. “Para que fosse preparado o caminho dos reis vindos do nascer do sol”. Que isto signifique para que o Divino Vero vindo do Senhor pudesse influir vê-se pela significação de ‘caminho dos reis’, que é o influxo do Divino Vero, pois pelo ‘caminho’ é significado o influxo, e pelos ‘reis’ são significados os veros. Que seja o influxo do Divino Vero que se entende é porque se diz ‘caminho dos reis vindos do nascer do sol’. Pelos ‘caminhos’ é significado o influxo porque todo influxo de uma sociedade a outra, assim, desde o Senhor, se dá por caminhos abertos no mundo o espiritual. E como pelo ‘nascer do sol’ é significado onde está o Senhor, assim, ‘vindos do nascer do sol’ é vindo do Senhor. Que o Senhor seja o sol do céu, e que, daí, pelo ‘sol’, na Palavra se entenda o Senhor quanto ao amor, vide acima (n. 401, 412 e 527). (Que pelo ‘oriente’ e pelo ‘nascer do sol’ se entenda onde está o Senhor. N. 422; e que pelos ‘reis’ sejam significados os Divinos veros, n. 29, 31,l 553 e 625). Foi dito acima o que se entende por essas palavras no sentido próximo, a saber, para que fosse aberto um caminho da terra de Canaan, pela qual é significado o espiritual da igreja, para a Assíria, pela qual é significado o racional da igreja. O rio Eufrates separava e distinguia essas terras. Assim, pelo ‘caminho dos reis vindos do nascer do sol’ é significado o acesso da igreja. Que ele seria aberto é o que significa neste sentido ‘á água do Eufrates se secou’.
[2] Dir-se-á agora alguma coisa a respeito do influxo do Divino Vero do Senhor nos homens. Do Senhor como Sol saem calor e luz, mas o calor é o Divino Bem, e a luz é o Divino Vero. A luz que é o Divino Vero influi e entra em todo anjo do céu e, também, em todo homem do mundo, e dá a visão interna, que é o entendimento. Porque cada homem, quanto ao seu espírito – embora não quanto ao corpo – tem a faculdade de receber essa luz, isto é, de entender o Divino Vero. Mas essa faculdade é aberta conforme o homem cresce, e segundo ele cultiva e forma o seu racional por meio de conhecimentos e cognições. Já o calor, que é o Divino Bem, não influi no anjo e no homem tanto quanto a luz, que é o Divino Vero. A razão disso é que o homem nasce em males de todo gênero, e os males o impedem. Por isso estes devem ser primeiro removidos, antes que o calor, que é o Divino Bem, possa influir. E os males são removidos quando são considerados como pecados contra Deus e quando se foge deles, suplicando-se o auxílio do Senhor. Quanto mais, pois, o homem assim recebe o Divino Bem, mais entra na luz de entender o Divino Vero, porque o caminho do Divino Vero no homem que é reformado é pelo bem da vontade e, daí, da vida nele.
[3] Quando, porém, o homem não está no Divino Bem, mas no mal, ele não tem, então, faculdade alguma de receber a luz, ou de entender o Divino Vero, mas está num estado separado; se, porém, não está num estado separado, então não a entende. O homem está num estado separado quando se mantém somente no pensamento, que pertence ao entendimento, e não ao mesmo tempo na afeição, que pertence à vontade. Nesse estado, porém, o homem não é reformado, porque então essa luz não afeta a sua vida, nem o Divino Vero é implantado. Mas o homem está num estado não separado quando se mantém no pensamento do entendimento e, ao mesmo tempo, na afeição oriunda da vontade. Nesse estado o homem não recebe a luz, ou, não entende o Divino Vero, se não estiver ao mesmo tempo no Divino Bem quanto à afeição da vontade, porque, nesse estado, os males que são da vontade e, daí, os falsos que são do pensamento, impedem e extinguem a luz. Mas, a respeito desses dois estados do homem, muitas coisas serão ditas na sequência.
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Continuação sobre o Sexto Preceito
[4] Visto que o amor conjugal em sua primeira essência é o amor ao Senhor oriundo do Senhor, e, daí, é também a inocência, por isso mesmo o amor conjugal é a paz, como a que há nos céus entre os anjos. Porque, assim como a inocência é o ser mesmo de todo bem, também a paz é o ser mesmo de todo prazer do bem; consequentemente, é o ser mesmo de todo regozijo entre os cônjuges. Ora, como todo regozijo pertence ao amor, e o amor conjugal é o amor fundamental de todos os amores do céu, por isso a paz mesma reside principalmente no amor conjugal. Que a paz seja a bem-aventurança de coração e da alma, oriunda da conjunção do Senhor com o céu e a igreja, assim também da conjunção do bem e do vero, cessando toda dissensão e todo combate do mal e do falso com o bem e o vero, vê-se acima (n. 365). E visto que o amor conjugal descende dessas conjunções, por isso também todo prazer desse amor descende e tira sua essência da paz celeste. Além disso, essa paz, como bem-aventurança celeste, brilha das faces dos cônjuges que estão nesse amor e pelo amor se consideram mutuamente. A paz celeste que afeta intimamente os prazeres do amor e se chama paz não pode existir em outros senão nos que podem ser conjuntos intimamente, quanto aos corações mesmos.
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