. “Aqui está a paciência e a fé dos santos.” Que isto signifique que são estas as coisas pelas quais se dão a tentação e, depois, a implantação do vero naqueles que se tornam espirituais pelo Senhor vê-se pela significação de ‘paciência dos santos’ (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘fé’, que é a implantação do vero; e pela significação de ‘santos’, que são aqueles que estão nos veros do bem pelo Senhor (de que se tratou acima, n. 204), portanto, os que se tornam espirituais pelo Senhor, pois o homem se torna espiritual pelos veros do bem. Que a ‘fé’ signifique a implantação do vero é porque a fé no homem é o vero reconhecido de coração, pois não pode ser a sua fé a menos que seja reconhecido de coração. Daí é, também, que no Velho Testamento em parte alguma se diz fé, mas, em seu lugar, verdade. De fato, os antigos, com os quais havia a igreja, não sabiam absolutamente outra coisa senão que a fé é o vero. Diziam, decerto, que criam em Deus, mas por isso entendiam tanto saber e entender os veros quanto querê-los e fazê-los, e isto pelo Senhor. Daí é evidente que a ‘fé’ significa a implantação do vero.
[2] Que a ‘paciência dos santos’ signifique a tentação dos fiéis, ou daqueles que se tornam espirituais pelo Senhor, é porque ‘paciência’ significa a paciência espiritual, que é a paciência de suportar as tentações, e estão nessa paciência aqueles que em si lutam contra os falsos que estão presentes no dogma da fé só e ela se aderem, pois os confirmam pelos raciocínios do homem natural e, também, pela Palavra erroneamente aplicada e, assim, falsificada. As tentações que eles suportam, quando lutam contra os falsos, se entendem pela ‘paciência’.
[3] O mesmo é significado pela ‘paciência’, em Lucas:
“Sereis entregues... pelos pais e irmãos, e pelos parentes e amigos; também entregarão alguns de vós à morte; sereis mesmo odiados por todos por causa de Meu nome. ... Na vossa paciência possuí as vossas almas” (Lc. 21:16, 17, 19).
Essas palavras tratam do último tempo da igreja, quando há o juízo. As tentações, que então os fiéis haviam de suportar por causa dos veros, são descritas por ‘serem entregues pelos pais, irmãos, parentes e amigos, por ‘serem entregues à morte’ e, também, por ‘serem odiados por causa do nome do Senhor’. Pelos ‘pais’, ‘irmãos, ‘parentes’ e ‘amigos’ se entendem os que são da mesma igreja, mas estão nos males e falsos; que haviam de suportar as tentações se entende por ‘serem entregues à morte’ e ‘serem odiados’. Daí, então, ‘na vossa paciência possuí as vossas almas’ significa conservar a vida do vero entre os falsos. Pela ‘alma’ é significada a vida do vero.
[4] Semelhantemente, no mesmo:
“Os que foram semeados em boa terra, esses são os que num coração simples e bom ouvem a palavra, a retêm, e dão fruto em paciência” (Lc. 8:15);
‘dar fruto em paciência’ significa praticar os veros e bens, mesmo entre os falsos e males, isto é, os que vivem entre aqueles que estão nos falsos e males. A paciência do Senhor nas tentações, que Ele suportou mais graves do que todos, é descrita por estas palavras em Isaías:
“Suportou opressão [exactio] e foi afligido, todavia não abriu a Sua boca, como um cordeiro” (Is. 53:7);
‘suportar opressão’ significa as tentações; ‘ser afligido’ significa a gravidade delas; ‘não abrir a Sua boca’ significa a paciência.
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