. ‘E de destruir os que destroem a terra.’ Que isto signifique o inferno para aqueles que destroem a igreja vê-se pela significação de ‘destruir’, quando se trata daqueles que destroem a igreja, que é a danação e o inferno, pois como ‘dar recompensa aos servos, profetas e santos’ significa a salvação e o céu para aqueles que estão nos veros do bem, portanto, os que fazem a igreja, daí ‘destruí-la’ significa a danação e o inferno; e pela significação de ‘terra’, que é a igreja (de que se tratou acima, n. 29, 304, 413 e 417). Assim, ‘destruir a terra’ significa destruir a igreja. Que a ‘terra’ na Palavra signifique a igreja mostrou-se muitas vezes acima e também nos Arcanos Celestes. São muitas as razões pelas quais a ‘terra’ na Palavra significa a igreja, a saber, porque ali, pela ‘terra’, quando alguma terra específica não é nomeada, como a terra do Egito, de Edom, de Moab, da Assíria, da Caldéia, de Babel e outras, entende-se a terra de Canaan, e por essa terra os que estão na ideia espiritual não podem pensar em terra, porquanto isso é terrestre e não celeste, mas pensam na qualidade da nação ali quanto à igreja. Semelhantemente, quando na ideia de alguém se apresenta a igreja, ou a religião, ou o culto, quando por essa ideia se nomeiam as terras, então não se pensa na terra, mas na qualidade da nação da terra quanto à igreja, à religião e ao culto. Assim é que, quando o homem lê ‘terra’, na Palavra, os anjos, que são espirituais, pensam na igreja, e o que anjos pensam é o sentido espiritual da Palavra, porque o sentido espiritual da Palavra é para os anjos e também para os homens que são espirituais. Com efeito, a Palavra na letra é natural, mas interiormente ou em seu seio é espiritual, e quando o natural é abstraído, torna-se evidente o espiritual que está interiormente ou em seu seio.
[2] Além disso, no mundo espiritual, ou no mundo onde estão os espíritos e anjos, há terras igualmente ao mundo natural onde estão os homens, e essas terras são absolutamente semelhantes quanto à aparência externa. Há, ali, planícies, vales, montanhas e colinas, e há rios e mares, e também há campos, prados, selvas, jardins e paraísos. E essas terras ali são, quanto ao aspecto, belas, absolutamente segundo o estado da igreja naqueles que habitam nelas, e também se mudam segundo as mudanças de estado neles. Em suma, há plena correspondência das terras ali com a recepção do bem do amor e do vero da fé nos habitantes. Daí é, também, que pela ‘terra’ na Palavra é significada a igreja, pois a terra ali é tal qual é a igreja. A correspondência faz isso. Naquele mundo, a terra mesma faz um com a igreja, assim como o correspondente com a sua coisa a que corresponde, absolutamente como o efeito com a sua causa eficiente, tal como os olhos com a sua visão, a linguagem com o seu entendimento, a ação com a vontade, o semblante da face com a afeição do pensamento, em suma, como o instrumental com o seu principal, dos quais se diz que fazem uma só coisa. Assim é no mundo espiritual a qualidade da terra com a qualidade da igreja. Por aí se pode ver de onde vem que pela ‘terra’ na Palavra seja significada a igreja e, aqui, que ‘destruir a terra’ signifique destruir a igreja.
[3] Como, também, nas passagens seguintes. Em Isaías:
“Não é este o varão que abala a terra, que estremece os reinos? Que fez do mundo um deserto, que destruiu as suas cidades?... Tua terra destruíste, teu povo mataste” (Is. 14:16, 17, 20).
Essas palavras são a respeito de Lúcifer, pelo qual se entende Babel, como é evidente pelo que precedeu e pelo que se segue, e pela ‘terra’ que ele abala e destrói é significada a igreja; pelos ‘reinos’ que ele estremeceu são significadas as igrejas nas quais a igreja em geral foi dividida; pelo ‘mundo’, de que ele fez um deserto, é significada a igreja em geral; pelas ‘cidades’, as quais destruiu, são significados os veros de sua doutrina; e pelo ‘povo’ a que matou são significados os homens da igreja cuja vida espiritual ele destruiu.
[4] Em Jeremias:
“Eis que estou contra ti, montanha que destrói... que destrói toda a terra” (Jr. 51:25);
também aqui se trata de Babel, que é chamada ‘montanha que destrói’, porque a montanha significa o amor de dominar, aí, sobre o céu e sobre a terra, amor ao qual servem os bens e veros da igreja como meios, porque ‘destruir toda a terra’ significa [destruir] a igreja.
[5] Em Daniel:
A quarta besta, que sobe do mar, “comerá toda a terra, e a pisoteará, e a despedaçará” (Dn. 7:23);
por essa ‘besta’ é também significado o amor de dominar sobre todo o céu e toda a terra, amor esse que têm os que são de Babel (vide acima, n. 316 e 556); por isso, por ‘comer, pisotear e despedaçar a terra’ é significado destruir inteiramente a igreja. Quem não vê que nenhuma besta subiria do mar, comendo, pisoteando e despedaçando toda a terra, mas, sim, algum amor mal e diabólico que assim haveria de fazer à igreja? Em Moisés:
“Não haverá mais dilúvio para destruir a terra” (Gn. 9:11);
pela terra, também aqui, é significada a igreja, que foi destruída pelos antediluvianos, mas não haveria mais de ser destruída.
[6] Em Isaías:
“Jehovah, que torna vácua a terra, e a esvazia, e transtorna as suas faces. ... Esvaziando-se será esvaziada a terra, e despojando será despojada; .... pranteará, será confundida a terra habitável; enfraquecerá, será confundido o mundo. ... A terra mesma será profanada... porque transgrediram as leis, passaram por cima do estatuto, tornaram nula a aliança de eternidade, pelo que a maldição comerá a terra. ... As cataratas do alto se abriram, e foram abalados os alicerces da terra; desmoronando desmoronou a terra... abalando-se abalou-se a terra; tropeçando tropeça a terra como bêbado, e será abalada de um lado para outro, como uma rede” [tigillum] ??? (Is. 24:1, 3-6, 18-20).
Que pela ‘terra’, aqui, não se entenda a terra, mas a igreja, qualquer um pode ver. Que a igreja seja chamada assim é porque as terras no mundo espiritual, sobre as quais habitam os anjos e os espíritos, mudam-se tal como se diz aqui, segundo as mudanças de estado da igreja nos habitantes ali, e são mesmo abaladas também. Diz-se ‘Jehovah que torna vácua a terra e a esvazia’ e, também, ‘esvaziando-se será esvaziada a terra, e despojando será despojada’ porque as terras ali, quando a igreja neles é devastada, mudam inteiramente as suas faces. As coisas paradisíacas ali, os canteiros, os jardins e as outras coisas, de que as terras antes floresciam, desvanecem, e em lugar destes passam a existir lugares desagradáveis, como os lugares arenosos e pedregosos, campos de cheios de espinheiros e sarças, e coisas semelhantes, que correspondem aos falsos e males que devastaram a igreja. A sua devastação quanto ao bem do amor e da caridade é significada por ‘tornar vácua a terra’, e sua desolação quanto aos veros da doutrina e da fé é significada por ‘esvaziá-la e despojá-la’, e a mudança mesma por ‘transtornar as suas faces’; ‘pranteará, será confundida a terra habitável; enfraquecerá, será confundido o mundo; maldição comerá a terra’ significa que nada ali crescerá e florescerá, mas se tornará estéril e cheia de inutilidades, pelo que se diz da terra que ‘pranteará’, ‘enfraquecerá’ e ‘será comida pela maldição’. Como tais coisas acontecem quando os habitantes nela não mais cuidam das coisas santas da igreja, por isso se diz ‘porque transgrediram as leis, passaram por cima do estatuto, tornaram nula a aliança de eternidade’. Visto que as terras ali ora são inundadas, ora são abaladas, e também se apresentam em toda parte aberturas voltadas para o inferno, que está abaixo e se eleva – o que se faz segundo o modo e a medida em que os falsos e males são amados e, daí, os bens e veros da igreja são falsificados e negados – por isso se diz que ‘as cataratas do alto se abrem, os alicerces da terra são abalados, a terra desmorona e tropeça como bêbado’. Essas coisas também acontecem em realidade no mundo espiritual, quando o estado da igreja ali se muda no contrário. Por aí se pode ver que pela ‘terra’, aqui e em outras passagens na Palavra, entende-se a igreja.
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