AE 974

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Porque julgaste estas coisas.” Que isto signifique do Qual foi previsto que se fizessem essas coisas, e foi provido para que não se causasse dano aos céus, que estão no Divino Bem e no Divino Vero, vê-se pela significação de ‘julgá-las’, que é fazer com que se façam ou aconteçam, a saber, as coisas que se seguem, ‘porque derramaram o sangue de santos e profetas, e lhes destes sangue a beber’. Como, porém, essas coisas foram ditas a respeito do Senhor, e o Senhor nunca dá a alguém sangue a beber’, ou dá aquilo que é significado por ‘beber sangue’, e, todavia, essas coisas, assim como muitas na Palavra, no sentido da letra, são atribuídas ao Senhor, segue-se que por essas palavras deve-se entender que foi previsto pelo Senhor que elas se fizessem e foi provido para que não se causasse por isso dano aos céus, que estão no Divino Bem e no Divino Vero. Com efeito, o Senhor prevê o mal e provê o bem. Estas são, pois, as coisas das por essas palavras no sentido espiritual, ou quando é tirado o natural, que é exterior, e aparece o espiritual, que é interior. Por conseguinte, quando o pensamento do homem natural, que é segundo as aparências, é despido do pensamento é subtraído pelo pensamento espiritual dos anjos, o qual é segundo a essência da coisa. Daí é evidente qual é o sentido da letra da Palavra e qual é o seu sentido espiritual, e também qual o pensamento humano e qual é o pensamento angélico, ou seja, que sempre concordam, como o interno e o externo, ou como a causa e o efeito, e que é tirado o efeito ou o externo no homem e se apresenta a causa ou interno nos anjos que estão no homem. Daí é que o santo interno vindo dos anjos sempre influi no pensamento externo do homem que tem a Palavra como santa, embora ele o ignore.

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Continuação sobre o Quinto Preceito
[2] Quando o homem começa a fugir dos males porque são pecados e ter aversão a eles, então todas as coisas que faz são boas e também podem ser chamadas boas obras, com diferença segundo os usos que presta. Porque as coisas que o homem faz antes de fugir dos males como pecados e ter aversão a eles são obras vindas do homem, as quais, porque nelas está o proprium do homem, o qual não é outra coisa senão o mal e também o mundo pelo qual age, elas são, por isso, obras más. Mas as obras que o homem faz depois que foge dos males como pecados e tem aversão a eles são obras boas. A diferença entre as obras do homem e as obras do Senhor no homem não aparece à vista dos homens, mas claramente à vista dos anjos. As obras que são feitas pelo homem são como sepulcros exteriormente caiados, os quais estão interiormente cheios de ossos dos mortos. São como o prato e o copo exteriormente purificados, nos quais estão coisas imundas de todo gênero. São como um fruto interiormente podre, mas brilhante na pele externa, ou como nozes ou amêndoas interiormente corroídas por vermes, mas com a casca íntegra. Ou como uma fétida meretriz com uma bela face. Tais são as boas obras vindas do homem mesmo, porque, por mais que aparecem boas por fora, jorram de dentro, todavia, impurezas de todo gênero, pois os seus interiores são infernais e os exteriores aparecem como se fossem celestes. Depois, porém, que o foge dos males como pecados e tem aversão a eles, as suas obras são boas não só exteriormente, mas também interiormente, e em grau maior quanto mais interiormente são, pois quanto mais interiores são, mais próximas do Senhor estão. São, pois, como frutos que tem polpa saborosa e em cujo meio se encerram muitas sementes, das quais novas árvores e até pomares podem nascer. Todas e cada uma das coisas em seu homem natural são como ovos dos quais podem ser produzidos bandos de pássaros e encher muito do céu. Em suma, quando o homem foge dos males como pecados e tem aversão a eles, as obras que ele faz são vivas, enquanto as que ele antes fazia eram mortas, porque vivo é o que vem do Senhor, e morto é o que vem do homem.

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