AE 1044

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E de pérolas”. Que isto signifique a aparência nos externos como se estivesse nas cognições do bem e do vero, vê-se pela significação de ‘pérolas’, que são as cognições do bem e do vero (de que se tratará a seguir); daí, no sentido oposto, pelas ‘pérolas’ é significado o conhecimento do mal e do falso, pelo qual eles têm astúcia e malícia. Que a nação babilônica seja tal, a saber, que queiram aparecer na santidade e, daí, como se em todo bem e vero, e nas cognições destes, por conseguinte, na inteligência mais do que todos no mundo, quando, todavia, eles estão antes em nenhum bem e vero, nem nas cognições destes, e, assim, em nenhuma inteligência e sabedoria nas coisas espirituais – que neles não existem e, de fato, são insanidades neles – vê-se claramente no mundo espiritual, onde os interiores de cada homem são abertos e daí se tornam evidentes. Esses interiores nos monges, e, de fato, nos jesuítas – que são considerados de inteligentes de gênio mais do que todos no mundo – apareceram tão vácuos e vazios que eles não conheciam um vero sequer, que conduz ao céu. Eles foram examinados e vistos que eram assim.
[2] Que pareça nos externos que eles estão nos bens, nos veros, nas cognições, na inteligência e na sabedoria é porque submeteram ao seu domínio todas as coisas santas da Palavra, da igreja e do culto, e porque daí falam pelo domínio com a pessoa comum, persuadindo-a de que há neles arcanos do céu e que por inspiração destes o papa edita enunciados, igualmente aos profetas e apóstolos. E isto pode ser dito soberbamente por eles, porque falam pela autoridade do domínio sobre as almas, sobre o céu e o inferno. E isto também pode ser crido pela pessoa comum por causa da persuasão de santidade deles, sem repugnância de coração, visto que a pessoa comum é mantida, para esse fim, em densa escuridão a respeito das coisas espirituais, escuridão na qual eles inspiram bens espúrios e veros enganosos, aos quais chamam Divinos e celestes. Nessa escuridão em que a pessoa comum é mantida, eles podem mesmo inspirar males e falsos diabólicos e infernais, e induzir a fé de que são bens e veros celestes e espirituais. Assim, pois, e não de outro modo, eles podem ser adorados como deidades, e submeter terras e possessões ao seu império e à sua riqueza. Essas são as coisas, portanto, que se encerram interiormente neles, enquanto os exteriores aparecem como que vestidos de púrpura e escarlate, e ornados de ouro, pedra preciosa e pérolas.
[3] Que as ‘pérolas’ signifiquem as cognições do bem e do vero, vê-se pelas seguintes passagens. Em Mateus:
“Semelhante é o reino dos céus a um mercador que procura belas pérolas, o qual, como achasse uma pérola preciosa, indo, vendeu todas as coisas que tinha, e a comprou” (Mt. 13:45, 46);
pelo ‘reino dos céus’ se entende o céu e a igreja; pelo ‘negociante’ se entendem os que adquirem para si os bens e veros, pelos quais há o céu e a igreja; pelas ‘pérolas’ são significadas as cognições do bem e do vero, pois estes são os veros do homem natural; por ‘uma pérola preciosa’ se entende a cognição a respeito do Senhor e de Seu Divino; ‘indo, vendeu todas as coisas que tinha, e a comprou’ significa que rejeitar o proprium para receber a vida oriunda do Senhor.
[4] No mesmo:
“Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis vossas pérolas diante dos porcos, para que não as calquem aos pés, e, voltando-se, vos dilacerem” (Mt. 7:6);
pelos ‘cães’ são significadas as concupiscências e os desejos; pelos ‘porcos’ são significados os amores impuros, como são os dos adúlteros nos infernos; como esses estão no casamento inferno, que é o do falso e do mal, por isso rejeitam completamente os veros e bens e as suas cognições, e, além disso, os tratam com ignomínia e insultos; ‘não lanceis vossas pérolas diante dos porcos, para que não as calquem com seus pés, e, voltando-se, vos dilacerem’; ‘calcar aos pés’ é rejeitar completamente, como imundícies, e ‘voltando-se, dilacerar’ é tratar com ignomínia e insultos.
[5] Pelas ‘pérolas’ são significadas as cognições do bem e do vero também nas seguintes passagens no Apocalipse:
“Os mercadores da terra chorarão e prantearão sobre” Babilônia, “que não compra mais as mercadorias deles, mercadorias de ouro e de prata, e de pedra preciosas, e de pérolas” (Ap. 18:11, 12);
também,
“As doze portas” do muro da Nova Jerusalém “são doze pérolas, cada uma das portas era uma pérola” (Ap. 21:21).
Visto que pelas ‘portas da Nova Jerusalém’ são significadas coisas tais que são da doutrina da Palavra, que introduzem o homem à igreja, e elas são as cognições do vero e do bem da Palavra, por isso as portas foram vistas sendo ‘de pérolas’.

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