. “Tendo um copo de ouro em sua mão, cheio das abominações e da imundície de suas escortações.” Que isto signifique a doutrina oriunda dos bens e veros profanados, vê-se pela significação de ‘copo’, que é o falso vindo do inferno, pois pelo ‘copo’ é significado o mesmo que pelo ‘vinho’, e pelo ‘vinho’ é significado o vero vindo do céu, e, no sentido oposto, o falso vindo do inferno (vide n. 887, 960 e 1022); e como o ‘copo’ significa o vero ou o falso, e a doutrina de cada igreja é do vero ou do falso, por isso todo vero ou falso da igreja está contido na doutrina, por isso pelo ‘copo’ também é significada a doutrina, e pelo ‘copo de ouro’ a doutrina do falso do mal.
[2] Semelhantemente, em Jeremias :
“Copo de ouro é Babel na mão de Jehovah, embriagando toda a terra” (Jr. 51:7).
Diz-se ‘copo de ouro’ pela mesma razão pela qual a mulher estava ‘envolta em púrpura e escarlate, e ornada de ouro, pedra preciosa e pérolas’, a saber, pela aparência nos externos, quando, todavia, nos internos é como um copo ‘cheio de abominações e imundície’. É, com efeito, conforme o Senhor disse a respeito dos externos e internos nos escribas e fariseus:
“Ai de vós, escribas e fariseus...! que limpais o exterior do copo e do prato, mas os interiores estão cheios de rapina e de intemperança. ... E vos fazeis semelhantes a sepulcros caiados, que por fora até parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos dos mortos e de toda imundície” (Mt. 23:25-27).
[O que foi dito acima se confirma também] pela significação de ‘abominações’, que são as profanações do bem (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘imundície de escortações’, que é a profanação do vero, pois ‘escortação’ significa a falsificação do vero (como acima); daí, sua ‘imundície’ significa a profanação.
[3] No que concerne às profanações, que são significadas por ‘abominações’, elas são perversões das coisas santas da igreja, por conseguinte, conversões dos seus bens em males, e dos seus veros em falsos. São chamadas ‘abominações’ porque os anjos as abominam, pois enquanto foram coisas santas da igreja, oriundas dos bens e veros da Palavra, elas subiram ao céu. Mas, quando são aplicadas aos males e, assim, profanadas, carregaram consigo o infernal, que se encerra interiormente nelas. Por isso elas são percebidas como coisas mortas nas quais estivera a alma vivente; daí é que o céu as abomina e detesta.
[4] Que tais coisas se entendam na Palavra por ‘abominações’ é evidente pela enumeração das abominações de Jerusalém, em Ezequiel, a saber:
Que ela tomou das vestes de seu adorno, que lhe foram dadas, e fez para si altos de diversas cores, e cometeu escortação sobre eles; que do ouro e da prata, que lhe foram dados, fez para si imagens de macho, com as quais também cometeu escortação; que o óleo, o incenso, o pão e a flor de farinha, que lhe foram dados, deu a eles por odor de repouso; que sacrificou os filhos e as filhas; que cometeu escortação primeiro no Egito, depois, com os filhos da Assíria, e, finalmente, com os caldeus; além de muitas outras coisas, que ali são chamadas ‘abominações’ (Ez. 16:2-63).
Por todas essas coisas são significadas as profanações da Palavra, da igreja e do culto. Dá-se de modo semelhante em outras passagens onde as abominações são enumeradas ou mencionadas (como Jr. 7:9, 10; 16:18; 32:35; Ez. 5:11; 7:19, 20; 8:6-18; 11:21; 14:6; 20:7, 8; Dt. 7:25, 26; 12:31; 18:9, 10; Mt. 24:15; Mc. 13:14; Dn. 9:27; 11:31 e outras passagens).
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