. “Se alguém matar á espada, importa que à espada ele seja morto.” Que isto signifique que aqueles que imbuíram os outros de falsos, de falsos do inferno sejam imbuídos, vê-se pela significação de ‘espada’ [gladius] e ‘espada’ [machaera], que é o vero que luta contra o falso, e, no sentido oposto, o falso que luta contra o vero; daí, ‘matar à espada’ é destruir os veros por meio de falsos e, também, imbuir de falsos; e pela significação de ‘importa que à espada seja morto’, que é imbuir a si mesmo dos falsos do inferno. A razão pela qual esses se imbuem dos falsos do inferno é porque fecharam o céu para si por meio de falsos, e quando o céu se fecha para alguém, então o inferno lhe é aberto. Com efeito, o homem deve estar ou no céu ou no inferno; não pode estar entre um e outro. Assim, quando alguém fecha o céu para si, abre para si o inferno, e do inferno não brotam senão falsos do mal, e estes, então, o impregnam. Mas somente os falsos do mal fecham o céu, pois existem falsos de muitos gêneros, a saber, falsos da ignorância, falsos da religião e falsos oriundos da Palavra não compreendida. Em suma, os falsos que conduzem à vida do mal e que procedem da vida do mal, esses são os que fecham o céu, porque provêm do inferno. Por aí é evidente que ‘se alguém matar à espada, importa que à espada seja morto’ significa que aqueles que imbuíram os outros de falsos, de falsos do inferno são imbuídos.
[2] O mesmo é significado pelas palavras que o Senhor disse a Pedro:
“Todos os que tomam a espada, pela espada devem perecer” (Mt. 26:52).
Essas palavras foram ditas a Pedro porque ele representava o vero da fé e, também, o falso da fé. Por isso, ‘tomar a espada e perecer por ela’ significava receber o falso da fé e perecer por ele. Que aqueles que são significados por essa ‘besta’ – que são os que confirmam por raciocínios a separação entre a fé e a vida – ‘matem à espada’ e ‘à espada sejam mortos’, isto é, imbuem os outros de falsos e a si mesmos se imbuem de falsos o inferno, é porque o dogma da fé, só, exclui todos os veros e rejeita todos os bens. Que a fé, só, exclua todos os veros é porque eles estabelecem que somos salvos unicamente por isso, ‘que o Senhor sofreu a cruz por nossos pecados, e por isso suportou a condenação da lei e, assim, nos redimiu’. E como eles querem que unicamente isto, que chamam de a fé mesma, salve, não fazem esforço algum para aprenderem os veros, quando, todavia, são os veros que ensinam de que modo se deve viver, ainda que esses veros sejam muitos. Que a fé, só, rejeite os bens é o que se segue desse dogma mesmo, que a fé sem as boas obras justifica. Assim, eles têm como nada os bens mesmos do amor a Deus e os bens da caridade para com o próximo.
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