. “E há de subir do abismo e ir para a destruição”. Que isto signifique ela reconhecida como Divina por mera formalidade, porém rejeitada, vê-se pela significação de ‘subir do abismo’, quando se trata da Palavra naqueles que são da Babilônia, que é ser recebido e reconhecido como Divino por mera formalidade (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘ira para a destruição’, que é não ser reconhecido, mas rejeitado. Que isto seja assim em relação à Palavra com aqueles que são da Babilônia é notório, pois ela é reconhecida como Divina por causa das palavras do Senhor a Pedro, a respeito das chaves, por causa dos relatos históricos sobre a paixão, sobre Maria, sobre os apóstolos e algumas passagens que eles puderam perverter em favor de seu domínio. Como todas essas vêm da Palavra, e sobre elas se funda a religiosidade deles, por isso, se a Palavra não fosse reconhecida como Divina, a religião mesma cairia, e eles não poderiam mais dominar sobre as coisas santas nem serem chamados cristãos. Mas, que a Palavra seja, no entanto, rejeitada por eles, também é notório, pois ela não é lida pelas pessoas comuns e pouco pelos monges que [a] ensinam. Além disso, muitos enfraquecem a sua santidade, como é evidente por muitos escritos e falas, pelo de as coisas que há ali não concordarem com os ditames e bulas do papa, e porque Babel é vivamente descrita ali e condenada ao inferno. Estas são as causas de sua rejeição, pelas quais é evidente que a Palavra é reconhecida como Divina somente por mera formalidade. Que essas coisas sejam significadas por aquelas palavras, pode-se ver claramente quando pela ‘besta escarlate’ se entende a Palavra e pela ‘meretriz’ ou ‘mulher sentada nela’ se entende a religiosidade que visa o domínio como fim, e as coisas santas da Palavra, da igreja e do culto como meios.
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[2] Continuação a respeito do segundo gênero de profanação
Os que estão no amor de si e, daí, no amor de dominar, e cobiçam, busca e, depois, exer4cem a dominação por meio das coisas santas da Palavra, da igreja e do culto, são os que profanam, porque o prazer do amor de dominar por causa de si, isto é, por causa da eminência e, daí, da veneração e, por assim dizer, da adoração a si, é um prazer infernal. Esse prazer reina também no inferno, pois no inferno cada um quer ser o maior, enquanto no céu cada um ser o menor. E dominar sobre as coisas santas pelos prazer infernal é profaná-las.
[3] Mas este segundo gênero de profanação das coisas santas da igreja não é como o primeiro gênero de profanação delas. O primeiro gênero é com aqueles em quem se fez a comunicação com o céu por meio da abertura de sua mente espiritual, ao passo que o segundo gênero de profanação é com aqueles em quem a mente espiritual não foi aberta e não se deu, por esse modo, comunicação com o céu, pois enquanto o prazer do amor de dominar reside no homem, essa mente não pode ser aberta, nem, por conseguinte, pode haver comunicação com o céu.
[4] A sorte desses profanadores após a morte também difere da sorte dos primeiros. Os primeiros, como foi dito, estão em perpétuo delírio de fantasia, enquanto estes estão no ódio contra o Senhor, contra o céu, contra a Palavra, contra a igreja e contra todas as suas coisas santas. Eles estão em tal ódio pelo fato de lhes ser tirado o domínio e, assim, o [seu] estado ser mudado num contrário. Eles aparecem como que ígneos, e o inferno deles como um incêndio, pois o fogo infernal não é outra coisa senão a cobiça de dominar pelo amor de si. Esses estão entre os piores, e são chamados ‘diabos’; os outros, porém, são chamados ‘satanases’.
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