. [Vers. 17] “Dizendo: Graças Te rendemos, Senhor Deus todo-poderoso”. Que isto signifique o reconhecimento de que todo ser, viver e poder vêm do Senhor vê-se pela significação de ‘dizer e render graças’, que é reconhecer, porque ‘cair sobre as faces e adorar’ e, também, ‘render graças’ não significa outra coisa senão reconhecer, aqui, a onipotência do Senhor; pela significação de ‘Senhor Deus’, que é o Senhor quanto ao Divino Bem e quanto ao Divino Vero, pois na Palavra se entende o Divino Bem onde se diz ‘Senhor’ e ‘Jehovah’, e o Divino Vero onde se diz ‘Deus’. Assim, por ‘Senhor Deus’ e por ‘Jehovah Deus’ se entende o Senhor quanto Divino Bem e quanto ao Divino Vero. E, além disso, ‘Jehovah’, no Velho Testamento, é chamado ‘Senhor’, no Novo. E vê-se também pela significação de ‘onipotente’, que é ser, viver e poder por Si, e também que o ser, o poder e o viver dos anjos e dos homens vêm d’Ele. (Que essas coisas se entendam pela onipotência vê-se acima, n. 43; e, também, que pela Divina onipotência se entenda o infinito, n. 286).
[2] No que concerne à Divina onipotência, ela não envolve algum poder de agir contra a ordem, mas envolve todo poder de agir segundo a ordem, pois toda ordem vem d’Ele. Segue-se daí que ninguém tem poder de fazer algo segundo a ordem, a não ser por Aquele de quem vem a ordem. Por aí se pode ver que é da onipotência Divina conduzir o homem segundo a ordem, e isto a cada momento, desde o princípio de sua vida até a eternidade, e isto segundo as leis da ordem – que são inumeráveis e inefáveis em número – porém na medida em que o homem se deixa conduzir, isto é, na medida em que não quer conduzir-se a si mesmo, porque quanto mais quer isto, mais é levado contra a ordem. E visto que é da onipotência Divina conduzir o homem que quer ser conduzido segundo a ordem, portanto, não conduzir alguém contra a ordem, por isso não é da onipotência Divina conduzir ao céu alguém que quer conduzir-se a si mesmo, pois é uma lei da ordem que o homem faça pela razão e pelo livre aquilo que faz, pois aquilo que é recebido pela razão e feito pelo livre permanece no homem e lhe é apropriado como seu, mas não o que não é recebido pela razão e não feito pelo livre. Daí se pode ver que não é da onipotência Divina salvar aqueles que não querem ser conduzidos segundo a ordem, pois ser conduzido segundo a ordem é sê-lo segundo as leis da ordem, e as leis da ordem são os preceitos da doutrina e da vida oriundos da Palavra. Por isso, é da onipotência Divina conduzir segundo essas leis o homem que quer ser conduzido, a todo o momento e continuamente na eternidade. Com efeito, há em cada minuto coisas infinitas que devem ser vistas, coisas que devem ser removidas e coisas que devem ser insinuadas, para que o homem seja desviado dos males e mantido nos bens, e isto continuamente, numa conexão segundo a ordem. É, também, da onipotência Divina proteger os homens contra os infernos tanto quanto for possível sem causar dano ao livre e à razão, pois todos os infernos são como nada contra a Divina onipotência do Senhor. Sem esse poder Divino nenhum homem pode ser salvo. (Mais coisas a respeito da onipotência se veem acima, n. 43).
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