. “Sim, diz o Espírito, para que repousem de seus trabalhos”. Que isto signifique que não estarão mais na luta contra os falsos e males e nas infestações por estes vê-se pela significação de ‘diz o Espírito’, que é a asseveração de que é verdadeiro, pois pelo ‘anjo’, é significado o vero oriundo do Senhor, semelhantemente ao que é significado pelo ‘Espírito’; pela significação de ‘trabalhos’, que são as lutas contra os males e falsos e as infestações por eles, assim, as tentações (de que se tratará a seguir); daí, ‘repousar deles’ significa que não mais estarão neles. Daí é evidente que ‘diz o Espírito: para que repousem de seus trabalhos’ significa que é verdadeiro que eles não estarão mais na luta contra os males e falsos e na infestação por eles. No versículo precedente tratou-se das tentações dos que vivem segundo os segundo os preceitos do Senhor e que reconhecem o Seu Divino; por isso, neste versículo se trata das consolações, que seguem as tentações espirituais, pois, como foi dito acima, há regozijos após as tentações espirituais. Que pelos ‘trabalhos’ se entendam as tentações é porque as tentações são trabalhos da alma, ou trabalhos espirituais.
[2] Elas também se entendem pelo ‘trabalho’ em Isaías:
“Jehovah quis esmagá-Lo, enfraqueceu{-O}; se der a Sua alma por oferta de pecado verá a semente, prolongará os dias, e a vontade de Jehovah prosperará por Sua mão. Do trabalho de Sua alma verá, e ficará saciado” (Is. 53:10, 11).
Essas palavras são a respeito do Senhor, de Quem se trata em todo esse capítulo. As tentações do Senhor, que foram gravíssimas, porque foram os infernos, são descritas por ‘Jehovah querer esmagá-Lo, tê-Lo enfraquecido’, pois pelas tentações os amores do proprium são quebrados e assim o corpo é esmagado e enfraquecido; ‘se der a Sua por alma oferta de pecado’ significa se suportar as tentações até a morte; ‘verá a semente’ significa que o Divino Vero procederá d’Ele (‘semente’ é o vero, e, onde se trata do Senhor, o Divino Vero); ‘prolongará os dias’ significa o Divino Vero, que também procederá d’Ele (‘longo’ e, daí, ‘prolongar’, se diz do bem (vide acima, n. 629, e ‘dias’ significa estado); ‘e a vontade de Jehovah prosperará por Sua mão’ significa que assim todas e cada uma das coisas nos céus e nas terras serão mantidas na ordem Divina; ‘do trabalho de Sua alma’ significa pela tentações; ‘verá, ficará saciado’ significa a glorificação. Tais coisas são significadas por essas palavras no sentido supremo, no qual se trata do Senhor; mas, num sentido relativo, pelas mesmas palavras se descreve a salvação do gênero Humano, pelo qual o Senhor lutou pelo Divino Amor.
[3] É dito ‘se der a Sua alma por oferta de pecado’ como se fosse uma dúvida de que faria, mas isto envolve o mesmo que Ele diz em João:
“Eu dou a Minha alma, e de novo a tomo; ninguém a tira de Mim, mas Eu a ponho por Mim mesmo. Eu tenho autoridade para dá-la e tenho autoridade para recebê-la. Este preceito recebi do Meu Pai” (Jo. 10:17, 18).
Ninguém pode ver o arcano que se encerra nessas palavras se não souber quais são as tentações, pelas quais o homem é regenerado. Com efeito, nelas o homem é mantido em seu livre, pelo que lhe parece como se lutasse por si mesmo. De fato, nas tentações o homem tem o livre espiritual mais forte do que fora delas, pois é mais interior. Se o homem não lutasse pelo livre nas tentações não poderia se tornar espiritual, porque todo livre pertence ao amor; por isso o homem então luta pelo amor do vero e, daí, pelo amor da vida eterna. Assim, e não de outro modo, o interno é aberto e o homem é regenerado. Por estas poucas explicações pode-se de algum modo ver o que essas palavras do Senhor envolvem, a saber, que Ele lutou por Seu livre e, finalmente, depôs a Sua alma, a fim de fazer todas as coisas pelo próprio poder e, assim, por Si mesmo se fizesse Justiça, o que não poderia ter sido feito senão por Seu livre. Daí é que diz: ‘Eu dou a Minha alma por Mim mesmo. Tenho autoridade para dá-la e autoridade para recebê-la. Este preceito recebi do Meu Pai’.
[4] Os que não conhecem esse arcano interpretam essas palavras como os arianos, que Ele não foi Filho de Deus real, mas adotivo; assim, que foi adotado porque quis dar a Sua alma, ou sofrer a morte de cruz. Não sabem que essas palavras envolvem que por Seu próprio poder lutou contra os infernos por Seu Humano e os venceu, e que pelo próprio poder glorificou o Seu Humano, isto é, uniu-o ao Divino em Si e assim o fez Divino; que, se não tivesse deixado no livre absoluto quanto ao Humano não poderia ter feito coisa alguma. Daí é agora evidente por que se diz em Isaías: ‘se der a Sua alma por oferta de pecado’. (Que o livre seja aquilo que pertence ao amor e à vontade, e, assim, à vida do homem, e que pareça como se fosse seu proprium, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 141 e 145. Que o deva ter o livre para que possa ser regenerado vê-se nos Arcanos Celestes, n. 1937, 1947, 2876, 2881, 3145, 3158, 4031 e 8700. Que o amor do bem e do vero não possa ser implantado de outro modo e ser apropriado aparentemente como seu, n. 2877, 2879, 2880 e 8700. Que nada do que se faz por constrangimento seja conjunto ao homem, n. 2875 e 8700. Que constranger-se venha do livre, mas não ser constrangido, n. 1937 e 2881. Que em toda tentação haja o livre, mas que esse livre esteja interiormente no homem pelo Senhor, e que por isso ele lute e quer vencer, e não ser vencido, o que não faria sem o livre, n. 1937, 1947 e 2881. Que somente o Senhor tenha lutado pelo próprio poder contra os infernos e os tenha vencido, n. 1692, 1813, 2816, 4295, 8273 e 9937. Que, daí, o Senhor tenha-se feito Justiça por Si somente, n. 1813, 2025-2027, 9715, 9809 e10019. Que a última tentação do Senhor tenha sido no Gethsemani e sobre a cruz, e então, também, a vitória plenária pela qual subjugou os infernos e ao mesmo tempo glorificou o Seu Humano, n. 2776, 2803, 2813, 2814, 10655, 10659 e 10828. Todas essas passagens são dos Arcanos Celestes, dos quais muitas coisas se vêm coligidas na Doutrina da Nova Jerusalém, onde se trata do livre do homem, n. 148 e 149, das tentações em geral, n. 196-200; e das tentações do Senhor, n. 201 e 302).
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