. [Vers. 21] “E grande saraiva, como do peso de um talento, desceu do céu sobre os homens”. Que isto signifique os maiores falsos infernais destruindo todo entendimento do vero nos homens da igreja vê-se pela significação de ‘saraiva’, que é o falso infernal que destrói todo vero e bem da igreja (de que se tratou nos n. 503 e 704); e essa saraiva é chamada ‘grande’ e ‘como do peso de um talento’ porque se entendem os maiores falsos infernais; a qualidade dos falsos é comparada ao talento porque o talento, na contagem do dinheiro e no peso da prata, era a maior soma, e pela ‘prata’ é significado o vero e, no sentido oposto, o falso, e pelo ‘peso’ o que é pesado por causa do mal, assim, sumamente infernal, pois o falso do mal é pesado e por si mesmo cai no inferno; e pela significação de ‘descer do céu sobre os homens, que é vir do inferno destruindo o entendimento do vero naqueles que são da igreja, pois pelos ‘homens’ são significados os homens da igreja quanto ao entendimento do vero; ou, o que é o mesmo, é significado o entendimento do vero que têm os homens da igreja.
[2] Que ‘descer do céu’ signifique ser proveniente do inferno é porque o falso, que é aqui significado pela ‘grande saraiva’ não desce do céu, mas sobe do inferno. De fato, no mundo espiritual cai saraiva do céu, assim como no mundo espiritual, pois há chuva que desce do céu e esta se congela em saraiva por causa do frio que sobe do inferno. O frio dali é a privação do calor ou do amor celeste. Segue-se daí que a saraiva não desce do céu como saraiva, mas vem do inferno. O mesmo acontece com a chuva de enxofre e fogo que cai do céu. A ‘chuva de água’ significa o Divino Vero no céu, mas a ‘saraiva’ significa o Divino Vero convertido em falso infernal, o que acontece no caminho de descida do céu.
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Sobre os Preceitos do Decálogo em Geral
[3] Visto que do Senhor como Sol procede o Divino Vero unido ao Divino Bem, e por ele foi feito o céu e foi feito o mundo (Jo. 1:1, 3, 10), segue-se que vem daí que todas as coisas no céu e no mundo se referem ao bem e ao vero, e à conjunção deles, para que se torne alguma coisa. Nesses dez preceitos estão contidas todas as coisas do Divino Bem e todas as coisas do Divino Vero, e a conjunção destes está também neles. Mas a conjunção deles aí é oculta, pois é conforme a conjunção do amor ao Senhor e do amor para com o próximo, porque, quando o homem vive segundo o Divino Vero, isto é, quando ele ama o próximo, então o Senhor influi com o Divino Bem e se conjunta. Por esse motivo havia duas tábuas em que esses dez preceitos foram escritos, e elas foram chamadas ‘aliança’, pela qual é significada a conjunção. E elas foram depois postas na arca, não uma junto à outra, mas uma sobre a outra, em testemunho da conjunção entre o Senhor e o homem. Numa tábua foram escritos os preceitos do amor ao Senhor, e na outra tábua foram escritos os preceitos do amor para com o próximo. Os três primeiros preceitos são do amor ao Senhor, e os seis últimos preceitos são do amor para com o próximo; e o quarto preceito, que é “honra teu pai e tua mãe’, é o preceito intermediário, pois pelo ‘Pai’, ali, entende-se o Pai nos céus, e pela ‘mãe’, ali, entende-se a igreja, que é o próximo.
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