AE 950

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Vestidos de linho puro e esplêndido”. Que isto signifique pelo Divino Vero ou Palavra no sentido espiritual vê-se pela significação de ‘linho’, que é o vero, e quando se trata do Senhor ou da Palavra, é o Divino Vero. Este é chamado ‘puro’ pelo fato de ser genuíno, e ‘esplêndido’ por causa da luz no céu, luz essa que é o esplendor, pois por ela todas as coisas que há ali resplandecem. O Divino Vero procedente do Senhor é o que aparece perante os olhos dos anjos como luz, pelo fato de que o Divino Vero ilumina o entendimento deles, e o que ilumina o entendimento dos anjos brilha diante dos olhos deles. Tal é o Divino Vero no céu e tal é a Palavra em seu sentido espiritual. Mas o Divino Vero na terra é qual é a Palavra no sentido da letra, no qual há poucos veros genuínos, como no céu, mas há aparências de vero. O homem natural não recebe outros. No entanto, os veros genuínos, quais os que há no céu, jazem ocultos nas aparências de vero ali, pois são as coisas que estão no sentido espiritual da Palavra. Por aí é evidente que ‘os anjos saíram do templo vestidos de linho puro e esplêndido’ significa que, pelo Divino Vero ou Palavra em seu sentido espiritual, foram manifestos os males e os falsos que devastaram a igreja.
[2] Há muitas razões pelas quais o sentido espiritual da Palavra foi agora desvendado. Uma, porque as igrejas no mundo cristão falsificaram todo o sentido da letra da Palavra, e isto até a destruição do Divino Vero no céu, pelo qual o céu foi fechado. Por isso, para que o céu fosse aberto, aprouve o Senhor revelar o sentido espiritual da Palavra, no qual está o Divino Vero como é no céu, pois pela Palavra há conjunção do homem com o Senhor e, daí, com o céu. Quando a Palavra é falsificada até a destruição de seu vero genuíno, então a conjunção perece e o homem é separado do céu; para que, pois, ele seja de novo conjunto ao céu, foi revelado o Divino Vero como é no céu, e isto é confirmado pelo sentido espiritual da Palavra, no qual está o Divino Vero. A segunda razão foi que os falso que inundaram a igreja e a devastaram não poderiam ser dispersos senão pelo vero genuíno na Palavra aberta. Os falsos e os males daí, e os males e os falsos daí, não podem de modo algum ser vistos senão pelos veros mesmos, porque os falsos e males, enquanto os veros genuínos não estiverem presentes, aparecem como que numa espécie de luz; a luz deles vem das confirmações por meio de raciocínios do homem natural e pelo sentido da letra segundo as aparências, explicado e aplicado diante desse homem. Quando, porém, os veros genuínos se apresentam, então os falsos e males aparecem pela primeira vez, pois a luz do céu, que vem dos veros genuínos, dissipa a luz fátua dos falsos e a converte em trevas. A terceira razão é para que a Nova Igreja, que se entende pela ‘Santa Jerusalém’ no apocalipse, seja conjunta ao céu por meios dos Divinos veros da Palavra, os quais estão em seu sentido espiritual. Com efeito, a Palavra é conjunção, mas o homem tem conjunção quando ele {percebe} a Palavra assim como os anjos a percebem. Que o ‘linho’ signifique o vero ver-se-á no artigo seguinte.
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Continuação
Do Primeiro Preceito
[3] “Não farás outros deuses para ti” envolve também não amar a si e ao mundo acima de todas as coisas, pois aquilo que é amado sobre todas as coisas, isto é um deus. Há dois amores inteiramente opostos entre si, o amor de si e o amor a Deus, e também o amor do mundo e o amor do céu. Quem ama a si mesmo ama o seu proprium, e o proprium do homem não é outra coisa senão o mal; assim, ele também ama o mal em todo o conjunto, e quem ama o mal tem ódio ao bem, e, assim também, a Deus. Quem ama a si mesmo sobre todas as coisas imerge as suas afeições e seus pensamentos no corpo e, assim, em seu proprium, do qual não pode, então, ser elevado pelo Senhor. E quem está imerso no corpo e em seu proprium está nas ideias do corpo e nas volúpias que são meramente do corpo; está, daí, na escuridão quanto às coisas que estão acima. Quem, todavia, é elevado pelo Senhor está na luz, e quem não está na luz do céu, mas na escuridão, esse, como não coisa alguma de Deus, nega a Deus e em lugar de Deus reconhece a natureza, ou algum homem, ou algum ídolo, e também almeja ser adorado como Deus. Segue-se daí que quem ama a si mesmo sobre todas as coisas adora outros deuses. Semelhantemente, quem ama o mundo, mas num grau menor, pois o mundo não pode ser amado tanto quanto o proprium o é, pelo que o mundo é amado a partir do proprium e por causa do proprium, porque lhe serve. Por ‘amor de si’ entende-se principalmente o amor de governar sobre os outros pelo prazer do domínio somente e por causa da eminência, e não pelo prazer dos usos e por causa do bem público. E por ‘amor do mundo’ entende-se principalmente o amor de possuir os bens no mundo pelo prazer único da posse e por causa da opulência, e não pelo prazer do uso por eles e por causa do bem daí. Esse amor, em ambos os casos, é sem limite; precipita-se ao infinito, quando se lhe dá oportunidade.

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