é a investigação em si, pela afeição; e ‘varrer a casa’ significa percorrer toda a mente e iluminar ali cada coisa, onde se oculta. este é o sentido espiritual dessas palavras. Por ‘dez’ é significado o mesmo que por ‘cem’, ou seja, muito; por isso se coisa algo semelhante na parábola
Das cem ovelhas, se uma se perdesse (Mt. 18:12, 13; Lc. 15:3-7).
[11] ‘Dez’ significa tudo e muito, também nas seguintes passagens. Em Isaías:
“Muitas casas estarão em devastação, grandes e formosas, de modo que não haja quem habite, pois dez jeiras de vinho farão um bato” (Is. 5:9, 10).
Essas palavras são a respeito da desolação do vero naqueles que são da igreja. As ‘muitas casas que estarão em devastação’ significam os homens da igreja, especialmente quanto aos veros do bem; ‘grandes e formosas’, a saber, as casas, significam a afeição do bem e a inteligência do vero, pois ‘grande’ se atribui ao bem e à sua afeição, e ‘formosa’ ao vero e à sua inteligência; ‘dez jeiras de vinho farão um bato’ significa que em todas as coisas da igreja no homem mal existe algum vero do bem, porque o ‘bato’ significa o mesmo que o ‘vinho’, ou seja, o vero do bem; por isso ‘dez jeiras de vinho’ significa todas as coisas da igreja no homem.
[12] Em Moisés:
Se fordes contrariamente para comigo, “quebrarei... o cajado do pão, para que dez mulheres cozinhem o vosso pão num só forno, e farei vir vosso pão por peso” (Lv. 26:23, 26);
‘quebrar o cajado do pão’ significa privar da comida espiritual e, daí, do nutrimento espiritual, pois pelo ‘pão’ se entende tudo o que nutre a alma, especialmente o bem do amor; por isso ‘dez mulheres cozinharão pão num só forno’ significa que em todas as coisas da igreja no homem há tão pouco de bem e de vero que mal existe algum; ‘dez mulheres’ significa todas as coisas da igreja, ‘pão’ significa o bem e o vero que nutrem a alma, e ‘forno’ significa onde a comida espiritual é preparado, assim, o homem em quem se faz isto; ‘fazer vir o pão por peso’ significa a falta e a penúria de coisas tais que nutrem espiritualmente.
[13] Em Zacarias:
“Virão muitos povos e nações numerosas para buscarem Jehovah Zebaoth em Jerusalém, e para suplicarem as faces de Jehovah;... naqueles dias, dez varões de todas as línguas das nações pegaram na orla de um varão judeu, dizendo: Iremos convosco, porque ouvimos Deus convosco” (Zc. 8, 22, 23).
Essas coisas foram ditas à respeito da convocação e do acesso das nações à igreja do Senhor. Por ‘dez varões de todas as línguas’ são significados todos, de qualquer religião, a saber, os que ‘virão para buscarem Jehovah Zebaoth em Jerusalém’, isto é, os que querem se chegar à igreja e confessar o Senhor; por isso ‘dez varões’ são todos eles, e ‘línguas das nações’ são as religiões. Estas coisas, porém, juntamente com as restantes, veem-se explicadas acima (n. 433), onde se mostrou que por ‘Jerusalém’ não se entende Jerusalém, nem por ‘judeus’ quaisquer judeus.
[14] Em Amós:
“Disse Jehovah:... Odeio a soberba de Jacob e os seus palácios; por isso fecharei a cidade a sua plenitude;... se se tiverem restado dez varão em uma casa, morrerão” (Am. 6:8, 9);
pela ‘soberba de Jacob’ e pelos ‘seus palácios’, que Jehovah odeia, é significado o amor e a fé do falso nos que são da igreja; pela ‘soberba’ o amor do falso, e pelos ‘palácios’ os falsos mesmos, que são chamados ‘palácios’ porque são soberbos e porque os falsos deles são adornados na forma externa para que pareçam magníficos, embora sejam os mais vis, como casas cheias de refugo e de imundícies; por ‘fechar a cidade e a sua plenitude’ significa condenar a doutrina porque é cheia de falsos do mal e tomada por estes; a ‘cidade’ é a doutrina’ e a ‘plenitude’ são os falsos do mal; por isso, ‘se tiverem restado dez varões em uma casa, morrerão’ significa que perecerão todos os veros do bem em cada um; ‘dez carões’ são todos os veros, ‘casa’ é o homem quanto ao bem, e ‘morrer’ é perecer.
[15] Em Zacarias:
O profeta viu um rolo voante; “seu comprimento era de vinte cúbitos, e sua largura dez cúbitos;... esta é a maldição que sai sobre as faces de toda a terra” (Zc. 5:2, 3).
Que o ‘rolo voante’, pelo qual é significada a ‘maldição que sai sobre as faces de toda a terra’ fosse de vinte cúbitos de comprimento, e dez de largura’ é porque ‘vinte’ e ‘dez’ significa tudo, aí, todo bem mudado em mal e todo vero em falso; ‘vinte’ se atribui ao bem e tudo o que é seu, e ‘dez’ se atribui ao vero e a tudo o que é seu; o ‘comprimento’ também significa o bem, e ‘largura’ o vero (vide acima, n. 355, 627 e 629, e também na obra O Céu e o Inferno, n. 197).
[16] Visto que ‘dez’ significa todas e muitas coisas, por isso ‘dez vezes’ significa tantas e quantas vezes, e também sempre, nas passagens que se seguem. Em Daniel:
“Dentre todos não se achou outros como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; ... em toda palavra de sabedoria de inteligência que o rei buscou deles, obteve deles dez vezes mais, acima dos astrólogos e dos adivinhadores que havia em todo o seu reino” (Dn. 1:19, 20);
em Moisés:
“Todos os varões que viram a Minha glória e os Meus sinais que fiz no Egito e no deserto, e Me tentaram essas dez vezes... não verão” a terra (Nm. 14:21-23);
e dito por Jó:
“Dez vezes me fizestes ignomínia; não vos envergonhais e vos endureceis” (Jó 19:3);
por ‘dez vezes’, nessas passagens, é significado todas as vezes, ou sempre, e também tantas e quantas vezes.
[17] Em Daniel e no Apocalipse se atribuem chifres a bestas, a algumas dez, a outras sete e a outras três, e pelos ‘chifres’ dessas bestas é significado o poder do falso contra o vero e do mal contra o bem, e por ‘dez chifres’ é significado o maior poder. Em Daniel:
“A quarta besta”, que subia do mar, “tinha dez chifres; ... quanto aos dez chifres, do mesmo reino surgirão dez reis” (Dn. 7:7, 20, 24);
pelos ‘dez chifres da besta’ aí é significado o maior poder do falso contra o vero; pelos ‘dez reis’ são significados os falsos em todo o conjunto, e pelo ‘reino’ é significada aquela igreja pervertida. No Apocalipse:
“O dragão... tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as cabeças sete diademas” (Ap. 13:3);
em outra passagem:
A besta que subia do mar “tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas” (Ap. 13:1)
e em outra passagem:
“Uma mulher sentada sobre a besta escarlate, cheia de nomes de blasfêmias, [e que] tinha sete cabeças e dez chifres; ... os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam o reino, mas receberão poder, como reis, por uma hora, com a besta” (Ap. 17:3, 7, 12).
O que significa cada uma das coisas aí ver-se-á abaixo nas explicações.
[18] Como ‘dez’ significa todos e todas as coisas, segue-se que a ‘décima parte’ significa tudo. Daí as ‘décimas’ ou os ‘dízimos’ tiveram sua origem e significavam que tudo era santo e bendito quando a décima parte da eira, do lagar ou do grão era dada aos levitas, do mesmo modo em relação aos levitas, quando a décima parte era de novo dizimada e dada a Aarão. A este respeito, assim se lê na Palavra:
“Dizimando dizimarás todo provento de tua semente que for tirada no campo a cada ano" (Dt. 14:22);
e, além disso:
Fala aos levitas que se lhes darão dízimos por herança, e que trarão deles oferta a Jehovah os dízimos dos dízimos, e isto do grão da eira, e do enchimento do lagar, e dízimos dos dízimos darão ao sacerdote Aarão (Nm. 18:24-28).
[19] Que os ‘dízimos’ [decimae] tenham significado a bênção em todas as coisas, assim, que tudo era santo e bendito, vê-se em Malaquias:
“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja comida em Minha casa; então Me provai nisto... porventura Eu não vos abrirei as janelas do céu, e derramarei para vós uma bênção, até que não [haja lugar] suficiente?” (Ml. 3:10);
por ‘abrir as janelas e derramar bênção’ é significado o Divino influindo, do qual vem a inteligência e a vida eterna, do mesmo modo que pela ‘chuva’, acima (n. 644), que também se entende propriamente pela ‘bênção’. Isto aconteceria se eles ‘trouxessem os dízimos’; por isso estes significam que tudo seria assim bendito. A fim de que todas as coisas que Abrahão tomou de seus inimigos fossem benditas, foi dito
Que ele deu dízimos de todas as coisas a Melquizedeque, que era rei em Salém e, ao mesmo tempo, sacerdote do Deus altíssimo (Gn. 14:18, 19).
Semelhantemente, Jacob prometeu e fez um voto:
Se voltasse em paz à casa de seu pai, dizimando dizimaria de tudo que Jehovah lhe desse (Gn. 28:21, 22).
Por essas passagens, além de outras, pode-se ver o que é significado na Palavra por ‘dez’ e pela ‘décima parte’.
[20] O fato de ‘dez’ significar todas as coisas tem sua causa no céu mesmo, pois o céu, no todo e na parte, se refere a um homem, donde é chamado Máximo Homem. Todas as forças da vida desse Máximo Homem, ou o céu, terminam em duas mãos e dois pés, e as mãos e os pés terminam em dez dedos; por isso, todas as coisas do homem quanto ao poder e quanto à sustentação, por serem reunidas no último em dez dedos, significam todas as suas coisas. Além disso, os ‘últimos’ na Palavra também significam todas as coisas.

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