AE 1061

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 9) “Esta é a mente que tem sabedoria”. Que isto signifique o entendimento deles no sentido natural oriundo do espiritual, vê-se pela significação de ‘esta é a mente’, que é o entendimento deles; pela significação de ‘que tem sabedoria’, que é que pode perceber o que foi representado e, daí, significado pela visão, especialmente pela ‘besta escarlate’ e suas ‘sete cabeças e dez chifres’; mas num sentido abstraído da pessoa, pelo ‘que tem sabedoria’ se entende a explicação da coisa representada no sentido natural oriundo do espiritual, assim, a explicação do que são ‘sete montes’ e ‘sete reis’, que são significados pelas ‘sete cabeças’. Porque a explicação dada pelo anjo, que ‘as sete cabeças são sete montes sobre os quais está a mulher’, e que são ‘sete reis, dos quais cinco caíram, e um é, e o outro ainda não veio’, e que se seguirão, não é uma explicação no sentido natural oriundo do espiritual, mas uma explicação no sentido meramente natural, no qual se encerra o sentido espiritual. Esse sentido é o que deve ser exposto, e é exposto quando se explica o que é significado por ‘sete montes’, ‘sete reis’ e, também, por ‘cinco que caíram’, por ‘um que é’ e assim por diante. É isto, pois, que se entende por ‘ter sabedoria’, como também acima:
“Aqui há sabedoria; quem tem inteligência, calcule o número da besta” (Ap. 13:18).
Que o anjo não tenha explicado a visão no sentido natural oriundo do espiritual é porque a explicação também faz parte da Palavra na letra, e a Palavra na letra deve ser natural, onde há um sentido espiritual encerrado em cada uma de suas coisas, caso contrário a Palavra não serviria como base para os céus nem para a igreja, para a sua conjunção com o céu. Daí é que, em outras passagens na Palavra, como em Daniel e nos demais Profetas, onde os anjos explicam visões, eles as explicam no sentido meramente natural, e não absolutamente no sentido natural oriundo do espiritual. O sentido natural oriundo do espiritual aparece aqui quando é explicado o que significam o que são os ‘sete montes’, o que são os ‘sete reis’ e outras coisas, a saber, os ‘montes’ significam os bens da Palavra, e os ‘sete montes’ esses bens profanados; e os ‘reis’ significam os veros da Palavra, e os ‘sete reis’ esses veros profanados. Este é o sentido natural oriundo do espiritual, que é chamado sentido interno e, também, sentido espiritual natural.
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[2] Do quarto gênero de profanação
O quarto gênero de profanação é viver uma vida de piedade, frequentando os templos, escutando devotamente as pregações, participando do sacramento da ceia e as demais coisas do culto segundo os estatutos, lendo a Palavra em casa e, às vezes, os livros de devoção, e orando de manhã e de noite segundo o costume e, no entanto, nada fazer dos preceitos de vida que estão na Palavra, especialmente no Decálogo, agindo de modo insincero e injusto nos negócios e juízos por causa do ganho ou da amizade, praticando escortação e adulterando quando a libido acende e dá oportunidade, inflamando-se de ódio contra aqueles que não favorecem seu ganho ou sua honra, mentindo e falando mal dos bons e bem dos maus, e assim por diante. Quando o homem está nisso, e ainda não foi purificado pela aversão e abstenção disso, e, no entanto, cultua devotamente a Deus, como foi dito acima, ele então profana, pois mistura os seus internos, que são impuros, aos externos, que são piedosos, e os conspurca, porque não é possível externo que não proceda e tenha existência dos internos. Com efeito, as ações e a fala do homem são os seus externos, e os pensamentos e vontades são os seus internos; o homem não pode falar senão a partir do pensamento, nem agir senão a partir da vontade. Quando a vida dos pensamentos e das vontades está cheia de astúcia, malícia e violência, essas coisas não podem deixar de influírem juntamente, como crimes interiores da vida, na fala e nas ações que pertencem ao vulto e à piedade, e sujá-los como a lama suja as águas.
[3] Esse culto é o que se entende por ‘Gog e Magog’ (Ap. 20:8), e é assim descrito em Isaías:
“Que é para Mim a multidão de sacrifícios” ...os minchás, os incensos, os sabbath, as luas novas, as festas marcadas e as orações, quando as vossas mãos estão cheias dos sangues? “Lavai-vos, purificai-vos, removei a malícia de vossas obras... cessai de fazer o mal” (Is. 1:11-19).
Esse gênero de profanação não é hipócrita, como anteriormente, porque o homem que está nele crê que está salvo pelo culto externo separado do interno, e desconhece que o culto, pelo que é salvo, é o externo proveniente do interno.

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