AE 1024

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E toda ilha fugiu”. Que isto signifique que não mais existia vero algum da fé vê-se pela significação de ‘ilha’, que é a igreja quanto aos veros do homem natural, os quais são chamados conhecimentos verdadeiros e, também, as cognições do vero e do bem (de que se tratou no n. 406); aqui, a igreja quanto aos veros da fé, pois os veros que se chamam da fé são os veros do homem natural; que eles não mais existiam é significado por ‘toda ilha fugiu’. Que a ‘ilha’ seja a igreja quanto aos veros da fé é porque a ilha é a terra rodeada pelo mar, e pela ‘terra’ é significada a igreja, e pelo ‘mar’ o conhecimento e o cognitivo no geral, que é do homem natural. Pelas ‘ilhas’ na Palavra também são significadas as igreja entre as nações, nas quais havia somente aparências de vero, que são os veros mais distantes dos veros genuínos. A razão desta significação foi que as ilhas do mar ficavam distantes da terra de Canaan, que era a terra firme pela qual era significada a igreja que estava nos veros genuínos.
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Sobre os Preceitos do Decálogo em Geral
[2] Que os preceitos do Decálogo sejam chamados ‘Dez Palavras’ ou ‘Dez Preceitos’ é porque ‘dez’ significa todas as coisas; consequentemente, por ‘dez palavras’ são significadas todas as coisas da Palavra e, daí, todas as coisas da igreja em sumário. Que sejam todas as coisas da Palavra e todas as coisas da igreja em sumário é porque cada um dos preceitos aí tem três sentidos interiores, cada sentido para o seu céu, porque há três céus. O primeiro sentido é o sentido espiritual moral; este é para o primeiro céu o o mais externo; o segundo sentido é o sentido celeste espiritual, que é para o segundo céu ou médio; e o terceiro sentido é o Divino celeste, que é para o terceiro céu ou íntimo. Há tantos sentidos também em cada coisa na Palavra, pois a Palavra vem do Senhor, que está nos supremos, desce em ordem pelos três céus até a terra e, daí, torna-se acomodada a cada céu. Por isso também em cada céu há a Palavra e quase em cada anjo, em seu sentido, e é lida por eles diariamente, e também por ela se fazem pregações, como nas terras.
[3] com efeito, a Palavra é o Divino Vero mesmo, assim, a Divina Sabedoria procedente do Senhor como Sol e aparecendo nos céus como luz. O Divino Vero é o Divino que é chamado Espírito Santo, pois este não só procede do Senhor, mas também ilumina o homem e o ensina, como se diz a respeito do Espírito Santo. Visto que a Palavra, em sua descida desde o Senhor, torna-se acomodada aos três céus, e os três céus são conjuntos como os íntimos, pelos meios, aos últimos, assim também os três sentidos da Palavra, daí é evidente que a Palavra foi dada para que por ela haja conjunção dos céus entre si e, também, para que haja conjunção dos céus com o gênero humano, para o qual é o sentido da letra, que é meramente natural e, daí, a bases dos três demais sentidos. Que os dez preceitos do Decálogo sejam todas as coisas da Palavra em sumário não se pode ver de nenhum outro modo senão por esses preceitos quanto aos seus três sentidos, que são tais.

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