. [Vers. 13] “E faz grandes sinais”. Que isto signifique as testificações e as persuasões vê-se pela significação de ‘sinais’, que são testificações e persuasões (de que se tratou acima, n. 706); e como ‘grande’ se atribui ao bem e, no sentido oposto, ao mal, assim, por ‘grandes sinais’ são significadas as testificações e persuasões do falso do mal. Que aqui se diga a respeito da ‘besta’ que ela fez grandes sinais é porque por ela são significadas as confirmações pela Palavra em favor da separada das boas obras; e quando os raciocínios do homem natural – que são significados pela ‘besta’ anterior – são confirmados pela Palavra, então não são somente testificados, mas também persuadem de que assim é. E a razão disso é que esses separadores não querem que a visão intelectual tenha parte alguma nas coisas da fé, as quais eles chamam de mistérios, e quando a visão espiritual não está presente, pode-se persuadir a respeito de tudo o que se quiser, mesmo a respeito daquilo que, apenas pelo lume natural, qualquer um pode ver que é um falso.
[2] Propõe qualquer falso e diz que é um vero, porque veio de algum líder que é tido como iluminado ou inspirado pelos seguidores, e tira o uso da razão, inibindo assim o entendimento para que não entre luz alguma, e verás todas as coisas como veros e serás persuadido. A razão disso é que se crê na primeira proposição sem antes se examinar se é um vero ou um falso. A fim de que se saiba que o falso pode ser confirmado igualmente ao vero, seja este simples exemplo: propõe esta coisa ridícula, que o corvo é branco, e confirma isso por estas afirmações: que o corvo não nasce inteiramente negro; que, quando envelhece, torna-se branco; que suas penas sejam interiormente brancas e também a pele; e que, assim, a negritude é apenas uma sombra dos brancos ao redor; e raciocina que o homem pode até falar segundo a aparência, a saber, dizer que é negro, mas que, no entanto, deve pensar pelo entendimento porque é homem, assim, que [o corvo] é branco porque é interiormente branco, assim como é permitido falar pela aparência a respeito da progressão do sol ao redor da terra, como também se diz na Palavra, que ele nasce e morre, mas que, no entanto, se deve pensar pelo entendimento que é a terra que circunda e causa essa aparência. Acrescenta raciocínios a respeito das cores, que todas elas são brancas por origem, porque procedem da luz do céu; e ainda pelo fato de que toda cor, quando moída até o pó, mesmo o negro cristalino, é branca, e cita os autores de ótica a este respeito. Tira, além disso, o uso da razão e diz que um varão de autoridade e de erudição viu assim, e fixa a mente nas confirmações e não na primeira proposição e talvez haverá quem seja persuadido. Isto, porém, foi chamado de ridículo porque é tolice julgar uma ave por outra cor senão a sua, na qual se mostra, pois assim todas as coisas no mundo serão consideradas brancas.
[3] Dá-se o mesmo com os falsos das heresias, tal como a maior delas que existiu na Babilônia, de que se lê em Daniel, que o rei ali publicou um edito que ele fosse adorado em lugar de Deus. E é também assim com os seus raciocínios, que vêm do inferno, que todas as coisas são da natureza, e mesmo que a natureza as criou por si, e não que Deus criou a natureza. E, se ouso dizer, assim é também com a fé justificante sem a cooperação da vida ativa. Tais coisas se entendem pelos ‘grandes sinais’ que a besta que sobe da terra fez, a qual fez com que descesse fogo do céu à terra, perante os homens, e seduziu os que habitam sobre a terra, por causa dos sinais que lhe foram dados fazer diante da besta, como se diz neste versículo e no seguinte.
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