AE 701

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. Quanto a arca ser chamada ‘arca da aliança’, também se confirma pela Palavra que ela é referida assim, ‘arca da aliança’, porque nela estava a Lei; e pela ‘Lei’, pela qual se entende a Palavra num sentido amplo, é significado o Senhor quanto ao Divino Vero, que é a Palavra, por conseguinte o Divino Vero, ou a Palavra, que vem do Senhor e no qual o Senhor está, porque todo Divino Vero procede d’Ele. Quando o Divino Vero é recebido pelo homem faz-se a conjunção com o Senhor e é esta conjunção que é significada pela ‘aliança’. Também se dirá em poucas palavras de que maneira se faz a conjunção do Senhor com o homem e do homem com o Senhor. O Senhor influi continuamente em todos os homens com a luz que ilumina e com a afeição de saber e de entender os veros, e também de querê-los e fazê-los. E como essa luz e essa afeição influem continuamente do Senhor, segue-se que quanto mais recebe dessa luz, mais racional se torna, e quanto mais recebe dessa afeição, mais sábio se torna, e é conduzido pelo Senhor. Essa afeição, com a luz, atrai a si os veros que o homem aprendeu desde a infância da Palavra e da doutrina da Palavra, como também da pregação, e os conjunge a si, pois toda afeição quer ser nutrida de cognições que com ela concordam. Por essa conjunção se forma a afeição ou o amor espiritual do homem, pelo qual ele é conjunto ao Senhor, isto é, pelo qual o Senhor conjunge o homem a Si.
[2] Mas, para receber essa luz e essa afeição, também foi dada a homem o livre arbítrio [liberum electionis] que, como procede do Senhor, também é um dom do Senhor no homem e nunca lhe é tirado, porque esse livre é da afeição ou do amor do homem, por conseguinte, também de sua vida. Pelo livre o homem pode pensar e querer o mal e, também, pensar e querer o bem. Por conseguinte, quanto mais por esse livre ele pensa os falsos e quer os males, que são contra os veros e bens da Palavra, mais não é conjunto ao Senhor, e quanto mais pensa os veros e quer os bens, que são da Palavra, mais é conjunto ao Senhor, e o Senhor com que sejam de seu amor e, daí, de sua vida. Por aí se pode ver que essa conjunção é recíproca, a saber, do Senhor com o homem e do homem com o Senhor. É essa conjunção que se entende na Palavra pela ‘aliança’.
[3] Engana-se quem acredita que o homem nada pode fazer para a sua salvação, porque a luz para ver os veros e a afeição para fazê-los, assim como o livre de pensar e de querê-los, são provenientes do Senhor e nada disso provém do homem. Como, todavia, essas coisas aparentam para o homem como se estivessem nele e, como são pensadas e desejadas, como se viessem dele, por causa dessa aparência o homem deve pensar e querer como se fosse de si, mas, no entanto, reconhecer que são provenientes do Senhor, caso contrário nada do vero e do bem, ou da fé e do amor, pode ser apropriado ao homem. Quem encolhe as mãos e espera o influxo, esse nada recebe e não tem conjunção recíproca com o Senhor, por conseguinte, não está na aliança. Que isto seja assim, pode-se ver claramente pelo fato de o Senhor ter dito em mil passagens na Palavra que se deve fazer o bem e não fazer o mal, o que Ele não diria de modo algum se ao homem não fosse concedido fazer algo por si, e o que lhe é concedido parece como se fosse seu, ainda que não o seja. E visto que assim é, por isso o Senhor assim falou em João:
“Estou à porta, e bato; se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei a ele, e cearei com ele, e ele comigo” (Ap. 3:20).
[4] Que a ‘aliança’ signifique a conjunção com o Senhor pela recepção do Divino Vero pelo entendimento e pela vontade, ou pelo coração e pela alma, isto é, pelo amor e pela fé, e que essa conjunção se faça reciprocamente, pode-se ver pela Palavra onde a ‘aliança’ é mencionada. Com efeito, pela Palavra é evidente:
1. Que o Senhor mesmo é chamado ‘Aliança’ porque a conjunção a partir d’Ele com Ele, pelo Divino que procede d’Ele.
2. Que o Divino procedente, que é o Divino Vero, assim, a Palavra, é a aliança, porque ela conjunge.
3. Que os preceitos, juízos e estatutos ordenados aos filhos de Israel foram para eles a aliança, porque por eles houve então a conjunção com o Senhor.
4. Que, além disso, tudo o que conjunge é chamado aliança.
[5] No que concerne ao primeiro ponto, que o Senhor mesmo é chamado ‘Aliança’ porque a conjunção se faz a partir d’Ele, vê-se pelas seguintes passagens. Em Isaías:
“[Eu,] Jehovah, chamei-Te em justiça, e segurarei a Tua mão e Te guardarei, e Te darei por aliança do povo e para luz das nações” (Is. 42:6).
Essas palavras se dizem do Senhor, porque Ele é chamado ‘Aliança dos povos e Luz das nações’, porque ‘aliança’ significa a conjunção e ‘Luz’ o Divino Vero. Pelos ‘povos’ se entendem os que estão nos veros, e pelas ‘nações’ os que estão nos bens (vide acima, n. 175, 331 e 625); ‘chamá-Lo em justiça’ significa para que faça justiça, separando os maus dentre os bons, e salvando a estes, mas condenando aqueles; ‘segurar a mão e guardar’ significa pela onipotência Divina, à qual os infernos não podem resistir; que ‘Jehovah’ faria isso significa que o Divino o faria no Senhor.
[6] No mesmo:
“Dei-Te por aliança do povo, para restaurar a terra, e para herdar as heranças devastadas” (Is. 49:8).
Essas palavras são a respeito do Senhor, e ‘dar por aliança do povo’ significa que com Ele e por Ele haja conjunção; ‘restaurar a terra’ significa a igreja, e ‘herdar as heranças devastadas’ significa restaurar os bens e veros da igreja, que foram destruídos.
[7] Em David:
“Firmei uma aliança com Meu Escolhido, e jurei a David, Meu Servo: Até a eternidade estabelecerei a Tua semente... na eternidade O guardarei por Minha misericórdia, e Minha aliança [com Ele] será estável” (Sl. 89:3, 4, 28);
por ‘David’, aqui, entende-se o Senhor quanto à realeza (vide acima, n. 205); Ele é chamado ‘Escolhido’ por causa do bem, e ‘Servo’ por causa do vero; ‘firmar uma aliança’ e ‘jurar a Ele’ significa a união do Seu Divino com o Seu Humano; ‘firmar aliança’ é ser unido, e ‘jurar’ é confirmar isso; ‘até a eternidade firmarei a Tua semente’ significa a eternidade do Divino Vero vindo d’Ele; ‘na eternidade O guardarei por misericórdia’ significa a eternidade do Divino Bem vindo d’Ele’; ‘Minha aliança será estável’ significa a união do Divino e do Humano n’Ele. Este sentido dessas palavras ocorre quando por ‘David’ se entende o Senhor quanto ao Divino Humano e Sua realeza, de que assim se fala no sentido da letra porque aí se trata de David, com quem não houve aliança eterna alguma.
[8] No Segundo Livro de Samuel:
“Disse o Deus de Israel, a mim falou a Pedra de Israel;... e ele será como a luz matutina, quando nasce o sol, [da manhã] sem nuvens, pelo esplendor após a chuva, a relva [brota] da terra. Não está firme a minha casa com Deus? Porque estabeleceu comigo uma aliança de eternidade, para dispor em todos e guardar” (2 Sm. 23:3-5). (???)
Essas palavras aí foram ditas por David, e por ‘Deus de Israel’ e pela ‘Pedra de Israel’ se entende o Senhor quanto ao Divino Vero. O que significa que ‘Ele será como a luz matutina, quando nasce o sol, da manhã sem nuvens, pelo esplendor após a chuva, a relva [brota] da terra’ vê-se acima (n. 644). Descreve-se o Divino Vero procedente do Senhor, do qual vem toda germinação do vero e toda frutificação do bem. ‘Não está firme a minha casa com Deus?’ significa a igreja conjunta ao Senhor por meio do Divino Vero; a ‘casa de David’ é a igreja; ‘porque estabeleceu comigo uma aliança de eternidade’ significa que da união do Seu Humano com o Divino Ele tem conjunção com os homens da igreja; ‘dispor em todos e guardar’ significa que por essa união Ele governa todas as coisas e todos, e salva os que recebem.
[9] Em Malaquias:
“Sabereis que vos enviei este preceito, para que Minha aliança esteja com Levi;... Minha aliança com ele foi de vida e de paz, a qual lhe dei com temer, para que Me temesse;... a lei da verdade esteve em Sua boca, e perversidade não se achou em Seus lábios. ... Mas vós vos desviastes do caminho, a muitos fizestes tropeçar na lei, corrompestes a aliança de Levi” (Ml. 2:4-6, 8);
pela ‘aliança de Jehovah com Levi’ é significado, no sentido supremo, a união do Divino com o Humano no Senhor, e, no sentido relativo, a conjunção do Senhor com a igreja, pois por ‘Levi’ entende-se o Senhor, assim como por ‘David’, mas por ‘Levi’ quanto ao Divino Bem, que é o sacerdotal do Senhor, e por ‘David’ quanto ao Divino Vero, que é a realeza do Senhor. Que por ‘Levi’ entenda-se o Senhor é evidente pelo fato de se dizer ‘a luz da verdade esteve em Sua boca, e perversidade não se achou em seus lábios’; pela ‘lei da verdade’ é significado o Divino Vero proveniente do Divino Bem, e pelos ‘lábios’ é significada a doutrina do vero e a instrução; e, depois, ‘os lábios do sacerdote observarão o conhecimento, e de Sua boca buscarão a lei, porque Anjo de Jehovah Zebaoth é Ele” (vers. 7); pela ‘aliança de vida e de paz’ são significadas essa união e essa conjunção (de que se tratou acima), pelas quais o Senhor mesmo se tornou vida e paz, pelas quais o homem tem a vida eterna e a paz em relação à infestação dos males e falsos, assim, em relação ao inferno. O que é significado por ‘Seu temor’ vê-se acima (n. 696). Os que vivem contra o Divino Vero se entendem por ‘vós vos desviastes do caminho, a muitos fizestes tropeçar na lei, corrompestes a aliança de Levi’; ‘desviar-se do caminho’ e ‘tropeçar na lei’ significam viver contra o Divino Vero, e ‘corromper a aliança de Levi’ significa a conjunção com o Senhor.
[10] No mesmo:
“Eis que Eu envio o Meu Anjo, que preparará caminho diante de Mim; e de repente virá ao Seu templo o Senhor e o anjo da aliança que vós desejais” (Ml. 3:1).
Vê-se que aí é predito o advento do Senhor. Que Ele seja aí chamado ‘Senhor’ por causa do Divino Bem, e ‘Anjo da aliança’ por causa do Divino Vero vê-se acima (n. 242, 433 e 444), onde também as demais palavras são explicadas. Por aí se pode ver que pela ‘aliança’, quando se trata do Senhor, entende-se ou Ele ou a união do Seu Divino com o Humano n’Ele, e, relativamente aos que estão no céu e na igreja, a conjunção com Ele pelo Divino que procede d’Ele.
[11] Segundo: Que o Divino Vero, que é o Divino Vero, assim, a Palavra, seja a aliança, porque isto conjunge, pode-se ver pelas seguintes passagens. Em Moisés:
Moisés, descendo do Monte Sinai, ‘anunciou ao povo todas as palavras de Jehovah e todos os juízos; e todo o povo respondeu com uma só vós, e disseram: Todas as palavras que Jehovah falou, faremos. E escreveu Moisés todas as palavras de Jehovah’ num livro;... e tomou o livro da aliança e o leu aos ouvidos do povo, e disseram: Tudo o que Jehovah falou, faremos e escutaremos. E tomou Moisés’ metade do sangue dos holocaustos ‘e o espargiu sobre o povo, e disse: Este é o sangue da aliança que Jehovah firmou convosco sobre todas essas palavras. E viram o Deus de Israel, sob cujos pés havia uma espécie obra de pedra de safira” (Êx. 24:3, 4, 7, 8, 10).
Que o Divino Vero, que conosco é a Palavra, seja a aliança, pode-se ver por cauda uma das coisas consideradas no sentido interno ou espiritual, pois Moisés, que disse essas palavras ao povo, representou a Lei, isto é, a Palavra, como se pode ver por algumas passagens onde se mencionam ‘Moisés e os profetas’ e em algumas onde se mencionam ‘Lei e profetas’. Assim, ‘Moisés’ está em lugar da Lei, e a Lei, num sentido amplo, significa a Palavra, que é o Divino Vero. Pode-se ver também pelo fato de que o ‘Monte Sinai’ significa o céu, onde está o Divino Vero; pelo fato de que o ‘Livro da aliança’, que foi lido diante do povo, significa a Palavra; e pelo fato de que o ‘sangue’, cuja metade foi espargida sobre o povo, também significa o Divino Vero, que é a Palavra; e como isto conjunge, por isso é chamado ‘sangue da aliança’. E como toda conjunção por meio do Divino Vero, que é a Palavra, por isso o ‘Deus de Israel’, que é o Senhor, foi visto por Moisés, Aarão e os setenta anciãos. Que [a obra de pedra de safira] tenha sido ‘vista sob os pés’ era porque, quando pelo Senhor se entende a Palavra, por Seus ‘pés’ se entende a Palavra em seus últimos, isto é, no seu sentido da letra, pois os filhos de Israel não puderam vê-Lo interiormente; ‘uma espécie de obra de safira’ significa a transparência dos veros internos, que são o sentido espiritual da Palavra. (Essas coisas, porém, se veem expostas detalhadamente nos Arcanos Celestes, n. 9371-9412).
[12] A qualidade da conjunção que é significada pela ‘aliança’ também pode ser vista pelo que foi citado, ou seja, ela é como costumam ser as alianças no mundo, a saber, de ambas as partes. Semelhantemente, as alianças que o Senhor firma com os homens devem ser da parte do Senhor e da para dos homens. São de ambas as partes por causa da conjunção. As coisas que eram da parte do Senhor foram mencionadas no capítulo precedente, a saber,
Que Ele abençoaria o pão e as águas deles, tiraria as doenças e eles possuiriam a terra de Canaan, desde o mar Suph até o rio Eufrates (Êx. 23:25-31),
e, aí, ‘abençoar o pão e as águas’ significa, no sentido espiritual, a frutificação do bem e a multiplicação do vero; o ‘pão’ significa todo bem do céu e da igreja, e as ‘águas’ significam todos os veros desse bem; ‘tirar as doenças’ significa remover os males e falsos que vêm do inferno, pois estes são as doenças, no sentido espiritual; e ‘possuir a terra, desde o mar Suph até o rio Eufrates’ significa a igreja com toda a sua extensão, que têm, pelo Senhor, aqueles que são conjungidos a Ele por meio do Divino Vero. Já as coisas que devem ser da parte do homem são mencionadas nos três capítulos que precedem e, na passagem citada acima, se entendem em resumo pelas ‘palavras de Jehovah e juízos’ que Moisés, descendo do Monte Sinai, anunciou ao povo, ao que o povo disse numa só voz: ‘Todas as palavras que Jehovah falou, faremos e escutaremos’. Assim foi que Moisés dividiu o sangue do holocausto e a metade disso, que era para o Senhor, deixou em bacias, e a outra metade espargiu sobre o povo.
[13] Que por meio do Divino Vero se faça a conjunção do Senhor com os homens é o que também se entende pelo ‘sangue’ nos Evangelhos:
Jesus, “tomando o copo, [deu-lhes]... dizendo: Bebei dele todos; este é o Meu sangue, da nova aliança” (Mt. 26:27, 28; Mc. 14:23, 24; Lc. 22:20).
O sangue é chamado aqui ‘sangue da nova aliança’ porque ‘sangue’ significa o Divino Vero procedente do Senhor, e ‘aliança’ a conjunção. (Que o ‘sangue’ signifique o Divino Vero procedente do Senhor, recebido pelo homem, vê-se acima, n. 329 e 476); e que ‘beber’ signifique receber, apropriar-se e, assim, ser conjunto, também acima, n. 617).
[14] Semelhantemente, em Zacarias:
“Pelo sangue de tua aliança, farei sair [emitam] os teus presos da cova em que não havia água” (Zc. 9:11).
Essas palavras são a respeito do Senhor, de Quem se trata claramente nesse capítulo, e pelo ‘sangue da aliança’ se entende (como acima), o Divino Vero, pelo qual há conjunção com o Senhor. Quem são os que se entendem pelos ‘presos na cova em que não há água’ vê-se acima (n. 537).
[15] Como o Senhor chamava de ‘sangue da nova aliança’ o Seu sangue, pelo qual se entende o Divino Vero, também se dirá em poucas palavras o que se entende por ‘velha aliança’ e o que se entende por ‘nova aliança’. Por ‘velha aliança’ se entende a conjunção pelo Divino Vero como foi dada aos filhos de Israel; ela era externa e, assim, um representativo do Divino Vero interno. Não houve para eles outro Divino Vero, porque outro não puderam receber, pois foram homens externos e naturais e não internos ou espirituais, como se pode ver pelo de que aqueles que souberam alguma coisa sobre o advento do Senhor não pensaram outra coisa a respeito d’Ele senão que seria um rei que os elevaria sobre todos os povos no universo e, assim, estabeleceria nas terras um reino entre eles, e não nos céus e, daí, nas terras em todos os que creem n’Ele. Por isso, a ‘velha aliança’ foi a conjunção pelo Divino Vero tal qual está contido nos livros de Moisés e que foi chamado ‘preceitos’, ‘juízos’ e estatutos, nos quais, entretanto, se encerrava o Divino Vero interno e espiritual, tal como é no céu. Esse Divino Vero foi aberto pelo Senhor quando esteve no mundo, e como somente por ele há conjunção do Senhor com os homens, por isso é o que se entende pela ‘nova aliança’ e, também, por ‘Seu sangue’, que daí é chamado ‘sangue da nova aliança’. O mesmo se entende também pelo ‘vinho’.
[16] Trata-se dessa nova aliança, que era para começar com o Senhor quando Ele viesse ao mundo, em várias passagens na Palavra da Velha Aliança, como em Jeremias:
“Eis que dias vêm... em que firmarei com a casa de Israel e com a casa de Judah uma aliança nova; não como a aliança que firmei com os vossos pais, que invalidaram a Minha aliança;... mas esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel depois daqueles dias:... porei a Minha lei no meio deles, e no coração deles a escreverei, e lhes serei por Deus, e eles Me serão por povo. Não ensinarão mais, um varão ao seu companheiro, ou um varão ao seu irmão, dizendo: Conhecei a Jehovah, porque todos Me conhecerão, desde o menor deles até o maior deles” (Jr. 31:31-34).
Que Jehovah, isto é, o Senhor, ‘estabeleceria com a casa de Israel e com a casa de Judah uma aliança nova’ não se entende que a estabeleceria com os filhos de Israel e com Judah, mas com todos os estão nos veros da doutrina e no bem do amor ao Senhor pelo Senhor. Que estes se entendam na Palavra pelos ‘filhos de Israel’ e por ‘Judah’ vê-se acima (n. 433). Que pelos ‘dias que vêm’ se entenda o advento do Senhor é evidente. Que a conjunção com o Senhor então seria pelo Divino Vero interno e espiritual é o que se entende por estas palavras: ‘Esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel depois daqueles dias: porei a Minha lei no meio deles, e no coração deles a escreverei’, pelo que é significado que receberiam o Divino Vero interiormente em si, pois o Divino Vero espiritual é recebido interiormente pelo homem, diferentemente dos filhos de Israel e os judeus, que a receberam de fora, porque quando o homem recebe o Divino Vero dentro de si, isto é, quando o torna de seu amor e, daí, de sua vida, então o vero é conhecido pelo vero mesmo, visto que o Senhor, em Seu vero, influi e ensina no homem. Isto é o que se entende por estas palavras: ‘Não ensinaram mais, um varão ao seu companheiro, e um varão ao seu irmão, dizendo: Conhecei a Jehovah, porque todos Me conhecerão, deste o menor até o maior’. A conjunção mesma por esse modo, que é significada pela ‘nova aliança’, entende-se por ‘Serei para eles por Deus, e eles Me serão por povo’.
[17] No mesmo:
“Ser-Me-ão por povo, e Eu lhes serei por Deus, e dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para Me temerem todos os dias;... e farei com eles uma aliança eterna, para que não Me torne atrás de após eles, para que os beneficie, e porei Meu temor no coração deles, para que não se desviem de Mim” (Jr. 32:38-40).
Também essas palavras são a respeito do Senhor e de uma nova aliança com Ele. A conjunção por ela se entende por ‘Ser-lhes-ei por Deus, e eles Me serão por povo’, e é adicionalmente descrita por ‘dar-lhes-á um só coração e um só caminho, para O temerem todos os dias’, para que ‘não Se torne atrás de após eles’ e que ‘dará temor ao coração deles, para que não se desviem d’Ele’. ‘Um só coração’ e por ‘um só caminho para Me temerem’ significa uma só vontade do bem e um só entendimento do vero para adorarem ao Senhor. Como a conjunção é recíproca, do Senhor com eles e deles com o Senhor, é dito que ‘não tornará atrás de após eles, para os beneficiar’ e ‘não se desviarão d’Ele’. Daí é evidente o que é significado pela ‘aliança eterna’ que estabelecerá com eles, a saber, a conjunção por meio do Divino Vero espiritual, que, sendo recebido, faz a vida do homem, donde vem a conjunção eterna.
[18] Em Ezequiel:
“Suscitarei sobre um Pastor que os apascentará, o Meu servo David; ... Eu, Jehovah, lhes serei por Deus, e o Meu servo, David, príncipe no meio deles; ... então formarei com eles uma aliança de paz, farei cessar a fera má, para que habitem no deserto confiantemente, e durmam nas florestas” (Ez. 34:23-25).
Essas, também, são a respeito do Senhor, e por ‘David’, que os apascentará e que será Príncipe no meio deles, entende-se o Senhor quanto ao Divino Vero, que é chamado ‘servo’ por servir. A conjunção com o Senhor por meio do Divino Vero se entende pela ‘aliança’ que formará com eles; ela é chamada ‘aliança de paz’ pelo fato de o homem, pela conjunção com o Senhor, ter paz da infestação do mal e do falso do inferno. Por isso se diz também: ‘farei cessar a fera má, para que habitem confiantemente no deserto e durmam nas florestas’; pela ‘fera má’ se entende o falso e o mal do inferno, e por ‘habitar confiantemente no deserto e dormir nas florestas’ é significado que então serão protegidos em toda parte de toda infestação deles.
[19] No mesmo:
“Meu servo David será rei sobre eles, para que haja um só Pastor para todos eles;... e firmarei com eles uma aliança de paz, uma aliança de eternidade haverá com eles, e os darei, e os multiplicarei; e porei o Meu santuário no meio deles na eternidade, e Meu habitáculo com eles, e lhes serei por Deus, e eles Me serão por povo” (Ez. 37:24, 26, 27).
Também aqui, por ‘David’ se entende o Senhor, pois é evidente que David não há de vir e ser rei e pastor deles. Mas o Senhor é chamado ‘Rei’ por causa do Divino Vero, pois este é a realiza do Senhor, e o Divino Vero é o Seu sacerdotal. O Senhor é chamado ‘Pastor’ porque os apascenta com o Divino Vero e por este conduz ao bem do amor e, daí, a Si. E visto que daí há conjunção, se diz: ‘Firmarei com eles uma aliança de paz, uma aliança de eternidade’. O que significa a ‘aliança de paz’ foi dito logo acima, e também que a conjunção se entende por ‘ser-lhes-ei por Deus, e eles Me serão por povo’. Pelo ‘santuário’ que porá no meio deles é significado que porá o céu e a igreja, que se chamam ‘santuário’ por causa do bem do amor, e ‘habitáculo’ por causa dos veros desse bem, pois o Senhor habita nos veros do bem.
[20] Em Oséias:
“Firmarei por eles naquele dia uma aliança com a fera do campo, com a ave dos céus e com o réptil da terra; e quebrarei da terra o arco, e a espada e a guerra, e os farei deitar em segurança, e esponsar-te-ei comigo na eternidade” (Os. 2:18-19).
Essas palavras são a respeito da instauração de uma nova igreja pelo Senhor. É evidente que o Senhor não faria então aliança com a fera do campo, com a ave dos céus e com o réptil da terra, porque por esses são significadas coisas tais que estão no homem; pela ‘fera do campo’, a afeição do vero e do bem; pela ‘ave dos céus’, o pensamento espiritual; e pelo ‘réptil da terra’ o conhecimento do homem natural; (o que é significado pelas demais coisas vê-se acima, n. 650). Daí é evidente que a ‘aliança’ que o Senhor firmará é uma aliança espiritual, ou uma aliança pelo vero espiritual e não uma aliança pelo vero natural, pelo qual foi feito o pacto com os filhos de Israel. Este pacto é, pois, a ‘velha aliança’, e aquele, a ‘nova aliança’.
[21] Visto que pela ‘Lei’ que foi promulgada pelo Senhor desde o Monte Sinai é significada, num sentido amplo, a Palavra, por isso também as tábuas em que a Lei foi escrita são chamadas ‘tábuas da aliança’, em Moisés:
“Subi ao monte para receber as tábuas de pedra, as tábuas da aliança, que Jehovah talhou para vós;... ao fim de quarenta dias e quarenta noites Jehovah me deu as duas tábuas de pedra, as tábuas da aliança” (Dt. 9:9, 11);
por essas ‘tábuas’, isto é, pela ‘Lei’ nelas escritas, entende-se o Divino Vero, pelo qual há conjunção com o Senhor; por essa conjunção elas são chamadas ‘tábuas da aliança’. e como toda conjunção, assim como toda aliança, se faz de uma e de outra parte, assim, ambas mutuamente, por isso essas tábuas foram duas, e de pedra. Que tenha sido feitas de pedra era porque a ‘pedra’ também significa o Divino Vero nos últimos (vê-se nos Arcanos Celestes, n. 643, 3720, 6426, 8607 e 10376). Daí é que a arca, na qual essas duas tábuas de pedra foram depositadas, foi chamada ‘arca da aliança’, e ela foi a coisa mais santa do culto com os filhos de Israel, a cujo respeito se viu no artigo precedente.
[22] Terceiro: Que os preceitos, juízos e estatutos ordenados aos filhos de Israel tenham sido para eles a aliança, porque por estes houve então conjunção com o Senhor, pode-se ver pelas seguintes passagens. Em Moisés:
“Se nos Meus estatutos andardes, e os Meus preceitos observardes e os cumprirdes... olharei para vós... e vos frutificarei e vos multiplicarei, e confirmarei a Minha aliança convosco. ... Mas se rejeitardes os Meus estatutos, para que não façais todos os preceitos, quando fizerdes inválida a Minha aliança” farei o contrário a vós (Lv. 26:3, 9, 15 e seq.).
No capítulo precedente foram expostos os estatutos e preceitos que eram para ser observados e cumpridos, e nesse capítulo são expostos os bens que teriam se guardasses esses preceitos e estatutos e, em seguida, os males que viriam sobre eles se os não guardassem. Mas os bens que teriam eram bens terrestres e mundanos, semelhantemente aos males, pelo fato de eles terem sido homens terrestres e naturais e não celestes e espirituais e, assim, não sabiam coisa alguma dos bens que afetam interiormente o homem, tampouco dos males que interiormente o afligem. Não obstante, as coisas externas que deviam observar eram tais que continham em si, interiormente, as coisas celestes e espirituais pelas quais há a conjunção mesma com o Senhor. E como essas coisas eram percebidas no céu, por isso as coisas externas, que os filhos de Israel deveriam observar, são chamadas ‘aliança’. (Mas, a respeito da qualidade da conjunção do Senhor com os filhos de Israel por meio delas vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 248).
[23] Coisas semelhantes se entendem por ‘aliança’ nas seguintes passagens. Em Moisés:
“Disse Jehovah a Moisés: Escreve para ti estas palavras, porque sobre a boca destas palavras estabeleci aliança contigo e com Israel” (Êx. 34:27);
no mesmo:
“Guardai as palavras desta aliança, e cumpri-as... vós que estais aqui hoje... vossa cabeça, vossa tribo... vossos oficiais e todo varão de Israel, para entrardes em aliança com (???) Jehovah... e em Seu juramento, que Jehovah Deus estabelece hoje contigo, para que te constitua hoje... por povo, e Ele te seja por Deus;... não somente convosco estabeleço esta aliança e [este] juramento... mas também todos os ... que não estão aqui hoje convosco” (Dt. 29:9, 10, 12-15);
no Segundo Livro dos Reis:
O rei Josias “enviou, e congregaram-se a ele todos os anciãos de Judah e de Jerusalém. E subiu o rei à casa de Jehovah, e todo varão de Judah, e todos os habitantes de Jerusalém com ele, também os sacerdotes e profetas, e todo o povo, desde o pequeno até o grande. E leu aos seus ouvidos todas as palavras do livro da aliança achado na casa de Jehovah; e o rei erigiu uma coluna, e firmou aliança diante de Jehovah, para andarem após Jehovah, e para guardarem os Seus preceitos e Seus testemunhos, e Seus estatutos, de todo coração e de toda alma, para firmarem todas as palavras desta aliança escritas nesse livro. E todo o povo afirmou a aliança” (???) (2 Re. 23:1-3);
e outras passagens (como (Jr. 22:8, 9; 33:20-22; 50:5; Ez. 16:8; Ml. 2:14; Sl. 78:37; 50:5, 16; 103:17, 18; 105:8, 9; 106:45; 111:5, 9; Dt. 17:2; 1 Re. 19:14). Nessas passagens se faz menção da ‘aliança’ e por ela são significadas as coisas externas que os filhos de Israel deveriam observar.
[24] No que concerne, porém, à aliança que o Senhor firmou com Abrahão, Isaque e Jacob, ela não foi como a aliança que firmou com os descendentes de Jacob, mas uma aliança da parte do Senhor que a semente deles seria multiplicada e lhes seria dada a terra de Canaan, e, da parte de Abrahão, Isaque e Jacob, que todo macho fosse circuncidado. Que a aliança com os descendentes de Jacob tenha sido outra se vê em Moisés:
“Jehovah Deus... estabeleceu conosco uma aliança em Horebe; não foi com nossos pais que Jehovah estabeleceu essa aliança, mas conosco” (Dt. 5:2, 3).
A respeito dessa aliança assim se lê em Moisés:
“Jehovah levou” Abrahão “para fora e disse: Olha para o céu, e conta as estrelas;... e lhe disse: Assim será a tua semente. E disse a ele: Toma para ti... uma novilha de três anos e uma rolinha; ... e a partiu no meio, e pôs cada parte sua de encontro a outra, e a ave não partiu. ... E o sol se pôs, e fez-se escuridão, e eis que um forno de fumaça e um facho de fogo passaram entre as partes. Naquele dia Jehovah firmou uma aliança com Abrahão, dizendo: À tua semente darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio Eufrates” (Gn. 15:5-18).
E, depois,
“Porei minha aliança entre Mim e ti, e te multiplicarei muito muito; ... Eis que Eu [faço] Minha aliança contigo, e serás por pai de uma multidão de nações;... e frutificar-te-ei;... e darei, a ti e à tua semente após ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaan, por possessão eterna. ... Esta é a Minha aliança que guardarás entre Mim e vós, e a tua semente após ti: todo macho será circuncidado para vós;... quem não for circuncidado na carne do prepúcio, essa alma será cortada de seus povos; tornou inválida a Minha aliança; ...e Minha aliança firmarei com Isaque, que Sarah parirá para ti” (Gn. 17:1-21).
Por aí se pode ver a qualidade da aliança iniciada com Abrahão, a saber, que ‘sua semente seria muito multiplicada’ e que ‘lhe daria a terra de Canaan em possessão’. Os preceitos, juízos e estatutos mesmos, pelos quais se faz a aliança, não são mencionados, mas são, todavia, significados pela ‘novilha’, pela ‘cabra’ e pelo ‘carneiro de três anos’, e pela ‘pomba’ e pela ‘rolinha das pombas’, pois por estes são significadas coisas tais que pertencem à igreja. E uma vez que o Senhor previu que a descendência e Abrahão por Jacob não guardaria a aliança, por isso apareceu a Abrahão ‘um forno de fumaça’ e ‘um facho de fogo passando entre as partes’; pelo ‘forno de fumaça’ é significado o denso falso, e pelo ‘facho de fogo’ o medonho mal, nos quais estariam os descendentes de Jacob. Isto também é confirmado em Jeremias (33:18-20). O fato de ‘Abrahão partir a novilha, a cabra e o carneiro e por cada parte de encontro a outra’ era segundo o ritual das alianças, as quais se fazem entre dois. (Mas essas coisas se veem plenamente explicadas nos Arcanos Celestes, n. 1783 a 1862).
[25] Que a aliança tenha sido feita por meio da circuncisão era porque a circuncisão representava a purificação dos amores de si e do mundo, que são os amores corpóreos e terrestres, e a remoção deles. Por isso, também, a circuncisão era feita com uma faca de pedra, pelo que era significado o vero da doutrina, pelo qual se faz toda purificação dos males e falsos e a remoção deles. (Mas cada uma das coisas que são descritas nesse capítulo a respeito da aliança foram também explicadas nos Arcanos Celestes, do n. 1987 ao 2095; e, sobre a circuncisão, no n. 2039, ao fim, n. 2046 ao fim, e n. 2632, 2799, 4462, 7044, 8093 ali). Como, todavia, por ‘Abrahão’, ‘Isaque’ e ‘Jacob’ se entende no sentido interno o Senhor, daí, pela ‘semente’ deles são significados todos os são da igreja do Senhor, igreja essa que se entende pela ‘terra de Canaan’ que a semente deles haveria de herdar.
[26] Houve também a aliança feita com Noah,
Que os homens não mais pereceriam pelas águas do dilúvio, e um arco na nuvem seria em sinal dessa aliança (Gn. 6:17, 18; 9:9-17).
Que também essa aliança envolva a conjunção do Senhor por meio do Divino Vero pode-se ver pela explicação dela nos Arcanos Celestes (n. 659-675 e 1022-1059); que o ‘arco na nuvem’ ou arco-íris, signifique aí a regeneração, que se faz por meio do Divino Vero e por uma vida segundo este, e que seja por isso que esse arco foi tomado por sinal da aliança, vê-se também ali (n. 1042).
[27] Quarto, que, por causa disso, tudo o que conjunge é chamado aliança, como o sabbath, em Moisés:
“Os filhos de Israel guardarão o sabbath... em suas gerações, a aliança do século” (Êx. 31:16).
Que o ‘sabbath’ tenha sido chamada ‘aliança do século’ era porque o sabbath, no sentido supremo, significou a união do Divino com o Humano no Senhor; num sentido relativo, a conjunção do Senhor com o céu e a igreja; e, num sentido universal, a conjunção do bem e do vero, conjunção essa que se chama casamento celeste. Daí o ‘repouso no dia do sabbath’ significou o estado dessa união e dessa conjunção, porque por este há paz e descanso para o Senhor e, também por este, paz e salvação nos céus e nas terras. (Que essas coisas sejam significadas pelo ‘sabbath’ e pelo ‘repouso’ vê-se nos Arcanos Celestes, n. 8494, 8495, 8510, 10356, 10360, 10367, 10370, 10374, 10668 e 10730).
[27] Quarto, que, por causa disso, tudo o que conjunge é chamado aliança, como o sabbath, em Moisés:
“Os filhos de Israel guardarão o sabbath... em suas gerações, a aliança do século” (Êx. 31:16).
Que o ‘sabbath’ tenha sido chamada ‘aliança do século’ era porque o sabbath, no sentido supremo, significou a união do Divino com o Humano no Senhor; num sentido relativo, a conjunção do Senhor com o céu e a igreja; e, num sentido universal, a conjunção do bem e do vero, conjunção essa que se chama casamento celeste. Daí o ‘repouso no dia do sabbath’ significou o estado dessa união e dessa conjunção, porque por este há paz e descanso para o Senhor e, também por este, paz e salvação nos céus e nas terras. (Que essas coisas sejam significadas pelo ‘sabbath’ e pelo ‘repouso’ vê-se nos Arcanos Celestes, n. 8494, 8495, 8510, 10356, 10360, 10367, 10370, 10374, 10668 e 10730).
[28] Também em Moisés se vê que o sal nos sacrifícios é chamado ‘sal da aliança’:
“Não farás cessar o sal da aliança do teu Deus sobre a tua oferta; sobre toda tua oferta oferecerás o sal” (Lv. 2:13).
Que o sal sobre a oferta tenha sido chamado ‘sal da aliança’ era porque o sal significa o desejo do vero pelo bem, pelo que há a conjunção de ambos (a respeito dessa significação do sal vê-se nos Arcanos Celestes, n. 9207).
[29] Em Malaquias se vê que a esposa é chamada ‘esposa da aliança’:
“Jehovah testemunhou entre ti e a esposa de tua juventude, contra a qual tu agiste perfidamente, quando ela é tua companheira e esposa de tua aliança” (Ml. 2:14).
A esposa é aí chamada de ‘esposa da aliança’ por causa da conjunção com seu varão, mas pela ‘esposa’ aí é significada a igreja, e pela ‘esposa da juventude’ a Igreja Antiga, contra a qual se diz que a Igreja Judaica agiu perfidamente. E visto que ambas eram representativas e, nisto, semelhantes, e assim foram conjuntas, por isso se diz: ‘quando ela é tua companheira e esposa de tua aliança’.
[30] Em Jó se lê a respeito da ‘aliança com as pedras do campo’:
“A fera do campo não temerás, pois com as pedras do campo é a tua aliança, e a fera do campo te será pacífica” (Jó 5:22, 23);
pela ‘aliança com as pedras do campo’ é significada a conjunção com os veros da igreja, pois as ‘pedras’ significam os veros, o ‘campo’ a igreja e a ‘aliança’ a conjunção. Pela ‘fera do campo’ é significado o amor do falso, a fera que ‘não temerás’ e que ‘te será pacífica’ quando houver a conjunção pelos veros com a igreja.
[31] Também se fala da ‘aliança com as feras e com as aves’ em Oséias:
“Farei por eles naquele dia uma aliança com a fera do campo, com a ave dos céus e com o réptil da terra” (Os. 2:18);
e em Moisés:
“Disse Deus a Noah: ... Eis que firmo Minha aliança convosco... e com toda alma viva que está convosco, desde a ave até a besta e toda ferra da terra convosco, de todos os que saírem da arca, quanto a toda fera da terra” (Gn. 9:9, 10);
pela ‘aliança com a besta, a fera, a ave e o réptil da terra’ é significada a conjunção com as coisas tais que no homem são significadas por estes, pois pela ‘besta’ é significada a afeição do bem, pela ‘fera’ a afeição do vero, pela ‘ave’ o cogitativo e pelo ‘réptil da terra’ o conhecimento, que vive por essas afeições.
[32] Também se fala de uma ‘aliança com a morte’, em Isaías:
“Disseste: Firmamos aliança com a morte, e com o inferno fizemos visão;... será abolida vossa aliança com a morte, e vossa visão com o inferno não subsistirá” (Is. 28:15, 18);
‘firmar aliança com a morte’ significa a conjunção por meio do falso oriundo do inferno, pelo que o homem morre espiritualmente; ‘fazer visão com o inferno’ significa a adivinhação como que profética do inferno. Pelas passagens agora citadas em série pode-se ver que pela ‘aliança’, onde se trata do Senhor, é significada a conjunção por meio do Divino Vero. Existe, de fato, a conjunção com Ele por meio do bem do amor, mas como o Senhor influi no homem pelo bem nos veros, donde o homem tem a afeição do vero, e o homem recebe o bem do Senhor nos veros, pelos quais ele tem reconhecimento, confissão e adoração do Senhor, por isso o bem do amor conjunge por meio do vero, comparativamente como o sol da estação da primavera e do verão com as frutificações da terra.

[VERSAO IMPRESSA]

Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.