AE 996

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E a sua água se secou”. Que isto signifique que os falsos foram removidos vê-se pela significação de ‘águas’, que são os veros e, no sentido oposto, os falsos (de que se tratou no n. 518); aqui, são os falsos, porque segue-se ‘para que fosse preparado o caminho dos reis vindos do nascer do sol’, pelo que é significado para que o Divino Vero do Senhor pudesse influir; e pela significação de ‘secar-se’, que é ser removido. Descreve-se aqui o estado do homem quanto ao racional. É pelo racional que o homem pode ver e entender os veros, e quanto mais os falsos dos males não o impedem, mais ele pode vê-los, pois todo homem, mesmo o mau, tem a faculdade de entender os veros (vide nos n. 874 e 970). Que, porém, o homem não os veja nem entenda é porque ele ama o mal, e este traz o falso; e, depois, quando o vero incide no falso, então o vero não pode aparecer em sua luz, pois é embotado, obscurecido, sufocado e rejeitado. Contudo, os falsos do mal não entram, por conseguinte, não impedem na primeira idade do homem, porque eles entram em sua segunda e terceira {idades}, quando não mais pensa por sua memória ou pelo mestre, mas por seu próprio entendido. Com efeito, o racional, no que está o entendimento, é aberto sucessivamente conforme o homem cresce. Disto é evidente que durante esse tempo os falsos são removidos, e então entram as cognições do vero e do bem da Palavra, as quais o homem também vê, sem os falsos, numa certa luz. Que, porém, a visão do racional seja depois pervertida por meio de raciocínios de falácias e de falsos é significado pelos ‘três espíritos imundos, semelhantes a rãs’, que saíram da boca do dragão, da besta e do falso profeta, de que se tratará na sequência. O sentido próximo destas palavras, que ‘secou-se a água do rio Eufrates, para que fosse preparado o caminho dos reis do nascer do sol’ é para houvesse passagem para a igreja onde há os Divinos veros, os quais o dragão, a besta e o falso profeta quiseram perverter, porque o Eufrates limitava de uma parte a terra de Canaan e a separava da Assíria, e pela ‘terra de Canaan’ é significada a igreja, e pela ‘Assíria’, o racional.
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Continuação sobre o Sexto Preceito
[2] Como o amor verdadeiramente conjugal em sua primeira essência é o ao Senhor oriundo do Senhor, ele é também a inocência. A inocência é amar o Senhor como seu Pai, cumprindo os mandamentos d’Ele e querendo ser conduzido por Ele e não por si mesmo, por conseguinte, como uma criança. Visto que a inocência é esse amor, ela é o ser mesmo de todo bem, e daí o o homem tem em si o céu na medida em que está no amor conjugal, porque na mesma medida está na inocência. Uma vez que o amor verdadeiramente conjugal é a inocência, por isso as graças entre os cônjuges são como as graças das crianças entre si, e quanto mais se amam, mais há tais graças, como se vêm em todos nos primeiros dias após as núpcias, quando o amor deles emula o amor verdadeira conjugal. A inocência do amor verdadeiramente conjugal se entende na Palavra pela ‘nudez’ de que Adão e sua esposa não se envergonhavam, pelo fato não haver lascívia, assim, não haver pudor entre os cônjuges mais do que entre crianças, quando estão nuas entre si.

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