AE 1054

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “A besta que viste era e não é”. Que isto signifique a Palavra que no início foi recebida na igreja e lida, e depois foi tirada do povo e não lida, vê-se pela significação de ‘besta escarlate’, que é a Palavra na letra quanto às suas coisas santas (de que se tratou no n. 1038); pela significação de ‘era’, a saber, que foi recebida e lida na igreja, no início; e pela significação de ‘não é’, a saber, que depois foi tirada e não lida. Que tais coisas se entendam por essas palavras vê-se pelo fato de que assim se deu com a Palavra, a saber, que no início eles a tinham reconhecido como Divina e por ela tinham ensinado, e a tinham lido diante do povo; e que, depois, conforme estendiam o domínio sobre a igreja e sobre o céu, eles a reconheciam, de fato, como Divina, mas não ensinavam por ela, como anteriormente. Com efeito, eles proibiram o povo que a lessem e, em lugar da doutrina proveniente dela, estabeleceram como Divina a doutrina vinda do trono papal ,e instituíram como culto Divino as missas não compreendidas por uma pessoa comum, e pregam a adoração ao papa e a homens mortos, aos quais chamam santos, em lugar do Senhor, como era antes. Daí se pode ver que é a Palavra que se entende pela ‘besta escarlate que era e não é, e há de subir do abismo e ir para a destruição’. Que no princípio a Babilônia tenha sido uma igreja que adorou ao Senhor e pregou o Divino Vero da Palavra, e, depois, até conservou a adoração ao Senhor, mas uma externa, que é formal, enquanto a interna, que é essencial, transferiram ao papa como substituto e ao corpo ministerial como substitutos abaixo dele, vê-se acima (n. 1029).
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[2]Continuação sobre o segundo gênero de profanação
Os que estão neste gênero de profanação não podem deixar de adulterar os bens da Palavra e falsificar os seus veros, assim pervertendo as coisas santas da igreja. Com efeito, estas não concordam com o fim, que é a dominação do homem sobre elas, porquanto são Divinas e não podem ser serviçais. Daí é que, necessariamente, para que os meios concordem com o fim, os bens são convertidos em males, os veros em falsos e, assim, as coisas santas em profanas; e isto aumenta conforme é amplificado o domínio, que é o fim.
[3] Que isto seja assim, pode-se ver claramente pela Babilônia de hoje, para a qual as coisas santas da Palavra, da igreja e do culto são meios, e a dominação é o fim. Quanto mais ampliaram a dominação, mais enfraqueceram a santidade da Palavra e realmente puseram acima dela a santidade dos ditames do papa, reivindicaram para si a autoridade sobre o céu e até sobre o Senhor mesmo, e instituíram o culto idolátrico de homens viventes e, também, de mortos, e isto até nada deixarem de resto do Divino Bem e do Divino Vero.
[4] É pela Divina Providência do Senhor que as coisas santas da Palavra, da igreja e do culto tenham sido mudadas assim; não que assim se fizesse por Sua providência, mas é de Sua providência porque, quando o homem quer dominar pelas coisas santas Divinas, e também domina, que adote o falso em lugar do vero e o mal em lugar do bem, caso contrário eles conspurcariam as coisas santas e elas se tornariam abomináveis diante dos anjos, o que não acontece quando elas não são mais [santas]. Por exemplo, o que foi feita da Santa Ceia instituída pelo Senhor, na qual separaram o pão e o vinho, e dão o pão ao povo e eles mesmos bebem o vinho, pois o ‘pão’ significa o bem do amor, e o’ vinho’ o vero da fé no Senhor, e o bem separado do vero não é bem, nem o vero separado do bem é vero, porquanto o vero é vero por causa do bem, e o bem é bem no vero. Semelhantemente em relação às demais coisas.

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