AE 1025

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E os montes não foram achados”. Que isto signifique que não mais havia bem algum do amor vê-se pela significação de ‘montes’, que são a igreja quanto ao bem do amor (de que se tratou nos n. 405, 510 e 850). Que os ‘montes’ sejam a igreja quanto ao bem do amor é porque a ‘terra’ significa a igreja, e os anjos que estão no amor ao Senhor têm sua terra sobre os montes, no mundo espiritual; daí os ‘montes’ significarem a igreja quanto ao bem do amor ao Senhor. Que eles habitem sobre montes no mundo espiritual é porque são anjos interiores, e os interiores no mundo espiritual correspondem aos superiores e são, realmente, os superiores. Daí é, também, que do Senhor se diz ‘Altíssimo’ e ‘habitar nos altíssimos’, pelo fato de Ele estar no íntimo.
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Sobre os Preceitos do Decálogo em Geral
[2] Quais são esses três sentidos nos preceitos do Decálogo pode-se ver pelo será exposto no seguinte sumário. O primeiro preceito do Decálogo, “não adorarás outro deus além de Mim” envolve, no sentido espiritual moral, que não adorarás outra coisa ou outra pessoa que não o Divino; não outra coisa, isto é, a natureza, atribuindo a ela algum Divino por si; e não outra pessoa, isto é, algum substituto do Senhor ou algum santo. No sentido celeste envolver que não reconhecerás senão um só Deus, e não muitos segundo as qualidades, como os antigos fizeram e hoje fazem alguns pagãos; ou segundo as obras, como hoje fazem os cristãos, que fazem um Deus pela criação, um pela redenção e um pela iluminação.
[3] O mesmo preceito no set Divino celeste envolve que somente o Senhor deve ser reconhecido e adorado, e o trino n’Ele, a saber, o Divino mesmo de eternidade, que se entende pelo ‘Pai’, o Divino Humano nascido no tempo, que se entende pelo ‘Filho de Deus’, e o Divino procedente de ambos, que se entende pelo ‘Espírito Santo’. Estes são os três sentidos do primeiro preceito em sua ordem. Por esse preceito esclarecido no tríplice sentido é evidente que nele estão contidas e incluídas em sumário todas as coisas que concernem ao Divino quanto à essência.
[4] No outro preceito, ‘não profanarás o nome de Deus’, estão contidas e incluídas, em seus três sentidos, todas as coisas concernentes ao Divino quanto à qualidade, pois pelo ‘nome de Deus’ é significada a qualidade d’Ele, que, no primeiro sentido, é a Palavra, da Palavra a doutrina e da doutrina o culto de boca e de vida; no segundo sentido é o reino do Senhor nas terras e o reino do Senhor nos céus; e no terceiro sentido é o Divino Humano do Senhor, pois este é a qualidade do Seu Divino. (Que o Divino Humano do Senhor seja, no sentido supremo, o ‘nome de Deus’ vide acima, n. 224). Nos demais preceitos há, semelhantemente, três sentidos internos para os três esses. Mas a respeito disso tratar-se-á em outro lugar, querendo o Senhor.

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