AE 1043

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E ornada de ouro e de pedra preciosa”. Que isto signifique a aparência dessa religiosidade nos externos como se fosse proveniente do bem e vero espiritual, quando, todavia, nos internos provém do mal e falso infernal, vê-se pela significação de ‘ouro’, que é o bem espiritual, e o mal que lhe é oposto, que se chama mal infernal; que o ‘ouro’ signifique o bem, vide (acima) (n. 242); e pela significação de ‘pedra preciosa’, que é o vero de origem espiritual, e também o falso que lhe é oposto, que se chama falso infernal; que a ‘pedra preciosa’ seja o vero de origem espiritual, vide (acima) (n. 717).
[2] Algumas coisas foram ditas acima a respeito do bem e do vero de origem celeste, e do bem e do vero de origem espiritual. Agora se dirá a respeito do mal e do falso que lhes são opostos. Assim como os céus foram distintos em dois reinos, a saber, em reino celeste e reino espiritual, assim também os infernos foram distintos em dois domínios que são opostos àqueles reinos. O domínio oposto ao reino celeste se chama diabólico, e o domínio oposto ao reino espiritual se chama infernal. Esses domínios são distintos na Palavra pelos nomes ‘diabo’ e ‘satanás’. Que nos infernos haja dois domínios é porque os céus e os infernos são opostos entre si, e os opostos devem se corresponder completamente, para que haja o equilíbrio. Com efeito, a existência e a subsistência de tudo, tanto no mundo natural quanto no mundo espiritual, dependem de um justo equilíbrio entre dois agentes que são opostos, os quais, quando agem mútua e manifestamente contra si, agem por meio de forças; mas, quando não manifestamente, agem por meio de esforços. Pelo equilíbrio em ambos os ambos todas as coisas são conservadas; sem ele, todas as coisas pereceriam. O equilíbrio no mundo espiritual é entre o bem do céu e o mal do inferno, e, assim, entre o vero do céu e o falso do inferno; assim, pois, é continuamente disposto pelo Senhor que todos os gêneros e todas as espécies de bem e de vero nos céus tenham, opostos a si, males e falsos de gêneros correspondentes nos infernos pelos opostos. Assim, os bens e veros de origem celestes têm, opostos a si, males e falsos que se chamam diabólicos; semelhantemente, os bens e veros de origem espiritual têm, opostos a si, males e falsos que se chamam infernais.
[3] Os equilíbrios derivam sua causa do fato de que os mesmos Divinos bens e os Divinos veros, que os anjos nos céus recebem do Senhor, nos espíritos nos infernos se convertem em males e falsos. Todos os anjos, espíritos e homens são mantidos pelo Senhor em equilíbrio entre o bem e o mal e, assim, entre o vero e o falso, a fim de estarem no livre e, assim, serem facilmente levados do mal ao bem, e do falso ao vero, como por si mesmos, quando o são pelo Senhor. Daí é que também pelo livre eles são conduzidos do bem ao mal, ou do vero ao falso, e isto também como por si mesmos, ainda que o sejam pelo inferno.

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