. “E viu-se a arca de Sua aliança em Seu templo”. Que isto signifique o Divino Vero, pelo qual há a conjunção com o Senhor, vê-se pela significação de ‘arca da aliança’ que é o Divino Vero que é o Divino Vero procedente do Senhor (de que se tratará a seguir). Que a ‘arca da aliança’ tenha sido vista era porque apareceu o ‘templo’, e no meio do templo de Jerusalém ficava a arca, na qual foram postas as duas tábuas da Lei, pela qual, no sentido universal, era significado o Divino Vero procedente do Senhor, assim, o Senhor mesmo, que é o Divino Vero nos céus, pelo que o Senhor é também chamado ‘Palavra’ em João (1:1, 2, 14). Que a ‘arca’ signifique isto era porque a tenda da assembleia representava os três céus; seu átrio, o céu mais externo ou primeiro céu; a tenda mesma, até o véu, onde ficavam a mesa para os pães, o altar de incenso e o castiçal, representava o céu médio ou segundo; e a arca, que ficava além do véu, sobre a qual estava o propiciatório com os querubins, representava o céu íntimo ou terceiro; e a Lei mesma, que ficava na arca, representava o Senhor quanto ao Divino Vero ou a Palavra. E visto que a conjunção com o Senhor é pela Palavra, por isso a arca era chamada ‘arca da aliança’, pois ‘aliança’ significa conjunção. (Que a tenda ou o tabernáculo tenha representado a forma do céu e, unida ao átrio, tenha representado os três céus, e que o santo dos santos, que era o íntimo onde estava a arca, na qual estava as tábuas da Lei, tenha representado o terceiro ou íntimo céu, e que a Lei ou o Testemunho tenha representado o Senhor mesmo, vide nos Arcanos Celestes, n. 3478, 9457, 9481 e 9485. E que o ‘tabernáculo’, igualmente ao tempo, tenha significado no sentido supremo o Senhor, no sentido relativo o céu e a igreja, e, daí, o culto santo, vide também nos Arcanos Celestes, n. 9457, 9481, 10242, 10245, 10304 e 10545. Que a ‘aliança’ signifique na Palavra a conjunção, e que todas as coisas da igreja, tanto as internas quanto as externas, sejam sinais da aliança e se chamam ‘aliança’ porque por elas se dá a conjunção, também nos Arcanos Celestes, n. 665, 666, 1023, 1038, 1864, 1996, 2003, 2021, 2037, 6804, 8767, 8778, 9396, 9416 e 10632. Que, daí, a Lei promulgada no Monte Sinai seja chamada ‘aliança’, e a arca em que ficava a Lei, ‘arca da aliança, também ali, n. 6804 e 9416).
[2] Que a arca com a aliança ou o Testemunho nela encerrado signifique o Senhor quanto ao Divino celeste, que é o Divino Vero no céu íntimo ou terceiro, pode-se ver pelas coisas que são ditas a respeito da arca na Palavra, como em Moisés:
“Farão para Mim um santuário, para que Eu habite no meio deles, conforme tudo o que Eu te mostrarei, a forma do habitáculo;... primeiramente farão a arca de madeira schittim... e a cobrirás de ouro puro, por dentro e por fora a cobrirás. E fareis para ela uma borda de ouro; ... quatro anéis de ouro para os varais; ... e porás na arca o Testemunho que Eu te darei. E farás um propiciatório de ouro puro... e farás dois querubins de ouro, sólidos os fareis... do propiciatório... de modo que os querubins estendam as asas... e cubram com as suas asas o propiciatório, e as faces deles... voltadas para o propiciatório. ... E na arca porás o Testemunho... e ali te encontrarei, e falarei contigo de sobre o propiciatório, de entre os dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, tudo o que te ordenarei para os filhos de Israel” (Êx. 25:8-22).
“Farás um véu de jacinto28, e púrpura, e escarlate duplamente tingido, e linho fino torcido... com os querubins. Pô-lo-ás sobre as quatro colunas de schittim cobertas de ouro; ... e porás o véu sob as argolas, e trarás para dentro do véu a arca do Testemunho, de modo que o véu vos faça separação entre o santo e o santo dos santos; e porás o véu diante da arca, no santo dos santos” (Êx. 26:31-34).
Acima foi dito que a tenda, onde ficavam a arca, o castiçal, a mesa para os pães e o altar para o incenso, juntamente com o átrio, representou os três céus, e que o lugar além do véu, onde estava a arca em que ficava a Lei ou Testemunho, representou o terceiro céu. Que esse lugar tenha representado esse céu era porque ali ficava a Lei, pela qual se entende o Senhor quanto ao Divino Vero ou quanto à Palavra, pois essa ‘Lei’, no sentido amplo, significa isso, e o Divino Vero procedente do Senhor forma os céus. Isto é recebido muito puramente pelas anjos do terceiro céu, porque estão na conjunção com o Senhor pelo amor a Ele. Com efeito, todos os anjos do céu estão no amor o Senhor, porque veem o Divino Vero como se inscrito em si mesmos, ainda que influa continuamente do Senhor. Daí é que desse céu, mais do que dos outros, que são inferiores, se diz que está no Senhor, porque está no Divino que procede d’Ele.
[3] Esse céu era representado pela arca em que ficava a Lei, isto é, o Senhor. Daí era que a arca devia ser coberta de ouro por dentro e por fora, e que o propiciatório estivesse sobre a arca e, sobre o propiciatório e a partir dele, dois querubins, que eram de ouro puro, pois o ‘ouro’, pela correspondência, significa o bem do amor, no qual estão os anjos do terceiro céu. Pelo ‘propiciatório’ era significada a audição e a recepção de todas as coisas do culto que vêm do bem do amor ao Senhor, e pelos ‘querubins’ era significada a providência e a proteção do Senhor, para que não houvesse acesso senão pelo bem do amor. E esse céu, com os anjos ali, é protegido, a fim de que nada ali seja elevado ao Senhor mesmo senão o que procede do bem do amor a Ele proveniente d’Ele. Com efeito, todo culto de Seus passa pelos céus até o Senhor e é purificado no caminho até ser elevado ao terceiro céu e ali é ouvido e recebido pelo Senhor. Daí é que foram postos querubins de ouro sobre o propiciatório, que ficava sobre a arca, e daí era esse lugar foi chamado ‘santuário’ e, também, ‘santo dos santos’, e era separado da parte exterior do tabernáculo por um véu.
[4] Que a tenda, juntamente com o átrio, tenha representado os três céus pode-se ver também pelo fato de todas as coisas que eram instituídas aos filhos de Israel eram representativas de coisas celestes, pois a igreja mesma era uma igreja representativa. Assim, principalmente o tabernáculo com o altar foi o santíssimo do culto, pois sobre o altar era oficiado o culto por meio de holocaustos e sacrifícios, e, no tabernáculo, pelas ofertas de incenso e pelas lâmpadas que ali ficavam continuamente acesas. Todas essas coisas representavam todo o culto no céu e na igreja, e a tenda mesma com a arca, os céus mesmos. Assim era que esse tabernáculo seria chamado ‘habitáculo de Jehovah Deus’, assim como é chamado o céu mesmo. Que os céus tenham sido representados pelo tabernáculo pode-se ver também pelo fato de que a sua forma foi mostrada a Moisés pelo Senhor sobre o Monte Sinai, e o que mostrado em forma pelo Senhor representa ou o céu ou as coisas que são do céu. Que a forma do tabernáculo tenha sido mostrada a Moisés sobre o Monte Sinai vê-se pelo que foi dito a Moisés:
“Farão para Mim um santuário, para que Eu habite no meio deles, conforme tudo o que Eu te mostrarei, a forma do habitáculo”; e, depois, “Vê e faze na forma do que viste no monte” (Êx. 25:8, 9, 40).
Assim é que se diz ‘santuário’ e ‘para que Eu habite no meio deles’. No que concerne particularmente à arca, a saber, o que significam ela, o propiciatório sobre ela, como também os querubins sobre o propiciatório e, ainda, o que significam a borda de ouro sobre a arca, os quatro anéis para os varais, o véu, as argolas, viu-se explicado nos Arcanos Celestes, (n. 9484- 9577 e 9670-9680).
[5] A santidade mesma de todo o tabernáculo vinha do Testemunho, isto é, das duas tábuas de pedra em que foi inscrita a Lei, porque a ‘Lei’ significava o Senhor quanto ao Divino Vero e, assim, quanto à Palavra, pois ela é o Divino Vero. Que o Senhor seja a Palavra vê-se em João, onde se diz:
“A Palavra estava em Deus, e Deus era a Palavra... e a Palavra se fez carne, e habitou entre nós” (Jo. 1:1, 2, 14).
Que a Lei, que é chamada ‘Testemunho’ e ‘Aliança’ tenha sido posta na arca e, do mesmo modo, o Livro escrito por Moisés, vê-se por estas palavras nele:
“Porás na arca o Testemunho que te darei” (Êx. 25:16; 40:20);
“Pus as tábuas” da Lei “na arca que fizera, para que ficassem ali, tal como me ordenara Jehovah” (Dt. 10:5);
e, a respeito do Livro da Lei, foi escrito por Moisés:
“Quando Moisés acabou de escrever as palavras desta Lei no livro até concluí-la, ordenou Moisés aos levitas que levavam a arca... que tomassem o Livro da Lei e o pusessem ao lado da arca da aliança, para que ficasse ali por testemunha” (Dt. 31:24-26),
pelo que é evidente que dentro da arca não havia senão as duas tábuas de pedra em que foi inscrita a Lei, e que ao lado da arca ficava o Livro de Moisés. Que não houvesse na arca senão as duas tábuas da aliança vê-se pelo Primeiro Livro dos reis:
“Não havia na arca senão as duas tábuas de pedra que Moisés ali depositou em Horebe, a aliança que Jehovah firmou com os filhos de Israel” (1 Re. 8:9).
Que o Livro de Moisés tenha sido posto ao lado da arca e depois tirado e conservado no templo, pode-se ver pelo fato de que
Hilquias, o sumo sacerdote, achou o Livro da Lei na casa de Jehovah, e [o] deu a Shafan, que relatou isso ao rei e leu o livro diante do rei (2 Re. 22:8-11).
[6] Que pela arca seja representado o Senhor quanto ao Divino Vero e, daí, seja significado o Divino Vero que vem do Senhor, assim, a Palavra, também se pode ver pelo fato de que dali o Senhor falou com Moisés, pois se diz:
“Na arca poreis o Testemunho e ali te encontrarei, e falarei contigo de entre os dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho tudo o que te ordenarei para os filhos de Israel” (Êx. 25:21, 22);
e, em outra passagem,
“Quando Moisés entrou na tenda da assembleia, para falar com Ele, ouviu uma voz que falava a ele de sobre o propiciatório que estava sobre a arca do Testemunho, de entre os dois querubins; assim falou com ele” (Nm. 7:89).
Que dali o Senhor tenha falado a Moisés era porque a Lei estava ali, e por essa ‘Lei’, no sentido amplo, é significado o Senhor quanto à Palavra, e o Senhor fala com o homem pela Palavra. Que fosse ‘de sobre o propiciatório, entre os dois querubins’ era porque pelo ‘propiciatório’ era significada a remoção das falsidades oriundos dos amores do mal e, então, a recepção e a audição, e pelos ‘querubins’ é significada a proteção para que não haja acesso senão pelo bem do amor.
[7] Visto que o Senhor no céu e na igreja é o Divino Vero ou Palavra, e isto se entende pela ‘Lei’ encerrada na arca, e visto que a presença do Senhor se faz na Lei ou Palavra, por isso, onde estava a arca aí esta Jehovah ou o Senhor, como se pode ver por estas palavras em Moisés:
“Disse Moisés” a Jehovah: “Peço que não nos deixe, porque conheces de que maneira devemos nos acampar no deserto, onde nos será por olhos, e será que, quando vieres conosco, e suceder o bem com que Jehovah nos beneficiará, beneficiaremos também a Ti. E marcharam do Monte de Jehovah numa jornada de três dias, e a arca da aliança marchando diante deles numa jornada de três dias, para procurar repouso para eles. E a nuvem de Jehovah ia sobre eles de dia, quando partiam dos acampamentos. Quando a arca partia, Moisés dizia: Levanta, ó Jehovah, para serem dispersos os Teus inimigos, e fujam de diante de Tuas faces os que Te odeiam. E quando ela repousava, dizia: Volta, ó Jehovah, para as miríades de milhares de Israel” (Nm. 10:31-36).
É evidente por cada um desses relatos que pela ‘arca’ aí se entende Jehovah ou o Senhor, por causa de Sua presença na Lei que estava na arca, por conseguinte, por causa de Sua presença na Palavra. Como o Senhor aí se entende pela ‘Lei’ e, assim, pela ‘arca’, por isso Moisés dizia: ‘Levanta, Jehovah, para serem dispersos os Teus inimigos, e fujam de diante de Tuas faces os que Te odeiam’, e quando repousava, dizia: ‘Volta, Jehovah, para as miríades de milhares de Israel. Todavia, essas mesmas palavras envolvem arcanos ainda mais interiores, a saber, que o Senhor, por Seu Divino Vero, conduz os homens e os protege contra os falsos e males que vêm do inferno, principalmente nas tentações, as quais são particularmente significadas pelas marchas dos filhos de Israel no deserto por quarenta anos. Que os conduza continuamente por Seu Divino Vero é significado pelo fato de ‘a arca da aliança de Jehovah marchar diante deles numa jornada de três dias, para procurar repouso para eles’; pela ‘arca de Jehovah’ entende-se o Senhor quanto ao Divino Vero, pela ‘marcha numa jornada de três dias’ entende-se o auspício e a condução, do princípio ao fim.
[8] E pela ‘procura’ é significada a salvação, que é o propósito. Mas a proteção contra os falsos e males que vêm do inferno é significada pela ‘nuvem de Jehovah sobre eles de dia’ e também pelas palavras de Moisés, quando a arca partia: ‘Levanta, Jehovah, para serem dispersos os Teus inimigos, e fujam de diante de Tuas faces os que te odeiam’; pela ‘nuvem de Jehovah de dia’ é significada também a proteção pelo Divino Vero nos últimos, tal qual é a Palavra no sentido da letra, pois, por este sentido, mesmo os maus podem ter acesso ao Senhor, e Ele protege os interiores da Palavra, que são celestes e espirituais; (que isto na Palavra seja significado pela nuvem vê-se acima, n. 594); pelos ‘inimigos’ e ‘os que odeiam’ são significados os falsos e males que vêm do inferno (pelos ‘inimigos’ os falsos, e pelos ‘que odeiam, os males); assim são também significados os infernos quanto a esses falsos e males. Os veros do bem, que são implantados após as tentações do homem, são significados por ‘quando a arca repousava, Moisés dizia: Volta, Jehovah, aos miríades de milhares de Israel’; o ‘repouso da arca’ significava o estado após as tentações, quando os males e falsos foram removidos; ‘voltar’ significa a presença do Senhor então, pois nas tentações o Senhor parece estar como se fosse ausente; e pelas ‘miríades de milhares de Israel’ são significados os veros do bem implantados, dos quais consiste a igreja. (Que ‘miríades’ se atribuam aos veros, e ‘milhares’ aos bens, vê-se acima, n. 336).
[9] Coisas semelhantes são significadas por essas palavras em David:
“Eis que ouvimos sobre Ele em Efrata, encontramo-Lo nos campos da floresta; entraremos em Seus habitáculos, curvar-nos-emos no escabelo de Seus pés. Ergue-Te, Jehovah, ao Teu repouso, Tua e a arca de Tua fortaleza. Vistam-se os Teus sacerdotes de justiça, e os Teus santos jubilem” (Sl. 132:6-9).
Nesse salmo trata-se claramente do Senhor, que também se entende aí por ‘David’, como se pode ver pelo fato de se dizer: ‘Encontramo-Lo em Efrata, nos campos da floresta’ e também ‘que se curvassem no escabelo de Seus pés’; ‘Efrata’ é Belém, onde o Senhor nasceu, e por ‘Efrata’ é significada a Palavra quanto ao seu sentido natural, enquanto por ‘Belém’ a Palavra quanto ao seu sentido espiritual, e o Senhor quis nascer ali porque Ele é a Palavra. Pelos ‘campos da floresta’ são significadas as coisas que são do sentido natural da Palavra, portanto, as que são do sentido da letra. O sentido espiritual da Palavra é também significado por ‘Seus habitáculos’ e, assim, também o céu, porque o céu está nesse sentido; e pelo ‘escabelo dos pés’, em que se curvariam, é significado o sentido natural da Palavra e assim, também, a igreja nas terras, porque ela está nesse sentido; (que o ‘escabelo dos pés’ seja a igreja do Senhor nas terras vê-se acima, n. 606).
[10] Pelo ‘repouso’, ao qual Jehovah Se ergueria, é significada a união do Divino e do Humano no Senhor, e a Sua conjunção com o céu e a igreja; e visto que o Senhor teve repouso e paz, e também os que estão no céu e na igreja, quando subjugou os infernos e dispôs todas as coisas em ordem ali e nos céus, por isso se diz: ‘Ergue-Te, Tu e a arca de Tua fortaleza’; por ‘Tu’ entende-se o Senhor mesmo, e pela ‘arca de Tua fortaleza’ entende-se o Divino Vero procedente d’Ele, pois por este o Senhor tem o Divino poder; pelos ‘sacerdotes’, que se vestiriam de justiça, e pelos ‘santos’, que jubilariam, são significadas coisas semelhantes às que são significadas pelos ‘milhares e miríades de Israel; pelos ‘sacerdotes’ os que estão no bem, e pelos ‘santos’ os que estão nos veros; assim, abstratamente, os bens e veros do céu e da igreja. (Que pelos ‘sacerdotes’ no sentido abstrato sejam significados os bens da igreja vê-se acima, n. 31, no fim, e que pelos ‘santos’ nesse sentido sejam significados os veros da igreja, também acima, n. 204 e 325. Mais coisas desse salvo se veem acima, n. 684).
[11] Uma vez que a ‘arca’, por causa da Lei que estava nela, significava o Senhor quanto ao Divino Vero, e visto que o Senhor tem onipotência pelo Divino Bem por meio do Divino Vero, por isso milagres foram feitos pela arca, a saber: por ela as águas do Jordão foram divididas, para que os filhos de Israel passassem em seco; o muro da cidade de Jericó caiu; Dagon, o deus dos asdodeus, caiu diante dela, e também os asdodeus, os giteus, os ecronitas e bethsemitas foram feridos de pragas por causa dela; Usah, que a tocou, foi morto; e Obede Edom, em cuja casa a arca foi introduzida, foi abençoado. E como esses relatos históricos envolvem arcanos que se tornam evidentes unicamente pelo sentido espiritual deles, quero também explica-los, a fim de que se saiba o que a arca significa num sentido amplo. Primeiramente, a respeito das águas do Jordão divididas para que os filhos de Israel passassem em seco. Em Josué:
Josué e todos os filhos de Israel “chegaram até o Jordão; e a fim de três dias... Josué ordenou, dizendo: Quando virdes a arca da aliança de Jehovah... e os sacerdotes levitas que a carregam, vós também marchareis de vosso lugar, e ireis após ela; mas haverá entre vós e ela um espaço de quase dois mil côvados; não vos aproximareis dela”. ... E os sacerdotes “ergueram a arca da aliança, e foram adiante do povo”. E disse Josué: “Quando chegardes à extremidade das águas do Jordão, aí parareis”. E disse ao povo: “Eis a arca da aliança do Senhor de toda a terra, que passa diante de vós no Jordão, e tomai dentre vós doze varões das tribos de Israel; ... e quando as plantas dos pés dos sacerdotes que levavam a arca de Jehovah, o Senhor de toda a terra, pousarem nas águas do Jordão, as águas do Jordão se repartirão, e as águas que descem de cima se ajuntarão num montão. E aconteceu que, quando” os sacerdotes “chegaram ao Jordão, e os sacerdotes que levavam a arca molharam os pés na extremidade das águas – e o Jordão estava cheio, visto que transbordava... todos os dias do mês - as águas que desciam de cima pararam num montão, estendendo-se muito, até a cidade de Adam... e as que desciam sobre a planície do mar, o mar de sal, consumidas, foram cortadas, de modo que o povo pudesse passar para Jericó. E os sacerdotes pararam... em seco no meio do Jordão... e todo” o povo “passou em seco. ... Depois disse Jehovah a Josué: Tomai para vós... doze varões, um... de [cada] tribo, e... e tomai do meio do Jordão, da parada dos pés dos sacerdotes, doze pedras, que levareis convosco, e deixareis no lugar do pernoite. ... Assim fizeram os filhos de Israel, e ergueram doze pedras do meio do Jordão... conforme o número das tribos de Israel, e as levaram ao lugar do pernoite. ... Então, depois que todo o povo acabou de passar, passou a arca de Jehovah e os sacerdotes; e aconteceu que, quando os sacerdotes passaram... e retiraram as plantas de” seus “pés, as águas do Jordão voltaram ao seu lugar. ... E Josué erigiu em Gilgal as doze pedras que tinham tirado do Jordão” (Js. 3:1-17; 4:1-20).
Todas as partes históricas da Palavra, igualmente às suas partes proféticas, contêm um sentido espiritual no qual não se trata dos filhos de Israel nem das nações e povos, mas da igreja e de sua instauração e progressão, pois este é o espiritual da Palavra, e a parte histórica é o natural que contém o espiritual. Assim também todos os milagres que são descritos na Palavra, como os milagres feitos no Egito e, depois, os que foram feitos na terra de Canaan, envolvem coisas tais que são do céu e da igreja. Por isso também esses milagres são Divinos.
[12] Por este milagre é significada a introdução dos fiéis na igreja e, pela igreja, no céu. Pelos ‘filhos de Israel’ aí, no sentido espiritual, entendem-se os fiéis, que, após terem sofrido tentações, que são significadas pelas perambulações deles no deserto, são introduzidos na igreja. Com efeito, pela ‘terra de Canaan’, na qual os filhos de Israel foram introduzidos, é significada a igreja, e pelo ‘Jordão’ é significada a primeira entrada nela; pelas ‘águas do Jordão’ são significados os veros que introduzem, veros esses que são tais como os veros do sentido literal da Palavra, pois eles introduzem primeiro. Aí, porém, pelo ‘Jordão’ e as suas águas são significados os falsos do mal que levam ao inferno, pelo fato de que então a terra de Canaan estar repleta de nações idólatras, pelas quais são significados os males e falsos de todo gênero, os quais constituem o inferno. Por essa causa elas deviam ser expelidas, para que o lugar fosse dado à igreja a ser instaurada. E como as ‘águas do Jordão’ então significavam os falsos do mal, por isso foram dividas e afastadas, para darem passagem aos filhos de Israel, pelos quais seria representada a igreja.
[13] Ora, uma vez que somente o Senhor remove e dissipa os falsos e males que vêm do inferno, e por Seus Divinos veros introduz os fiéis na igreja e no céu, e visto que pela arca e pela Lei nela encerrada foi representado o Senhor quanto ao Divino Vero, por isso foi ordenado que a arca precedesse o povo e, assim, o conduzisse. Por isso aconteceu que ‘assim que os sacerdotes que levavam a arca molharam os pés nas águas do Jordão, aquelas águas foram divididas e desceram, e o povo passou em seco’, e, após isto, as águas voltaram. Mas, então, aquelas mesmas águas significavam os veros que introduzem, pois o Jordão era o primeiro limite da terra de Canaan, pela água, após os filhos de Israel entrarem nela, era representada a igreja, e a introdução nela era representada por aquele rio.
[14] Como as ‘águas do Jordão’ significavam os veros que introduzem, por isso também foi ordenado que do seu meio tomassem doze pedras e a levassem para o primeiro lugar onde pernoitassem, e isto porque as ‘pedras’ significam os veros, e as ‘doze pedras, segundo o número das tribos de Israel’, significavam os veros da igreja. ‘Josué erigiu as pedras em Gilgal, ao oriente de Jericó’ porque ‘Gilgal’ significava a doutrina do vero natural, a qual serve para introdução na igreja. Por essas poucas explicações é evidente quais coisas do céu e da igreja foram representadas por esse milagres, e que a arca, por causa da Lei nela, significava o Senhor quanto ao Divino Vero. Por isso, também, ela foi chamada ‘arca da aliança do Senhor de todo a terra’, por causa da conjunção com o Senhor por meio do Divino Vero, pois por este há a conjunção, que é significada pela ‘aliança’, e é isto que faz o céu e a igreja, que são particularmente significados por ‘toda a terra’, e, de fato, pelo que ‘todas as coisas foram feitas e criadas’, segundo as palavras do Senhor (em João 1:1-3, 10, e em David, Sl. 33:6). Pela ‘Palavra’, nessas passagens, entende-se o Divino Vero.
[15] O segundo milagre que foi feito pela arca foi a derrubada do muro de Jericó, o que é assim descrito em Josué:
A cidade de “Jericó era fechada; ...e disse Jehovah a Josué: Dei em tua mão Jericó e o seu rei, e os fortes valorosos. Rodeareis a cidade, todos os varões de guerra... uma vez por dia em seis dias, e sete sacerdotes levarão sete cornetas de júbilo diante da arca. Mas no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as cornetas; ... e então todo o povo bradará com grande brado, e o muro da cidade cairá abaixo de si, e o povo subirá”. ... Depois Josué fez com que rodeassem a cidade no primeiro dia uma vez, como foi dito, e após rodearem voltaram aos acampamentos e pernoitaram nos acampamentos. No dia seguinte, semelhantemente, “e os sete sacerdotes levando sete cornetas de júbilo diante da arca de Jehovah, foram caminhando e tocaram as cornetas, caminhando antes deles os varões de guerra, e soando as cornetas, e também os que fecham a marcha indo após a arca... indo e tocando as cornetas; ... assim fizeram por seis dias; ... e no sétimo... rodearam a cidade sete vezes, e na sétima vez... o povo bradou; ... e quando o povo ouviu” isso, “então o muro caiu sob si, e o povo subiu na cidade... e puseram em destruição todas as coisas que havia na cidade, desde macho até a fêmea, desde menino até o velho;... e a cidade incendiaram a fogo, e todas as coisas que havia nela; tão somente a prata e o ouro, e os vasos de bronze e de ferro, entregaram por tesouro à casa de Jehovah. E Josué esconjurou, dizendo: Maldito o varão que é contra Jehovah, que se levantar e edificar esta cidade;... por seu primogênito a fundará, e por seu caçula colocará suas portas” (Js. 6:1-16).
Ninguém pode saber qual Divino esse milagre encerra a menos que saiba o que significava na terra de Canaan a ‘cidade de Jericó’, que foi queimada, o ‘seu muro’, que caiu, os ‘habitantes’ que foram postos à destruição, e também o que significam o ‘ouro’, a ‘prata’, os ‘vasos de bronze e de ferro’, que foram dados por tesouro à casa de Jehovah, sobretudo o que é significado por ‘tocar as cornetas’ e ‘bradar’, bem como ‘rodear seis dias e sete vezes no sétimo dia’. Pela ‘cidade de Jericó’ é significada a instrução nas cognições do bem e do vero, pela qual o homem é introduzido na igreja, pois Jericó era uma cidade que ficava não distante do Jordão, rio pelo qual é significada a introdução na igreja (como foi dito acima). Com efeito, todos os lugares na terra de Canaan foram significativos das coisas celestes e espirituais que pertencem à igreja, e isto desde os tempos antiquíssimos. E como os filhos de Israel haviam de representar a igreja, e com eles a Palavra seria escrita, na qual esses lugares seriam nomeados e significariam coisas tais que são do céu e da igreja, por isso os filhos de Israel foram introduzidos ali, e o ‘rio Jordão’ significaria essa introdução, e ‘Jericó’ a instrução. E visto que ‘Jericó’ significava a instrução, também significava o bem da vida, porque ninguém pode ser instruído nos veros da doutrina a menos que esteja no bem da vida. Quando, porém, a terra de Canaan foi possuída por nações idólatras, a significa dos lugares e das cidades naquela terra mudou-se no contrário, e então ‘Jericó’ significava a profanação do vero e do bem. Daí se segue que a ‘cidade’ mesma tinha significado a doutrina do falso e do mal que perverte e profana os veros e bens da igreja, e os ‘habitantes’ tinham significado os profanos. E como todo profano vem do amor infernal após o reconhecimento do vero e do bem, por isso essa cidade foi queimada, os seus habitantes foram postos à destruição e o seu muro caiu, pois o ‘fogo’ significa o amor infernal, a ‘destruição’ significa a total aniquilação e a ‘queda do muro’ a desnudação a todo mal e falso.
[16] Pelos ‘sacerdotes que tocavam as cornetas’ era significada e pregação do Divino Vero pelo Divino Vero; pelo ‘brado’ e pelo ‘clamor do povo’ eram significados o consenso e a confirmação’; por ‘rodear a cidade’ era significado o esclarecimento do falso e do mal e a sua dissipação pelo influxo do Divino Vero procedente do Senhor, influxo esse que era significado pelo ‘circuito da arca’ ao redor. Que os ‘sacerdotes fossem sete em número’ e que ‘se rodeasse a cidade sete dias e sete vezes no sétimo dia’ significava santidade e a santa pregação do Divino Vero, pois ‘sete’ significa o que é santo e, no sentido oposto, o que é profano; por isso, como havia o que é santo de uma parte e o que é profano de outra, havia ‘sete sacerdotes’ com ‘sete cornetas’ e ‘sete vezes rodeou-se a cidade.
[17] Que o ‘ouro, a prata e os vasos de bronze e de ferro’ tenham sido ‘dados por tesouro à casa de Jehovah’ era porque significavam as cognições do vero e bem espiritual e natural; o ‘ouro’ e a ‘prata’ as cognições do vero e do bem espirituais, e os ‘vasos de bronze e de ferro’ as cognições do vero e do bem naturais, que se convertem em medonhos falsos e males naqueles que profanam. Como, todavia, são ainda cognições, ainda que aplicadas aos males, servem de uso aos bons por aplicação aos bens, pelo que ‘foram dados por tesouro à casa de Jehovah’. É isto também o que se entende pelas ‘minas’ que deviam ser tiradas dos maus e dadas aos bons, e também pelo ‘mamon injusto’ e pelo ‘ouro’, a ‘prata’ e as ‘vestimentas’ que os filhos de Israel tomaram dos egípcios e, depois, dedicaram ao tabernáculo, e também pelo ‘ouro’ e pela ‘prata’ que David ajuntou de despojos dos adversários e deixou a Salomão para edificar o templo.
[18] Que ‘seria maldito quem reedificasse Jericó’ e quem ‘a fundasse por seu primogênito e pusesse as portas por seu caçula’ significava a profanação do Divino Vero, desde o seu primeiro até o último, se em outro lugar fosse representada a instrução nisso a não ser em Jerusalém, pela qual era significada a igreja quanto à doutrina do vero e do bem e quanto à instrução da Palavra. Que essa profanação tenha ocorrido sob o rei Acabe por Hiel, o betelita, lê-se no Primeiro Livro dos Reis (16:34), rei do qual se diz que fez mal aos olhos de Jehovah mais do que todos os reis de Israel (vers. 30 e 33 ali). Por esse milagre feito pela arca também se pode ver que por ela, por causa da Lei nela, foi representado o Senhor quanto ao Divino Vero, e por isso ela significou o Divino Vero procedente do Senhor.
[19] O terceiro milagres, que Dagon, deus dos asdodeus caiu diante da arca, e que os asdodeus, giteus, ecronitas e bethsemitas foram feridos por pragas diante dela, é assim descrito no Primeiro Livro de Samuel:
“Saiu Israel à guerra contra os filisteus... e Israel foi ferido diante dos filisteus... até quatro mil varões; ... por isso disseram os anciãos: Tragamos para nós de Schiloh a arca da aliança de Jehovah, e venha no nosso meio, e livre-nos da mão dos inimigos. ... E trouxeram a arca da aliança de Jehovah Zebaoth que está assentado sobre os querubins; e com a arca os dois filhos de Ele. ... E aconteceu que, quando veio a arca ao acampamento, toda Israel bradou com grande brado; ... os filisteus ouviram... e conheceram que a arca de Jehovah tinha vindo ao acampamento, e se atemorizaram... dizendo: Deus veio ao acampamento; ai de nós! Quem nos livrará da mão de desses deuses magníficos? Eles são os deuses que feriram os egípcios com toda praga... Mas esforçai-vos, e sede varões, ó filisteus, para não servirdes aos hebreus. ... E os filisteus lutaram e Israel foi ferido... com grande matança... até trinta mil homens a pé, e a arca de Deus foi capturada, e ambos os filhos de Eli foram mortos. ... E os filisteus tomaram a arca... e a fizeram descer... a Asdod, ao templo de Dagon, e a puseram junto a Dagon. Quando os asdodeus se levantaram de manhã, eis que Dagon jazia em terra sobre as suas faces diante da arca de Jehovah; ... e recolocaram” Dagon, “mas, quando se levantaram de manhã, Dagon jazia em terra sobre as suas faces diante da arca, e a cabeça de Dagon, e as duas palmas de suas mãos, foram juntamente cortadas sobre o limiar. ... E a mão de Jehovah se fez pesada sobre os asdodeus... e os feriu com hemorroidas, os asdodeus e os seus termos. ... Então disseram os asdodeus: Não permanecerá a arca... de Israel entre nós; ...por isso disseram os sátrapas dos filisteus... Seja transferida a Gate a arca do Deus de Israel.” E a transferiram a Gate. “Mas aconteceu que a mão de Jehovah esteve na cidade... e feriu varões da cidade, desde o menor até o maior, quando se lhes fecharam as hemorroidas. Por isso enviaram a arca de Deus a Ecron... mas os ecronitas clamaram” que ela os mataria; “e os varões que não morreram foram feridos com hemorroidas”. ... Por isso os sátrapas disseram que enviassem a arca ao seu lugar. ... “Como a arca tinha permanecido... sete meses no campo dos filisteus, os filisteus chamaram os sacerdotes e os adivinhadores, dizendo: Que faremos à arca de Jehovah? Como a enviaremos ao seu lugar? E disseram: ... Não a envieis vazia, mas devolvei-lhe em culpa, então sarareis; ...a saber, segundo o número dos sátrapas dos filisteus, cinco hemorroidas de ouro e cinco ratos de ouro, porque a praga é uma só para todos, e os vossos sátrapas. Fazei imagens de vossas hemorroidas, e imagens dos vossos ratos que devastaram a terra;... e fazei um carro novo, e duas vacas lactantes sobre as quais não subiu jugo, e atrelai as vacas ao carro, e tirai da casa delas os filhos ... e ponde a arca de Jehovah sobre o carro, e os vasos de ouro... ponde em cofres ao seu lado;... e vede se sobe o caminho do termo dos bethsemitas. ... E assim fizeram. ... Então as vacas andaram diretamente no caminho, sobre o caminho de Bethsemes, num só trajeto... e berraram; ...e os sátrapas dos filisteus após elas. E veio o carro ao campo de Josué, o bethsemita, e parou ali, e havia ali uma grande pedra. Então fenderam a madeira do carro, e ofereceram as vacas em holocausto a Jehovah. E os levitas puseram a arca de Jehovah, e o cofre... em que estavam os vasos de ouro... sobre aquela grande pedra; e os varões bethsemitas ofereceram holocaustos e sacrificaram sacrifícios... a Jehovah; ... mas foram feridos os bethsemitas que viram a arca de Jehovah... até cinquenta mil e setenta varões. ... Mas os varões de Kiriathjearim fizeram subir a arca de Jehovah, e a introduziram na casa de Abinadabe, em Gibeá, e permaneceu ali por vinte anos. ... Então disse Samuel: ... Se de todo o corações vos voltardes para Jehovah, removei os deuses estranhos e os astharoth, e preparai o vosso coração para com Jehovah, e servi a Ele somente; então vos libertará da mão dos filisteus” (1 Sa. 4:1-11; 5:1-12; 6:1-21; 7:1-3).
Ninguém pode saber o que é significado pela arca ter sido capturada pelos filisteus, os filisteus terem sido feridos com hemorroidas por causa da arca em Asdod, Gate e Ecron, os ratos terem devastado a terra deles e serem mortas tantas pessoas ali e em Bethsemes, a menos que saiba o que representaram e, daí, significaram os filisteus e, em particular, os asdodeus, gititas, ecronitas e bethsemitas, como também o que significam as ‘hemorroidas’, os ‘ratos’, as ‘imagens deles feitas de ouro’ e, ainda, o’ carro novo’ e as ‘vacas lactantes’. É evidente que tais coisas são representativas de coisas que são da igreja, pois, de outro modo, por que os filisteus teriam sido feridos de tais pragas e a arca fosse assim levada de volta?
[20] Os filisteus representaram e, daí, significaram aqueles que têm como nada o bem do amor e da caridade, e, assim, têm como nada o bem da vida, pondo tudo da religião no conhecimento e na cognição. Assim, eles foram semelhantes aos que, hoje, fazem da fé só, isto é, a fé separada da caridade, o essencial da igreja e o essencial da salvação. Por isso era que foram chamados ‘incircuncisos’, pois ‘incircunciso’ significa o que é privado do amor espiritual, portanto, do bem. E como eles se referiam aos que estão na igreja, por isso não foram espirituais, mas meramente naturais, pois que têm como nada o bem da caridade e da vida torna-se meramente natural e até sensual, e não ama senão as coisas mundanas. Tampouco pode entender os veros espiritualmente, e os veros que entende naturalmente, ou os falsifica ou os conspurca. Os que são tais entendem-se na Palavra pelos ‘filisteus’. Daí se pode ver por que os filisteus lutaram tantas vezes contra os filhos de Israel, e que ora venceram os filisteus, ora venceram os filhos de Israel. Os filisteus venceram quando os filhos de Israel se afastaram dos estatutos e preceitos, não os cumprindo, e os filhos de Israel venceram quando viveram segundo os estatutos e preceitos. Viver segundo os estatutos e preceitos era o bem do amor e o bem da vida deles. Que os filhos de Israel tenha sido desta vez vencidos pelos filisteus foi porque se desviaram do culto a Jehovah para o culto de outros deuses, principalmente para o culto dos astharoth, como se pode ver pelas palavras de Samuel dita a eles (1 Sm. 7:3). Esta foi também a razão pela qual a arca foi desta vez capturada.
[21] Quando se sabe que os filisteus representaram e, daí, significaram os que têm como nada o bem do amor, da caridade e da vida, pode-se saber por que eles foram feridos com hemorroidas pela arca e, daí, mortos, como também por que os ratos devastaram a terra deles. Com efeito, as ‘hemorroidas’ significam o vero conspurcado pelo mal da vida, tal como é naqueles que não têm o bem, pois o ‘sangue’ significa o vero, a ‘sânie da hemorroida’ o vero conspurcado e a ‘parte posterior’, onde está a hemorroida, significa o amor natural que, naqueles que não são espirituais, é o amor do mundo. Os ‘ratos’ significam os falsos do homem sensual, que devoram e consomem todas as coisas da igreja, assim como os ratos fazem ao campo e a seara, e também aos vegetais sob a terra. Eles sofreram essas pragas porque foram tais, pois os que não têm o bem conspurcam os veros e também devastam todas as coisas da igreja. Que essas coisas tenham acontecido por causa da arca era porque a ‘arca’ significava o Divino Vero que procede do Senhor, e não existe o [vero] genuíno senão nos que estão no bem do amor e, daí, no bem da vida; e quando o Divino Vero influi nos que não estão no bem, produz efeitos que correspondem aos seus falsos da doutrina e males da vida, semelhante ao que ocorre no mundo espiritual, quando o Divino Vero influi nos que são tais. Então a conspurcação do vero e a devastação do bem aparecem na semelhança de hemorroidas e ratos.
[22] Que Dagon, o deus dos asdodeus, tenha sido jogado à terra por causa da proximidade e da presença da arca, e, depois, sua cabeça e as palmas de suas mãos tenham sido lançadas no limiar do seu templo, era porque ‘Dagon’ significava a religiosidade deles, a qual, por ser desprovida de bem espiritual, era também desprovida de toda inteligência e, daí, de todo poder, porque a ‘cabeça’ significa a inteligência e as ‘palmas das mãos’ significam o poder. Também semelhantemente ocorre no mundo espiritual, quando o Divino Vero influi do céu nos que são tais, pois então eles aparecem como se sem cabeça e sem as palmas das mãos, porquanto são desprovidos de inteligência e de poder.
[23] Que, por conselho dos sacerdotes e dos adivinhadores, eles tenham feito de ouro imagens de hemorroidas e de ratos e as tenham posto ao lado da arca, sobre o carro novo, ao qual atrelaram duas vacas lactantes sobre as quais não subira jugo, era porque o ‘ouro’ significa o bem do amor, que cura e purifica dos falsos e males que são significados pelas ‘hemorroidas’ e pelos ‘ratos’, e porque o ‘carro’ significa a doutrina do vero natural, e o ‘carro novo’ essa doutrina íntegra e não manchada pelos falsos do mal deles; e a ‘vaca lactante’, sobre a qual não houvera jugo, significa o bem natural ainda não conspurcado pelos falsos, pois ‘portar jugo’ significa servir, aqui, os falsos que conspurcam o bem. E visto que essas coisas concordavam com o Divino Vero, que era significado pela ‘arca’, por isso esses representativos foram empregados e aplicados, e depois os levitas os tomaram em holocausto e o queimaram com a lenha vinda do carro.
[24] Que a arca, com as oferendas, tenha sido posta sobre uma grande pedra, junto à qual as vacas pararam, era porque a ‘pedra’ significa o Divino Vero no último da ordem. Que os sacerdotes e os adivinhadores dos filisteus tenham aconselhado que assim se fizesse era porque a ciência das correspondências e das representações foi uma ciência comum naquele tempo, pois era a teologia deles, conhecida pelos sacerdotes e adivinhadores, que eram os seus sábios. Como, todavia, as pessoas então se tornaram meramente naturais, consideravam essa ciência idolatricamente, cultuando as coisas externas e não pensando nas internas que eram representadas. Por aí se pode ver o que significa em série cada uma das coisas que foram acima citadas do Livro de Samuel, e que a arca, por causa da Lei nela, significa o Divino Vero procedente do Senhor.
[25] Quarto, a respeito dos dois milagres operados pela arca, em que Uzá foi morto e Obede Edom foi abençoado, assim se relata no Segundo Livro de Samuel:
“Levantou e saiu David, e todo o povo com ele, de Baal Judah, para fazer subir dali a arca de Deus cujo nome é invocado, o nome de Jehovah Zebatoh, que está assentado nos querubins sobre ela, e fizeram carregar a arca de Deus sobre um carro novo, e a transportaram da casa de Abinadabe, que está em Gibeá, e Uzá e Ahio, filhos de Abinadabe, conduzindo o carro. ... E David e toda a casa de Israel iam tocando diante de Jehovah todo gênero de madeira de abeto, e de cítara, e com harpas, e com tambores, e com pandeiros [dulciaris], e com címbalos. E quando chegaram à eira de Nacom, estendeu Uzá à arca e a segurou, porque os bois inclinavam; e abrasou-se a ira de Jehovah contra Usa, e Deus o feriu por causa do erro, de modo que morreu ali na arca de Deus. E Davi condoeu-se por ele... e David temeu a Jehovah naquele disse, e disse: Como virá a mim a arca de Jehovah? E não quis David levar consigo a arca de Jehovah para a cidade de David, mas a deixou na casa de Obede Edom, o gitita. E permaneceu a arca de Jehovah na” sua “casa por três meses, e Jehovah abençoou Obede Edom e toda a sua casa, e isto foi anunciado ao rei David... e foi David e fez subir a arca de Deus da casa de Obede Edom para a cidade de David com regozijo. E... quando os que levavam a arca avançaram seis passos, sacrificou um boi e um cevado; e David dançou dentre todos os varões diante de Jehovah... cingido com um éfode de linho. E David e toda a casa de Israel, fazendo subir a arca de Jehovah com júbilo e com som de cornetas, introduziram a arca de Jehovah” na cidade de David, que é Sião, “e a colocaram em seu lugar, dentro da tenda, que David tinha estendido para isto” (2 Sm. 6:1-17).
No sentido interno ou espiritual, esses relatos históricos envolvem muitas coisas que não podem se apresentar à vista no sentido literal, que é histórico, por exemplo, o que envolve o fato de a arca ser trazida da casa de Abinadabe para a casa de Obede Edom, e, finalmente, para a cidade de David, que é Sião; o fato de, quando era trazida, eles tocarem e soarem todo gênero de instrumento musical, e que David mesmo dançava; depois, que a arca foi trazida sobre um carro novo, ao qual foram atrelados bois; e que Usa, o filho de Abinadabe, foi morto e Obede Edom foi abençoado com a sua casa. Todas essas coisas, ainda que históricas, encerram em seu seio coisas tais que são do céu e da igreja, semelhantemente à arca mesma, que, por causa da Lei nela, representava o Senhor quanto ao Divino Vero, pelo que foi chamada ‘arca de Deus, cujo nome é invocado, o nome de Jehovah Zebaoth, que está assentado nos querubins’. A arca ser agora trazida da casa de Abinadabe, primeiramente à casa de Obede Edom e finalmente à cidade de David, que é Sião, envolve arcanos que ninguém pode conhecer a menos que saiba o que significou ‘Gibeá’ e, ali, ‘Baal Judah’, onde estava Abinadabe, e o que significou ‘Gate’, onde estava Obede Edom, e, finalmente, o que significou ‘Sião’, onde estava Davi. Todos os territórios na terra de Canaan, juntamente com as cidades elas, foram representativas, assim como no mundo espiritual, nas regiões ali e as suas cidades. Em cada região, e também em cada cidade no mundo espiritual, do oriente ao ocidente habitam os que estão no bem do amor; ao oriente os que estão no bem do amor claro, e ao ocidente os que estão no bem do amor obscuro; já do meio-dia ao setentrião, ali, habitam os que estão na luz do vero; ao meio dia, os que estão na luz do vero clara, e ao setentrião os que estão na luz do vero obscura. Semelhantemente se dava na terra de Canaan, nos seus territórios e nas cidades dos territórios; estes, relativamente aos pontos cardeais, correspondiam às regiões no mundo espiritual e às cidades das regiões ali, mas com a diferença de que, nas terras, os homens não podem nas suas plagas estar tão ordenados quanto ao bem do amor e quanto à luz do vero como estão os espíritos e anjos no mundo espiritual. Por isso, na terra de Canaan e nas suas cidades, os lugares mesmo representavam e não as pessoas. Que tenha sido assim pode-se ver pela partição da terra de Canaan em heranças que couberam por sorte às tribos segundo a representação da igreja que elas tinham, e também por Jerusalém e Sião, que representaram a igreja mesma, Jerusalém a igreja quanto ao vero da doutrina, e Sião a igreja quanto ao bem do amor. Se, pois, se souber que particularidade da igreja e do céu ‘Gibeá’ significou, e, ali, ‘Baal Judah’, onde estava Abinadabe, e que particularidade da igreja e do céu ‘Gate’, onde estava Obede Edom, significou , pode-se saber o que significou o fato de a arca ser trazida de Abinadabe a Obede Edom e, finalmente, a Sião.
[26] Pela significação dessas cidades pode-se ver que pela transferência da arca foi representada a progressão da igreja no homem, do seu mais externo até o seu íntimo, como de um céu a outro até o supremo, que é o terceiro céu. ‘Baal Judah’, onde estava Abinadabe, significou o mais externo da igreja, que se chama seu natural, pois ‘Gibeá’, onde ficava Baal Judah’, representava isso. Mas ‘Gate’, onde estava Obede Edom, que por isso é chamado ‘gitita’, significou o espiritual da igreja, e ela passou a ter essa significação depois que os filhos de Israel capturaram dos filisteus as cidades, desde Ecron até Gate (1 Sm. 7:13-15). ‘Sião’, porém, onde estava David, significou o íntimo da igreja, que se chama seu celeste.
[27] Daí é evidente que a ‘transferência da arca’ significou a progressão da igreja no homem, do seu mais externo até o seu íntimo, e isto porque essas progressões se fazem por meio do Divino Vero, que foi significado pela ‘arca’, pois o homem da igreja progride do natural ao espiritual, e, por este, ao celeste (o natural é o bem da vida, o espiritual é o bem da caridade para com o próximo, e o celeste é o bem do amor ao Senhor), e isto continuamente, pelo Senhor por meio do Seu Divino Vero. Em semelhante progressão estão os bons dos três céus, pelo que também a ascensão por eles em ordem foi representada.
[28] O fato de, quando a arca foi trazida, terem tocado e soado todo gênero de instrumento musical, e de David ter dançado, representava a alegria e o regozijo que resultam da afeição do vero e do bem oriundos do Senhor pelo influxo do Divino Vero, que era significado pela ‘arca’. Os instrumentos citados, que eles tocaram no primeiro itinerário, da casa de Abinadabe até a casa de Obede Edom, representavam a alegria da mente oriunda da afeição do vero natural e espiritual; e a dança de David, como também o júbilo e o sonido da corneta, representavam o regozijo de coração oriundo da afeição do bem espiritual e celeste. Que a harmonia dos sons musicais venha do mundo espiritual e signifiquem as afeições e as suas alegrias e regozijos vê-se acima (n. 323 e 326); e que ‘Sião’ signifique o terceiro céu e, daí, o íntimo da igreja, também acima (n. 405).
[29] O fato de a arca ser trazida sobre um carro novo ao qual foram atrelados bois representava e, daí, significava a doutrina do vero oriunda do bem do amor; o ‘carro’, a doutrina do vero, e os ‘bois’ o bem do amor, ambos no homem natural, pois o Divino Vero, que é significado pela arca, se apoia e se funda na doutrina do vero natural que vem do bem. Daí vem que a arca foi posta ‘sobre um carro, diante do qual iam bois’. (Que o ‘carro’ signifique a doutrina do vero vê-se acima, n. 355; e que o ‘boi’ signifique o bem natural, nos Arcanos Celestes, n. 2180 e 2566).
[29] O fato de a arca ser trazida sobre um carro novo ao qual foram atrelados bois representava e, daí, significava a doutrina do vero oriunda do bem do amor; o ‘carro’, a doutrina do vero, e os ‘bois’ o bem do amor, ambos no homem natural, pois o Divino Vero, que é significado pela arca, se apoia e se funda na doutrina do vero natural que vem do bem. Daí vem que a arca foi posta ‘sobre um carro, diante do qual iam bois’. (Que o ‘carro’ signifique a doutrina do vero vê-se acima, n. 355; e que o ‘boi’ signifique o bem natural, nos Arcanos Celestes, n. 2180 e 2566).
[30] Que Uzá, filho de Abinadabe, tenha sido morto porque segurou a arca com a mão era porque ‘tocar com a mão’ significa a comunicação que se faz com o Senhor por meio do bem do amor e, todavia, Uzá não era ungido, como eram os sacerdotes e os levitas, aos quais foi dada por meio da unção a representação do bem do amor; (que isto tenha sido dado por meio da unção vê-se acima, n. 375); e, ademais, os ‘querubins’ que estavam no propiciatório sobre a arca significavam a guarda a fim de que não houvesse acesso ao Senhor senão pelo bem do amor. Que isto também tenha acontecido para que David não trouxesse a arca a Sião antes de se completar a progressão, que também era representada – de que se tratou logo acima - vê-se pelo fato de David se condoer pela morte de Uzá e temer trazer a arca à sua cidade, que era Sião (vers. 8-10).
[31] Que Obede Edom tenha sido abençoada por causa da arca, juntamente com a sua casa, era porque a benção com os bens do mundo significa a bênção com os bens do céu, os quais procedem unicamente do Senhor por meio da recepção do Divino Vero representado pela arca. Têm esses bens aqueles que estão no bem espiritual que Obede Edom representava, como foi dito acima.
[32] Finalmente, que ‘a arca tenha sido introduzida em Sião e na tenda que David estendeu para ela’ significava a ascensão ao terceiro céu e a conjunção do Divino Vero com o Bem do amor, pois Sião representava o íntimo da igreja e, assim, o íntimo dos céus, que o céu supremo ou terceiro, onde os anjos estão no bem do amor ao Senhor e onde há a proteção a fim de não haver acesso ao Senhor senão pelo bem do amor. Essa proteção era representada pelos querubins sobre a arca.
[33] Algo semelhante era significado pelo fato de ‘a arca ter sido introduzida no íntimo do tempo edificado por Salomão’, a cujo respeito assim se lê no Primeiro Livro dos Reis:
Salomão “preparou um santuário no meio da casa, onde poria a arca da aliança de Jehovah;... e fez no santuário dois querubins de madeira de oliveira, e pô-los no meio do interior da casa, de modo que expandissem as asas... de uma a outra parede... e de modo que as asas deles se tocassem no meio da casa; ... e cobriu de ouro os querubins.” E Salomão fez subir “da cidade de David – esta é Sião – a arca da aliança de Jehovah. ... E vieram todos os anciãos de Israel, e os sacerdotes carregaram a arcam, e fizeram subir a arca de Jehovah e a tenda da assembleia, e todos os vasos de santidade que havia na tenda; ...e... Salomão e toda a assembleia com ele diante da arca... e os sacerdotes trouxeram a arca da aliança de Jehovah ao seu lugar, no santuário da casa, no santo dos santos, sob as asas dos querubins; porque os querubins expandiam as asas sobre o lugar da arca, de modo que os querubins cobriam a arca e os seus varais por cima, e as cabeças dos varais eram vistas saindo do [lugar] santo em direção às faces do santuário, mas não eram vistas de fora.” ... E disse Salomão: “Fiz ali um lugar para a arca, onde está a aliança de Jehovah, a qual [Ele] estabeleceu com nossos pais, quando os fez sair da terra do Egito” (1 Re. 6:19, 23, 27, 28; 8:1-8, 21).
Visto que a arca na tenda da assembleia representava o terceiro céu, onde está o Senhor, e a tenda mesma, fora do véu, representava o segundo céu, e o átrio o primeiro céu, assim também era com o templo, pois o templo com os seus átrios representava os três céus, pelo que nada havia no templo, nem fora do templo, onde ficavam os átrios, que não representasse algo do céu. Isto era porque o Senhor, naquele tempo, esteve presente nos representativos, porque as igreja que existiram antes do advento do Senhor eram igrejas representativas, e por último eram tais como a que foi instruída com os filhos de Israel (???). Quando, porém, o Senhor veio ao mundo, então os externos representativos foram abolidos, pois era o Senhor mesmo que os representativos da igreja delineavam e significavam. E como elas eram externas e, por assim dizer, véus dentro dos quais estava o Senhor, por isso, quando Ele veio esses véus foram tirados, e o Ele Se fez evidente com o céu e com a igreja, nos quais o Senhor é tudo em todas as coisas. Os representativos primários do Senhor e, assim, do céu e da igreja, foram a tenda da assembleia com a mesa, o castiçal, o altar do incenso e a arca ali, como também o altar com os holocaustos e sacrifícios. Mais tarde foi o templo, e pelo templo foi representado o mesmo que pela tenda da assembleia, com a diferença de que a tenda da assembleia era um representativo mais santo do Senhor, do céu e da igreja do que foi representativo do templo.
[34] Por aí se pode ver que, semelhantemente ao santuário na tenda da assembleia, o santuário do templo, onde ficava a arca, representou, o Senhor quanto ao Divino Vero e, assim, o terceiro céu, onde os anjos foram conjuntos ao Senhor pelo amor a Ele e, daí, têm o Divino Vero inscrito em seus corações. O que, porém, significavam os ‘querubins’ no templo, as suas ‘asas’ e os ‘varais’, que são também mencionados, é o que se dirá em poucas palavras. Pelos ‘querubins’ era significada a proteção a fim de que não houvesse acesso ao Senhor senão pelo bem do amor; por isso também eles foram feitos de ‘madeira de oliveira’, madeira pela qual foi significado o bem do amor (vide acima, n. 375); pelas ‘asas dos querubins’ era significado o Divino espiritual, que do Divino celeste, no qual está o terceiro céu, desce ao segundo e é ali recebido; por isso as asas ‘se tocavam no meio da casa’ e ‘dali se estendiam de uma a outra parede’. Pelos ‘varais’, porém, com que se carregava a arca, era significado o Divino poder, por conseguinte, o mesmo que é significado pelos ‘braços’. Por estas explicações e pelas precedentes pode-se ver o que é significado na arca pela ‘arca da aliança’.
[35] Pela ‘arca’, além disso, era significado o representativo da igreja em geral (semelhantemente ao que é significado pelo [sacrifício] ‘contínuo’, que havia de cessar quando o Senhor viesse ao mundo), em Jeremias:
“Dar-vos-ei pastores conforme o Meu coração, para que vos apascente em cognição e em inteligência; então acontecerá que, quando vos tiverdes multiplicado e tiverdes dado fruto na terra, naqueles dias... não dirão mais: A arca da aliança de Jehovah, nem subirá ao coração, nem farão menção dela nem a desejarão, nem será mais recuperada” (Jr. 3:15, 16).
Essas palavras foram ditas a respeito do advento do Senhor e da abolição dos ritos representativos da Igreja Judaica então. Por ‘serem dados pastores conforme o coração do Senhor, os quais os apascentariam em cognição e em inteligência’ é significado que seriam manifestos os interiores da igreja que eram velados pelos ritos representativos, que eram externos e então eles seriam interiores ou espirituais; pelos ‘pastores’ se entendem os que ensinam o bem e a este conduzem por meio dos veros. a multiplicações do vero e a frutificação do bem são significadas por ‘então acontecerá, quando vos tiverdes multiplicado e tiverdes dado fruto na terra naqueles dias’. Que então a conjunção com o Senhor pelos interiores da Palavra e não pelos exteriores, que somente representavam e significam os interiores, é do por ‘Não dirão mais: A arca da aliança de Jehovah’; pela ‘arca da aliança de Jehovah’ são significados os externos do culto que então deviam ser abolidos, do mesmo modo que pelo [sacrifício] ‘contínuo’, que haveria de cessar, em Daniel 8:13; 11:31; 12:11. Que o culto não seria mais externo, mas interno, é significado por ‘Não subirá ao coração, nem farão menção dela, nem a desejarão, nem será mais recuperada’. Por aí também se pode ver que a arca da aliança vista por João no templo de Deus, visão de que agora se trata, foi a aparição do Divino Vero, pelo qual há conjunção do novo céu e da nova igreja com o Senhor, e foi vista para que a Palavra na letra fosse semelhante a si mesma em toda parte, consistindo de coisas tais que foram os externos do culto e representaram os internos, semelhante ao que está acima (cap. 8:3, 4), onde foi visto o ‘altar’ e o ‘altar de incenso’ diante do trono, porque a Palavra na letra consiste de meras correspondências, como as que existiram nas igrejas representativas e daí tomadas para uso na Palavra. Nelas estão contidas coisas interiores do céu e da igreja, quais coisas são espirituais e celestes.
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