. [Vers. 18] “E houve vozes, e relâmpagos e trovões’. Que isto signifique os raciocínios, a escuridão do entendimento e as conclusões pelos falsos do mal vê-se pela significação de ‘vozes, relâmpagos e trovões’, quando se trata daqueles, na igreja, com quem não há mais o bem do amor e o vero da fé, que são os raciocínios, a escuridão do entendimento e as conclusões dos falsos do mal (de que se tratou acima, n. 702 e 704). Que tais coisas sejam significadas por ‘vozes, relâmpagos e trovões’ na Palavra vem da aparência no mundo espiritual daqueles que não estão no bem do amor e nos veros da fé, quando falam entre si a respeito dos outros. A fala, que é o raciocínio, é significada pelas ‘vozes’; o conflito do vero e do falso, pelos ‘relâmpagos’, e, daí, a rejeição do vero e do bem, pelos ‘trovões’. E como tais coisas existem no mundo espiritual pela correspondência, segue-se que correspondem a coisas semelhantes no mundo, e as coisas que daí são ditas são significadas.
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Continuação sobre o Sétimo Preceito
[2] Pelo que foi dito acima pode-se ver que todos os que estão nos males quanto à vida e, daí, nos falsos, são homicidas, porque são adversários do bem e do vero e têm ódio a estes, porquanto o mal odeia o bem, e o falso odeia o vero. O homem mau ignora que está em tal ódio antes de se tornar espírito; então o ódio é o prazer mesmo de sua vida. Por isso é que do inferno, onde estão todos os males, exala continuamente o prazer de prejudicar pelo ódio, enquanto do céu, onde estão todos os bens, exala continuamente o prazer de beneficiar pelo amor. Assim, as duas esferas opostas se encontram no meio, entre o céu e o inferno, e lutam mutuamente entre si. Neste meio está o homem, enquanto vive no mundo. Se, então, ele está no mal e nos falsos daí, ele passa para os partidos do inferno e, assim, vem ao prazer de prejudicar pelo ódio; mas se está no bem e nos veros daí, passa para os partidos do céu e, assim, vem ao prazer de beneficiar pelo amor.
[3] O prazer de prejudicar pelo ódio, que exala do inferno, é o prazer de matar; como, porém, não podem matar o corpo, querem matar o espírito; e matar o espírito é privar é arrebatar a vida espiritual, que é a vida do céu. Por aí é evidente que o preceito ‘não matarás’ envolve também ‘não terás ódio ao próximo’ e ‘não terás ódio ao bem da igreja e ao seu vero’, pois se tiveres ódio ao bem e ao vero, então terás ódio ao próximo; e ter ódio ao próximo é querer matar. Daí é que o diabo, pelo qual se entende o inferno em todo o conjunto, foi chamado pelo Senhor de
“Homicida desde o início” [(Jo. 8:44)].
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