. [vers. 9] “E foi precipitado o grande dragão, a serpente antiga”. Que isto signifique que foram separados do céu e lançados no inferno aqueles que estão no mal da vida e daí se tornaram sensuais, pelos quais todas as coisas da Palavra e, assim, da igreja, foram pervertidas, vê-se pela significação de ‘ser precipitado’, quando se trata do ‘dragão’, que é ser separado do céu e lançado no inferno; (que esses tenham sido conjuntos ao céu e depois separados vê-se no artigo precedente (n. 737); que tenham sido lançados no inferno e condenados é o que se entende por ‘ser precipitado na terra’, de que se tratará a seguir); pela significação de ‘grande dragão’, que são os que estão nos males da vida e, todavia, confessam de boca o Senhor e dizem que a Palavra é santa, e falam em favor da igreja; (que esses sejam significados pelo ‘dragão’ vê-se acima, n. 714-716, 718 e 737); daí também se diz ‘grande dragão’, pois ‘grande’, na Palavra, se atribui ao bem e, no sentido oposto, como aqui, ao mal; os seus falsos, porém, são significados pelos ‘seus anjos’ (dos quais se tratará a seguir); e pela significação de ‘serpente antiga’, que são os sensuais; aqui, que eles daí se tornaram sensuais, pelos quais todas as coisas da Palavra e da igreja foram pervertidas. Que pela ‘serpente’ seja significado o sensual vê-se acima (n. 581 e 715, ao fim); ela é chamada ‘antiga’ pelo fato de que também outrora existiram os que perverteram todas as coisas da Palavra e da igreja. Segundo o sentido histórico da letra, pela ‘serpente antiga’ se entende a serpente que seduziu Eva e Adão no paraíso, mas por aquela serpente, como também por esta, se entendem todos os tais que seduzem todo o mundo, como se pode ver pelo que se segue neste parágrafo. Por aí se pode ver que ‘o dragão, a serpente antiga, foi precipitado’ significa que foram separados do céu e lançados ao inferno aqueles que estão nos males da vida, pelos quais todas as coisas da Palavra e, assim, da igreja, foram pervertidas.
[2] Que todos os que estão nos males da vida se tornem sensuais, e que os sensuais assim feitos pervertam todas as coisas da igreja pode-se ver pelo fato de que nos homens há três graus de vida, o íntimo, o médio e o último, e esses três graus no homem são abertos sucessivamente, conforme ele se torna sábio. Todo homem nasce sumamente sensual, de modo que até os cinco sentidos do corpo devem ser abertos pelo uso; em seguida, ele se torna sensual quanto ao pensamento, pois pensa pelos objetos que entram pelos sentidos de seu corpo; depois se torna interiormente sensual. Quando, porém ele adquire para si o lume natural por meio das experiências visuais e pelos conhecimentos, e principalmente pelos usos da vida moral, então se torna, na mesma medida, um homem interiormente natural. Este é o primeiro ou mais externo grau da vida do homem.
[3] Visto que, então, pelos pais e pelos mestres e pregadores, bem como pela leitura da Palavra e dos livros daí, ele recebe cognições do vero e do bem espiritual e as envia para a memória, como os outros conhecimentos, ele estabelece em si a igreja. Se, todavia, não vai adiante disso, ele permanece natural; mas, se vai adiante, ou seja, se vive segundo essas cognições da Palavra, abre-se nele o grau interior, e ele se torna espiritual, mas não além da medida em que afetado pelos veros, entende-os e os quer e pratica. A razão disso é que assim, e não de outro modo, são removidos e, assim, dissipados os males e, daí, os falsos que residem no homem natural e sensual pelo hereditário. Com efeito, o homem espiritual está no céu, e o natural no mundo, e na medida em que o céu pode influir, isto é, o Senhor pelo céu, pelo homem espiritual no natural, na mesma medida são removidos os males e, daí, os falsos, que, como foi dito, residem no homem natural. Que o grau interior no homem não possa ser aberto de outro modo é porque os males e falsos, que estão no homem natural, o mantêm fechado, pois o grau espiritual, ou a mente espiritual, se contrai por qualquer mal e falso do mal, assim como as fibrilas do corpo por uma agulha, pois as fibras do corpo se contraem ao tato de qualquer coisa mais dura. Dá-se a mesma coisa com a mente interior do homem, a qual se chama espiritual, ao tato ou ao sopro do mal e, daí, do falso. Mas quando as coisas homogêneas, que são os Divinos veros da Palavra, que tiram sua essência do bem, chegam a essa mente, então ela se abre, mas a abertura não se faz de outro modo senão pela recepção do bem do amor que influi do Senhor por meio do céu e por sua conjunção com os veros que o homem tinha enviado à memória. Isto não ocorre senão por uma vida segundo os veros Divinos na Palavra, pois quando esses veros se tornam da vida, são chamados bens. Daí se pode ver de que modo é aberto o grau segundo ou médio.
[4] Já o terceiro ou íntimo grau é aberto naqueles que logo aplicam à vida os veros Divinos, e não raciocinam antes pela memória a respeito deles e, por isso, os põem em dúvida. Esse grau é chamado celeste. Como esses três graus da vida existem em cada homem, ainda que sejam abertos de modos diversos, por isso é que há três céus. No terceiro céu ou íntimo estão aqueles em quem foi aberto o terceiro grau; no segundo céu ou médio estão aqueles em que foi aberto o segundo grau; e no primeiro céu ou mais externo, aqueles em que foi aberto o homem natural interior, que também é chamado homem racional, pois este, se for verdadeiramente racional, recebe do Senhor o influxo por meio do céu. Todos esses vêm ao céu. Aqueles, porém, que receberam os Divinos veros somente na memória, e não ao mesmo tempo na vida, permanecem naturais, e até se tornam sensuais. A razão disso é que os males em que o homem nasceu residem no homem natural e sensual, como foi dito acima, e não são removidos e, por assim dizer, dissipados, senão pelo influxo do bem advindo do Senhor e por sua recepção pelo homem. Daí é que nesses reinam os amores do corpo, que são em geral o amor de si e o amor do mundo, e, daí, o amor e o orgulho da própria inteligência. Esses amores e os males e falsos que fluem deles enchem os interiores de sua mente natural, os quais são, todavia, cobertos pela honestidade e o decoro da vida moral por causa do mundo e por causa das leis promulgadas para o homem externos. Esses, ainda que tenham enchido a memória de cognições da Palavra e de dogmas de muitas religiões, como também de conhecimentos, são ainda naturais e mesmo sensuais, pois os interiores da mente natural, que estão mais perto da mente espiritual, foram em si fechados por meio de confirmações, até da Palavra, contra a vida espiritual, que é a vida segundo os Divinos veros e se chama caridade para com o próximo. Esses, por serem sensuais, são chamados ‘dragão’ e ‘serpentes’, pois a ‘serpente’ significa o sensual, pelo fato de o sensual ser o ínfimo da vida do homem e rasteja, por assim dizer, no humos e lambe o pó, como a serpente.
[5] Para ilustração desses pontos eu gostaria de citar as coisas que são relatadas em Gênesis a respeito da ‘serpente antiga’, que seduziu Eva e Adão, e explicar o que elas significam no sentido espiritual. São elas:
“Jehovah Deus fez brotar do humos toda árvore desejável à vista e boa para comida, e a árvore de vidas no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. ... E ordenou Jehovah Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comendo comerás, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que a comeres morrendo morrerás. ...E serpente era mais astuta do que toda fera do campo que Jehovah Deus fez; e disse à mulher: Não é assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto da árvore do jardim comemos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim disse Deus: Não comereis dele, nem o toqueis, para que não morrais. E disse a serpente: Morrendo não morrereis, porque Deus sabe que no dia em que comerdes dele, e forem abertos os vossos olhos, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal. E viu a mulher que boa era a árvore para comer, e que ela era apetecível aos olhos, e árvore desejável para dar inteligência. E tomou do seu fruto e comeu, e deu também ao seu varão consigo, e comeu; e os olhos de ambos foram abertos, e conheceram que estavam nus; e costuraram folha de figueira, e fizeram cintas para si. ... E disse Jehovah à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita és tu mais do que toda besta, e mais do que toda fera do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias de tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; Ele te pisará a cabeça, e tu ferirás o seu calcanhar. ... E Jehovah Deus expulsou” o homem “do jardim do Éden e fez habitar do oriente para o jardim do Éden querubins, e uma chama de espada... virando-se, para guardar o caminho da árvore de vidas” (Gn. 2:8, 9, 16, 17; 3:1-7, 14, 15, 23, 24).
A não ser pelo sentido espiritual que está encerrado no sentido da letra da Palavra em cada uma de suas coisas, ninguém pode saber de que modo devem ser entendidos os relatos históricos a respeito da criação do céu e da terra que estão contidos em Gênesis, desde o primeiro capítulo até aquele onde se trata do dilúvio. Com efeito, esses relatos históricos a respeito da criação do céu e da terra, bem como do jardim em Éden e dos descendentes de Adão até o dilúvio, são composições histórias, mas, não obstante, santíssimos, porque cada sentido e cada vocábulo ali são correspondências e, por isso, significam coisas espirituais. Qualquer um que seja de uma natureza perspicaz pode ver muito bem pelos relatos históricos a respeito da criação no primeiro capítulo, que começam com a luz, quando o sol ainda não existia, e por muitas outras coisas ali. Também, pela criação de Eva, esposa de Adão, por uma costela dele, e pelas duas árvores no paraíso e pela proibição de não comerem da árvore do conhecimento do bem e do mal, da qual, todavia, eles comeram, seduzidos pela serpente, ainda que fossem os mais sábios de todos. E por Jehovah ter posto tais árvores no meio do jardim e Se sujeitasse a que eles fossem seduzidos pela serpente para comerem da árvore proibida, o que, todavia, poderia ter sido evitado. E, finalmente, que do único fato de se comer daquela árvore todo o gênero humano fosse condenado à morte eterna. Quem não pode ver que essas coisas seriam contra o Divino amor e contra as Divinas providência e previdência? Além de muitas outras coisas que um entendimento cego creria com simplicidade. Mas não é prejudicial que essas coisas sejam cridas segundo a letra histórica pelas crianças e pelos simples, porquanto elas, assim como as demais coisas da Palavra, conjuntam as mentes humanas às mentes angélicas, porque os anjos estão no sentido espiritual quando os homens estão no sentido natural. O que, porém, esses relatos históricos envolvem no sentido espiritual é o que se dirá em poucas palavras.
[6] Trata-se, no primeiro capítulo, da nova criação ou instauração da igreja, que foi a Igreja Antiquíssima nesta terra e também a mais excelente de todas. Ela foi uma igreja celeste, porque estava no amor ao Senhor. Daí os homens daquela igreja foram sapientíssimos, tendo comunicação quase imediata com os anjos do céu, pelos quais eles tiveram do Senhor a sabedoria. E como eles estiveram no amor ao Senhor e tiveram revelações do céu, e como os veros revelados eram aplicados imediatamente à vida, por isso eles estiveram no mesmo estado em que estão os anjos do terceiro céu, pelo que esse céu consiste primeiramente de homens dessa igreja. Essa igreja se entende por ‘Adão e sua esposa’, mas pelo ‘jardim’ no Éden são significadas a inteligência e sabedoria deles, e estas são também descritas por todas aquelas coisas que são relatadas a respeito do jardim, entendidas no sentido espiritual. E a maneira como a sabedoria foi perdida na descendência deles é descrita pelo ato de ‘comer da árvore do conhecimento’, pois pelas duas ‘árvores’ postas no meio do jardim se entende a percepção vinda do Senhor e a percepção vinda do mundo; pela ‘árvore de vidas’ a percepção vinda do Senhor, e pela ‘árvore do conhecimento do bem e do mal’ a percepção vinda do mundo, a qual, todavia, é somente cognição e conhecimento em si mesma. Já pela ‘serpente’, que os seduziu, é significado o homem sensual, que se comunica imediatamente com o mundo; por isso, pela sedução deles pela ‘serpente’ se entende a sedução pelo sensual, que recebe todas as coisas do mundo e nada do céu. Com efeito, os homens celestes da igreja são tais que percebem todos os veros e bens do céu pelo Senhor, por meio do influxo em seus interiores, donde eles veem os veros e bens interiormente em si e como se inscritos neles, e não têm necessidade de adquiri-los pela via posterior e encher a memória com eles. Assim, eles não raciocinam sobre os veros, se são assim ou não, porque aquele que vê os veros em si não raciocina, pois o raciocinar envolve a dúvida se acaso é assim. Esta é, também, a razão de nunca nomearem a fé, pois a fé envolve algo desconhecido que, todavia, deve ser crido, ainda que não seja visto. Que os homens da Igreja Antiquíssima tenham si tais é o que me revelado do céu, pois me foi concedido falar com eles e ser disso informado, como se pode ver pelas muitas coisas que são relatadas nos Arcanos Celestes a respeito dos homens daquela igreja.
[7] Cumpre saber, porém, que nunca lhes foi vetado adquirir do céu para si as cognições do bem e do mal, pois por elas eram aperfeiçoadas a inteligência e a sabedoria deles. Tampouco lhes foi vetado adquirir do mundo para si as cognições do bem e do mal, pois daí vinha o conhecimento do homem natural deles. Mas foi-lhes examinar essas cognições pela via posterior, porquanto lhes foi concedido ver pela via anterior todas as coisas que apareciam no mundo diante de seus olhos. Examinar pela via anterior o mundo e as coisas que há aí, e daí haurir cognições, é examiná-las pela luz do céu e, assim, conhecer a qualidade delas. Por isso, também pelas cognições vinda do mundo eles puderam confirmar as coisas celestes e, assim, corroborar a sua sabedoria. Mas foi-lhes vetado examinar as cognições vindas do mundo pela via posterior, o que acontece qual por eles se conclui sobre as coisas celestes, assim, numa ordem inversa, ordem essa que é chamada pelos eruditos de ordem do influxo físico ou influxo natural, que não existe de modo algum nas coisas celestes. Assim se tornaram os homens da Igreja Antiquíssima quando começaram a amar as coisas mundanas mais do que as celestes, e a se levarem e se gloriarem de sua sabedoria. Assim os seus descendentes se tornaram sensuais, e então o sensual deles, que se entende pela ‘serpente’, os seduziu. E o sensual não quer avançar por outra via senão a posterior. É isto, pois, que é significado pela ‘árvore do conhecimento do bem e do mal’, cujo fruto eles foram proibidos de comer.
[8] Que lhes tenha sido permitido adquirir do mundo para si as cognições e examiná-las pela via anterior é o que foi significado por ‘Jehovah Deus fez brotar do humos toda árvore desejável à vista, e boa para comida’, pois pelas ‘árvores’ são significadas as cognições e percepções; ‘desejável à vista’ significa que o entendimento as deseja, e ‘boa para comida’ significa que conduz à nutrição da mente. As cognições vindas do Senhor a respeito do bem e do mal, pelas quais há sabedoria, e as cognições vinda do mundo a respeito do bem e do mal, pelas quais há o conhecimento, eram representadas pela ‘árvore de vidas’ e pela ‘árvore do conhecimento do bem e do mal’ no meio do jardim. Que lhes tenha sido permitido apropriar-se de quaisquer cognições, tanto as do céu quanto as do mundo, contanto que não procedessem na ordem inversa, raciocinando por elas sobre as coisas celestes, em vez de pensarem pelas coisas celestes sobre as coisas mundanas, é significado pelo fato de Jehovah Deus lhe ter ordenado que ‘de toda árvore do jardim comeriam, mas não da árvore do conhecimento do bem e do mal. Que então a sabedoria celeste e a igreja pereceriam neles é significado por ‘no dia em que comerdes dela, morrendo morrereis’. ‘Comer’, no sentido espiritual, significa apropriar-se.
[9] A ‘serpente’ significa que o sensual os seduziu, porque fica próximo ao mundo e, assim, sente pelo mundo toda volúpia e prazer, pelos quais está nas falácias, e ignora e também rejeita as coisas celestes. A ‘serpente’ é o sensual, e não outro sensual senão o deles. Que a serpente seja ‘diabo e satanás’ é porque o sensual se comunica com o inferno e faz com um ele, pois nele se assenta todo mal do homem em um complexo. E visto que o homem pelo sensual raciocina pelas falácias, e pelos prazeres dos amores do mundo e do corpo, e, de fato, engenhosa e astutamente, por isso se diz que ‘a serpente era mais astuta do que toda fera do campo que Jehovah Deus tinha feito’; a ‘fera do campo’, no sentido espiritual, significa a afeição do homem natural.
[10] Visto que o sensual acha que a sabedoria é adquira pelas cognições vindas do mundo e pelos conhecimentos naturais, e não por algum influxo do Senhor pelo Senhor, por isso, por essa ignorância [???] e falácia, a serpente disse à mulher: ‘Morrendo não morrereis, porque Deus sabe que no dia em comerdes disso, e vossos olhos serem abertos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal’, pois o homem sensual crê que sabe todas as coisas, e que nada lhe é oculto. Diferentemente, o home celeste sabe que nada sabe por si, mas pelo Senhor, e que o que ele sabe é tão pouco que mal é alguma coisa relativamente ao que ele não sabe. De fato, os descendentes deles creram que eram deuses, e que conheciam todo bem e todo mal, mas pelo mal não puderam conhecer o bem celeste, mas somente o bem terrestre e corpóreo, que, todavia, não é o bem em si. Mas pelo celeste o homem pode saber o que é o mal.
[11] Que a afeição do homem natural, persuadida por seu sensual, tenha pensado que a inteligência nas coisas do céu e da igreja é adquirida pelo conhecimento das cognições vindas do mundo é significado por ‘a mulher ter visto que a árvore era boa para comida, e apetecível aos olhos, e desejável para dar inteligência’; pela ‘mulher’, aqui, é significada a afeição do homem natural, que tira seus desejos do natural, e tal é essa afeição. Que essa afeição tenha seduzido também o racional é significado por ‘a mulher ter tomado do fruto daquela árvore e ter dado ao seu varão consigo’, e por ‘ele ter comido’; pelo ‘varão da mulher’ é significado o racional. Que, então, eles se tenham visto sem os veros e os bens é significado por ‘então serem apertos os olhos de ambos, e terem conhecido que estavam nus’; a ‘nudez’, que tinha vergonha, significa a privação do amor celeste e, daí, do bem e do vero. E que então se tenham revestido de veros naturais, a fim de não aparecerem privados dos veros celestes, é significado por ‘terem costurado folha de figueira e terem feito cintas para si’; a ‘figueira’ significa o homem natural, e a ‘sua folha’ significa o verdadeiro conhecimento.
[12] Depois disso, pela maldição da serpente é descrito o sensual deles, como se tornou, a saber, desviou-se completamente do céu e voltou-se para o mundo, e assim não recebeu mais Divino algum; porque o sensual no homem não pode ser reformado, pelo que é somente removido quando o homem é reformado, visto que o sensual se adere ao corpo e está presente [???] no mundo; por isso, como sente daí os prazeres, ele os chama bens. Daí que se diz que ‘semente da mulher pisará a cabeça dele, e ele ferirá o Seu calcanhar’; pela ‘semente da mulher’ entende-se o Senhor; pela ‘cabeça da serpente’, todo mal; e pelos ‘calcanhar do Senhor’ é significado o Divino vero nos últimos, que conosco é o sentido da letra da Palavra; é isto que o homem sensual, o sensual do homem, perverte, falsifica e, assim, fere. Que o sentido da letra proteja para que aqueles que estão nos males não tenham acesso ao Senhor senão pelas aparências de vero, não pelos veros genuínos, é significado pelos ‘querubins’ que, como chama de espada que se virava, foram postos no jardim de Éden, para guardarem o caminho da árvore de vidas. (Estas coisas, porém, e as restantes delas neste capítulo se veem explicadas nos Arcanos Celestes).
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