. “E os homens blasfemaram Deus por causa da praga de saraiva”. Que isto signifique a falsificação da Palavra daí vê-se pela significação de ‘blasfemar Deus’, que é falsificar a Palavra (como acima, n. 778 e 991); e pela significação de ‘praga de saraiva’ é o maior falso infernal (de que se tratou logo acima), donde vem a falsificação da Palavra.
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Sobre os Preceitos do Decálogo em Geral
[2] Dir-se-á alguma coisa agora sobre a maneira como se faz a conjunção pelos preceitos do Senhor. Somente o Senhor conjunta o homem a Si, e não o homem de si mesmo ao Senhor. O Senhor conjunta o homem a Si pelo fato de o homem conhecer, entender, querer e viver esses preceitos. Se, porém, não os faz, deixa de os querer e, com o querer, deixa também de os entender e conhecer. Pois o que é o querer, quando o homem não faz, quando o pode? Não é um objeto da imaginação [ens rationis]? Daí se segue que a conjunção acontece quando o homem faz os preceitos do Decálogo.
[3] Mas foi dito que somente o Senhor conjunta o homem a si, e não o homem de si mesmo ao Senhor, e que essa conjunção acontece por ele fazer. Daí se seque que o Senhor no homem faz esses preceitos. Todavia, qualquer um pode ver que a aliança não é firmada e por ela não se faz conjunção a não ser que esteja reciprocamente no homem, para que ele não somente consinta, mas, também, receba. Para esse fim o Senhor deu ao homem o livre de querer e de fazer como por si mesmo, e esse livre é tal que o homem, quando pensa no vero e faz o bem, não sabe outra senão que isto está interiormente em si e, assim, vem de si. Esse recíproco é da parte do homem para que se faça a conjunção. Como, porém, esse livre vem do Senhor, e vem continuamente d’Ele, por isso o homem deve de todo modo reconhecer que pensar e entender o vero, e querer e fazer o bem, não vem de si, mas do Senhor, segundo as coisas que foram ditas acima a respeito deste assunto (n. 946, 971 e 973).
[4] Por causa disso, quando o homem, pelos seis últimos preceitos, se conjunta ao Senhor como se por si mesmo, então o Senhor Se conjunta ao homem pelos três primeiros preceitos, que são: que o homem reconheça Deus, creia no Senhor e considere o nome d’Ele como santo. A fé disto não está no homem, por mais que se creia que está, a menos que ele se abstenha como pecados dos males que foram prescritos na outra tábua, isto é, nos seis últimos preceitos. Estas são as coisas da aliança da parte do Senhor e da parte do homem, pelas quais se faz a conjunção recíproca, que é que o homem esteja no Senhor, e o Senhor no homem (Jo. 14:20).
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