. [Vers. 1] “E ouvi uma [grande] voz do templo, dizendo aos sete anjos”. Que isto signifique pelo Divino Vero da Palavra foram manifestos os males e falsos que devastaram a igreja vê-se pela significação de ‘voz do templo’, que é o Divino Vero da Palavra, pois a ‘voz’ significa o Divino Vero (vide n. 261 e 668), e o ‘templo do tabernáculo do testemunho’, do qual a voz saiu, significa a Palavra em que está o Divino Vero natural e espiritual (n. 948); pela significação de ‘sete anjos’, que são as manifestações (como algumas vezes acima). E como pelas ‘sete taças’ ou ‘pragas’ que eles tinham são significados os males e falsos que devastaram a igreja, por isso pelos ‘sete anjos’ aqui são significadas as manifestações de todos os males e falsos que devastaram a igreja. No que agora se segue trata-se também da manifestação deles.
* * * * * * *
Continuação
[2] No capítulo precedente, ao fim de cada artigo tratou-se do primeiro preceito do Decálogo. Nos artigos que agora se seguem, neste capítulo, deve-se tratar dos demais preceitos do decálogo. Aqui, pois, do segundo preceito: ‘Não profanarás o nome de Deus’. Dir-se-á primeiro o que se entende pelo ‘nome de Deus’ e, depois, o que se tende por ‘profaná-lo’. Pelo ‘nome de Deus’ se entende toda {qualidade} pela qual Deus é adorado, pois Deus está em Sua qualidade e é a Sua qualidade. A essência d’Ele é o Divino Amor, e a qualidade d’Ele é, daí, o Divino Vero unido ao Divino Bem; assim, conosco nas terras é a Palavra. Por isso também se diz em João:
“A Palavra estava em Deus, e Deus era a Palavra” (Jo. 1:1);
e daí também é a doutrina do vero genuíno e do bem oriunda da Palavra, pois segundo ela é o culto.
[3] Ora, visto que a qualidade d’Ele é múltipla, pois contém todas as coisas que vêm d’Ele, por isso as qualidades d’Ele são os nomes, e cada nome envolve exprime a Sua qualidade em geral e em particular. Com efeito, Ele é nomeado “Jehovah”, “Jehovah Zebaoth”, “Senhor”, “Senhor Jehovih”, “Deus”, “Messias” ou “Cristo”, “Jesus”, “Salvador”, “Redentor”, “Criador”, “Formador”, “Feitor”, “Rei” e “Santo de Israel”, “Rocha” e “Pedra de Israel”, “Schiloh”, “Schaddai”, “David”, “Profeta”, “Filho de Deus” e “Filho do homem”, além de outros {nomes}. Todos esses nomes são nomes de um só Deus, que é o Senhor, mas onde são citados na Palavra eles significam algum atributo universal ou qualidade Divina distinto de outros atributos ou qualidades Divinas. Semelhantemente onde se diz “Pai, Filho e Espírito Santo”, não se entendem três, mas um só Deus; ou, não são três Divinos, mas um só; e esse trino, que é um, é o Senhor.
[4] Visto que cada nome significa algum atributo ou qualidade distinta, por isso, por ‘profanar o nome de Deus’ não se entende profanar o nome mesmo, mas uma qualidade d’Ele. A razão pela qual o ‘nome’ significa a qualidade é também porque no céu cada um é nomeado segundo a sua qualidade, e a qualidade de Deus ou o Senhor é tudo o que vem d’Ele, pelo que Ele é adorado. Daí é que no inferno não se pode nomear o Senhor, porque ali não se reconhece qualidade Divina alguma do Senhor. E, no mundo espiritual, os Seus nomes não podem ser pronunciados por algum senão como o Seu Divino é reconhecido, pois todos ali falam de coração, assim, do amor e do reconhecimento daí.
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