AE 724

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. [Vers. 5] “E pariu um filho macho”. Que isto signifique a doutrina do vero que será para a Nova Igreja, que se chama Nova Jerusalém, vê-se pela significação de ‘filho’, que é o vero, e de ‘filho macho’, que é o vero genuíno da igreja, assim também a sua doutrina, pois o vero da igreja proveniente da Palavra é a sua doutrina, porque este contem os veros que são para a igreja. Mas a genuína doutrina da igreja é a doutrina do bem, assim, a doutrina de vida, que é do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo. É, contudo, a doutrina do vero, pois a doutrina ensina a vida, o amor e a caridade, e, visto que ensina, é o vero. Porque, quando o homem sabe e entende o que é o bem, o que é a vida, o que é o amor e o que é caridade, então sabe e entende essas coisas como veros, pois sabe e entende qual é o bem, de que modo se deve viver, o que é o amor e a caridade e qual é o homem que tem a vida do amor e da caridade. E enquanto essas coisas pertencem ao conhecimento e ao entendimento não são outra coisa senão veros e, assim, doutrinas. Mas tão logo elas passam do entendimento para a vontade e, daí, ao ato, não são mais veros, mas bens, porque o homem interiormente não quer outra coisa senão aquilo que ama, e o que ele ama é para é o bem. Por aí se pode ver que toda doutrina é a doutrina do vero, e que o vero da doutrina se torna bem e se torna do amor e da caridade quando da doutrina passa para a vida. Essa doutrina, que aqui é significada pelo ‘filho macho’, é principalmente a doutrina do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo, assim, a doutrina do bem da vida, que, não obstante, é a doutrina do vero.
[2] Que a doutrina do bem do amor e, daí, da vida, seja significada aqui pelo ‘filho macho’ pode-se ver pelo fato de que a ‘mulher’ que pariu o filho foi vista ‘envolta pelo sol, e sobre a sua cabeça havia uma coroa de doze estrelas’, e pelo ‘sol’ é significado o amor ao Senhor, e pela ‘coroa de doze estrelas’ são significadas as cognições do bem e do vero. E de tal mulher e mãe não gerada outra coisa senão o que é do amor e do bem, assim, a doutrina a respeito destes. Isto é, pois, o ‘filho macho’.
[3] Que essa doutrina seja para a Nova Igreja que se chama Nova Jerusalém é porque essa ‘mulher’, de que se trata neste capítulo, é a que se chama ‘noiva, esposa do Cordeiro, que era
“A cidade santa, Jerusalém, descendo de Deus pelo céu” (ap. 21:9, 10);
daí é que ela foi vista ‘envolta pelo sol’, pois pelo sol entende-Se o Senhor quanto ao Divino Amor (vide acima, n. 401, 525, 527 e 708). Que o ‘filho macho’ signifique a doutrina da igreja é também porque ‘filho’, na Palavra, significa o vero, e a doutrina da igreja é o vero em todo o conjunto. Que ‘filho’ na Palavra signifique o vero pode-se ver pelas coisas que foram ditas anteriormente a respeito da ‘mulher’, do ‘útero’ e de ‘parir’, a saber, que a ‘mulher’ significa a igreja, o ‘útero’ o íntimo do amor e a recepção do vero do bem, e ‘parar’ a produção e a frutificação deles; (a respeito da ‘mulher’, vide acima, n. 707, do ‘útero’, n. 710, e de ‘parir’, n. 721). Daí se segue que por ‘filhos’ e ‘filhas’, por serem o parto, são significados os veros e bens da igreja; pelos ‘filhos os veros, e pelas ‘filhas’ os seus bens. Em suma por todos os nomes que pertencem ao casamento e, daí, à procriação na terra, são significadas coisas tais pertencem ao casamento do bem e do vero. Assim, ‘pai’, ‘mãe’, ‘filhos’, ‘filhas’, ‘genros’, ‘noras’, ‘netos’ e muitos outros significam os bens e veros que procriam e os bens e veros que são procriados, e, além disso, os bens e veros derivados em ordem.
[4] Cumpre saber, porém, que os bens e veros que procriam estão no homem espiritual, e os bens e veros que são procriados, no homem natural; e que os que estão no homem espiritual são como o pai e a mãe, e os que estão no homem natural, porque vêm daí, são como irmãos e irmãs; e que, em razão disso, os veros e bens que são novamente procriados são como filhos casados na afinidade, e pelas filhas casadas, também na mesma afinidade, estão no homem natural, após eles serem elevados, como pais, ao espiritual. Com efeito, aí se faz toda concepção e todo o processo do parto ou gestação no útero, mas o parto mesmo se faz no homem natural. Assim, o homem espiritual, pela elevação dos veros e dos bens que, como pais, procriarão novamente, é enriquecido continuamente pela elevação ali do homem natural, onde todas as coisas são consociadas como sociedades do céu, segundo as afeições do vero e do bem e as proximidades e afinidades delas. Daí é evidente que essas procriações espiritual, tal como as procriações naturais pelo pai e a mãe, são multiplicadas como famílias e casas nas terras, e como as árvores são frutificadas pelas sementes, donde vêm os jardins, que são chamados paraísos no homem espiritual, mas bosques e florestas no natural, e selvas sombrosas no sensual.
[5] Como, porém, em muitas passagens na Palavra se dizem ‘filhos’ e ainda não se sabe que por eles são significados os veros da igreja e da doutrina, vou citar daí as seguintes passagens dentre muitas, para fins de confirmação. Nos Evangelhos:
Jesus disse: “Quem deixar casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, esposa, filhos [líberos], campos por causa do Meu nome, receberá centuplicado e obterá em herança da vida eterna” (Mt. 19:29; Mc. 10:29, 30);
“Todo aquele que vem a Mim e não odeia seu pai, mãe, esposa, filhos, irmãos e irmãs, até mesmo a sua alma, não é Meu discípulo’ (Lc. 14:26).
Quem não pode ver que aqui não se entendem pai, mãe, esposa, filhos, irmãos e irmãs, nem casa e campo, mas as coisas tais que são do homem mesmo e são chamadas seu proprium? Pois estas o homem deve deixar e ter ódio a eles, se quiser adorar ao Senhor e ‘ser Seu discípulo’, e ‘receber centuplicado’ e ‘obter em herança a vida eterna’. AS coisas do proprium do homem são as do seu amor e, daí, da sua vida em que nasceu, por conseguinte, são males e falsos de todo gênero. E como estes são do seu amor e de sua vida, por isso se diz que até ‘à sua alma se deve ter ódio’. Esses males e falsos são significados por ‘pai e mãe, esposa, filhos, irmãos e irmãs’, pois todas as coisas que são do amor e da vida do homem, ou que são da afeição e do pensamento daí, ou que são da vontade e, daí, de seu entendimento, são formadas e conjuntas como se fossem gerações descendentes de um único pai e uma única mãe, e são também distintas em famílias e casas. O amor de si e, daí, o amor do mundo são o ‘pai’ e a ‘mãe’ delas, e as cobiças oriundas daí, e os males e falsos destas, são os ‘filhos’, que são ‘filhos e filhas’. Que se entendam estas coisas é o que se claramente pelo fato de que o Senhor não quer que alguém tenha ódio ao pai e à mãe, nem à esposa, nem aos filhos, nem aos irmãos e irmãs, porque isto seria contra o amor espiritual insinuado do céu em cada um, que é o amor dos pais para com os filhos e dos filhos para com os pais, e também contra o amor conjugal, que é do marido para com a esposa e da esposa para com o marido, e contra o amor mútuo, que é dos irmãos e das irmãs entre si. De fato, o Senhor ensina que nem aos inimigos se deve ter ódio, mas que devem ser amados. Por aí é evidente que pelos nomes dos consanguíneos, dos afins e dos próximos na Palavra se entendam as consanguinidades, afinidades e proximidades no sentido espiritual.
[6] No mesmo:
Jesus disse aos discípulos: “Um irmão entregará à morte o irmão, o pai ao filho, e os filhos se insurgirão contra os pais e os darão à morte” (Mt. 10:212; Mc. 13:12);
“O pai estará dividido contra o filho, e os filhos contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, o sogro contra a nora e a nora contra o sogro” (Lc. 12:53).
Que tampouco essas palavras devam ser entendidas segundo a letra vê-se pelas palavras precedentes aí, onde Jesus diz que ‘não veio para dar paz à terra, mas a divisão’, e que ‘haverá cinco numa casa, divididos três contra dois e dois contra três’, pelas quais é significado que os falsos e males hão de lutar contra os veros e bens, e vice-versa, o que acontece quando o homem entra em tentações e é reformado; essa luta é significada por ‘divisão’ e ‘insurreição’. ‘O pai estará dividido contra o filho e o filho contra o pai’ significa que o mal lutará contra o vero e o vero contra o mal; aí, ‘pai’ é o mal que é o proprium do homem, e ‘filho’ é o vero que o homem tem do Senhor. Que a cobiça do falso lutará contra a afeição do vero e a afeição do vero contra a cobiça do falso é significado por ‘a mãe ser dividida contra a filha e a filha contra a mãe’; ‘mãe’, aí, é a cobiça do falso, e ‘filha’ é a afeição do vero. E assim por diante. Que isto seja assim, também se pode ver pelo fato de o Senhor ter dito em outra passagem (como em João 14:27; 16:33) que n’Ele teriam paz, portanto, não a divisão.
[7] Em Lucas:
O anjo disse a Zacarias a respeito de João: “Irá adiante” do Senhor “no espírito e na virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos” (Lc. 1:17);
e, em Malaquias,
“Enviar-vos-ei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia de Jehovah, para converter o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos seus pais, para que Eu não venha e fira a terra com anátema” (Ml. 4:5, 6).
Que João Batista tenha sido enviado antes para preparar o povo para a recepção do Senhor era para que o fizesse pelo batismo, pois o batismo representava e significava a purificação dos males e falsos e, também, a regeneração pelo Senhor através da Palavra. Se essa representação não precedesse o Senhor não poderia Se manifestar, ensinar e habitar na Judeia e em Jerusalém, porque o Senhor foi o Deus do céu e o Deus da terra sob forma Humana, que não poderia estar junta a uma nação que estava em meros falsos quanto à doutrina e em meros males quanto à vida. Por isso, se essa nação não fosse preparada para a recepção do Senhor pelo representativo da purificação dos falsos e males por meio do batismo, ela pereceria por todo gênero de doenças à presença do Divino mesmo. É isto, pois, que é significado por ‘para que Eu não venha e fira a terra com anátema’. Que isto seja assim é o que se sabe muito bem no mundo espiritual, pois, ali, os que estão nos falsos e males são medonhamente atormentados à presença do Senhor e morrem espiritualmente.
[8] Que o batismo de João pudesse produzir esse efeito era porque a Igreja Judaica foi uma igreja representativa, e toda conjunção do céu com eles foi por meio de representativos, como também se pode ver pelas abluções que lhes foram ordenadas, que todos os que se tornassem imundos se lavassem, a si e as vestes e, assim, seriam considerados limpos. Semelhantemente, que os sacerdotes e os levitas se lavassem antes de entrarem na Tenda da assembleia e, depois, no templo, e desempenhassem os ofícios santos. Semelhantemente, que Naaman foi purificado da lepra pela lavação no Jordão. A lavação mesma e o batismo não os purificavam realmente dos falsos e males, mas somente representava e, daí, significava a purificação deles, o que, todavia, era aceito no céu como se eles tivessem sido purificados. Assim o céu foi conjunto ao povo daquela igreja pelos batismos de João, e quando o céu foi assim conjunto, o Senhor, que era o Deus do céu, pôde ali Se manifestar, ensinar e habitar. Que Jerusalém e toda a Judeia, e toda circunvizinhança do Jordão tenham saído a João e tenham sido batizados por ele no Jordão, confessando os seus pecados, pode-se ver em Mateus (3:5, 6); e que ele lhes tenha dito:
“Raça de víboras, quem vos ensinou [monstravit] fugir da ira futura?” (Lc. 3:7).
Que a conjunção do céu com os judeus e os israelitas tenha sido por meio de representativos vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 148. Esta foi, portanto, a razão pela qual João foi enviado antes a fim de preparar caminho ao Senhor e preparar o povo para Ele. Por estas explicações pode-se concluir o que é significado por ‘converter o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais’, a saber, é induzir a representação da conjunção dos bens espirituais com os veros e vice-versa, portanto, da regeneração pelo Senhor por meio da Palavra, pois a regeneração é conjunção deles, e o Senhor é Quem regenera e a Palavra é que ensina.
[9] Que a respeito desse João seja dito que ‘iria adiante do Senhor no espírito e na virtude de Elias’ e que ‘era Elias’ foi porque esse João, assim como Elias, representava o Senhor quanto à Palavra e, daí, significava a Palavra que vem do Senhor. E como na Palavra há a Divina sabedoria e o Divino poder, é ela que se entende por ‘espírito e virtude de Elias’. (A respeito da Palavra, que ela seja tal, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 303-310, e no opúsculo O Cavalo Branco).
[10] Que os ‘filhos’ signifiquem os veros da Palavra pode-se ver também pelas passagens que se seguem. Em David:
“Eis, herança de Jehovah são os filhos, a recompensa é o fruto do ventre; como flechas na mão do poderoso, assim são os filhos da juventude; bem-aventurado o varão que enche deles a aljava; não serão envergonhados quando falarem com os adversários na porta” (Sl. 127:3, 5);
pelos ‘filhos’, que são herança de Jehovah, e pelo ‘fruto do ventre’, que é a recompensa, entendem-se os veros e bens da igreja; pelos ‘filhos’ os veros e pelo’ fruto do ventre’ os bens, pois esta e aquela são a recompensa e a herança de Jehovah, isto é, o céu, que vem dos veros e bens, a saber, da recepção deles. Pelos ‘filhos da juventude’, que são como telas na mão do poderoso’, são significados os veros da Igreja antiga, que eram veros naturais oriundos do espiritual; essa igreja se entende pela ‘juventude’. E visto que esses veros têm todo poder contra os falsos e males, por isso se diz: ‘como flechas na mão do poderoso’; ‘flechas’ significam os veros que destroem os falsos. A doutrina vinda dos veros é significada pela ‘aljava’, porque o é pelo ‘arco’. E como os que estão na doutrina dos veros nada temem dos falsos, é dito: ‘bem-aventurado o varão que enche deles a aljava; não serão envergonhados quando falarem com os adversários na porta’; ‘não ser envergonhado’ é não ser vencido, e ‘adversários na porta’ são os falsos do mal que vêm do inferno.
[11] No mesmo:
“Livra-me da mão dos filhos da estrangeira, cuja boca fala vaidade e a direita deles é uma direita de mentira; pois nossos filhos são como grandes plantas feitas na juventude deles, nossas filhas como ângulos cortados em figuras de palácios” (Sl. 144:11, 12).
É evidente que pelos ‘filhos da estrangeiras’ aqui entendem-se os falsos, pois se diz: ‘cuja boca fala vaidade, e a destra deles é uma destra de mentiras’. E também é evidente que por ‘nossos filhos’ são significados os veros, pois se diz: ‘como plantas feitas na juventude’, pois ‘plantas’ são também os veros, e ‘juventude’ é, aqui como acima, a Igreja Antiga, que teve os veros genuínos. Por ‘nossas filhas’ são significadas as afeições do vero, que por isso são comparadas a ‘ângulos cortados em figura de palácios’, porque o ‘palácio’ é um representativo do entendimento, no qual as verdades estão numa forma bela, e estão numa forma bela quando provêm da afeição do vero.
[12] Em Miquéias:
“Faze-te calva, e tosquia-te, por causa dos filhos de tuas delícias; alarga a tua calvície como águia, porque eles se foram de ti” (Mq. 1:16).
O lamento por causa dos veros da igreja destruídos é descrito por ‘fazer-se calva’ e ‘alargar’ e ‘tosquiar-se’, porque os ‘cabelos’ [crinis] significam os veros nos últimos, e os que estão sem os veros nos últimos também estão sem os veros internos. Daí é que no mundo espiritual aparecem calvos aqueles que não estão em quaisquer veros do bem. Que os veros tenham sido destruídos é significado pelo fato de ‘os filhos das delícias se foram de ti’; são chamados ‘filhos das delícias’ por causa do amor deles e os prazeres daí.
[13] Em Zacarias:
Vi duas oliveiras ‘junto à direita do castiçal e junto à esquerda; ... e disse: Estas são os dois filhos da oliveira que assistem junto ao Senhor de toda a terra” (Zc. 4:11, 14);
pelas ‘duas oliveiras’ são significadas duas igrejas, a igreja celeste e a igreja espiritual, aquela a que está ‘à direita do castiçal’ e esta a que está ‘à esquerda’; pelos ‘filhos da oliveira’ são significados os veros delas, que são as coisas doutrinais.
[14] No mesmo:
“Curvarei Judah para mim, encherei com o arco Efraim, e suscitarei os teus filhos, ó Sião, com os teus filhos, ó Javan; e te porei como espada do poderoso” (Zc. 9:13);
pelos ‘filhos de Sião’ e pelos ‘filhos de Javan’ são significados os veros internos e externos da Palavra, pelos ‘filhos de Sião’ os veros internos, e pelos ‘filhos de Javan’ os veros externos; (o que as demais coisas significam vê-se acima, n. 357 e 443, onde elas são explicadas). Visto que pelos ‘filhos’ são significados os veros, diz-se que ‘serão postos como espada do poderoso’; ‘espada do poderoso’ significa o vero que poderosamente destrói o falso.
[15] Em Isaías:
“Suscitarei contra eles o medo38 ... cujos arcos despedaçarão os jovens, e não terão misericórdia do fruto do ventre; o olho deles não poupará os filhos” (Is. 13:17, 18);
como pelo ‘medo’ se entendem os que têm como nada os veros e bens da igreja, por isso também se diz: ‘o olho deles não poupará os filhos’, pois os ‘filhos’ são os veros da Palavra e da igreja. (Todavia, essas palavras se veem explicadas acima, n. 710).
[16] Em Jeremias:
“Minha tenha foi devastada, e todas as Minhas cordas arrancadas; os Meus filhos se foram de Mim, e não são mais” (Jr. 10:20);
Pela ‘tenda’ que foi devastada é significada a igreja quanto ao bem do amor e o culto por este, pois todo culto antigo era feito em tendas e, mais tarde, na tenda da assembleia; em memória disso foi instituída a festa das tendas ou dos tabernáculos; ‘todas as Minhas cordas arrancadas’ significa que não há conjunção do vero com o bem, nem das verdades entre si mesmas, as quais, assim, são dissipadas, e daí não há conjunção do céu com a igreja; ‘Meus filhos se foram de Mim e não são mais’ significa que os veros da igreja provenientes da Palavra foram dissipados e, assim, o homem se distanciou do Senhor.
[17] No mesmo:
“Eis que Eu reduzo o cativeiro das tendas de Jacob, e dos seus habitáculos terei misericórdia, para que a cidade seja edificada sobre o seu túmulo39, e o palácio será habitado conforme seu costume ; ... e os seus filhos serão como outrora, e a sua congregarão permanecerá diante de Mim” (Jr. 30:18);
pelas ‘tendas de Jacob’ e pelos ‘habitáculos’ são significadas todas as coisas da igreja e de sua doutrina, pelas ‘tendas’ os seus bens e pelos ‘habitáculos’ os seus veros; pelo ‘cativeiro’ deles é significado o cativeiro espiritual, que existe quando, por causa dos falsos que reinam, os veros e bens da Palavra não podem ser percebidos; dissipar os falsos e ensinar os veros é significado por ‘reduzir o cativeiro’; ‘para que a cidade seja edificada sobre o seu túmulo’ significa a doutrina dos veros arruinada pelos falsos; ‘cidade’ é a doutrina; ‘e os palácios conforme será habitado conforme seu costume’ significa o entendimento espiritual das verdades, como nos antigos; ‘palácio’ é o entendimento das verdades espirituais, pois no entendimento estão as verdades espirituais em suas formas, que aparecem, quando se apresentam à vista, como se fossem palácios; ‘seus filhos serão como outrora, e sua congregação permanecerá diante de Mim’ significa que os veros da igreja se tornarão como entre os antigos, e, como neles, as suas formas estarão numa conjunção restaurada; os ‘filhos’ aí são os veros, e a ‘congregação’ é a conjunção deles e a disposição em formas, qual existe no entendimento no homem da igreja, donde ele tem inteligência; ‘segundo o costume’ e ‘outrora’ é como entre os antigos.
[18] Nas Lamentações:
“Meu olho desce com as águas, porque está distante de mim o conselheiro que reanima a minha alma; meus filhos se tornaram devastados, porque o adversário prevaleceu” (Lm. 1:16);
o lamento porque a igreja foi devastada entende-se por ‘o meu olho descer com as águas’; a sua devastação quanto aos veros é significado por ‘os filhos de tornarem devastados’; que isto tenha sido feito pelos falsos do mal é significado por ‘prevaleceu o adversário’; ‘adversário é o falso do mal e o inferno donde vem.
[19] Em Isaías:
“Desperta, desperta! Levante-te, ó Jerusalém, que bebeste da mão de Jehovah o cálice de Sua ira; as impurezas do cálice da agitação... esgotaste; não há quem a conduza, de todos os filhos que ela pariu, nem quem pegue a sua mão, de todos os filhos que criou; ... teus filhos desmaiaram, jazeram na cabeça de todas as ruas” (Is. 51:17, 18, 20).
A restauração da igreja que caiu em meros falsos do mal é significada por ‘desperta, desperta! Levanta-te, ó Jerusalém, que bebeste da mão de Jehovah o cálice de sua ira; as impurezas do cálice da agitação esgotaste’; ‘Jerusalém’ é a igreja quanto à doutrina; ‘despertar’ e ‘levantar’ é sua restauração; ‘beber o cálice da ira’ é o falso; ‘cálice de impurezas’ são os meros falsos de que vêm os males e atraí-los é significado por ‘beber’ e ‘esgotar’; ‘não haver quem a conduza, de todos os filhos que ela pariu, nem quem pegue a sua mãe, de todos os filhos que ela educou’ significa nenhum vero da Palavra que ela aprendeu e hauriu da Palavra a tira dos falsos; ‘filhos’, aí, são os veros; ‘teus filhos desmaiaram, jazeram na cabeça de todos as ruas’ significa que os veros foram dissipados por falsos de todo gênero; como os ‘filhos’ são os veros, ‘desmaiar’ significa ser dissipado, e ‘jazer na cabeça de todas as ruas’ significa por falsos de todo gênero, pois as ‘ruas da cidade’ significa os doutrinais verdadeiros, mas, aqui, os doutrinais falsos.
[20] No mesmo:
“Não temas”, ó Jacob... “do oriente trarei a tua semente, e do ocidente te recolherei. Direi ao setentrião: Dá! E ao meio-dia: Não retenhas! Traze os Meus filhos de longe, e Minhas filhas da extremidade da terra” (Is. 43:5, 6).
Essas palavras não foram ditas a respeito dos descendentes de Jacob, mas dos gentios de que a igreja deve ser formada. Por ‘Jacob’ [e] sua ‘semente’ entendem-se os que haverão de ser daquela igreja; que ela deva ser formada por aqueles que estão nos falsos da igreja e, daí, na obscuridade quanto aos veros, é significado por ‘do ocidente te recolherei, e direi ao setentrião: Dá!’; e que não devam ser repelidos, mas aceitos por aqueles que estão no bem e nos veros da doutrina pela claridade é significado por ‘do oriente tratei a tua semente, e direi ao meio-dia: Não retenhas!’, pois o ‘oriente’ significa o bem do amor na claridade, ‘meio-dia’ o vero da doutrina na claridade, ‘ocidente’ o bem do amor na obscuridade, e ‘setentrião’ o vero da doutrina na obscuridade, tal como têm os que estão nos falsos pela ignorância do vero e, todavia, desejam os veros, porque estas coisas são significadas por essas plagas, pois no mundo espiritual todos habitam distintamente em plagas segundo a luz do vero e a afeição do bem. Por elas são significadas coisas semelhantes às que estão em Mateus,
Que “os eleitos devam ser reunidos desde os quatro ventos, de uma extremidade dos céus até às extremidades deles” (Mt. 24:31).
Que todos os que estão nos falsos da igreja e, não obstante, no desejo do vero, devam ser trazidos a essa igreja é significado por ‘traze os Meus filhos de longe, e as filhas da extremidade da terra’; os ‘filhos’ significam os que estão nos veros, e ‘filhas’ os que estão na afeição deles, e, daí, também abstratamente das pessoas, significam os veros e as afeições deles. E ‘longe’ e ‘ extremidade da terra’ significam a remoção da luz do vero, porque se está nos falsos da igreja pelo fato de não terem tido a Palavra ou porque não houve entendimento do sentido da Palavra.
[21] No mesmo:
“Apressarão os teus filhos, teus destruidores e teus devastadores sairão de ti;... eis, levantarei para as nações a Minha mão, e para os povos erguerei Meu sinal, para que tragam teus filhos no seio, e carreguem tuas filhas sobre o ombro" (Is. 49:17, 22).

Também essas palavras tratam da instauração de uma nova igreja pelo Senhor, e pelos ‘filhos’ aos quais eles apressarão e trarão no seio, e pelas ‘filhas’ que carregaram sobre o ombro, entendem-se todos os que estão nos veros e nas afeições deles, e, abstratamente das pessoas, os veros mesmos e as afeições deles naqueles que serão da nova igreja; ‘destruidores’ e ‘devastadores’ significam os falsos do mal; que estes devam ser removidos é significado por ‘sairão de ti’.
[22] No mesmo:
“Em Mim as ilhas confiarão, e os barcos de Tharschisch no princípio, para trazerem de longe os teus filhos, a sua prata e o seu ouro com eles” (Is. 60:9).
Essas palavras também são a respeito da Igreja dos gentios, e pelos ‘filhos’ que serão trazidos são significados os que hão de receber os veros. (As demais coisas se veem explicadas acima, n. 50, 406 e 514). Em Oséias:
“Não destruirei Efraim; ... irão após Jehovah, como leão ele rugirá, porque ele rugirá, e com honra se achegarão ao mar os filhos, com honra virão, como a ave vinda do Egito e como a pomba da terra da Assíria, e os farei habitar em seus casas” (Os. 11:9-11);
pelos ‘filhos do mar’ são significados os verdadeiros conhecimentos e os veros racionais, pelo que se diz que ‘virão como a ave vinda do Egito, e como a pomba da terra da Assíria’; pelo ‘Egito’ é significado o natural, e pela ‘Assíria’ o racional, ambos quanto aos veros. (Mas estas coisas também foram explicadas acima, n. 275, 601 e 654).
[23] Em David:
“Ouvi isto, vós, todos os povos; percebei com o ouvido vós todos, habitantes do século; tanto os filhos do homem quanto os filhos do varão, juntamente com os ricos e necessitados. Minha boca falará sabedorias, e a meditação do meu coração inteligências” (Sl. 49:1-3);
pelos ‘filhos do homem’ são significados os veros espirituais que vêm do Senhor pela Palavra, que são os doutrinais; e pelos ‘filhos do varão’ são significados os veros racionais e naturais, que são do entendimento, assim, o entendimento da Palavra; pelo ‘rico e o necessitado’ são significados os que por estes sabem muitas coisas e os que por estes sabem poucas coisas.
[24] No mesmo:
Ó Jehovah, “volta, olha dos céus, e vê e visita esta videira, e o broto que a Tua direita plantou, sobre o filho que tinhas fortalecido para Ti;... seja a Tua mão sobre o varão de Tua direita, sobre o filho do homem que fortaleceste para Ti” (Sl. 80:14, 15, 17).
David disse essas palavras a respeito da igreja e a respeito de si mesmo, que é o sentido da letra, pois se entende pelo ‘broto’ e pelo ‘filho’, mas, no sentido espiritual, pela ‘videira’ e pelo ‘broto’ que Jehovah plantou é significada a igreja espiritual representada pelos filhos de Israel; pelo ‘filho’ sobre o qual tinha fortalecido para Si é significado o vero da doutrina oriunda da Palavra; pelo ‘varão da direita’ sobre o qual seria a mão, e pelo ‘filho do homem’, o qual tinha fortalecido para Si, é significado o vero da Palavra no sentido natural, que é o sentido da letra, e o vero da Palavra no sentido espiritual, que é o sentido interno.
[25] Em Ezequiel:
“Eis que profanarei o Meu santuário, a magnificência de Minha força, o desejo dos vossos olhos e a indulgência de vossa alma; e os vossos filhos e as vossas filhas, que deixastes, cairão à espada” (Ez. 24:21, 25).
Assim se descreve a devastação de todo vero que os da igreja têm. Pelo ‘santuário’ que Ele profanará é significada a Palavra, de que vem a igreja, pois a Palavra é o santuário mesmo, pois é o Divino Vero; pelo seu poder contra os falsos e males que vêm do inferno ela é chamada ‘magnificência da força’ de Jehovah; por causa da inteligência e da vida dela oriundas é chamada ‘desejo de vossos olhos e indulgência de vossa alma’; que todos os veros, com a afeição deles, perecerão pelos falsos é significado por ‘vossos filhos e vossas filhas cairão à espada’; ‘filhos’ são os veros, ‘filhas’ são as afeições do vero e ‘espada’ o falso que destrói o vero.
[26] Em Moisés:
“Quando o Altíssimo dava a herança às nações, quando separava os filhos do homem, estabeleceu os limites dos povos conforme o número dos filhos de Israel” (Dt. 32:8).
Essas palavras foram ditas à respeito das Igrejas Antigas, que existiram da Israelita, e da instauração delas pelo Senhor. Pelas ‘nações’ se entendem os que estiveram no bem do amor, e pelos ‘filhos do homem’ os que estiveram nos veros da doutrina por esse bem; que eles tenham tido todos os veros e bens é significado por ‘estabeleceu os limites dos povos conforme o número dos filhos de Israel; que os ‘doze filhos de Israel’ ou as ‘doze tribos’ tenham representado e, daí, significado a igreja quanto a todos os veros bens vê-se acima (n. 39, 430 e 657).
[27] Em Jeremias:
“A vergonha comeu o trabalho de nossos pais desde a nossa infância, os seus gados e as suas manadas, os filhos e as suas filhas; jazemos em nossa vergonha e nossa ignomínia nos cobre” (Jr. 3:24, 25);
e, no mesmo:
“Eis que Eu trago sobre vós uma nação de longe, ó casa de Israel, a qual comerá a tua seara, e o teu pão, comerá os teus filhos e as tuas filhas, comerá o teu rebanho e a tua manada, comerá a tua videira e a tua figueira, empobrecerá [as cidades] de tuas fortalezas, nas quais tu confias, à espada” (Jr. 5:15, 17).
Por essas palavras, no sentido espiritual, descreve-se a devastação de tudo da igreja com os israelitas. Pela ‘nação de longe’ se entende o falso do mal, que é o falso do homem sensual e que destrói os veros; por ‘seara’, ‘pão’, ‘filhos’, ‘filhas’, ‘rebanho’, ‘manada’, ‘videira’ e ‘figueira’, que a nação comerá, são significadas todas as coisas da igreja; por ‘seara’ e ‘pão’ os seus veros e bens quanto à nutrição, por ‘filhos e filhas’ os veros e bens quanto à sua geração, por ‘rebanho e manada’ os veros e bens espirituais e naturais, por ‘videira e figueira’ a igreja espiritual interna e externa oriunda destes.
[28] Em Ezequiel:
“Se três varões, Noé, Daniel e Job... [estivessem] no seu meio, vivo Eu se livrariam os filhos ou as filhas; somente eles seriam livres, e a terra se tornará desolação; trarei a espada sobre a terra... e cortarei dela o homem e a besta” (Ez. 14:14, 16-18, 20).
Por essas palavras se descreve a devastação da igreja quanto a todos os veros do bem e bens do vero, exceto naqueles que são reformados pelos veros da Palavra e pelas tentações; estes são significados por ‘Noé’, ‘Daniel’ e Job’. Que nos restantes todos os veros do bem e bens do vero pereceriam é significado por ‘não livrariam os filhos ou filhas’, mas que ‘somente eles seriam livres’. A devastação da igreja pelos falsos é significada por ‘a terra se tornará desolação’ e por ‘trarei a espada sobre a terra’; ‘terra’ é a igreja, e ‘espada’ é o falso que destrói o vero. Que seria destruído todo vero espiritual e natural e que daí pereceria toda inteligência e conhecimento do vero é significado por ‘cortarei dela o homem e a besta’.
[29] No mesmo:
“Os pais comerão os filhos no meio de ti, e os filhos comerão os seus pais; farei em ti juízo, e dispersarei todas as tuas relíquias em todo vento” (Ez. 5:10);
em Moisés:
Entre as maldições, que eles comeriam a carne dos filhos e das filhas (Lv. 26:29);
pelos ‘pais comerem os filhos, e os filhos os pais’ é significado que os males destruirão os veros e que os falsos destruirão os bens; ‘pais’ são os males e os bens, e ‘filhos’ são os falsos e os veros. E visto que assim toda vida espiritual no homem perece, diz que ‘fará juízo e dispersará as relíquias em todo vento’; ‘relíquias’ são os veros e bens encerrados no homem pelo Senhor desde a infância e a meninice.
[30] Lê-se também que ‘eles fariam passar os filhos aos ídolos para serem devorados’, ‘por comida’ e ‘pelo fogo’, na sequência. Em Ezequiel:
“Tu tomaste os teus filhos [e as tuas filhas], os quais pariste para Mim, e os sacrificaste... para serem devorados. Acaso isto é pouco a respeito de tuas escortações? Assassinaste… os Meus filhos, e os entregaste, quando os fizeste passar a eles;... a filha de tua mãe... e a irmã de tuas irmãs... tiveram nojo de seus maridos e de seus filhos” (Ez. 16:20, 21, 45).
Essas palavras são a respeito das abominações de Jerusalém, e por ‘sacrificar os filhos e as filhas aos ídolos para serem devorados’ é significado destruir e consumir todos os veros e bens da igreja. Semelhantemente em relação aos veros da Palavra, por ‘assassinar os filhos’ e ‘fazê-los passar a eles’. Que os veros e bens da Palavra tenham sido destruídos por falsificações e adulterações é significado pelas ‘escortações’ aí e em outra parte nesse capítulo.
[31] No mesmo:
“Contaminá-los-ei com seus donativos, por terem feito passar toda abertura do útero, para que Eu os devaste; ... por isso, ao oferecerdes donativos... quando fazeis passar vossos filhos pelo fogo, vós vos contaminais por todos os vossos ídolos” (Ez. 20:26, 31);
destruir os veros pelos males do amor de si e pelas cobiças do proprium é significado por ‘fazer passar os filhos pelo fogo’, e, pelos falsos, é significado por ‘contaminados pelos ídolos’. (Que os ‘ídolos’ signifiquem os falsos da doutrina e do culto, os quais vêm da própria inteligência, vide acima, n. 587).
[32] No mesmo:
Ohola e Oholiba “praticaram escortação, e os sangues em suas mãos, e com os seus ídolos praticaram escortação; e também os seus filhos, que geraram para Mim, fizeram-no passar, por comida” (Ez. 23:37);
por ‘Ohola’ e ‘Oholiba’ se entendem Samaria e Jerusalém; por “Samaria’ se entende a igreja espiritual e por ‘Jerusalém’ a igreja celeste, ambas quanto à doutrina; as falsificações e as adulterações da Palavra são significadas por ‘terem praticado escortação’ e pelos ‘sangues em suas mãos’; os falsos daí, oriundos da própria inteligência, são significados por ‘com seus ídolos praticaram escortações’. Daí se vê o que é significado por ‘terem feito passar seus filhos aos ídolos, por comida’, a saber, que tinham destruído os veros da Palavra por meio de falsos.
[33] Visto que os ‘filhos’ significam os veros, por isso
“As sementes que caíram em boa terra” são chamadas pelo Senhor de “filhos do reino”; e o “joio”, que são os falsos, são chamados de “filhos do mal”. (Mt. 13:38).
Também, os que estão nos veros são chamados de
“Filhos da luz” (Jo. 12:36).
Os que estão no casamento do vero e do bem pelo Senhor,
“Filhos das núpcias” (Mc. 2:19).
Os que são regenerados,
“Filho de Deus” (Jo. 1:11-13).
Como as ‘pedras’ na Palavra significam os veros, João Batista disse
“Que Deus pode dessas pedras suscitar filhos a Abrahão” (Lc. 3:8).
(Que pelas ‘pedras’ sejam significados os veros, sobre os quais são fundados os veros interiores, vê-se nos Arcanos Celestes, n. 643, 1298, 3720, 6426, 8609 e 10376).
[34] Assim como pelos ‘filhos’ são significados os veros, assim também por eles, no sentido oposto, são significados os falsos, como em algumas das passagens citadas acima. Em Isaías:
“Preparai para os seus filhos a matança por causa da iniquidade dos pais deles, para que não ressurjam e possuam a terra, e encham de cidades as faces da terra. Levantar-Me-ei contra eles... e cortarem o nome e o restante de Babel, e o filho e o neto... e a porei por herança do abutre [anataria], e por lagoas de águas, e varrê-la-ei com vassoura de destruir” (Is. 14:21-23).
Essas palavras são a respeito de Babel, pela qual é significada a adulteração e a profanação da Palavra. Aqui se trata da total devastação do vero naqueles que se entendem por ‘Babel’. Que os veros tenham sido inteiramente destruídos neles pela adulteração da Palavra é significado por ‘preparai para os seus filhos a matança, para que não ressurjam e possuam a terra, e encham de cidades as faces da terra’; pela ‘terra’ se entende a igreja em que há os veros, e pelas ‘cidades’ se entendem as coisas doutrinais oriundas de meros falsos. Que todas as coisas seriam destruídas, desde as primeiras até as últimas, é significado por ‘ser cortada de Babel o nome e o resto, o filho e o neto’. Que absolutamente anda restaria de vero é significado por ‘ser varrida com vassoura de destruir’.
[35] Cumpre saber que pelos ‘filhos’ nas passagens citadas acima são significados aqueles que estão nos veros ou que estão nos falsos. Como, porém, o sentido espiritual da Palavra não tem nada em comum com as pessoas, por isso, nesse sentido, pelos ‘filhos’ são significados os veros ou falsos abstratamente da ideia de pessoa. Que o sentido espiritual seja assim é porque a ideia de pessoa limita o pensamento e a sua extensão em toda parte no céu, pois todo pensamento, que procede da afeição do vero, avança por toda parte pelo céu e não termina senão como a luz na sombra. Quando, porém, se pensa ao mesmo tempo na pessoa, então a ideia termina onde a pessoa está e, com ela, também a inteligência. Esta é a razão por que pelos ‘filhos’, no sentido espiritual são significados os veros ou falsos, abstratamente.

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