. “E toda alma vivente morreu no mar”. Que isto signifique que nada mais da Palavra há no homem natural pelo espiritual vê-se pela significação de ‘alma vivente no mar’, que é o que tem em si a vida espiritual (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘mar’, que são os veros gerais no homem natural, e, assim também, as cognições do vero da Palavra (de que se tratou logo acima, n. 9650); delas se diz ‘mortas’ quando não têm vida alguma proveniente do mundo espiritual ou do céu. Pela ‘alma vivente no mar’ se entende os peixes de vários gêneros, pelos quais são significados os conhecimentos do homem natural (vide acima, n. 531); e são também significadas as cognições do vero da Palavra nos homens naturais, pois nesses as cognições do vero da Palavra não são diferentes dos conhecimentos do mundo. A razão disso é que neles [as cognições] não têm em si vida espiritual alguma e, no entanto, as cognições da Palavra, se nelas não influi do céu o espiritual, não são vivas, mas mortas.
[2] As cognições do vero da Palavra não vivem no homem antes de o homem interno espiritual ser aberto, e este é aberto pelo Senhor quando o homem é regenerado; então, pelo homem espiritual aberto influi do céu o espiritual nas cognições do vero e do bem que procedem da Palavra no homem natural, e as vivifica. De tal modo as vivifica que as cognições do vero e do bem no homem natural se tornam correspondências das coisas espirituais que estão no homem interno espiritual, e quando são correspondências, elas vivem, porque então em cada uma das cognições ou dos veros está incluso o espiritual, como a alma em seu corpo. Daí acontece que o homem, após a morte, vem a essas coisas espirituais, e as cognições com as quais elas corresponderam lhes servem de base. Dá-se diferentemente, porém, com aqueles nos quais as cognições da Palavra não foram vivificadas. O espiritual que do céu influi nas cognições é a afeição do vero, a afeição do bem e a afeição de frutificar, pois é o calor espiritual, que é o amor ou a afeição do bem, e a luz espiritual, que é a afeição do vero. Estas são as coisas espirituais que influem e vivificam as cognições do vero da Palavra naqueles que estão na vida de caridade e na fé daí; mas essas mesmas cognições naqueles que estão na fé separada da vida de caridade são mortas. É isto, pois, que é significado por ‘toda alma vivente foi morta no mar’.
* * * * * * *
[Continuação].
[3] Do Quinto Preceito, “Não Roubarás”22. Pelos ‘furtos’ se entendem não somente os furtos manifestos, mas também os não manifestos, tais como os juros e os ganhos ilícitos, que se fazem por meio de fraudes e astúcias sob várias espécies, para que ou pareçam lícitos ou clandestinamente, para que não apareçam. Tais ganhos se dão geralmente com os administradores dos bens alheios, superiores e inferiores, com os negociantes, e também com os juízes que vendem a justiça e, assim, praticam uma justiça mercenária. Estas e muitas outras coisas são furtos de que se deve abster e de que se deve fugir e, finalmente, tidos em aversão como pecados contra Deus, por serem contra as leis Divinas que estão na Palavra e contra esta lei, que é uma das leis fundamentais de todas as religiões em todas as terras do mundo. Com efeito, esses dez preceitos são universais, dados por causa de um fim: que o homem viva pela religião quando vive por eles, porque pela religião o homem é conjunto ao céu; mas pela vida de acordo com eles, pela obediência da lei civil e moral, o homem é conjunto ao mundo e não ao céu, e ser conjunto ao mundo e não ao céu é ser conjunto ao inferno.
* * * * * * *
[DOWNLOAD]
[VERSAO IMPRESSA]
Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.