. [Vers. 11] “E blasfemaram o Deus do céu”. Que isto signifique a falsificação da Palavra vê-se pela significação de ‘blasfemar’, quando se trata de Deus, que é falsificar a Palavra até a destruição do Divino Vero nos céus (de que se tratou no n. 778); e pela significação de ‘Deus do céu’, que o Divino Vero procedente do Senhor. Isto se entende por ‘Deus do céu’ aqui e em outras passagens na Palavra porque todo o céu consiste desse Divino. Daí é que os anjos são chamados ‘deuses’ e significam os Divinos veros que vêm do Senhor, e daí também é que o Senhor é chamado ‘Palavra’, que é o Divino Vero. Daí é, então, que ‘blasfemaram o Deus do céu’ significa a falsificação da Palavra até a destruição do Divino Vero nos céus.
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Continuação sobre o Sexto Preceito
[2] Foi dito que o amor conjugal, que é natural, descende do amor do bem e do vero, que é espiritual; daí esse espiritual está no amor conjugal natural como a causa no efeito. Assim, do casamento do bem e do vero existe o amor de frutificar, a saber, o bem por meio do vero e o vero procedendo do bem. Desse amor descende o amor de prolificar, no qual está todo prazer e volúpia. Ao contrário, o amor do adultério, que é natural, existe do amor do mal e do falso, que é espiritual; daí esse espiritual está no amor natural do adultério como a causa no efeito. Assim, do casamento do mal e do falso existe o amor de frutificar, a saber, o mal por meio do falso e o falso procedendo do mal. Desse amor descende o amor de prolificar nos adultérios, no qual está todo prazer e volúpia.
[3] Que no amor de prolificar esteja todo prazer e volúpia é porque todo prazer, volúpia, beatitude e felicidade, em todo o céu e em todo o mundo, foi reunido por criação no esforço e, daí, no ato de produzir usos, e eles aumentam em grau segundo a bondade e a excelência dos usos eternamente. Daí é evidente de onde vem tanta volúpia de prolificar que excede qualquer outra volúpia. Que exceda é por causa do uso que excede todos os outros usos, que é a procriação do gênero humano e, daí, do céu.
[4] Daí vem, também, a volúpia e o prazer do adultério. Como, porém, a prolificação pelos adultérios corresponde à produção do mal por meio do falso e o falso procedendo do mal, daí essa volúpia e esse prazer diminuem por graus e envilece, até finalmente se tornar em repugnância e náusea. Visto que o prazer do amor do casamento é um prazer celeste, e o prazer do adultério é um prazer infernal, como foi dito acima, daí é que o prazer do adultério vem de uma espécie de fogo impuro que, enquanto dura, imita o prazer do amor do bem. Mas é em si o prazer do amor do mal, que em sua essência é o prazer do ódio contra o bem e o vero; e como daí é a sua origem, não existe amor entre um adúltero e uma adúltera senão amor do ódio, que é tal que nos externos eles podem estar em conjunção, mas não nos internos, já que nos externos é inflamado e nos interno é gélido. Por isso, também, após um breve tempo a inflamção se extingue e sobrevém a frigidez, ou com impotência ou com aversão como ao que é sórdido.
[5] Também foi concedido ver esse amor em sua essência, que era tal que tinha por dentro um ódio mortal, mas por fora aparecia como inflamação de coisas estercorosas, podres e fétidas incendiadas. E conforme essa inflamação com o seu prazer se apagava, também expirava gradativamente a vida mútua da fala e da conversação, e surgia o ódio, primeiro sob uma espécie de desprezo, em seguida de aversão, depois de rejeição, e finalmente de blasfêmia e de combate. E, o que causava admiração, era que, embora tivessem ódio {entre si}, mesmo assim podiam às vezes se ajuntar e, então, sentiam o prazer do ódio como o prazer do amor, mas isto por causa do prurido da carne.
[6] Não se pode descrever nem crer que prazer do ódio e, daí, de fazer o mal têm aqueles que estão no inferno. Fazer mal é o regozijo do coração deles, e a isto chamam seu céu. O prazer deles de fazer o mal deriva tudo o que é seu do ódio e da vingança contra o bem e o vero. Por isso, tomados pelo ódio mortal e diabólico, eles se enfurecem contra o céu, principalmente contra aqueles que são dali e adoram o Senhor, pois se abrasam de um modo infame para trucidá-los, e como não o podem quanto aos corpos, querem fazê-lo quanto às almas. É, pois, o prazer do ódio, que nos extremos se torna inflamado e suscitado pela lascívia da carne, que se torna por um momento no prazer do adultério, retirando-se a alma, na qual esse ódio se encerra. Por isso é que o inferno é chamado adultério; por isso também que os infames adúlteros sem imisericordiosos, ferinos e cruéis. Este é, pois, o casamento infernal.
[7] Visto que o adultério é inflamado nos externos, mas frígido nos internos, e como assim o interno não produz o externo, como acontece nos casamentos, mas agem mutuamente contra si mesmos, daí é que o varão sente impotência se a mulher deseja o ato, e ainda mais se insiste, porque o interno, que é frígido, entra então no esforço e influi na inflamação que está nos externos e a extingue, e assim a expulsa como incapaz. Acresce que a cupidez de violar, que também acende esse fogo impuro, então perece.
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