. “E eis o Cordeiro estando sobre o Monte Sião”. Que isto signifique a presença do Senhor no céu e na igreja, para separar os bons , dos maus, e para fazer o juízo vê-se pela significação de “Cordeiro’, que é o Senhor quanto ao Divino Humano (de que se tratou acima, n. 297, 314, 343, 460 e 482); pela significação de ‘estar’, que é estar presente e ser conjunto (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘monte Sião’; que seja o céu e a igreja, onde o Senhor reina por Seu Divino Vero, pode-se ver pela pelas passagens na Palavra onde se nomeia o monte Sião. Mas dir-se-á primeira alguma coisa a respeito da presença do Senhor no céu e na igreja, para separar os bons dos maus e para fazer o juízo. A presença do Senhor é perpétua em todo o céu e em toda a igreja, pois o céu não é céu pelo proprium dos anjos ali, nem a igreja é igreja pelo proprium dos homens ali, mas pelo Divino do Senhor neles, porque o proprium dos anjos não pode fazer o céu, nem o proprium dos homens a igreja, visto que o proprium, tanto dos anjos quanto dos homens, não é bom. Por isso, o Divino que procede do Senhor, recebido por eles, faz o céu e a igreja em particular, em cada um, e, daí, no geral, em todos aqueles nos quais estão o céu e a igreja. Daí é evidente que a presença do Senhor é perpétua em todos os que estão no céu e na igreja, mas é uma presença pacífica, tranquila, que conserva e sustenta, pela qual todas as coisas nos céus e nas terras são constantemente mantidas em sua ordem e conexão, e nela são conduzidos. Dá-se de modo semelhante nos infernos, mas a presença que aqui se entende por ‘estar sobre o monte Sião” é a presença ativa extraordinária do Senhor, por causa do fim, a fim de que o Seu Divino influa pelos céus nos inferiores e, ali, separe os bons dos maus e expulse os maus de seus lugares, onde tinham formado para si uma imagem dos céus. Mas, sobre a presença e a conjunção do Senhor com os céus, e Seu influxo daí nos inferiores para fazer o juízo, tratou-se acima (n. 413, 418, 419, 426, 4891/2, 493, 702 e 704). Esta presença é que é significada por ‘estar’, quando se trata do Senhor, também em outras passagens (como Isaías 3:13). Por aí se pode ver que ‘eis o Cordeiro estando sobre o monte Sião’ significa a presença do Senhor no céu e na igreja, para separar os bons dos maus e para fazer o juízo.
[2] Que pelo ‘monte Sião’ seja significado o céu e a igreja onde o Senhor reina por Seu Divino Vero é porque Sião foi a cidade que David edificou e na qual depois habitou, e daí foi chamada de ‘cidade de David’. E como por David foi representado o Senhor quanto à realeza, que é o Divino Vero, por isso ‘Sião’, na Palavra, significa o céu e a igreja onde o Senhor reina por Seu Divino Vero. Foi por esse motivo, também, que a arca de Jehovah, na que fora depositada a Lei, foi trazida àquela cidade por David, pois pela ‘Lei’ nela, num sentido amplo, é também significado o Divino Vero procedente do Senhor. Foi também por esse motivo que por ‘Jerusalém’, que estava junto a este mesmo monte, é significada a igreja quanto à doutrina, pois toda a doutrina da igreja vem do Divino Vero que procede do Senhor, consequentemente, da Palavra. Que aquela cidade tenha sido edificada sobre aquele monte era porque naquele tempo os montes, por causa de sua altitude, representavam os céus e, daí, também significam os céus na Palavra. A razão da representação e, daí da significação, era porque os céus supremos, onde estão os anjos do terceiro grau, aparecem na altura acima dos outros, e perante os olhos dos outros são como montes. E como os supremos do céu aparecem como montes, e os anjos que se acham sobre eles estão no amor ao Senhor, daí pelos ‘montes’, na Palavra, principalmente pelo ‘monte Sião’, é significado o amor ao Senhor. (Que o ‘monte’ signifique o amor vê-se acima, n. 405 e 510).
[3] Que ‘Sião’ signifique o céu e a igreja, nos quais o Senhor reina por Seu Divino Vero, pode-se ver pelas seguintes passagens. Em David:
“Eu... ungi Meu Rei sobre Sião, monte de Minha santidade; anunciarei a respeito do estatuto, Jehovah Me disse: Tu és Meu Filho, Eu hoje Te gerei;... darei as nações por Tua herança, e as extremidades da terra por Tua possessão. ... Beijai o Filho, para que não [Se] ire, e pereçais no caminho, porque em breve se acenderá a Sua ira; bem-aventurados todos os que n’Ele confiam” (Sl. 2:6-8, 12).
Que essas palavras não sejam ditas a respeito de David, mas do Senhor, é evidente pelo fato de se dizer: ‘Meu Filho, hoje Te gerei; darei as nações por herança e as extremidades da terra por possessão’, e, também, ‘beijai o Filho, para não [Se] ire, e pereçais no caminho; bem-aventurados todos os que confiam n’Ele’, coisas das quais nenhuma delas se pode dizer a respeito de David. Por isso, ‘ungir Rei sobre Sião, monte da santidade’ significa o reino do Senhor no céu e na igreja pelo Divino Vero (o que são ‘ungi’ e ‘ungido’, quando se trata do Senhor, vê-se acima, n. 375); ‘Rei’ significa o Senhor quanto ao Divino Vero, ‘Sião’ significa o céu e a igreja; ‘anunciar a respeito do estatuto’ significa o Seu advento; ‘Meu Filho és Tu, hoje te gerei’ significa o Divino Humano, que também é o Filho de Deus; que Ele tenha todo poder nos céus e nas terras entende-se por ‘darei as nações por herança, e as extremidades da terra por possessão’; que a conjunção com Ele deve ser pelo amor, para que haja salvação, é significado por ‘beijai o Filho, para que não [Se] ire, e pereçais no caminho’; o juízo final realizado por Ele é significado por ‘em breve se acenderá a Sua ira’; que então sejam salvos os que têm fé n’Ele é significado por ‘bem-aventurados os que confiam n’Ele’. Por aí é evidente que por ‘Sião’ se entendem o céu e a igreja, onde o Senhor reina por Seu Divino Vero.
[4] Igualmente, em Zacarias:
“Exulta muito, ó filha de Sião; grita, ó filha de Jerusalém; eis que o teu Rei vem a ti, justo e salvador... manso e cavalgando um jumento, e um filhote, filho de jumenta" (Zc. 9:9).
Que essas palavras sejam ditas a respeito do Senhor e de Seu reino nos céus e nas terras, reino que se entende por ‘Sião’ e por ‘Jerusalém’, é evidente nos Evangelhos, onde essas coisas, quando cumpridas, foram relatadas:
Jesus enviou dois discípulos, para que trouxessem a Ele uma jumenta e seu filhote. Isto aconteceu “para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta, dizendo: Dizei à filha de Sião, eis que teu Rei vem a ti, manso, sentando num jumento, e num filhote, filho de animal de carga” (Mt. 21:1, 2, 4, 5; Jo. 12:14, 15).
Que ‘cavalgar um jumento e um filhote de jumenta’ tenha sido o sinal de um rei e que, por isso, o Senhor assim cavalgou quando entrou em Jerusalém, e por isso foi chamado Rei pela multidão que clamava, e tenham sido postos ramos de palmeiras e vestimentas sobre o caminho diante d’Ele (vers. 7-9), vê-se acima (n. 31). E como o Senhor entrou como Rei em Jerusalém, vê-se que por ‘Sião’ se entende o céu e a igreja, nos quais o Senhor reina pelo seu Divino Vero. Que os reis de Judah e de Israel tenham representado o Senhor quanto ao Divino Vero, e que, daí, pelos ‘reis’ se entendam os que estão nos veros oriundo do bem proveniente d’Ele, vê-se acima (n. 31, 553 e 625); e que principalmente por David na Palavra seja representado o Senhor quanto à realeza, que é o Divino Vero (n. 205).
[5] Em Isaías:
“Sobre um alto monte sobe, ó anunciadora [evangelizatrix] Sião; ergue com poder a tua voz, ó anunciadora Jerusalém; ergue, não temas; dize ás cidades de Judah: Eis o vosso Deus, eis o Senhor Jehovih [que] vem em força” (Is. 40:9, 10).
Como essas palavras foram ditas a respeito do Senhor e de Seu reino, e este é significado por ‘Sião’ e por ‘Jerusalém’, por isso se diz que Sião e Jerusalém o anunciassem, ‘Sião’ pelo bem do amor, e ‘Jerusalém’ pelos veros da doutrina; a evangelização pelo bem do amor é significado por ‘subir a um alto monte’, e pelos veros da doutrina, por ‘erguer a voz com poder’; pelas ‘cidades de Judah’ é significada a doutrina do amor ao Senhor do amor para com o próximo em todo o conjunto; o Senhor quanto ao Divino Vero e quanto ao Divino Bem, que virá e fará o juízo, se entende por ‘eis o vosso Deus, eis o Senhor Jehovah vem em força’, pois na Palavra o Senhor, por causa do Divino Vero, é chamado ‘Deus’, e por causa do Divino Bem é chamado ‘Jehovah’ e, também, ‘Senhor Jehovih’; ‘vir em força’ é para efetuar o juízo e, assim, para subjugar os infernos.
[6] Em Miquéias:
“No fim dos dias, o monte da casa de Jehovah será estabelecido por cabeça dos montes, e elevado mais do que as colinas, e sobre ele afluirão os povos; e irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte de Jehovah, à casa do Deus de Jacob, para que nos ensine a respeito de seus caminhos, e andemos nas suas veredas; pois de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra de Jehovah. Então julgará entre muitas nações, e acusará nações numerosas até ao longe. ... Jehovah reinará... no monte de Sião desde agora e no século; tu... ó, torre do rebanho, ó outeiro da filha de Sião, a ti virá e voltará o primeiro reino, o reino da filha de Jerusalém” (Mq. 4:1-3, 7, 8).
Qualquer um vê que aqui é descrito o advento do Senhor e o seu reino nos céus e nas terras; por isso o Seu reino, que é o céu e a igreja, se entende pelo ‘monte da casa de Jehovah’, que então será estabelecido por cabeça dos montes. E como por ‘Sião’ se entende o céu e a igreja em que o Senhor reinará por Seu Divino Vero, e por ‘Jerusalém’ se entende o céu e a igreja quanto à doutrina desse Divino Vero, por isso se diz: ‘De Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra de Jehovah’. A instrução de todos pelo Senhor é descrita pelo que se segue ali.
[7] Em Isaías:
“Clama e jubila, ó habitadora de Sião, porque grande é o Santo de Israel no meio de ti” (Is. 12:6);
no mesmo:
“Os redimidos de Jehovah voltarão... para Sião com cântico, e regozijo de eternidade [estará] sobre as cabeças deles” (Is. 35:10);
em Sofonias:
“Jubila, ó filha de Sião; grita, ó Israel. Alegra[-te] e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalém; Jehovah removeu os teus juízos, expulsou os teus adversários... Jehovah no meio de ti” (Sf. 3:14, 15);
em Zacarias:
“Jubila e alegra[-te], ó filha de Sião; eis... que Eu venho para habitar no meio de ti... e muitas nações se apegarão a Jehovah naquele dia; ...habitarei em ti” (Zc. 2:10, 11);
no mesmo:
“Voltarei a Sião, e habitarei no meio de Jerusalém, pelo que Jerusalém será chamada cidade da verdade, e o monte de Jehovah [Zebaoth], monte de santidade” (Zc. 8:3);
em David:
“Quem dará em Sião a salvação de Israel? Quando Jehovah fizer voltar o cativeiro do seu povo, Jacob exultará e Israel [se] alegrará” (Sl. 14:7; 53:6);
em Isaías:
“Fundará o Senhor Jehovih em Sião... uma pedra de provação, ângulo precioso fundada de fundação ; quem crer não apressará. Então porei por juízo uma régua, e a justiça por prumo; ... abolirei a vossa aliança com a morte, e a vossa visão com o inferno não subsistirá” (Is. 28:16-18);
no mesmo:
“Naquele tempo será trazida uma oferta a Jehovah Zebaoth, um povo cortado e pilhado... por um povo terrível... ao lugar do nome de Jehovah Zebaoth, ao monte de Sião” (Is. 18:7);
no mesmo:
“Fiz aproximar-se a Minha justiça, não está longe, e Minha salvação não demorará; porei em Sião a salvação, Meu adorno para Israel” (Is. 46:13);
no mesmo:
“Então virá o Redentor de Sião” (Is. 59:20).
Nessas passagens se trata do advento do Senhor e de Seu reino nos céus e nas terras, e visto que esse reino se entende por ‘Sião’ e por ‘Jerusalém’, por isso se diz que a ele viriam e que Jehovah, o Santo e Rei de Israel habitaria ali. Por ‘Jehovah, santo e Rei de Israel’ se entende o Senhor quanto ao Divino Vero. Daí é evidente que por “Sião’ se entende o céu e a igreja, nos quais o Senhor reino pelo Divino Vero, e por ‘Jerusalém’ o céu e a igreja quanto à doutrina desse Divino Vero. Que não vê que trazer as nações a Sião e Jerusalém, e pela habitação do Senhor ali não se entende Sião e Jerusalém onde este a nação judaica?
[8] Pelas passagens que se seguem também se pode ver que por ‘Sião’ se entende o céu e a igreja, nos quais o Senhor reina pelo Divino Vero. Em Isaías:
“Sião será redimida em juízo, e os seus reconduzidos em justiça” (Is. 1:27);
no mesmo:
“O [que for] deixado em Sião, e o resíduo em Jerusalém, será chamado santo a Ele, todo o que for inscrito para a vida em Jerusalém. ... Jehovah criará sobre todo habitáculo do monte de Sião, e sobre a sua convocação, uma nuvem de dia, e uma fumaça, e um esplendor de chama de fogo de noite” (Is. 4:3, 5);
no mesmo:
“Jehovah Zebaoth reinará no monte Sião, e em Jerusalém, e diante dos Seus anciãos em glória” (Is. 24:23);
em Isaías:
Jehovah, “cujo fogo está em Sião, e Sua fornalha em Jerusalém” (Is. 31:9);
no mesmo:
“Jehovah é exaltado, porque habita no alto; encheu Sião de juízo e justiça. ... Olha Sião, cidade de nossa festa marcada; teus olhos vejam Jr, habitáculo tranquilo, tabernáculo que não será dissipado” (Is. 33:5, 20);
no mesmo:
“Desprezou-te, zombou de ti a virgem filha de Sião, move a cabeça após ti a filha de Jerusalém, porque blasfemastes e caluniaste... o Santo de Israel” (Is. 37:22, 23);
em David:
“Para que [eu] enumere todos os Teus louvores nas portas da filha de Sião” [(Sl. 9:14)]. Os lados do norte, a cidade do grande rei; Deus é conhecido em suas ruas” (Sl. 48:2, 3);
no mesmo:
“Circundai Sião, e sitiai-a; numerai as suas torres; ponde o vosso coração nos seus antemuros, distingui os seus palácios, e narrai às gerações seguintes, que este Deus é nosso Deus no século e na eternidade; Ele nos conduzirá” (Sl. 48:11-14);
no mesmo:
“Está [em] Salém o tabernáculo de Deus, e o Seu habitáculo em Sião” (Sl. 76:2);
no mesmo:
O Senhor “elegeu a tribo de Judah, o monte de Sião, ao qual amou” (Sl. 78:68);
no mesmo:
“Jehovah ama as portas de Sião mais do que todos os habitáculos de Jacob; coisas gloriosas se atribuem a ti, cidade de Deus... Jehovah numerará ao descrever o povo, este que é nascido aí; ... todas as minhas fontes estão em ti” (Sl. 87:2, 3, 6, 7);
no mesmo:
“Quando Jehovah trouxer de volta o cativeiro de Sião {???}... então nossa boca se encherá de riso, e nossa língua de cântico” (Sl. 126:1, 2);
no mesmo:
“Jehovah te abençoará desde Sião, para que vejas o bem de Jerusalém todos os dias de tua vida, para que vejas os filhos de teu filhos. Paz sobre Israel.” (Sl. 128:5, 6);
no mesmo:
“Jehovah Elegeu a Sião, desejou[-a] para morada para Si; ela é Meu repouso na eternidade, aqui habitarei, porque a desejei” (Sl. 132:13, 14);
no mesmo:
“Jehovah te abençoará desde Sião” (Sl. 134:3);
no mesmo:
“Bendito Jehovah desde Sião, que habita em Jerusalém” (Sl. 135:21);
no mesmo:
“Jehovah reinará na eternidade; teu Deus, ó Sião, de geração em geração” (Sl. 146:10);
no mesmo::
“Os filhos de Sião exultem em seu Rei, louvem o Seu nome na dança, salmodiem com tambores e harpas” (Sl. 149:2, 3).
Essas passagens a respeito de Sião foram citadas para que qualquer possa ver que por ‘Sião’, na Palavra, não se entende Sião, mas o céu e a igreja, onde o Senhor reina por Seu Divino Vero. Elas são, também, em sua maior parte profecias sobre o Senhor, que, ‘quando viesse, amaria a Sião e moraria ali eternamente’, quando, todavia, não amou essa cidade nem Jerusalém, como se vê por Suas palavras a respeito delas, mas o céu e a igreja onde Ele é recebido por Seu Divino Vero. Assim é que Sião é chamada ‘Seu repouso’, ‘Seu habitáculo’, ‘monte de Jehovah’, ‘cidade de Deus’, ‘cidade do grande Rei’, ‘cidade da verdade’, e que o Seu reino ali seria ‘na eternidade’, ‘no século’, ‘de geração em geração’, coisas que de maneira nenhuma puderam e podem ser entendidas a respeito da Sião de David.
[9] Visto que o Senhor veio ao mundo para fazer o juízo e, por esse modo, repor em ordem todas as coisas nos infernos e também nos céus, e como o juízo se faz pelo Divino Vero (pois este, segundo a recepção, faz o homem espiritual e é segundo as suas leis, que são os preceitos Divinos na Palavra, que se fazem todos os juízos no mundo espiritual), por isso o Senhor assumiu o Humano, e, enquanto esteve no mundo, fez esse Humano o Divino Vero, a fim de fazer o juízo, como foi dito. Que o Senhor fez Seu Humano o Divino Vero entende-se em João por
A Palavra que estava em Deus, e que era Deus, e pela qual foram feitas todas as coisas que foram feitas, e pela qual o mundo foi criado (Jo. 1:1 e sequência);
pela ‘Palavra’ entende-se o Divino Vero. Que o Senhor se tornou este quanto ao Seu Humano diz-se claramente nestas palavras, a saber,
“E a Palavra se fez Carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, glória como a do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo. 1:14).
O Senhor quanto ao Divino Vero também Se entende pelo ‘Filho do homem’, como o Senhor chama a Si mesmos tantas vezes nos Evangelhos, do qual também se diz que ‘faria o juízo’. Ora, como o juízo foi feito pelo Senhor por Seu Divino Vero, e como por ‘Sião’ se entendem o céu e a igreja nos quais o Senhor reina por Seu Divino Vero, por isso no Apocalipse, neste capítulo em que se trata da separação dos bons de entre os maus antes do juízo final, ‘o Cordeiro foi visto estando sobre o monte Sião’, pelo que é significada a presença do Senhor no céu e na igreja para separar os bons de entre os males e para fazer o juízo, como acima foi dito.
[10] Por causa da mesma significação do ‘monte Sião’ é que também se diz em outras passagens na Palavra que o Senhor lutará desde o monte Sião a favor da igreja contra os maus e os destruirá, como nas passagens que seguem. Em Isaías:
“Jehovah Zebaoth descerá para combater sobre o monte Sião, e sobre a sua colina” (Is. 31:4).
Aí se trata também do advento do Senhor e da redenção ou da libertação dos fiéis; por isso, ‘combater sobre o monte Sião e sobre a sua colina’ significa fazer juízo pelo Divino Vero. Que o juízo se faça pelo Divino Vero é porque todos são julgados segundo a sua recepção, pois o Divino Vero ou a Palavra, e a doutrina daí, ensinam a vida, e cada um é julgado segundo ela.
[11] Em David:
Jehovah “enviará teu auxílio desde o santuário, e desde Sião te sustentará; ... cantaremos em Tua salvação, e no nome do nosso Deus levantaremos estandartes. ... Sei que Jehovah guarda o Seu Ungido; responder-Lhe-á desde o céu de Sua santidade, pelas forças de salvação de Sua destra” (Sl. 20:2, 5, 6).
Essas palavras também são a respeito do Senhor e da sua vitória sobre os infernos e, assim, da salvação dos homens. As lutas e as vitórias se entendem por ‘responder ao Ungido desde o céu de santidade, pelas forças da salvação da sua destra’, e a salvação dos fiéis por aí se entende por ‘sustentar-nos desde Sião’ e ‘cantar em Sua salvação’.
[12] No mesmo:
“Jehovah falará, e chamará a terra desde o nascer do sol até o ocaso...; de Sião, a perfeição da formosura, Deus resplandecerá; virá o nosso Deus... clamara ao céu acima, e à terra, para julgar o Seu povo; ajuntai a Mim os Meus santos” (Sl. 50:1-5).
Aí se trata claramente do juízo sobre todos desde Sião, assim, desde o Senhor pelo Divino Vero. A separação dos bons de entre os maus se entende por ‘chamará a terra desde o nascer do sol até o ocaso’; o juízo sobre todos, por ‘clamará ao céu acima, e à terra, para julgar o povo’; o ajuntamento dos bons e a salvação deles se entende por ‘ajuntai a Mim os Meus santos’; o Divino Vero, no qual o Senhor está em sua glória, entende-se por ‘de Sião, a perfeição da formosura, Deus resplandecerá’.
[13] No mesmo:
“Dito de Jehovah ao Meu Senhor: Senta[-Te] à Minha destra, até que [Eu] ponha os teus inimigos [por] escabelo de teus pés. O cetro de Tua força Jehovah te enviará desde Sião; domina no meio de Teus inimigos” (Sl. 110:1, 2).
Que essas palavras sejam ditas a respeito do Senhor é notório pelas palavras do Senhor mesmo em Mateus (22:44). ‘Sentar[-Se] à destra’ significa a onipotência Divina do Senhor; ‘pôr os inimigos [por] escabelo dos pés’ significa subjugar completamente e submeter os infernos; ‘cetro da força desde Sião’ significa o Divino Vero, que tem a onipotência; ‘Sião’ é o céu, onde o Senhor reina por Seu Divino Vero; o domínio dos infernos pelo Divino Vero é significado por ‘domina no meio dos inimigos’. Que somente o Senhor tenha onipotência, e que Ele a tenha por Seu Divino Vero, vide acima (n. 726); que os veros tenham todo o poder pelo bem, e o bem, assim, o vero, pelo Senhor, também acima (n. 209, 338, 716, 776 e 783).
[14] Em Isaías:
“Desperta, desperta! Veste a tua força, ó Sião. Veste as vestes de teu ornamento, Jerusalém, cidade de santidade” (Is. 52:1).
Visto que ‘Sião’ significa o céu, onde o Senhor reina por Seu Divino Vero, e visto que o Divino Vero tem todo o poder, por isso se diz: ‘desperta, desperta! Veste a tua força, ó Sião’; a doutrina daí é significada pelas ‘vestes de ornamento’ que Jerusalém vestirá.
[15] Em Joel:
“Jehovah... rugirá desde Sião, e de Jerusalém emitirá a Sua voz, para que se estremeçam os céus e a terra;... então conhecereis que Eu [sou] Jehovah... que habito em Sião, monte de Minha santidade, e que Jerusalém é santidade. Estrangeiros não passarão mais por ela” (Jl. 3:16, 17, 21);
em Amós:
“Jehovah rugirá de Sião, e de Jerusalém emitirá a Sua voz” (Am. 1:2);
por ‘rugir’ e pelo ‘rugido do leão’, quando se trata de Jehovah, é significado o zelo ardente de proteger o céu e a igreja, e de salvar aqueles que ali estão, o que se faz por destruir os males e falsos que insurgem do inferno, pelo Divino Vero e seu poder (vide acima, n. 601); e como por ‘Sião’ é significado o céu, onde o Senhor reina pelo Divino Vero, e por ‘Jerusalém’ a doutrina daí, pode-se ver o que é significado por ‘Jehovah rugirá desde Sião, e de Jerusalém emitirá a Sua voz’. Que o Senhor esteja onde reina por Seu Divino Vero, tanto nos anjos do céu quanto nos homens da igreja, é significado por ‘conhecereis que Eu [sou] Jehovah, que habito em Sião, monte de Minha santidade’; que não haja falsos e males ali é significado por ‘estrangeiros não passarão por ela’; ‘estrangeiros’ são os falsos do mal.
[16] Em Isaías:
“Dia da vingança de Jehovah, ano de retribuições pela disputa de Sião” (Is. 34:8);
pelo ‘dia da vingança de Jehovah’ e pelo ‘ano de retribuições’ é significado o juízo final e a danação daqueles que, pelos falsos e males, desolaram todos os veros da igreja, que é ‘pela disputa de Sião’. Em David:
“Jehovah, grande em Sião, e alto Ele é sobre todos os povos;... a força do rei...” (Sl. 99: 2, 4);
aí Sião é chamada ‘força do rei’ por causa do Divino Vero, que tem o poder mesmo.
[17] No mesmo:
Jehovah, “Tu [Te] levantarás, e te compadecerás de Sião, porque é tempo de se compadeceria dela, pois veio o tempo determinado. Porque os Teus servos desejam as suas pedras, e se compadecem de seu pó, para que as nações temam o nome de Jehovah, e todos os reis da terra a tua glória; que Jehovah edificou Sião e apareceu em Sua glória. Será anunciado em Sião o nome de Jehovah, e Seu louvor em Jehovah, quando os povos serão juntamente congregados, e os reinos, para servirem a Jehovah” (Sl. 102:13-16, 21, 22).
Essas palavras são a respeito do advento do Senhor e da redenção dos fiéis por Ele. O Seu advento é significado pelo ‘tempo de se compadecer dela’ e pelo ‘tempo determinado’; os ‘veros que devem ser restaurados e são restaurados são significados pelas ‘pedras’ que os servos desejam; a instauração da igreja e do culto ao Senhor pelos Divinos veros é descrita pelo que se segue ali.
[18] A devastação da igreja pela nação judaica, pelo fato de terem falsificado todo Divino Vero, é também descrita por ‘Sião’ em várias passagens na Palavra, como em Isaías:
“As cidades de Tua santidade se tornaram um deserto, Sião se tornou um deserto, e Jerusalém uma assolação” (Is. 64:10);
nas Lamentações:
“Os filhos preciosos de Sião, estimados como ouro puro, como foram considerados como vasos de barro, obra das mãos de oleiro” (Lm. 4:2 ao fim, e também Is. 3:16-26; Jr. 6:2; Mq. 3:10, 12 e outras passagens).
Em muitas passagens também se nomeia a ‘virgem’ e a ‘filha de Sião’, como nas seguintes: 2 Re. 19:21; Is. 1:8; 3:16, 17; 4:4; 10:32; 16:1; 37:22; 52:2; 62:11; Jr. 4:31; 6:2, 23; Lm. 1:6; 2:1, 4, 8, 10, 13, 18; 4:22; Mq. 1:13; 4:8, 10, 13; Sf. 3:14; Zc. 2:10; 9:9; Ps. 9:15; Mt. 21:5; Jo. 12:15 e outras passagens, e pela ‘filha de Sião’ é significada a afeição espiritual do Divino Vero. A afeição espiritual do Divino Vero é o amor do vero por causa do vero, e o desejo pelo vero por causa dos usos da vida eterna. Por aí se pode ver, agora, o que é significado por ‘o Cordeiro ser visto estando sobre o Monte Sião’, a saber, porque na sequência ali se trata da separação dos bons de entre os males, para se fazer o juízo.
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