. [Vers. 4] “E o terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes de águas”. Que isto signifique o estado da igreja manifestado quanto à faculdade de entender os veros da Palavra vê-se pela significação do ‘anjo derramando a taça’, que é o estado da igreja manifestado (como acima, n. 960, 961 e 965); pela significação de ‘rios’, que são as coisas tais que pertencem à inteligência e, daí, que pertencem à faculdade de entender (de que se tratou no n. 518); e pela significação de ‘fontes de águas’, que são os veros da Palavra (de que se tratou no. 483). É evidente, por conseguinte, que pelo ‘terceiro anjo ter derramado a sua taça nos rios e nas fontes de águas’ é significado o estado da igreja manifestado quanto à faculdade de entender os veros da Palavra.
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Continuação sobre o Quinto Preceito
[2] O homem foi criado de tal modo para ser uma imagem do céu e uma imagem do mundo, pois é um microcosmo. O homem nasce uma imagem do mundo pelos pais, e nasce de novo para ser uma imagem do céu. Nascer de novo é ser regenerado, e é regenerado pelo Senhor por meio dos veros da Palavra e por uma vida segundo os eles. O homem é imagem do mundo quanto à sua mente natural, e imagem do céu quanto à mente espiritual. A mente natural, que é o mundo, está abaixo, e a mente espiritual, que é o céu, acima. A mente natural é cheia de males de todo gênero, como furtos, adultérios, homicídios, falsos testemunhos, concupiscências e mesmo blasfêmias e profanações de Deus. Esses e muitos outros males residem nessa mente, pois estão ali os seus amores e, daí, os prazeres de pensar, de querer e de fazê-los. Essas coisas são inatas a essa mente pelos pais, porque o homem nasce e cresce nas coisas que estão na mente. É só pelos vínculos do direito civil e pelos vínculos da vida moral que ele é reprimido de fazê-los e, assim, de manifestar os esforços de sua vontade depravada. Quem não pode ver que o Senhor não pode influir do céu no homem, e ensiná-lo e conduzi-lo, antes que os males sejam removidos? Porque eles impedem, repelem, pervertem e sufocam os veros e bens do céu, que do superior se apresentam, pressionam e esforçam para influir. Com efeito, os males são infernais e os bens são celestes, e todo infernal se abrasa de ódio contra todo celeste.
[3] Daí é evidente, portanto, que antes que o Senhor possa influir do céu e com o céu, e formam o homem à imagem do céu, é necessário que sejam removidos os males que residem amontoados na mente natural. Ora, uma vez que a primeira coisa é que os males sejam removidos antes que o homem possa ser ensinado e conduzido pelo Senhor, é evidente a razão pela qual em oito preceitos do Decálogo se enumeram más obras que não devem ser feitas, mas não boas obras que devam ser feitas. O bem não existe juntamente com o mal, nem existe antes de os males serem removidos; antes disso não existe um caminho do céu no homem, pois o homem é como uma mar negro, cujas águas devem ser removidas de ambos os lados, antes que o Senhor na nuvem e no fogo dê passagem aos filhos de Israel. O ‘mar’ negro também significa o inferno, o ‘faraó com os egípcios’, o homem natural, e os ‘filhos de Israel’, o espiritual.
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