. “E faz com que a terra e os que habitam nela adorem a besta anterior.” Que isto signifique donde os que na igreja estão nos falsos e, daí, nos males, reconhecem de coração a concordância, vê-se pela significação de ‘terra e os que habitam nela’, que são os da igreja que estão nos falsos e, daí, nos falsos, pois pela ‘terra’ é significada a igreja que está ou nos veros ou nos falsos, aqui, a que está nos falsos; e pelos ‘habitantes’ são significados ou os bens ou males da igreja, aqui, os males; assim, aplicando-se às pessoas aí, pela ‘terra’ e pelos ‘que habitam nela’ são significados os que na igreja estão nos falsos e, daí nos males; (que a ‘terra’ signifique a igreja quanto aos veros e quanto aos falsos vê-se acima, n. 304, 413, 417, 697, 741 e 752; e que os ‘habitantes’ signifiquem os bons na igreja e, também, os maus, e, no sentido abstrato, os bens ou os males, acima, n. 479); pela significação de ‘adorar’, que é reconhecer como certo, reconhecer de coração e crer (como acima, n. 790 e 805); e pela significação da ‘besta anterior’, que são os raciocínios do homem natural que confirmam a separação entre a fé e a vida (vide acima, n. 774), aqui, a concordância dos raciocínios com o sentido da letra da Palavra, porque por essa ‘besta’ são significadas as confirmações daí (vide também acima, n. 815). Por aí é evidente que ‘a besta que sobre da terra fazer com que a terra e os que habitam nela adorem a besta anterior’ significa que aqueles que na igreja estão nos falsos e, daí, nos males, reconhecem de coração a concordância.
[2] No artigo precedente foi mostrado que ‘Pedro’ significou o vero e a fé em ambos os sentidos, a saber, o vero do bem e o vero sem o bem, e, então, a fé da caridade e, também, a fé sem a caridade. Agora se dirá a respeito do apóstolo João, que significou as obras de caridade. Que os doze apóstolos, assim como as doze tribos de Israel, tenham representado a igreja em todo o conjunto, ou, todas as coisas do vero e do bem, ou todas as coisas da fé e da caridade, foi dito acima. E também foi dito que ‘Pedro’, ‘Tiago’ e ‘João’ significaram a fé, a caridade e as obras de caridade, em sua ordem. Segue-se daí que, quando estavam juntos, eles representaram essas coisas como uma só. Diz-se ‘como uma só’ porque sem caridade não existe fé que seja fé, e sem as obras não existe caridade que seja caridade.
[3] Como esses três apóstolos significaram tais coisas, por isso eles, mais do que os outros, seguiram o Senhor, o que também se pode ver em Marcos, onde se diz:
Jesus “não permitiu a ninguém segui-Lo senão a Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago” (Mc. 5:37).
Por isso o Senhor chamou primeiro a Pedro, por meio de André, por quem é significada a obediência da fé, e depois a Tiago e João, e a estes dois deu um nome novo. Depois, tomou Pedro, Tiago e João a um monte, quando foi transfigurado, e também falou com esses três a respeito da consumação do século e de Seu advento. E, além disso, eles estiveram com o Senhor no Gethsemani. Que o Senhor tenha chamado a Tiago e João, depois de ter chamado a Pedro, vê-se nos Evangelhos:
Jesus, “saindo Sali, vê outros dois irmãos, Tiago, que é de Zebedeu, e João, seu irmão, [no barco] com Zebedeu, o pai deles, emendando as suas redes, e os chamou. E eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, O seguiram” (Mt. 4:21, 22; Mc. 1:19, 20).
[4] Que o Senhor tenha dado um novo nome a Tiago e João vê-se em Marcos:
Jesus chamou a “Tiago, filho de Zebedeu, e a João, irmão de Tiago, e lhes pôs o nome de Boanerges, isto é, filhos do trovão” (Mc. 3:17);
pelos ‘filhos do trovão’ são significados os veros do bem celeste; que os veros sejam significados na Palavra pelo ‘trovão’ é porque no mundo espiritual também se ouvem trovões, que surgem dos veros que vêm do bem celeste, quando estes caem dos céus superiores nos inferiores; a luz mesma do vero do bem aparece como relâmpago, e o bem mesmo, como trovão, e os próprios veros daí são as variações do som. Daí é que em muitas passagens na Palavra se dizem ‘relâmpagos’, ‘trovões’ e ‘vozes’, pelos quais tais coisas são significadas. A razão pela qual o bem é ali ouvido como trovão é porque o bem, que pertence à afeição ou ao amor do homem, e também que é de sua vontade, não fala, mas somente ressoa, e o vero, que pertence ao entendimento e, daí, ao pensamento do homem, articula esse som nas palavras. O bem celeste é o mesmo que o bem do amor na vontade e no ato; antes disso, não é bem celeste, e é o bem que produz os veros por meio do pensamento e, daí, da fala. Daí se vê de onde procede que Tiago e João foram chamados ‘filhos do trovão’. (O que significam os ‘relâmpagos’, os ‘trovões’ e as ‘vozes’ na Palavra vê-se também acima, n. 273, 702 e 704).
[5] Que o Senhor tenha tomado a Pedro, Tiago e João a um monte quando foi transfigurado vê-se em Marcos (9:2) e em Lucas (9:28). A razão de Ele os ter tomado era somente aqueles que estão nos veros oriundo do bem celeste podem ver o Senhor na glória, e somente esses podem ser iluminados e perceber a Palavra na iluminação, pois o Senhor, ao ser transfigurado diante deles, representava o Divino Vero, que é a Palavra. Também por isso Moisés e Elias foram vistos falando com Ele; por ‘Moisés e Elias’ é significada a Palavra (assunto de que se tratou acima, n. 594). Que o Senhor tenha falado com Pedro, Tiago e João a respeito da consumação do século e de Seu advento vê-se em Marcos (13:3). E que esses três tenham estado com o Senhor no Gethsemani, em Mateus (26:37) e Marcos (14:33).
[6] Como João representava a igreja quanto às boas obras e as boas obras contêm todas as coisas do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo, por isso ele foi amado mais do que os outros, como se pode ver
Por ele ter-se reclinado no seio do Senhor e falou com Ele recostando-se ao [Seu] peito (Jo. 13:23, 25);
pelo ‘seio’ e pelo ‘peito’ na Palavra é significado o amor espiritual, que é o amo no ato, e pelo ‘seio’ e ‘peito’ do Senhor é significado o Divino amor mesmo. Por isso, no céu, na província do peito se acham aqueles que estão no amor espiritual.
[7] E também por isso João recebeu Maria, mãe do Senhor, em sua casa e permaneceu com ela, a cujo respeito assim se lê em João:
Jesus, da cruz, “viu a mãe e, ao lado, o discípulo a que amava. Disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho; depois, disse ao discípulo: Eis a tua mãe; por isso, desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua própria [casa]” (Jo. 19:26, 27).
Por essas palavras era significado que a igreja está onde houver caridade no ato, ou, onde houver boas obras, pois pela ‘mãe’ do Senhor e pela ‘mulher’ é significada a igreja, e por ‘João’, a caridade no ato, que são as boas obras. (Que pela ‘mãe’ é significada a igreja vê-se nos Arcanos Celestes, n. 289, 2691, 2717, 3703, 4257, 5581 e 8897; que pela ‘mulher’ é significado o mesmo, acima, n. 555, 707, 721 e 730).
[8] Que a igreja do Senhor esteja naqueles que estão na caridade no ato, ou nas boas obras, e não naqueles que estão fé separada dela, é o que significam também estas palavras que foram relatadas a respeito de Pedro e João, a saber,
Que “Pedro, voltando-se, viu que seguia o discípulo a quem o Senhor amava e que também se reclinava, na ceia, sobre o Seu peito;... vendo-o, Pedro disse a Jesus: Senhor, mas este, o que [será]? Disse-lhe Jesus: Se quero que ele permaneça até que eu venha, que importa a ti? Tu, segue-Me” (Jo. 21:20-22).
Que ‘Pedro’ signifique aí o vero sem o bem, ou a fé separada das boas obras, tal como será no fim da igreja, vê-se acima (n. 820), onde também são explicadas também as palavras que precederam. E como ‘João’ significa os bens da caridade, que são chamados boas obras, e elas estão naqueles que constituem a igreja do Senhor, por isso não era Pedro, mas João, quem seguia o Senhor; e o Senhor disse a Pedro (que dissera: ‘Mas este, que [será]?): ‘Se quero que ele permaneça até que Eu venha, que importa a ti? Tu, segue-Me’, pelo que se entende que o bem da caridade havia ainda de permanecer naqueles que estão no Senhor até o fim da igreja, e não naqueles que estão na fé separada desse bem, o que é significado pelas palavras ditas a Pedro: ‘Que importa a ti?’.
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