. [Vers. 6] “Porque derramaram o sangue de santos e de profetas”. Que isto signifique porque falsificaram os veros da Palavra e da doutrina da Palavra vê-se pela significação de ‘sangue’ que é o Divino Vero (de que se tratou nos n. 30, 328, 329, 476 e 748, e pela significação de ‘derramá-lo’, que é fazer violência ao Divino Vero, o que é falsificá-lo (de que se tratou no n. 329); pela significação de ‘santos’, que são aqueles que estão no Divino Vero do Senhor (de que se tratou no n. 204) e, no sentido abstrato, os Divinos veros vindos do Senhor (n. 325); e como pelas coisas ‘santas’ se entendem os Divinos veros na Palavra, assim, por elas se entende a Palavra; e pela significação de ‘profetas’, que são os que ensinam a partir da Palavra e, no sentido abstrato, os veros da doutrina da Palavra (de que se tratou no n. 624). Daí, pois, por ‘derramar o sangue de santos e de profetas’ é significado falsificar os veros da Palavra e os veros da doutrina da Palavra.
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Continuação sobre o Quinto Preceito
[2] Foi dito que quanto mais o homem foge dos males como pecados e tem aversão a eles mais faz os bens, e que os bens que ele faz são as boas obras que se entendem na Palavra, em razão de que elas são feitas no Senhor; também, que essas obras são boas na proporção que o homem tem aversão aos males que lhe são opostos, visto que na mesma proporção são feitas pelo Senhor, e não pelo homem. Há, todavia, obras mais ou menos boas, segundo os usos que se prestam, pois as obras devem ser o uso. Os usos excelentes são os que se fazem por causa do uso da igreja; a elas sucedem em bondade as que se fazem como usos da pátria, e assim por diante. Os usos determinam a bondade das obras. A bondade das obras cresce no homem segundo a plenitude de verdades das quais se tornam afeições, pois o homem que tem aversão aos males como pecados quer saber os veros, porquanto os veros ensinam os usos e a qualidade do bem deles. Daí é que o bem ama o vero e o vero ama o bem, e que querem estar conjuntos. Quanto mais, pois, esse homem aprende os veros pela afeição deles, mais faz os bens sábia e plenamente. Sabiamente porque sabe distinguir os usos e fazê-los com juízo e justiça, e plenamente porque todos os presentes estão presentes para operar o uso, e formam a esfera espiritual que a afeição deles produz.
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