. “E dez chifres”. Que isto signifique muito poder vê-se pelo que foi explicado acima (n. 716), onde se tratou do ‘dragão’, que também tinha ‘dez chifres’. O muito poder que é atribuído ao dragão e a esta besta, e que é representado no mundo espiritual pelos chifres e, assim, mostrado representativamente a João sobre a besta do dragão, é o poder dos raciocínios pelo homem natural advindo das falácias, por conseguinte, dos falsos. Estes não têm, de fato, poder algum em si mesmos, porque todo poder pertence aos veros; todavia, os falsos que vêm das falácias dos sentidos, por conseguinte, os raciocínios por eles, têm muito poder com os homens da terra antes de estarem nos veros do bem, isto é, antes de serem regenerados pelo Senhor, porque o homem está de nascença nos males e, daí, também nos falsos, pois os falsos brotam dos males, assim como águas impuras vêm de uma fonte impura. Esses falsos, confirmados pelos raciocínios das falácias dos sentidos, aparecem como veros; e como o homem está de nascença nos falsos dos males, por isso ele facilmente se apossa deles, os reconhece e crê neles, porquanto concordam com seu primeiro lume natural e como o calor desse lume, que vem do fogo do amor de si e do amor do mundo. E como o homem é levado como que espontaneamente a crer facilmente em tais coisas e assim é seduzido, por isso se atribui muito poder à besta aqui e, acima, ao dragão. Mas eles não têm poder algum contra o homem que está nos veros do bem, ou contra o regenerado pelo Senhor, e cada vez menos poder, conforme os veros são multiplicados nele, e, finalmente, nenhum poder, porque, como foi dito acima, todo poder reside nos veros do bem, portanto, nenhum poder nos falsos do mal.
[2] Pode-se confirmar isto pelas coisas vistas e percebidas no mundo espiritual. Em alguns lugares ali há lutas contínuas dos que estão nos falsos com os que lhes são semelhantes e dessemelhantes, e foi visto que os males venciam por meio dos falsos e arrastavam muitos para seus partidos. Como fiquei admirado disso, foi dito e percebido que os falsos prevalecem contra os que estão nos falsos, pois se percebeu que aqueles que foram vencidos e atraídos para os seus partidos tinham estado igualmente nos falsos. E, ao contrário, os falsos não prevalecem contra os que estão nos veros. Além disso, viu-se também que aqueles que estavam nos falsos lutavam com os que estavam nos veros, e que também a estes venciam, mas foi percebido que estes não tinham estado nos veros do bem, mas nos veros sem o bem. Quando, porém, os que estavam nos falsos lutam contra os que estão nos veros do bem, não prevalecem absolutamente; são como palha no ar, que pelo sopro do homem é dispersa e dissipada, sem poder de resistir. Por aí se pode ver de onde precede que na Palavra os maus são muitas vezes chamados ‘fortes’ e ‘poderosos’. Daí é evidente, agora, a razão por que foram vistos ‘dez chifres’ sobre a cabeça do dragão, sobre a cabeça dessa besta e sobre a cabeça da besta escarlate (Ap. 17:3).
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