. [Vers. 19] “E foi aberto o templo de Deus no céu”. Que isto signifique a aparição do novo céu e da nova igreja, onde há o culto do Senhor, vê-se pela significação de ‘templo’, que é o céu e a igreja, aqui o novo céu e a nova igreja; a aparição destes é significada pelo fato de ‘o templo ser aberto’. (Que o ‘templo’ signifique no sentido supremo o Senhor quanto ao Seu Divino Humano e o Divino Vero procedente d’Ele, e, no sentido relativo, e céu e a igreja, vê-se acima, n. 220, 391 e 630). Que o ‘templo’ aqui signifique o novo céu e a nova igreja, onde há o culto do Senhor, é porque neste capítulo se trata das mudanças de estado que precedem o juízo final, a saber, a separação dos maus de entre os bons e a remoção deles dos lugares onde anteriormente estiveram. Quando isto acontece, então aparecem aos que estão nos superiores do céu o novo céu e a nova igreja; estes não puderam aparecer enquanto foram conjuntos aos males, porque os seus interiores foram fechados, a fim de não serem prejudicados pelos maus, com os quais houve comunicação externa. Quando, porém, estes foram separados e removidos, então são abertos nos bons os interiores, que em si foram celestes. Ao serem abertos, aparecem o céu e a igreja, pois quanto mais são abertos os interiores, que são celestes e espirituais, mais se evidencia qual é o céu quanto à igreja naqueles em que há o céu e a igreja.
[2] Que isto seja assim, ninguém pode saber pela própria inteligência, porque são arcanos do céu, que devem ser aprendidos pela revelação. Pois quem pode saber de que maneira foi efetuado o juízo final e também as mudanças que o precederam no mundo espiritual, e as coisas que sucederam? Mas, pra que fossem conhecidas, essas coisas me foram manifestas, pelo que é lícito descrevê-las aqui pela revelação. Diz-se novo céu e nova igreja, onde há o culto do Senhor, porque no novo céu e na nova igreja adora-se somente o Senhor, pois aí não se distingue o Divino em três pessoas, mas o Trino em uma só Pessoa. A respeito dessa Trindade, vide o que foi escrito na Doutrina da Nova Jerusalém (do n. 280 ao 310). Isto é, também, o que se entende no Apocalipse, onde se trata da Nova Jerusalém:
“Céu27 e templo não vi nela, porque o Senhor Deus onipotente é o seu Templo e o Cordeiro” (Ap. 21:22);
pelo ‘Senhor Deus onipotente e o Cordeiro’ entende-se o Senhor quanto ao Seu Divino e o Divino Humano; que ‘ali não tenha sido visto o templo’ é porque pelo ‘templo’, no sentido supremo, é significado o Senhor quanto ao Divino Vero e quanto ao culto (como se mostrou acima, n. 220, 391 e 630), e porque pela ‘Nova Jerusalém’ entende-se a igreja quanto à doutrina, ou a doutrina da Nova Jerusalém. Mas há templos no céu, nos quais se prega o Senhor e se ensina o Divino Vero.
[DOWNLOAD]
[VERSAO IMPRESSA]
Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.