AE 839

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. Foi mostrado anteriormente que cada homem é o seu amor, e que o amor e a vida do homem fazem um e são um. Dir-se-á agora que a fé do homem é tal qual o seu amor ou vida, e também que a fé do homem é segundo as suas obras. Mostrou-se acima que as obras contêm em si todas as coisas do amor e da vida do homem, visto que as obras são as produções e os efeitos do amor e da vida, e são os últimos em que coexistem todas as coisas anteriores. Daí é que os anjos do terceiro céu conhecem a qualidade do homem pelo som da fala e, também, pelo andar, pelo tato da mão, pelo ato do corpo, por suas maneiras e por muitas outras coisas, que são as ações. No mundo se ignora que o homem é conhecido por tais coisas no terceiro céu, porque o homem pensa que em tais coisas nada existe senão o movimento somente, quando, todavia, a vida de sua mente produz tais coisas por meio da vida de seu corpo, e ambas as vidas, com tudo o que é seu, concorrem para produzi-las, do que se segue que elas se manifestam nisso. Como, pois, a vida do homem se produz nas obras e se manifesta nelas, segue-se que também a sua fé {se produz}, pois a fé é o reconhecimento de que algo é assim, e o reconhecimento pertence ao mesmo tempo ao pensamento e à vontade, e como a vontade e o pensamento produzem pela vida do corpo a ação, por isso também a qualidade da fé se manifesta nas obras. No entanto, nada é conhecido que é assim no pensamento, na vontade e nas obras ao mesmo tempo a menos que também seja do amor e da vida do homem. O amor e a sua vida é que reconhecem. Daí é evidente que a fé, por ser como o amor e a vida do homem, também é como são as suas obras.
[2] Por obras se entendem todas as coisas que o homem faz, fala e escreve, quer sejam grandes e muitas, quer sejam poucas e pequenas, assim como tudo o que um encarregado faz em sua função, tudo o que um sacerdote faz na sua, tudo o que um criado faz na sua, e todas essas obras, tanto pequenas quanto grandes, são boas quando vêm do Senhor nele, e são más quanto vêm do homem mesmo; e são boas na proporção que ele foge dos males porque são pecados contra Deus, e más quando não foge deles. Dá-se de modo semelhante em relação à fé; quais são as suas obras, tais é a sua fé, pois fazem um assim como o pensamento e a fala, e assim como a vontade e ação. O homem acha que, ainda que viva no mal, pode ter a fé, ao menos crer que há um Deus, [que] o Senhor é o Salvador do mundo, que há um céu e um inferno, que a Palavra; mas posso asseverar que, se ele não foge dos males porque são pecados e então visa o Senhor, ele não crê absolutamente em tais coisas, pois elas não são de sua vida e de seu amor, mas somente da memória e de seu conhecimento, os quais não são se torna de sua vida e de seu amor antes que ele combata contra os males e os vence. Isto ficou evidente para mim por muitas pessoas, após a morte, que pensaram que tinham ao menos crido que há um Deus e que o Senhor é o Salvador do mundo, e crenças semelhantes. Contudo, os que viveram no mal não tinham crido.

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